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quarta-feira, 29 de março de 2017

Quando prejudicamos as Entidades de Umbanda?



Quando prejudicamos as Entidades de Umbanda?

Mãe Iassan Ayporê Pery
Sacerdotisa de Umbanda
Dirigente do Centro Espiritualista Caboclo Pery



Vivemos falando em “Orai e Vigiai” sempre com o sentido de nos protegermos de nós mesmos e principalmente de nos defendermos das artimanhas das forças trevosas. Hoje, entretanto, estarei falando sobre a importância do “Orai e Vigiai” com relação as entidades, guias, protetores e guardiões de Umbanda, sobre o quanto os prejudicamos e atrapalhamos quando esquecemos dessa máxima, do quanto contraímos de karma quando ao prejudicá-los estamos contraindo, não somente com eles (que tudo perdoam), mas com as pessoas encarnadas que eles estariam orientando e ajudando se não tivéssemos falhado, assim como também, dos desencarnados carentes de orientação ou disciplina.

Estudemos pois algumas situações.

1. Quando nos dirigimos ao terreiro “sujos”. O que é um servidor da Umbanda sujo? Não se iludam achando que é somente o servidor que não tomou o banho de erva ou o banho comum mesmo. Conheço muito servidor que está com os “banhos em dia” mas que sempre transmite uma aura suja, ou seja, impregnada de sentimentos profanos. Por “sentimentos profanos” entenda-se: ciúme, inveja, prepotência, arrogância, idolatria, avareza, indisciplina, indolência, etc. Tudo isso não tem banho de erva que tire.



2. Quando durante a gira de atendimento deixamos o nosso mental ser impregnado por pensamentos torpes, profanos ou pouco elevados. Como por exemplo:

2.1. Ficar observando o comportamento do irmão de fé, sem que em momento algum isso seja para conversar com ele depois da gira para orientá-lo ou ajudá-lo a se corrigir, mas sim para simplesmente julgar ou entrar em rodas de conversas para criticar, zombar e rir.

2.2. Observar o comportamento dos consulentes na hora da consulta sem ser com o objetivo de orientá-lo sobre a disciplina da Casa, ou sobre o entendimento do que esteja sendo dito pela entidade, mas, novamente, simplesmente julgar ou entrar em rodas de conversas para criticar, zombar e rir.

2.3. Quando, enquanto médiuns de incorporação e de consulta, nos recusamos a “dar passagem” porque estamos tão preocupados com nossas próprias mazelas que achamos que não estamos em condições emocionais ou físicas... Falsa humildade! Egoísmo! Que tal deixar para a entidade decidir se estamos ou não em condições? Se realmente estivermos sem condições a própria entidade dará apenas a sua irradiação e bênção. Mas não! Insistimos em saber mais do que elas! Além do mais esquecemos também quantas vezes aprendemos nas consultas e quantas vezes um consulente está passando por um problema semelhante aos nossos e somos indiretamente orientados.

2.4. Quantas vezes durante a consulta, por não “irmos com a cara” do consulente, interferimos na consulta, vibrando antipatia, atrapalhando a incorporação, ao ponto, muitas vezes, da entidade ter que encaminhar o consulente para outra entidade, ou ainda, ser obrigado a terminar logo a consulta? Somos sempre os certos, né?

2.5. Desejar sexualmente um(a) irmão(ã) de fé ou consulente. Você esquece que a galera lá de cima tá vendo tudo? Você esquece que a entidade que você está cambonando sente ou percebe? Você esquece que a entidade que você está incorporada simplesmente desincorpora? Que vergonha! Que absurdo!

3. Toda vez que temos uma atitude incoerente ou incompatível com o fato de sermos umbandistas, nós prejudicamos não somente as entidades, mas a própria Umbanda. Como por exemplo: sujar reino da natureza, desrespeitar uma pessoa, trair o nosso cônjuge, nos omitirmos diante de uma injustiça, silenciarmos diante de uma calunia, etc.

Eu poderia escrever páginas e mais páginas a respeito do quanto prejudicamos as entidades de Umbanda quando nos esquecemos do “Orai e Vigiai”, mas será que adiantaria? Será que você leria até o fim? Porque orientação de não ingerir bebida alcoólica e não fazer sexo 24 horas antes das sessões a grande maioria segue, mas do que adianta seguir alguns preceitos disciplinares se nosso coração ou mental está preocupado com a “balada” que está marcada para depois da gira? Pensando só no choppinho que vai tomar, na pessoa que vai paquerar ou “ganhar”? Você sinceramente acha que será um servidor decente se estiver com isso na cabeça?

Enquanto sacerdotisa de Umbanda, eu prefiro um médium que tenha feito sexo na véspera da sessão, mas que seu sentimento esteja voltado para o servir e para a caridade no dia da gira, do que um que não faça sexo há um ano, mas esteja cheio de rancor ou inveja dentro do seu coração. Não sejamos hipócritas! A espiritualidade tudo vê e não cabe a você julgar o outro! Se o cara fez sexo na véspera da sessão com a esposa dele, porque ficou viajando um mês inteiro e estava morrendo de saudades... Esse sexo é até salutar! Pois imagina como ele estaria na gira? Só pensando na hora de ir embora prá poder “matar a saudade”. E é você quem vai julgar isso? Ou é a entidade?

Orai e Vigiai sim! Sempre! Mas só adianta se você tiver uma coisa chamada consciência! A consciência de que quem realmente faz a Umbanda são as entidades.

A consciência de que se você não estiver “prestando” prá trabalhar quem decide é a entidade.

A consciência do que é ser umbandista.

A consciência de que quem faz caridade é a entidade, guia, protetor, guardião. Médium resgata karma!


Obs.: Creio que mãe Iassan tenha usado o termo: "prejudicar a entidade" no sentido de atrapalhar seu trabalho dentro do contexto referido porque nunca, creio eu, podemos prejudicar uma entidade, podemos sim não sermos merecedores de sua Luz. Creio que até podemos denegrir a imagem de uma entidade com comportamentos inadequados, porém, jamais prejudicá-la, mesmo porque quem age assim está prejudicando a si mesmo.
Annapon

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