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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A relação ética entre Médiuns, Entidades, Cambone, Consulentes e o Templo

A relação ética entre Médiuns, Entidades, Cambone, Consulentes e o Templo

Dentro de um Terreiro de Umbanda e especialmente em nosso Templo o conceito de ética é de grande importância, seriedade e extrema responsabilidade e assim deve ser praticado. A ética é e deve ser prática constante em sua vida, seja em sua casa, em seu trabalho em seu circulo de amizades e convivência e com você mesmo.
A ética se caracteriza pela postura de respeito, sigilo, seriedade, preservando a privacidade das pessoas, particularidades e tudo que possa causar danos a integridade delas perante sua família, seu grupo de trabalho, social e religioso, sendo este último o que vamos tratar a seguir.
Dentro do Templo Espiritual de Umbanda, a ética abrange a pessoa, porém vai muito além dela, desde que a espiritualidade atuando através das Entidades, faz uso do Médium e mesmo do Cambone que o assessora no plano terrestre. Tanto Médium como Cambone são partes ligadas ao trabalho destas Entidades no atendimento aos consulentes e diretamente envolvidos com assuntos pessoais, muito vezes de cunho íntimo dela própria, de familiares ou de pessoas próximas. Frente a uma Entidade os consulentes sentem-se a vontade para expor seus problemas ou dificuldades com todos os detalhes que venham à mente, pois esta é uma das facilidades que a Umbanda permite, ou seja desabafar, mostrar por inteiro tudo que aflige a pessoa. Com isto a Entidade, Médium e Cambone, passam a ser confidentes e até cúmplices nestes casos, é aí que se inicia todo o processo ligado a ética na visão religiosa, na visão deste Templo, na responsabilidade e sigilo, no comprometimento a privacidade e preservação da integridade do consulente, da Entidade em razão de suas respostas e orientações, do Médium por ser este o veiculo e do Cambone, sendo este um ouvinte e participante.
Visto desta forma o Médium (consciente) deve ter como postura não se deixar envolver pelos problemas ali apresentados, muito menos agindo por impulso, tomar a frente das Entidades, o que pode causar sérios danos ao efeito das orientações e distorcendo o entendimento do consulente para solução do problema, e principalmente do comentário sobre o assunto tratado dentro ou fora do Templo o que pode causar danos muito maiores a todos e principalmente a Casa e seu Comando.
Quanto ao Cambone, a postura e o sentido ético a ser adotado é praticamente a mesma, acrescido dos cuidados e responsabilidade de observar a clareza da orientação passada pela Entidade e não deturpar o sentido da mesma, fazendo uso de habilidades espirituais que não tem ou fazendo interpretações incorretas da mensagem dirigida ao consulente.
Para ambos Médium e Cambone, a ética no sigilo e preservação da integridade estende-se também e principalmente aos assuntos que envolvam o Templo ou qualquer de seus membros. Todo assunto que possa chegar a seus ouvidos ou que presencie tem que ser tratado com responsabilidade e todos os cuidados para que não sejam divulgados de maneira incorreta e perniciosa, afetando a harmonia do ambiente ou do grupo, causando constrangimentos e mal estar.
A observância da ética dentro do Templo e fora dele pelos seus Filhos de Santo e freqüentadores é demonstração da maturidade evolução espiritual, e solidez de caráter de seus membros o que assegura que o objetivo do ensinamento, aprendizado e crescimento do Espírito esta sendo atingido, garantindo a credibilidade e o fortalecimento da Casa e da Corrente.
Cada Filho de Santo e mesmo a Assistência deste Templo deve ter um conceito mais abrangente de ética, sendo ele extensivo e observado em casos onde se perceba que esteja havendo quebra da regra ética por parte de outras pessoas, fazendo comentários, julgamentos ou agindo de forma não condizente com o conceito de preservação da integridade e respeito ao ser humano seja ele quem for.

Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde

Exigências éticas de atendimento na Umbanda

Uma das razões para a grande frequência às casas umbandistas é a confiança que as pessoas depositam em serem atendidas diretamente por um espírito “incorporado” e a possibilidade de conversarem com a entidade frente a frente, falar de seus problemas, ouvir conselhos, enfim exercitar esse salutar intercâmbio com o plano espiritual.
Esse que é um dos aspectos mais positivos e mais atrativos da pratica umbandista é também – principalmente por esse motivo – um dos fatores que deve inspirar maiores cuidados por parte dos médiuns e dos dirigentes de casas.
O fato é que quando se olha para uma assistência lotada, a primeira constatação que se deve ter é a de que muito poucos estão ali por pura devoção, por curiosidade, ou para simplesmente passar o tempo. O que leva as pessoas a um terreiro são problemas. Problemas das mais variadas naturezas; que vão desde preocupações corriqueiras, até graves enfermidades. No campo das enfermidades incluem-se as do corpo e as da alma e, entre as da alma encontram-se principalmente aquelas ligadas ao campo afetivo que são as que mais facilmente conduzem as pessoas ao desequilíbrio e ao desespero.
Presentemente a faculdade mediúnica da psicofonia completamente inconsciente está em franca extinção. Esse fato, relacionado com o maior grau de consciência dos habitantes do planeta, coloca em evidência a necessidade de o médium passar por um processo de preparação longo e detalhado, antes de ser colocado em uma corrente mediúnica, em condições de atender os consulentes.
Se antigamente a entidade vibrava sobre o médium, tomando-lhe a consciência e expressando-se livremente através do aparelho fonador, hoje a entidade transmite a mensagem que é captada e processada pelo médium que a repassa, depois de submetê-la ao crivo de sua própria consciência e valores. Não se pode mais, portanto, pensar em uma comunicação pura e direta, já que a influência do aparelho mediúnico é quase inexorável.
Retome-se, então, a questão dos problemas que são levados às entidades pelos consulentes e diga-se que, muitas das vezes, alguns irmãos chegam à casa em um estado de absoluta debilidade emocional; alguns até à beira do suicídio, esperando encontrar na assistência do irmão desencarnado o alento para enfrentar sua dor, sua dificuldade, sua provação. Nesses casos, o que ele vier a ouvir ali poderá representar a diferença entre continuar ou desistir, entre reagir ou entregar-se de vez ao desespero.
Sobressai aí a importância de se trabalhar com médiuns preparados e que, além da firmeza e estabilidade de sua mediunidade, possuam igualmente firmeza e estabilidade emocional que lhes permitam reproduzir com clareza a mensagem do mentor, sem interferir, ou só interferindo com a absoluta certeza de o estar fazendo de forma positiva, complementando e melhorando a mensagem espiritual, se isso for possível.
Para tanto, é necessário primeiramente que se tenha a certeza de que as entidades atuantes na Umbanda jamais exporiam publicamente um irmão que lhes foi pedir ajuda, da mesma maneira que também não tratariam qualquer problema que fosse com indiferença ou menosprezo, julgando-o de menor importância ante outros aparentemente mais graves. Quando algo assim acontece, não é a entidade, mas o médium fazendo valer seu domínio sobre a manifestação.
Outro ponto que também merece destaque é o que diz respeito às receitas que são passadas pelas entidades: muitas vezes Pretos Velhos, Caboclos e até mesmo Exus receitam chás, ou banhos de ervas. É necessário ter em mente que as ervas não são absolutamente inofensivas, pois também possuem princípios ativos, muitos dos quais, se não utilizados de maneira correta, podem ser mais prejudiciais que benéficos. Nesse sentido, o médium deve procurar manter um conhecimento aprofundado sobre as ervas normalmente utilizadas em Umbanda e, a despeito desse conhecimento, abster-se de prescrever, deixando sempre tal tarefa para a entidade que verdadeiramente sabe o que está fazendo.
Imprescindível saber também que quem busca ajuda na Umbanda, ao contar seus problemas para a entidade, está empenhando confiança que deve ser retribuída com honestidade. O médium consciente deve procurar esquecer o que ouve e nunca relatar problemas alheios a quem quer que seja: médium não é repórter. O mesmo vale para os cambonos que, por força de seu trabalho, acabam ouvindo grande parte das conversas, mesmo que não o desejem, pois tem que estar por perto para atender as entidades. Cambono também não é repórter.
Outro ponto que não pode ser esquecido é que a mediunidade não faz de ninguém juiz de seus irmãos. Não cabe ao médium julgar o comportamento dos consulentes. Atender e fazer a caridade, independente de quem seja, lembrando que o conselho vem sempre da entidade e ao médium cabe retransmiti-lo em sua essência, sem alterar conteúdos significativos, pois os espíritos enxergam as questões de forma bem mais aprofundada e podem perceber matizes que o aparelho não tem capacidade de captar. A única exceção a essa regra é o caso de haver uma orientação nitidamente discrepante com os princípios da Umbanda e com os ditames legais, caso em que o medianeiro deverá desconfiar de que um obsessor esteja se fazendo passar por guia.
Necessário se faz, portanto, que se caminhe para procedimentos essencialmente éticos no atendimento fraterno, procurando sempre fazer pelo irmão que procura auxílio, o mesmo que se desejaria que fosse feito no seu próprio caso, até porque a dinâmica da vida pode determinar que a qualquer momento, qualquer um necessite de ajuda.
Núcleo de Estudos Umbandistas Brasília


Olá!

 Não vejo o consulente como provável médium, nem como alguém que deva passar pelo desconforto/constrangimento de triagem para ser atendido nos terreiros e casas espíritas/espiritualistas.

Vejo o consulente como ser humano em busca de auxílio, alento em suas dores sejam elas de que ordem forem. 

Não nos cabe julgar a dor do outro. 

Digo isso porque percebo certa "reserva", por parte de alguns médiuns e dirigentes sobre o assunto amor, emprego e a insatisfação das pessoas que vivem problemas semelhantes.

Ora! A pessoa procura o terreiro, ou casa espírita/espiritualista, muitas vezes extremamente angustiada por conta dessas duas questões que, por sua vez podem sim criar condições favoráveis para que ali, no assistido, se instale algum tipo de  obsessão.

Ouvi, por esses dias,  um sacerdote de Umbanda afirmar que em sua casa, pessoas com problemas afetivos e financeiros não são atendidas, pasmei, e mais, sentenciou ainda que o problema da pessoa, nessas condições, é social ou fruto de sua própria negligência.

No meu entendimento, essa postura não é de um verdadeiro sacerdote, nem Umbandista, nem de religião alguma.

Espiritualidade sem humanidade é pura arrogância.

É certo que nenhuma entidade poderá resolver os problemas das pessoas, mesmo porque existem Leis Maiores que regem o carma, mas, constranger a pessoa que busca ajuda, logo de "cara" com tal postura é no minimo uma questão de falta de sensibilidade.

Nós, Umbandistas, sabemos, ou pelo menos deveríamos saber que o Congá não é balcão de negócios, porém, muitas vezes, quem busca a Umbanda, vem como último recurso, vem aconselhado por um vizinho, parente, amigo, sem noção alguma sobre a religião. A pessoa vem desesperada, dolorida, angustiada e a nossa obrigação, como medianeiros e servos de Oxalá, nosso Mestre e Guia Maior, é de acolher, ouvir, trabalhar, sem julgar se o problema que aflige o consulente é de ordem afetiva, financeira, etc.

A espiritualidade sabe, de ante mão, quem nos enviará e está, antes de nós, preparada para receber a pessoa que muitas vezes nem imagina a razão pela qual foi "induzida" a buscar ajuda num terreiro, nem mesmo nós, medianeiros, sabemos porque tal pessoa, com problemas aparentemente caprichosos, se apresenta ali, diante de nós e da entidade que servimos por aparelho.

É precipitado demais sentenciar, como fez o sacerdote em questão, afinal não precisamos de juízes e sim de auxílio que nos oriente e nos ajude a angariar forças para seguirmos vivendo com dignidade.

A Umbanda é paz e amor, acolhimento, manifestação do espírito para a caridade sem triagem porque Nosso Mestre, Jesus Cristo Oxalá, assim nos ensinou e assim nós, Umbandistas, seus seguidores, o fazemos, ou pelo menos, é o que deveríamos todos fazer.

