Nesse espaço

Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
By
Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo I - Ananda -



Ananda

Estou num hospital, tenho 14 anos. Chamo-me Ananda. Vejo meu corpo estendido no leito. Não entendo. Vejo médicos. O ano é 1917 e o país, Bélgica. Meus pais estão aflitos. Eu me sinto bem. Queria falar-lhes, mas eles não me ouvem. Não consigo entender o que está acontecendo. Sou duas agora. Uma está deitada, desacordada e, a outra, está bem, firme, aos seus pés. Sinto medo. Acho que o melhor a fazer é sentar-me aqui, ao lado de mim mesma.
Pela janela posso ver a neve caindo lá fora. Estamos no inverno. Lembro-me de ter nascido durante a primavera, quando o gelo derrete e a vida se renova iniciando mais um ciclo. Esta é uma lembrança agradável. Faz lembrar Deus. Quanta perfeição!
Sinto sono. Vou dormir um pouco.

                         
– Reverendo Nicos, Reverendo Nicos, espere, por favor, preciso falar-lhe!  – Gritava Rafael vendo que o Reverendo saía da pequena igreja.
– O que foi rapaz? O que aconteceu?
– Bom dia Reverendo, desculpe meus modos, é que o assunto é urgente. É sobre Ananda, Reverendo.
– O que houve com a menina? Vamos rapaz, fale logo.
– Uma tragédia, Senhor Reverendo, Ananda caiu no penhasco. Foi encontrada desmaiada e com ferimentos sérios pelo corpo. Temem por sua vida, está no hospital. Ouvi murmúrios de que seu pai seja o culpado pelo fato.
– Murmúrios? Vou agora mesmo ao hospital, desejo inteirar-me dos fatos. Muito obrigado meu filho por avisar-me.
– De nada, Senhor Reverendo, posso ir com o senhor?
– Não Rafael. Faça-me antes um favor. Vá até a feira, procure o verdureiro e apanhe com ele a encomenda que fiz. Ele lhe entregará alguns pacotes. Traga-os para a igreja. Pode fazer isso?
– Certamente, Reverendo, agora mesmo.
– Obrigado! Mais tarde conversaremos, está bem?
– Sim, claro! Até mais ver!
– Até, Rafael!

A notícia abalara o Reverendo Nicos que, apressado, dirigiu-se ao hospital para obter informações mais precisas sobre o estado de saúde de Ananda. A suspeita de que teria sido o pai a atirá-la do penhasco o preocupava 
– Sra. Margareth, Sr. Henry, soube há pouco o que se passou. Como está a menina?
– Pelo que os médicos dizem Senhor Reverendo, seu estado é grave. Está ainda desacordada. Respira com dificuldades e está sob efeito de remédios. É tudo o que sabemos.
– Será que posso vê-la? Onde está o médico?
– No final do corredor há uma sala à esquerda.  Lá está o médico.
– Vou até lá. Lembrem-se, amigos, tenham fé, orem, peçam ao Senhor pela menina e por vocês mesmos. Deus sempre sabe o que faz e nunca nos desampara. Mantenham-se em prece. É o correto a se fazer neste momento.
– Claro Reverendo, temos feito assim.
– Certo, volto logo.
O Doutor Hermann lia um artigo numa revista médica quando o Reverendo Nicos pediu permissão para entrar. Gentilmente o médico assentiu pedindo que tomasse um assento à sua frente.
– Doutor, como está Ananda?
– Mal Reverendo muito mal. Sofreu ferimentos gravíssimos. O que mais preocupa é a hemorragia interna.
– Podem salvá-la Doutor?
– Estamos tentando com os recursos dos quais dispomos, Reverendo.
– Entendo. Posso vê-la?
– Apenas de certa distância, se acredita ser realmente necessário.
– Acredito Doutor, por favor, permita que eu veja a menina.
– Muito bem, vamos lá.
– Obrigado, Doutor!


continua 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Pesquisar este blog