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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo XV - DÚVIDAS DO REVERENDO NICOS -

DÚVIDAS DO REVERENDO NICOS

Agradecido a Deus, a Jesus e à espiritualidade que vinha pouco a pouco aprendendo a conhecer, o Reverendo Nicos, em seus aposentos, meditava:
─ Se a vida continua meu Pai, posso ter notícias de Ananda? Quem pode me ajudar nesse sentido? Não conheço ninguém que abrace a fé dos Espíritos. Gostaria tanto de saber como ela está e o que me aconselharia a fazer quanto ao caso de seu pai.
Em meio a esses pensamentos, o Reverendo adormeceu e sonhou. Sonhou que Ambrozina, a negra que tanto espanto lhe causara, seria a pessoa que o poderia ajudar a ter notícias de Ananda. No sonho, foi-lhe dito que ela tinha fé na Doutrina dos Espíritos e que ele a procurasse.
O Reverendo acordou assustado, porém, atento à mensagem. Pensou:
─ Será? Bem, creio que devo levar este sonho em conta, foi como se eu realmente tivesse estado em outro lugar que não fosse a Terra. A voz que ouvi era real, posso ainda sentir o timbre. A reconheceria em qualquer ocasião.
Pela manhã, o sonho ainda era imagem viva na mente do Reverendo que, após sua rotina matinal, dirigiu-se ao hospital a fim de visitar alguns doentes que há algum tempo já não via. Lá chegando, o “acaso” fez com que ele encontrasse Ambrozina. Sua surpresa foi grande. Sentiu um forte arrepio a percorrer-lhe todo o corpo ao lembrar-se do sonho. Mentalmente pediu amparo a Jesus e foi falar com a mulher:
─ Bom dia, Ambrozina, como tem passado?
─ Sua benção, Senhor Reverendo. Tenho passado bem, obrigada. E o senhor? Muito trabalho com a igreja?
─ É um trabalho que faço com amor e, graças a Deus, tenho trabalhado bastante. Como vai o Senhor Ivan?
─ Vai bem. Só a Senhorita Ava que anda um tanto nervosa.
─ Nervosa? Deve ser por conta do adiamento do julgamento de Henry, não é mesmo?
─ Penso que sim, Reverendo. Este trabalho é importante para ela. Tenho tentado aconselhá-la a manter a calma, mas ela está insegura.
─ Vou fazer-lhe uma visita. Quem sabe eu consiga passar alguma segurança a esta jovem tão caridosa.
─ Será um prazer, Reverendo. Falo em nome de todos que muito o estimam na casa do Senhor Ivan.
─ Obrigado. Diga-me uma coisa, onde você nasceu?
─ Na África, Senhor.
─ Você frequentava a igreja lá?
─ Não Senhor, lá a nossa fé é um pouco diferente da fé de vocês daqui, muito embora amemos a Deus e a Jesus.
─ Pode me contar como é a sua fé?
─ O Senhor se interessa por aquilo que não seja o catolicismo?
─ Certamente que sim, penso um pouco diferente de meus colegas padres. Esse será o nosso segredo, está bem?
Ambrozina rindo respondeu:
─ Sim Senhor.
─ Bem, como já disse, temos fé em Deus e em Jesus. A diferença é que cremos que eles enviam mensageiros à Terra para que possam nos auxiliar a cumprir seus ensinamentos. Cada um desses mensageiros cuida de uma parte da natureza e dos mais variados problemas do ser humano, ou melhor, cada um tem um trabalho específico, por isso, a cada um deles oferecemos cultos de agradecimento, rogando o seu auxílio sempre que necessitamos e, é claro que, antes de tudo, pedimos a permissão de Deus e de Jesus para que possamos trabalhar com eles. Nosso trabalho é sempre pelo bem, pela paz e pela harmonia das criaturas. Existem na África aqueles que se valem de nossa crença para trabalhar no mal, mas esses são logo identificados e quem estiver realmente procurando o bem, deles se aparta tão logo suas intenções fiquem claras. Isso não leva muito tempo.
─ Não entendi porque pessoas se valem de uma fé tão pura e bela pelo mal. Pode me explicar, Ambrozina?
─ Sim, não sei se o Senhor vai entender, mesmo assim vou tentar explicar. Esses mensageiros, dos quais lhe falei, são espíritos que vivem com Jesus na Eternidade. Espíritos que têm a missão de auxiliar outros espíritos que ainda estão aqui na Terra, ou seja, nós, os seres humanos de carne. Cremos que, independentemente do ser material, somos, antes de tudo, um ser espiritual que quando morre para a Terra, sobrevive em espírito na Eternidade, voltando a encarnar quantas vezes se façam necessárias para que os erros cometidos, nas diversas encarnações, sejam reparados e nosso ser espiritual, assim, possa se purificar rumo ao objetivo maior que é o aperfeiçoamento que nos aproxima do Pai Criador.
Há de se ter cuidado, no entanto, com os espíritos brincalhões que ainda não se encontraram que ainda sentem prazer nas coisas do mundo, ou seja, que ainda não compreenderam sua real posição. Daí os casos de adivinhações, promessas e tantas outras coisas que servem apenas de ilusão àquele que ainda está cego pela matéria. Deu para entender?
─ Mais ou menos. Segundo a sua fé, morremos e vivemos muitas vezes. Simplificando, é isso?
─ Assim o Senhor está simplificando muito, mas, é quase isso, sim.
─ Diga-me mais uma coisa Ambrozina. É possível entrar em contato com pessoas que já morreram?
─ É sim. Eu não acredito que o Senhor possa se convencer disso, a menos que uma prova contundente lhe seja dada, não é mesmo?
─ É. Tenho uma opinião formada: só devemos crer naquilo que é verdadeiro e, para que se tenha certeza da autenticidade das coisas, é preciso que elas nos sejam claramente provadas. Como um cálculo matemático, digamos assim.
─ Entendo. Vá até a casa do Sr. Ivan qualquer dia desses, lá poderemos continuar essa conversa e, quem sabe, essa prova lhe chegue, Reverendo.
─ Irei com prazer, Ambrozina. Foi bom revê-la e obrigado pela conversa.
─ Não tem de que Senhor. Sua benção.
─ Que Deus a abençoe minha irmã. A propósito, veio visitar alguém em especial aqui no hospital?
─ Vim Reverendo, todo doente necessita de carinho, principalmente o doente da alma. Estive aqui para, em nome de Deus, tentar ajudar um desses doentes. Até breve.
O Reverendo, diante de tamanha força e clareza, olhava com respeito aquela mulher negra que se distanciava pela rua, pensando:
─ Senhor, será ela um anjo por Ti enviado?

Criado dentro do catolicismo e vivenciando-o como Sacerdote, tudo ainda era muito novo para o Reverendo Nicos. A leitura não era suficiente. Agora necessitava de provas.



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