Certamente que iremos nos deparar, em algum momento de nossa trajetória como médiuns, com situações adversas, que fogem à nossa compreensão, porém, até nesses momentos, estamos sob a supervisão da espiritualidade maior que nos observa e nos permite a ação/reação, testando nossa fé e firmeza.

Ninguém vem a nós sem a permissão/supervisão da Espiritualidade.

A Umbanda está de braços abertos para todos, sem distinção. Terreiro e Sacerdote que se preze, mantem as portas da casa e do coração abertas.

Respeito é o que todos queremos, portanto respeite o próximo e lembre-se que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, numa de suas manifestações registradas, deixou muito claro que ajudou seu médium Zélio Fernandino de Moraes a se casar porque era necessário que assim fosse, ou seja, a espiritualidade sempre nos ajudará dentro do nosso merecimento e necessidade, independente do nosso julgamento ou de nossas preferências.

 Como podemos sentenciar que problemas afetivos e financeiros não sejam de ordem espiritual? 
Somos espíritos num corpo temporário de carne e quase todos os nossos problemas são reflexos do passado ecoando em nosso presente que acabamos complicando por não sabermos como lidar com eles e, nessa hora é que entra o balsamo confortante da espiritualidade que nos ajuda a enxergar e a conviver melhor com nossas dores e dificuldades até que encontremos força e sabedoria, por nós mesmos, para a construção de um futuro melhor, mesmo porque o futuro é eterno, não se extingue com o corpo perecível.

É certo que o movimento Umbandista tem lutado pela desmistificação, por simplificar cada vez mais seus rituais para que haja harmonia com o tempo que vivemos, mas, dai a selecionar as aflições dos consulentes já é demais, foge ao espírito de caridade e aos ensinamentos de Nosso Mestre e Guia Maior, Jesus.

Com toda a certeza, o Umbandista sério não se dará ao papel de realizar trabalhos de amarração, corte, barganha, etc, e se, por ventura, o médium incorporado, vir a se deparar com tal situação, sábia e gentilmente, a própria entidade o esclarecerá muitas vezes demovendo-o de tão deprimente intenção.

Simplificar sim, é justo e necessário, mas julgar e negar auxílio nunca, mesmo porque, pode acontecer que nas entrelinhas de um problema afetivo/financeiro, esteja um problema muito maior de ordem cármica no qual possivelmente estejam envolvidos muitos espíritos   encarnados e desencarnados, por isso, nunca, mas nunca mesmo, julgar, sentenciar então, nem pensar!

Outro ponto que me desagrada profundamente é a ironia do sacerdote em questão quando se refere à ingenuidade de alguns consulentes que pensam, por falta de conhecimento, que as entidades o atenderão em todas as suas necessidades. Sabemos nós, Umbandistas sérios e comprometidos com o bem que as coisas não são bem assim, porém, ironizar não ajuda em nada, só atrapalha mesmo e perde-se ai uma grande oportunidade de repassar ao menos um pouco de Luz através do compartilhar conhecimento que é uma das tantas maneiras de se praticar a caridade verdadeira.

Atenção! Os falsos profetas estão ai aos montes e nunca, jamais esqueçam que o espírito que move a Umbanda é a fé, a caridade e o Amor, sendo o Amor seu maior representante!

Axé Meu Povo!


Annapon





quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Pioneiros da Umbanda: Uma Rota Literária




Pioneiros da Umbanda: Uma Rota Literária

por Alexandre Cumino




Existem diferentes formas de abordar a história da religião, diferentes pontos de vista e interpretações variadas dos mesmos fatos. Proponho, aqui, convidá-los para uma viajem no tempo, por meio dos primeiros autores umbandistas, que vão da década de 1930 à primeira metade da década de 1950. A partir da segunda metade da década de 1950, 60 e 70 surgiu uma grande quantidade de outros autores, os quais boa parte de sua literatura ainda é disponível e conhecida. Logo é possível sentir falta de um ou outro autor, no entanto o que cabe no objetivo deste texto é justamente aqueles que desconhecemos, os quais mesmo em sebos haverá grande dificuldade de encontrar.

Zélio de Moraes não escreveu nada sobre a Umbanda, quando muito deu algumas entrevistas e preparou médiuns para expandir e continuar sua obra.

Há sobre a obra de Zélio alguns livros e matérias publicadas por médiuns e admiradores. Entre os “continuadores” (que se destacam na literatura) podemos citar Leal de Souza, Capitão Pessoa e João Severino Ramos. Entre os admiradores há uma extensa lista de nomes, no entanto um não pode ser esquecido, da Senhora Lilia Ribeiro da TULEF, editora do Jornal Macaia. Lilia realizou a maior quantidade de entrevistas com Zélio; também devemos lembrar de Jota Alves de Oliveira que conviveu um pouco com Zélio e foi colaborador do Jornal de Umbanda, e Ronaldo Linares que se tornou o maior divulgador da obra de Zélio de Moraes no Estado de São Paulo, conviveu com o “Pai da Umbanda”, ouvindo e relatando suas histórias. Dona Zilmeia de Moraes Cunha costumava dizer que Pai Ronaldo é “quem melhor pode falar de Zélio de Moraes”.

A literatura de Umbanda surge de forma tardia, os primeiros textos surgem em 1924, no Jornal A Noite, onde o jornalista Leal de Souza relata suas experiências com os espíritos.

Em 1925 todas as reportagens são organizadas em um livro chamado No Mundo dos Espíritos, a primeira publicação que descreve um trabalho ritual da religião de Umbanda. Lá está contida a primeira visita que Leal de Souza fez à Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, como repórter e adepto do Espiritismo (Doutrina Codificada por Kardec). Participou de uma sessão com o Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio. Neste dia Leal de Souza pode assistir à cura de uma pessoa considerada louca, que na verdade estava obsidiada.

