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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo XII - A negra Ambrozina -

A NEGRA AMBROZINA

Ao abrir os olhos e deparar-se com uma negra, Eliza assustou-se.
─ Calma – Disse Ambrozina suavemente –
─ O que faz aqui? Quer me acusar você também?
─ Não. Não vim para te acusar, vim prestar auxílio.
─ Auxílio? Você? Uma negra?
Eliza gargalhou desfazendo daquela figura doce e amiga.
─ Eliza! - Chamou energicamente Ambrozina –
Diante de tão firme chamamento, Eliza se aquietou e seus olhos viram a transformação da “negra”.
 Eliza viu Ambrozina transformar-se em uma mulher branca, loura e tão bela que até parecia um anjo.
─ Mas o que é isso? Estou louca? Só posso estar louca!
─ Não está louca não. Deus é misericordioso, Jesus é nossa Luz guia para a vida. Eles permitiram que eu aqui viesse para auxiliá-la. Aceite este carinho minha irmã.
─ Irmã?
─ Sim, irmã.
─ Mas como? Do que é que você está falando?
─ Eliza, escute...
Ambrozina falou com Eliza durante muito tempo. Ao final deste tempo, despediu-se como de fato era na atual encarnação, negra. Eliza disse “até breve” demonstrando simpatia pela nova amiga e adormeceu em paz.
Fredy, que estava presente durante a conversa, podia agora respirar mais aliviado quanto ao destino da irmã.

Ambrozina era pessoa simples, de bom coração. Era empregada na casa do Sr. Ivan e raramente saía de casa. Sua cor chocava as pessoas. Se essas pessoas soubessem o quão elevada era a sua alma, beijar-lhe-iam os pés.
O Sr. Ivan trouxe Ambrozina da África por ocasião de uma visita dele a uma das colônias Belgas. Após alguns dias de sua chegada ao continente africano, o Sr. Ivan contraiu séria enfermidade. A assistência médica da região era precária. Na maioria das vezes as pessoas utilizavam remédios caseiros para tratarem-se das doenças. Recorriam ainda a “curandeiros”, com bastante êxito em muitos casos.
Foi o que aconteceu com o Sr. Ivan. Após ser medicado com chá de ervas, não respondeu à medicação e continuou sentindo-se muito mal. Foi então que conheceu Ambrozina, uma menina negra e franzina que trazia nas mãos e na fé a cura para diversos males.
Ambrozina passou três dias ao lado da cabeceira da cama do Sr. Ivan. Só deixou-o após vê-lo andando e comendo normalmente. Tal dedicação tocou fundo o coração do Sr. Ivan que quis conhecer melhor a criatura que o havia salvado. Por isso foi levado por alguns nativos à casa de Ambrozina, um barraco pobre de dois cômodos. Espantado e sem saber o que dizer, o Sr. Ivan perguntou pela família da menina a um dos nativos:
– Família?
 – Ambrozina não tem mais família de sangue. Todos foram mortos pelos colonizadores. Ela sempre diz que sua família agora são todas as pessoas que precisam de ajuda. Seus pais e irmãos também eram “curandeiros”, mas estão mortos.
Frio intenso atravessou o corpo do Sr. Ivan que, naquele exato instante, decidiu amparar Ambrozina pelo resto de seus dias.
– Ambrozina, sou-lhe eternamente grato pela minha cura.
– O Senhor não agradeça a mim, existe força maior que a minha que trabalha através de mim. Sirvo apenas de “ferramenta” desta força maior, meu Senhor.
─ És modesta Ambrozina.
─ Não sou não. Digo sempre apenas o que é verdade.
─ Então me diga de onde vem esta força que não é sua?
─ Olhe Sr. Ivan, olhe lá para o céu. Sinta quanta beleza há no mundo, o quanto é perfeito o ser humano e o quanto todas as coisas são belas e perfeitas. Olhe, use os olhos de seu coração e encontrará a força de que falo. Esta força está além da compreensão humana, esta força é o que na sua fé vocês chamam de Deus.
Emocionado, o Sr. Ivan mais uma vez ficou sem palavras.
– Ambrozina, quero fazer-lhe um convite, quero que você pense, até a data de minha partida, em ir morar junto a mim e a minha família na Bélgica. Lá terá conforto e posso assegurar que terá paz e carinho.
Surpresa, Ambrozina ficou de pensar sobre o assunto. Decidiu aceitar o convite do Sr. Ivan. Não pelo conforto, nem pelo carinho, mas sim pela missão que seus mentores espirituais trouxeram à sua compreensão. Ciente do trabalho a cumprir, Ambrozina acompanhou o Sr. Ivan.
Ao chegar à Bélgica, Ambrozina se sentiu assustada, rejeitada. Só o que lhe dava forças era a certeza na Espiritualidade maior, a quem entregava a vida e o coração. E assim foi.
Logo de início, Ambrozina deparou-se com o primeiro desafio: curar a esposa do Sr. Ivan de grave “enfermidade”, ou melhor, obsessão.
Dias a fio foram necessários até que a esposa do Sr. Ivan fosse curada. Todos os envolvidos estavam pasmos: médicos, religiosos, céticos. Um só fato era inegável, Deolinda estava curada, corada, feliz e bem. A partir daí, Ambrozina passou a ser tratada como membro da família, muito embora ela própria assim não quisesse. Fez questão de quarto separado, de função de serviçal na casa, de salário compatível com sua função. Dizia:
─ As pessoas têm preconceitos, não quero que vocês, meus amigos, venham a sofrer por mim. Quero apenas alegria e paz em nome de Deus.
Por ser merecedora de profundo respeito, Ambrozina foi atendida em seus pedidos. A maior parte do salário que recebia ia direto para os fundos de reserva de auxílio ao povo africano.

Esta é a história de Ambrozina. Negra na cor da pele, mas transparente e cristalina na cor da alma.



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