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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo IX - Ava -

AVA

Ava despertou de seu sono de ânimo renovado. Sentia-se forte, confiante e disposta a trabalhar.  Após pensar muito, tomou a sua decisão:   aceitaria o caso sem nada cobrar. Faria o trabalho por amor à profissão e por caridade, uma vez que sabia que o necessitado era extremamente humilde. Ambos se beneficiariam: ela exercitaria os seus conhecimentos; ele teria uma advogada que envidaria todos os esforços para provar a sua inocência.

– Bom dia sobrinha, dormiu bem? – Perguntou, de muito bom humor, o Senhor Ivan.
– Sim, meu tio, muito bem. Tomei uma decisão tio, vou ajudar o amigo do Reverendo. E que Deus me ajude!
– Fico feliz Ava, o pobre homem necessita mesmo de uma mão. Conte comigo no que for necessário.
– Obrigada, tio. Vou procurar o Reverendo agora.
Assim dizendo, a jovem advogada foi à procura de sua primeira defesa, de seu primeiro trabalho. Feliz e ansiosa por encontrar ali, em ambiente hostil devido à guerra, um trabalho que lhe permitisse exercitar seus conhecimentos, por anos a fio acumulados.

Diante da porta da igreja, residência do Reverendo, Ava, por um breve momento, hesitou. Imediatamente, a equipe espiritual tratou de equacionar a situação, devolvendo à Ava força, confiança e determinação.
Antes mesmo que ela batesse à porta, Rafael que vinha caminhando e percebeu que a moça queria alguma coisa, perguntou:
– Posso ajudá-la?
– Preciso falar com o Reverendo Nicos.
– Pode voltar um pouco mais tarde? Esta é a hora das orações. Não podemos incomodar...
Antes que Rafael terminasse de falar, o Reverendo surgiu dizendo:
– Rafael, hoje as orações esperarão. Entre, por favor, Senhorita Ava.
– Obrigada, Reverendo. Antes de tudo, bom dia!
– Bom dia Senhorita, desculpe, é que...
– Por favor, Senhor Reverendo, chega de desculpas entre nós. Estou aqui para dizer-lhe que aceito ajudar seu amigo. Estou disposta a iniciar o trabalho imediatamente.
– Deus seja louvado!
Após a comunicação de Ava, o Reverendo Nicos ajoelhou-se dando graças a Deus.
Ava comoveu-se, lágrimas discretas formaram-se em seus olhos. Conteve-as, não ficava bem uma advogada envolvida emocionalmente com o caso.
– Reverendo, precisamos conversar sobre os acontecimentos para que eu possa começar o trabalho. Vamos lá?
– Sim minha filha, vamos lá.
Inteirada sobre os fatos, Ava comunicou ao Reverendo que o próximo passo seria ver Henry.
– Podemos ir vê-lo agora, se não se opuser Senhorita.
– Vamos Reverendo.
Ava e o Reverendo Nicos dirigiram-se à delegacia cheios de esperança. A equipe espiritual acompanhava-os, fortalecendo seus ânimos.
– Bom dia, delegado Orestes! – Exclamou feliz o Reverendo.
– Bom dia. – Respondeu secamente o delegado –
– Delegado, permita que lhe apresente a advogada de Henry, a Senhorita Ava Deléon.
Surpreso, o delegado Orestes deu um salto de sua cadeira:
– Como Reverendo? Advogada de Henry?
– Sim. A Senhorita Ava é a advogada de Henry. Ela é sobrinha do Senhor Ivan. Conhece o Senhor Ivan, não é mesmo delegado?
– Conheço pouco.
– É o bastante. Bem, Ava é a advogada de Henry e quer vê-lo agora, delegado.
– Antes devemos conversar. Existem procedimentos burocráticos aos quais não podemos fugir Reverendo.
– Sim, vamos a eles delegado.
O delegado estava visivelmente surpreso. “Uma advogada?”, pensava ele consigo.
– A Senhora não é da cidade, não é mesmo?
– Não, sou francesa, resido lá. Aqui moram meus tios. A propósito, sou Senhorita.
Terminados os procedimentos burocráticos, o delegado permitiu a entrada de Ava e do Reverendo, os quais foram devidamente acompanhados por um soldado.
– Bom dia Henry, alegre-se filho, boas novas trago para você! – Exclamou feliz o Reverendo –
– Bom dia Reverendo.
– Apresento-lhe sua advogada, a Senhorita Ava, advogará em seu favor. Não é uma boa nova Henry?
– Sim, claro que é. Bom dia Senhorita!
– Bom dia, Henry! Precisamos conversar. Deve contar-me tudo o que se passou sem nada omitir. Disso dependerá o sucesso de sua defesa.
– Entendo Senhorita, podemos começar?
– Agora mesmo.
Henry narrou os acontecimentos a Ava, que o ouvia atenta, tomando algumas notas. É claro que omitiu a razão de seu dissabor no dia do acidente da filha. Nunca revelaria sua ligação com Eliza. Mesmo que isso lhe custasse a liberdade.
A equipe espiritual acompanhava atenta e satisfeita o encontro de Ava e Henry. Vez por outra, Ananda acariciava os cabelos do pai e encostava carinhosamente, sua cabeça em seu ombro. Transmitia-lhe, assim, força e bom ânimo.
Para Henry, ter uma advogada era inusitado. Ouvira falar que já existiam mulheres em cargos importantes, mas nunca pensou que conheceria uma, nem tampouco pensou que necessitaria dos serviços de uma mulher. Ele não estava em condições de escolher. Devia, antes sim, ser grato a Deus por conseguir quem o defendesse sem nada cobrar. Pensando assim, sufocou seu preconceito e passou a sentir que precisaria confiar em Ava como se ela fosse um homem. Lembrou das palavras da filha e compreendeu que seu auxílio havia chegado.
Depois de longa conversa, Ava e o Reverendo despediram-se de Henry.
De volta à solidão, Henry começou a pensar em Eliza e em tudo o que se dera naquele trágico dia.
Ao ouvir e visualizar os pensamentos do pai, Ananda chocou-se e, mais uma vez, Frida e Augustus tiveram de ampará-la. Ao recobrar o equilíbrio emocional, Ananda falou:
– Irmãos, ouviram isso? Meu pai e Eliza são amantes! Pobre mamãe espero que ela nunca saiba desta traição.
Frida calmamente falou:
– Não julgue precipitadamente, irmã. Espere, conhecerá outros fatos que a farão compreender melhor a razão de tudo. Não se deixe inflamar assim por um ato do qual você desconhece as razões. Antes de tirar conclusões, todos devemos analisar bem as situações. Conhecer o que realmente se passa, sob todos os aspectos, é o que de mais sensato se pode fazer.
– Tem razão, Frida, desculpe. Sou mesmo apenas uma aprendiz que está dando trabalho, não é mesmo irmãos?
– Fique tranquila, disse Augustus, sorrindo.