Leal de Souza passaria a trabalhar na Tenda com Zélio de Moraes e aceitaria a missão de dirigir a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; em 1933 publica o primeiro título voltado para a Umbanda, O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Neste livro o repórter autor (Leal de Souza já tinha uma caminhada autoral com outros quatro títulos publicados), médium, dirigente espiritual e pioneiro da divulgação da Umbanda se propõe a apresentar a religião. O livro citado foi resultado de uma coletânea de reportagens realizadas por Leal de Souza para o Jornal Diário de Notícias.

Neste livro aparece pela primeira vez o conceito de Sete Linhas, que são sete divisões da Linha Branca de Umbanda em oposição à Linha Negra.

Não havia literatura anterior, portanto, concluímos que este livro relata o entendimento de Leal de Souza sobre a obra de Zélio e o que aprendeu com ele na prática e teoria estendido por meio de seus próprios guias e sem desconsiderar sua militância anterior no Espiritismo, como influência certa e notória nas linhas de sua obra. No mesmo livro constam textos sobre Zélio de Moraes, Caboclo das Sete Encruzilhadas e sobre as três tendas fundadas até então (Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Guia). Zélio havia assumido a responsabilidade de abrir Sete Tendas, além da sua Tenda, que representariam as Sete Linhas de Umbanda (seriam fundadas a Tenda São Jorge, Santa Bárbara, São Pedro, Oxalá e São Jerônimo).

A escolha dos médiuns para dirigir estas tendas muitas vezes se mostra cercada de cenas dignas de serem aqui relembradas:

João Severino Ramos, incrédulo, ao visitar Zélio em Cachoeiras de Macacu, relutava em acreditar nas manifestações que assistia a sua frente, pedindo uma prova decisiva. Zélio manifestado com o Orixá Malê

apanhou uma pedra na beira do rio acertando a mesma bem na testa de Severino. Seus colegas prontificaram-se a ir buscá-lo, ao que a entidade ordenou que não se movessem, pois ele voltaria sozinho. Minutos depois João Severino, transfigurado, atravessaria a margem do Rio Macacu já incorporado da entidade que identificaria como Ogum de Timbiri. João Severino se tornaria dirigente da Tenda Espírita São Jorge, fundada por Zélio, e também autor do livro Umbanda e seus Cânticos, publicado em 1953. O autor divide este livro em duas partes, uma primeira doutrinária e uma segunda sobre os pontos cantados de Umbanda.

José Álvares Pessoa, Capitão Pessoa como ficou conhecido, era espírita e estudioso do espiritualismo em geral, também não dava muito crédito ao que vinha ouvindo sobre as “maravilhas de Neves”, sobre o Caboclo Sete Encruzilhadas, resolveu ir pessoalmente conhecer a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Isto se deu por volta de 1935, Zélio já tinha fundado as seis tendas e lhe faltava o médium que iria dirigir a Tenda São Jerônimo. Assim que Capitão Pessoa adentrou o ambiente da Tenda, Caboclo Sete Encruzilhadas, devidamente incorporado, interrompeu sua palestra e afirmou: Já podemos fundar a tenda São Jerônimo. O seu dirigente acaba de chegar.

O Sr. Pessoa se surpreendeu com tal afirmação, pois não conhecia ninguém naquele ambiente. Em conversa com o Caboclo se surpreendeu mais ainda por mostrar que o conhecia profundamente. A Tenda São Jerônimo tornou-se um exemplo dentro da religião e Capitão Pessoa um umbandista dos mais atuantes. Nos legou um texto intitulado Umbanda Religião do Brasil que faz parte de um livro com o mesmo título onde participa ao lado de mais três autores umbandistas (Carlos de Azevedo, Madre Yarandasã e Nelson Mesquita Cavalcanti).

Neste livro, Capitão Pessoa ressalta a Umbanda como “UMA RELIGIÃO GENUINAMENTE BRASILEIRA” e o Caboclo das Sete Encruzilhadas como responsável por esta nova religião.

João de Freitas, em 1938, publica o título Umbanda, no qual descreve visitas a oito tendas de Umbanda, entre as entrevistas ressalto uma muito interessante que descreve a visita do “grande Embanda João da Golmeia” ao Terreiro de Cobra Coral do confrade Orlando Pimentel. Podemos afirmar que a ideia e o formato deste livro se aproximam muito do que foi feito por Leal de Souza na sua obra No Mundo dos Espíritos.

Mais tarde, década de 40, viria a escrever Xangô Djacutá, na apresentação do livro escreve ele:

“(...) julgamos oportuno escrever Xangô Djacutá com o propósito de colaborar com os que pleiteiam o reconhecimento da Umbanda como religião de fato...”

“(...) a Umbanda não quer e não precisa viver à sombra de outras religiões, suas falhas e lacunas somente aos umbandistas cabe o direito de corrigir.”

Waldemar L. Bento, em 1939, publica o livro Magia no Brasil, um livro de Umbanda que apresenta um “longo estudo da magia, teogonia, ritual, curimbas, pontos, orixás e um vocabulário de uso corrente constituindo precioso manancial da época”.

Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, 1942, é um divisor de águas. Este é o título do livro que relata o que foi este Congresso realizado em 1941, como primeira tarefa da Federação de Umbanda do Brasil, fundada em 1939 por incentivo do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Chegamos à década de 40 e o movimento umbandista começa a tomar corpo no Rio de Janeiro.

Este congresso é a primeira iniciativa coletiva da religião em estabelecer o que é e o que não é Umbanda, buscando entender qual seria a identidade da Umbanda. Coloco abaixo alguns fragmentos do livro que relata o que foi o Congresso:

“A IDEIA DO CONGRESSO

O conceito alcançado entre nós pelo Espiritismo de Umbanda...

(...) Sua prática variava, entretanto, segundo os conhecimentos de cada núcleo, não havendo, assim, a necessária homogeneidade de práticas, o que dava motivo à confusão por parte de algumas pessoas menos esclarecidas, com outras práticas inferiores de espiritismo.”

Fundada a Federação Espírita de Umbanda há cerca de dois anos, o seu primeiro trabalho consistiu na preparação deste Congresso, precisamente para nele se estudar, debater e codificar esta empolgante modalidade de trabalho espiritual, a fim de varrer de uma vez o que por aí se praticava com o nome de Espiritismo de Umbanda, e que no nível de civilização a que atingimos não tem mais razão de ser.

DISCURSO INAUGURAL

Pronunciado pelo 1° Secretário da Federação Espírita de Umbanda, Sr. Alfredo António Rego, na reunião de 19 de Outubro de 1941.

„A obra a que neste momento vamos dar início, com o pensamento inteiramente voltado para Jesus, Nosso Mestre e Senhor, é daquelas que, pelo vulto de sua grandiosidade, não podem ser concluídas numa única encarnação.‟

„(...) Umbanda deixará de ser de agora em diante aquela prática ainda mal compreendida por numerosos dos nossos distintos confrades da Seara do Mestre, para se tornar, assim o cremos, a maior corrente mental da nossa era, nesta parte do continente sul-americano.‟”

Foram apresentadas muitas teses sobre a Umbanda neste congresso, que ela teria origem na Lemúria, na Atlântida, na África e outras. A Palavra UMBANDA foi considerada uma palavra sânscrita deturpada de seu vocábulo original (AUMBANDÃ). No Segundo Congresso de Umbanda, em 1961, esta ideia foi retificada, reconhecendo-se que a palavra já existia na língua quimbundo falada em Angola. Seu significado é a prática espiritual de cura do sacerdote chamado Kimbanda.

Lourenço Braga publica UMBANDA E QUIMBANDA, seu “trabalho apresentado” no Primeiro Congresso de Umbanda, 1941; estranhamos não ser citado em nenhum momento no livro do Congresso. Lourenço Braga é o primeiro a dividir as Sete Linhas em quarenta e nove Legiões. Podemos considerá-lo um pioneiro, com um trabalho hercúleo que foi a organização destas legiões que seriam copiadas por muitos autores posteriores a ele, sem que seu nome fosse citado. Assim como a teoria do AUMBANDÃ, do Primeiro Congresso de Umbanda, também apareceria em obras posteriores sem os devidos créditos ao idealizador (Diamantino Trindade, Delegado da Tenda Mirim para o Primeiro Congresso de Umbanda).

Lourenço Braga publica ainda os títulos:

Trabalhos de Umbanda ou Magia Prática, 1950; Os Mistérios da Magia, 1953; Umbanda e Quimbanda II, 1955.

J. Dias Sobrinho publica Forças Ocultas Luz e Caridade, 1949, um livro interessante com uma ótica bem espírita e dividido em duas partes. Na primeira A constituição espiritual do homem e na outra Espiritismo. Segue o modelo de Lourenço Braga em dividir o Espiritismo em três partes (Kardecismo, Umbanda e Kimbanda) e também nas subdivisões das Sete Linhas com Legiões. Apresenta algumas teorias mirabolantes como o “Cisma de Irschu”, não são ideias próprias como as de Lourenço Braga, já são adaptadas das dele e de outros autores. Este “Cisma”, apesar de fantasioso, também seria copiado por outros autores.

Oliveira Magno publica Umbanda Esotérica e Iniciática em 1950, apresenta logo na primeira página o “Símbolo Esotérico-Umbandista” – Um círculo com um triângulo feito de flechas, um coração e uma cruz, um símbolo dentro do outro respectivamente – e explica: As três setas são os três mundos (o físico, o intermediário, o espiritual); o coração é o amor universal; a cruz representa o Cristo (Oxalá) e o círculo é o Universo.

Publica também:

Práticas de Umbanda, 1951; Umbanda e Ocultismo, 1952; Ritual Prático de Umbanda, 1953; Antigas Orações da Umbanda, sd.; Umbanda e seus Complexos, sd.; Pontos Cantados e Riscados de Umbanda, sd.

Silvio Pereira Maciel se caracteriza por uma literatura acessível, composta de doutrina, preces, pontos cantados, pontos riscados e curiosidades. Títulos:

Alquimia de Umbanda, 1950; Umbanda Mista, sd. e Irradiação Universal de Umbanda, sd., 1974.

Aluízio Fontenele surge no final da década de 40, não sabemos a data exata de publicação de seus títulos, que não consta, mas há na capa dos três livros uma foto do autor com a data de 1951 e a data de seu desencarne em 1952. Por se tratar de três títulos, com certeza foram produzidos no final da década de 40.

Aluízio Fontenele retoma e faz uma releitura das Linhas e Legiões de Lourenço Braga, com uma inovação, nas linhas de esquerda ele associa os nomes dos Exus com nomes dos “demônios” da Magia Negra Europeia, também conhecida como Goécia. Provavelmente foi o primeiro a fazer este tipo de associação que vai aparecer em outras obras na posteridade. São seus os títulos:

O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei da Umbanda, sd.; Umbanda Através dos Séculos, sd. e Exu, sd.

Yokaanam, Chefe Espiritual da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal, publica Evangelho de Umbanda, em 1951. Apresenta nesta obra o autor uma elaboração do que é e como praticar a Umbanda, desde como se vestir até a forma como deve ser construído e organizado o templo. Também combate a ideia das sete linhas de Umbanda pontificada com sete Orixás, já adotada por alguns autores anteriores como Leal de Souza e Lourenço Braga. Diz Yokaanan que estes autores são africanistas.

Provavelmente é o primeiro a publicar a ideia de que UMBANDA é a BANDA de DEUS, a BANDA do UM ou LEGIÃO de DEUS, conceito que se tornaria popular, com seu apelo à língua portuguesa.

“(...) UMBANDA – Vem de UM + BANDA.

UM que significa DEUS... BANDA que significa Legião, Exército... ou Lado de Deus! Ora, assim sendo não pode ser confundida com o Africanismo...”