O Reverendo Nicos se despediu de Ava e apressado, foi ao encontro de Margareth. Ela, ao vê-lo na porta, sentiu que alguma coisa havia mudado.
– Bom dia, alguma novidade, Reverendo?
Sem responder e obedecendo a forte impulso, o Reverendo abraçou fortemente Margareth. Esta, por sua vez, correspondeu emocionada ao abraço.
– Margareth, Ava aceitou defender Henry!
– É mesmo? Venha, sente-se e conte tudo.
A equipe espiritual assistia ao encontro dos dois com alegria. Ambos emanavam vibrações luminosas de harmonia. Ananda sentia uma felicidade imensa.
Após relatar os fatos a Margareth, o Reverendo fez menção de despedir-se. Ela, gentilmente pediu para que ele almoçasse com ela. Assim poderiam conversar mais um pouco e comemorar os acontecimentos. Ele aceitou feliz. A companhia de Margareth muito o alegrava.
Após o almoço, o Reverendo saiu feliz da casa de Margareth. Ela também sentia que suas forças haviam se renovado. Sentia algo de muito bom no ar.
A equipe espiritual irradiava alegria até que Margareth começasse a pensar no passado. Frida e Augustus advertiram Ananda para que ela mantivesse firmeza e calma diante das novas revelações que estavam por chegar.
Margareth, como num filme, passou a recordar seu primeiro encontro com o Reverendo, o forte sentimento que lhe arrebatou ao vê-lo pela primeira vez. Lembrou da paixão que daí nasceu. Da impossibilidade de concretizar o seu sonho. O casamento com Henry... e, repentinamente, Margareth cortou a linha de pensamento, deixando a equipe desejosa por saber mais a respeito daquela história.
Ananda, absolutamente surpresa e assustada, disse:
– Irmãos! Nunca, jamais suspeitei que minha mãe...
Foi abruptamente interrompida por Augustus:
– Irmã, foi devidamente alertada sobre as revelações que haveria de ter. Controle sua emoção e concentre-se no trabalho a realizar. Pense que não existe mãe, pai, amigo, inimigo etc., mas, sim, irmãos nossos que, assim como nós, têm seus segredos, fraquezas, frustrações.
Diante de tão enérgica advertência, Ananda controlou-se e percebeu que estava tendo dificuldades para controlar as suas emoções.  

Na manhã seguinte, o delegado Orestes, após avaliar as investigações a respeito do caso Ananda, deu por encerrada essa etapa do processo. O único suspeito era mesmo Henry. Desse modo, a próxima etapa seria o julgamento. A apreensão de todos, viria a ser o juiz. Países em guerra corriam o risco de terem de se submeter a julgamentos nos quais teriam “estranhos” a sentenciarem os seus prisioneiros.

No aconchego de seu quarto, o Reverendo Nicos podia repassar, mentalmente, o seu dia.
O livro que a Senhorita Ava havia protegido o intrigava profundamente. Será que a Senhorita tinha algum segredo?Indagava-se o Reverendo.
Em meio a esses pensamentos, nosso Reverendo inicia sua leitura noturna do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. Como já sabemos, essa leitura era absolutamente proibida pela igreja católica.

Ao voltar para casa, Ava se sentia forte e determinada. Sua primeira causa seu primeiro trabalho! Pensava: “dedicarei a minha alma por esta causa e, que Deus permita seja o certo a ser feito”.
Sem que percebesse, esses pensamentos colocavam-na em sintonia com a equipe espiritual de Ananda, bem como com outras entidades empenhadas em fazer o bem. Ava estava amparada.



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