Tancredo da Silva Pinto, Tata Ti Inkice Tancredo da Silva Pinto ou simplesmente Tata Tancredo como era chamado – presidente perpétuo da Congregação Espírita Umbandista do Brasil - defendia a origem afro da Umbanda e é considerado o pioneiro do ritual Omolocô. Nas suas palavras, “A origem do Culto Omolocô vem do sul de Angola, sendo uma nação pequenina às margens do rio Zambeze que o tem como Zambi, que lhes dava a alimentação necessária, proveniente das enchentes.” (A Origem da Umbanda). Também define o Ritual de Cabula (Camba de Umbanda), fala com desenvoltura e linguagem simples desde a cultura afro-indígena até o hinduísmo (Doutrina e Ritual de Umbanda). São seus os titulo abaixo:

Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951 (parceria de Byron Torres de Freitas); As Mirongas de Umbanda, 1953 (parceria de Byron Torres de Freitas); Camba de Umbanda, sd. (parceria de Byron Torres de Freitas); A Origem da Umbanda, sd.; Umbanda - Guia para Organização de Terreiros, sd.; Horóscopo de Umbanda, sd.; Negro e Branco na Cultura Religiosa Afro Brasileira, sd.; O Eró(segredo) da Umbanda, 1968; Os EGBAS, 1976 e As Impressionantes Cerimônias da Umbanda, sd.

Emanuel Zespo é o pseudônimo usado pelo professor Paulo Menezes, filho de Leopoldo Betiol, esclarecido e com argumentação clara, defende a Umbanda como Religião Brasileira.

Codificação da Lei da Umbanda, 1953.

Consiste de um ensaio para a Codificação da Umbanda ou uma tentativa de chamar a atenção de outros líderes para esta questão. Divide o conteúdo em Parte Científica e Parte Prática, fecha o prefácio saudando o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

“Escrevemos para o umbandista e para o não umbandista.

Ao primeiro fornecemos os argumentos científicos com os quais ele poderá justificar ao mundo a razão de ser da Umbanda. Ao segundo damos explicações claras do que é a Umbanda...

(...) Comecemos pela Codificação na parte Científica e na parte Ritualística; mas não esqueçamos que a base da parte moral é confraternização de todos os umbandistas.

(...) Saravá o Caboclo das Sete Encruzilhadas!

Viva Jesus!” Emanuel Zespo (pp.8-11)

Samuel Ponze confessa que nunca conheceu Emanuel Zespo, mas toma ao pé da letra o sentido de codificador para este. Em seu livrinho – 46 páginas – faz perguntas e respostas sobre a Umbanda, sempre citando o codificador. No prefácio afirma “Não me sentiria capaz de continuar a obra de Zespo, mesmo ela está concluída; contudo, desejo divulgá-la e esclarecê-la por ser a mais sensata em matéria de Umbanda, publicada até hoje no Brasil conforme bem disse o „Jornal de Umbanda‟”. O Jornal de Umbanda a que se refere é o mesmo que foi idealizado por Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Lições de Umbanda, 1954.

Florisbela M. Sousa Franco, autora de dois livros conhecidos, seu trabalho consiste de mensagens que variam entre textos inspirados, uma ou outra mensagem recebida mediunicamente e pesquisa. São principalmente textos doutrinários. Sua primeira publicação é de 1953, onde apresenta o triângulo de Umbanda, Caboclos (energia), Crianças (inocência) e Pretos-velhos (humildade). Talvez tenha sido a primeira pessoa a colocar este triângulo assim desta forma em livro.

Umbanda, 1953 e Umbanda para os Médiuns, 1958.

AB‟D Ruanda fez um livrinho simples de perguntas e respostas, que durante muito tempo foi comercializado, acredito que ainda seja possível encontrá-lo, a primeira edição é de 1954, chama-se Lex Umbanda: Catecismo, mas nas edições posteriores saíram apenas como Catecismo de Umbanda.

Lex Umbanda: Catecismo, 1954 e Banhos e Defumações na Umbanda, sd.

Benjamim Figueiredo fundador da tenda Espírita Mirim, 1924, e do Primado de Umbanda, incentivador do “Colegiado Espiritualista do Cruzeiro do Sul”, “Círculo de Escritores e Jornalistas de Umbanda”, “Movimento de Unificação Nacional pró Religião de Umbanda”. Fundador da “Escola Superior Iniciática de Umbanda do Brasil”. Incentivador do Primeiro, Segundo e Terceiro Congressos de Umbanda (1941, 1961 e 1973). Publicou no livro abaixo com mensagens do Caboclo Mirim, textos e pontos cantados.

Okê Caboclo!, sd.

São estes acima os pioneiros na Literatura Umbandista, autores que surgiram ou publicaram seus títulos até a primeira metade da década de 50. Depois deste período surgiram muitos outros autores, a todos rendemos nossas homenagens.

A Literatura de Umbanda hoje

Hoje a literatura de Umbanda passa por uma mudança de conceito, surgiu na década de 90 uma literatura psicografada de umbanda, o médium Rubens Saraceni trouxe o estilo de romance mediúnico (tão comum no “Kardecismo”) para a Umbanda.

Publicou inicialmente O Guardião da Meia Noite e o Cavaleiro da Estrela da Guia que se tornaram rapidamente os títulos mais lidos entre os Umbandistas. Encontrou o autor na Editora Madras, através de seu presidente, Sr. Wagner Veneziani Costa, apoio irrestrito para a publicação e divulgação dos títulos umbandistas.

O Sr. Rubens Saraceni e a Editora Madras mudaram um paradigma no mundo livreiro, pois as editoras e livrarias não aceitavam títulos de Umbanda e os mesmos eram encontrados apenas em lojas de artigos religiosos, agora outras editoras já se animam em publicar títulos de umbanda e outros umbandistas se sentiram incentivados, também, a psicografar romances umbandistas e obras doutrinárias.

A própria Editora Madras abriu espaço para novos autores de Umbanda, ao que podemos citar o sucesso da última Bienal do Livro, 2008, em que ao lado de Rubens Saraceni estavam também Rodrigo Queiroz, com o romance psicografado Redenção, Iara Drimel com o romance psicografado A História da Senhora Pomba-gira Rosa do Lodo e Angélica Lisanti com o título Cristais e os Orixás. Também citamos como autores de Umbanda nesta editora Lurdes Campos Vieira, Nelson Pires Filho, Vicente Paulo de Deus, Nilton de Almeida Junior, José Augusto Barbosa e Pai Ronaldo Linares.

Citamos estes autores apenas para que se tenha uma ideia do que vem sendo publicado sobre Umbanda e do trabalho da Editora Madras (www.madras.com.br).

Rubens Saraceni conta hoje com mais de cinquenta títulos publicados, e seu Pai espiritual Ronaldo Linares, que conviveu com Zélio de Moraes, acaba de publicar em parceria com Diamantino Trindade e Wagner Veneziani dois títulos importantes pela Editora Madras. O primeiro é Iniciação à Umbanda, livro já consagrado no meio umbandista, possuía publicação anterior em dois volumes, agora ganha uma versão única, ampliada e revisada. Neste título o leitor irá encontrar a história de Zélio de Moraes, seus ensinamentos para Ronaldo Linares, fotos do Pai da Umbanda e de seus trabalhos. O outro título de Ronaldo Linares é Os Orixás na Umbanda e no Candomblé, que antes estava dividido em uma coleção de títulos sobre os Orixás, agora reunido em volume único.

Quanto às livrarias aos poucos vêm dado mais destaque à Umbanda e aos autores umbandistas.

Esperamos sinceramente que os umbandistas aproveitem os ensinamentos e esclarecimentos que surgem na obra literária umbandista. Hoje, mais do que nunca os guias e mentores da Umbanda registram seus ensinamentos no papel, pela psicografia.

Todos podem e devem ler e estudar para entender a Umbanda além da manifestação mediúnica no terreiro (Tenda, Centro ou Templo de Umbanda), entendê-la enquanto religião – com doutrina, teologia e ritual próprios. Bons estudos e boa leitura a todos.

Obs.: Existe a proposta de criar um curso virtual (e presencial) sobre a História e Literatura de Umbanda, no qual pretendo explorar mais os títulos antigos e até, quem sabe, disponibilizar algumas cópias virtuais de títulos antigos ou de partes deles que sejam importantes para nossos estudos em conjunto. Estou montando uma lista de interessados neste curso, para tanto peço a todos que me enviem um e-mail para alexandrecumino@uol.com.br e coloque no assunto ou no corpo do e-mail: “Curso de História e Literatura de Umbanda”.

Temos ainda muitos e bons projetos no campo do estudo e conhecimento de nossa religião, peço apenas um pouco de paciência com minhas limitações, principalmente de tempo e espaço. Aos poucos e sem pressa vamos nos organizando e disponibilizando mais e mais material de estudo...

E mais uma vez, Muito, Muito, Muito obrigado a todos que possibilitaram este nosso encontro, meu agradecimento especial a todos os guias e mentores de cada um de vocês que muito fizeram no astral para que concluíssemos este curso. Oxalá e todos os Orixás estejam em nossos corações, palavras e mente. Nos abençoem aqui, agora e sempre...

Alexandre Cumino

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Pomba Gira do Oriente fala sobre Exu e Pomba Gira Mirim

Olá amigos leitores!

É com muita satisfação que apresento meu mais recente trabalho de psicografia. Dessa vez, a grande amiga e guardiã, Pomba Gira do Oriente, nos trouxe algumas palavras de esclarecimento.
Espero que suas palavras inspirem reflexão.
Annapon

Entidades polêmicas de Umbanda, Exu e Pomba Gira sempre geram comentários sem fundamento. Há muito preconceito no que se refere ao trabalho dessas entidades mesmo no meio "Umbandista".
Se com Exu e Pomba Gira é assim, imaginem com relação a Exu e Pomba Gira Mirim, nesse quesito o que encontramos são explicações sem nexo, sem base sólida e sem fundamento algum.
O imaginário do ser humano por vezes chega a ser fértil demais e por falta de maiores estudos e observações, lançam mão de teorias embasadas em achismos que complicam o que deveria ser simples e aceito a partir da palavra dos experientes Exus e Pombas Giras que podem, em momento oportuno, revelar o campo de ação dos Mirins.
Por que Exu e Pomba Gira se valem do trabalho dos "mirins", que seriam seres viventes em outra dimensão, outra realidade, se convencionou nomeá-los de mirins, quando, na verdade, nada se sabe sobre sua origem e qual seria a forma mais adequada de se dirigir aos mesmos.
O que nos confunde, e muito, é a importação de culturas, é a mistura de crenças.
O anunciador da Umbanda em terras brasileiras, o Caboclo das 7 Encruzilhadas, nos deixou o legado africano do culto aos Orixás a partir de suas virtudes e das Leis de Deus que regem a humanidade.
 Assim como existem pares vibratórios para cada Orixá, Exu e Pomba Gira vêm juntos representar uma das Leis Divinas e são Orixás tendo, nas entidades que incorporam, seus representantes assim como todos os outros Orixás, porém, Exu e Pomba Gira Mirim ainda estão sob o véu do mistério, do não revelado talvez porque não estejamos prontos e aptos a compreende-los.
 Se são Orixás que irradiam e vibram alguma virtude porque então seus representantes incorporantes são de outra realidade que não a nossa humana? Nesse caso não existe o Orixá irradiando, vibrando, apenas a colaboração de uma outra dimensão interagindo com a nossa e na qual o comando está com Exu e Pomba Gira, portanto, não há muito o que especular e sim compreender que os "mirins" estão sob custódia desses Orixás e a eles respondem dentro da Lei Universal e de Umbanda, mais que isso, creio eu, caímos nas malhas inconvenientes dos achismos que nada acrescentam.

Vejamos um pouco sobre o Orixá Exu para que nos situemos melhor dentro desse assunto:


Existe sim a possibilidade de cultuar o “Orixá Exu” na Umbanda.

Para tanto, é importante desenvolver uma concepção Umbandista de quem é o Orixá Exu, assim como os outros Orixás são cultuados em outras religiões, na Umbanda nós temos a nossa maneira de cultuá-los, existe uma forma Umbandista de relacionar-se com Oxalá, Oxum, Xangô, Oxóssi, Obaluayê, Nanã, Oxumaré, Obá, que é diferente da maneira Candomblecista, diferente do Culto de Nação.

Da mesma forma com relação ao Orixá Exu, é importante desenvolver toda uma concepção, um pensamento acerca de quem é “Exu”, o “Orixá Exu” e que esse pensamento seja Umbandista.
                                                                                                                           
Quem é o Orixá Exu?

“Exu”, enquanto Orixá na Umbanda, não perde suas qualidades, a questão é: nós devemos entender compreender e explicar Exu não apenas por mitologia porque essa é uma forma Candomblecista, do Culto de Nação explicar, precisamos entender: Qual é o mistério de Exu? Quais são as suas qualidades? Onde ele se insere na gênese? Como identificar a presença desse Orixá na minha vida? Como ele pode me auxiliar? Como eu me relaciono com ele independente da entidade Exu que trabalha comigo?

Se eu trabalho com Seu Tranca Ruas, Seu Tiriri, Seu Marabô, Seu Capa Preta, Seu Sete Encruzilhadas, com Exu da Meia Noite, eles trazem essa força do Orixá Exu, mas, existe um contato, uma relação que se pode estabelecer de uma forma direta entre você e o Orixá Exu e a primeira coisa e mais importante é: você conseguir entender “quem é o Orixá Exu”, “onde ele atua, que campo”, “quem é o Orixá Exu na criação, na origem das coisas, na gênese”, começamos com um olhar para o Orixá Exu na “Gênese Divina de Umbanda Sagrada”, ou seja, na criação, na origem: quem ele é?

Existe uma sequência lógica na gênese em que identificamos, no
início dos tempos, quando nada existia, a única coisa que era real e presente é Deus.

O “vazio” é considerado o primeiro estado da criação, Deus tem a intenção de realizar a sua criação e o primeiro estado que surge no exterior dele é o “vazio”, este é o estado de “Exu”, pertence a “Exu”, ao “Orixá Exu” o “vazio”.

O nome “Exu” em algumas traduções é lido como a palavra “esfera” e esse “vazio” é aquilo que envolve o exterior da criação, primeiro surge o “vazio” e esse “vazio”, por dentro, é preenchido com o “espaço infinito” que pertence a “Oxalá”.

 O primeiro estado da criação que é o “vazio” pertence a “Exu”, esse “vazio” é preenchido, ele se torna pleno por meio do “espaço infinito”, essa é a condição para que surja a criação. Primeiro o “vazio” e depois o “infinito”, a “plenitude”, é uma dualidade, uma relação dual entre Oxalá que é o espaço infinito e o vazio de Exu, que recebeu o espaço.

Exu é guardião dos exteriores, por isso também é assentado e firmado do lado de fora, do lado exterior, ele guarda a criação do lado externo, ele é anterior a tudo e a todos, essa é a presença, o papel do “Orixá Exu” na Gênese, ele é o “Senhor do vazio”.

Entendemos que Exu é anterior a Oxalá, Exu é anterior a todos os outros Orixás. A partir do momento que existe um espaço infinito, então as coisas serão criadas.

 A partir do espaço infinito, vão sendo assentados todos os outros Orixás, todas as outras divindades e então começa a criação dos mundos. Essa é uma visão, um olhar sobre a Gênese Umbandista, sob esse olhar temos Exu enquanto a divindade do vazio e ele é também a vitalidade, o vigor.

 É ele quem vitaliza os sete sentidos da vida, o “Orixá Exu” é a própria vitalidade da criação, o vigor da criação, nós temos um olhar para ele enquanto o “vazio”, o olhar da “gênese” e o olhar do “mistério” vitalidade em Exu, se nós conseguimos imaginar Exu, a divindade Exu, olhar para ele e entendê-lo como o a Vitalidade, isso traz uma nova interpretação, uma nova forma de ver, enxergar e compreender o “Orixá Exu”.

Ele é a divindade que dá toda vitalidade para a criação, é ele quem nos vitaliza, quem nos dá força, quem nos dá vigor. E ao mesmo tempo ele faz par com “Pomba gira”, ela é o estímulo e o desejo, ela é a força.

Ele é o vitalizador, a divindade vitalizadora da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração.

A afirmação que “Exu rege o vazio”, que “ele envolve toda a criação”, que “ele é o Guardião do lado externo da criação”, isso nos faz entender que Exu está em todos os lugares. Exu é “Senhor da Encruzilhada” porque ele está ali onde os caminhos se cruzam, onde as realidades se cruzam e ao mesmo tempo ele está em todos os lugares, não há um lugar onde não tenha Exu.

Podemos considerar a “encruzilhada” como um ponto de força de Exu porque ela simboliza os momentos da vida onde os caminhos se cruzam - a “encruzilhada” simboliza o encontro de duas realidades, a “encruzilhada” simboliza a descida vertical que cruza com uma realidade horizontal, ali está o Orixá Exu, mas, ao mesmo tempo ele está em todos os lugares.

Exu é vazio e Oxalá é plenitude, os Orixás formam outros tipos de pares e não apenas aqueles pares que um com o outro formam um casal, há outros tipos de polaridades.

Exu tem uma atuação chamada de tripolar, ele atua de forma positiva, de forma negativa e de forma neutra por isso ele é tripolar, ele é dual, ele atua a partir do aspecto universal e do aspecto cósmico, ou seja, junto e em parceria com os Orixás universais e com os Orixás Cósmicos.


Nas lendas, nos mitos, Exu mexe com sua emoção, mexe com seu brio, mexe com seu ego, essa é também uma relação entre Oxalá e Exu - que aqui pra nós será uma relação entre direita e esquerda: direita é a razão, esquerda é a emoção.

Exu é o “Senhor da esquerda” porque ele mexe com as nossas emoções.

Cada um de nós é um universo, cada um de nós é o “micro” que repete o que existe no “macro”. No macro temos: uma coroa Planetária onde está Deus – na coroa Planetária está Deus e estão os Orixás, acima de mim eu tenho Deus e tenho a minha coroa na qual existem sete irradiações, a partir da minha coroa eu tenho sete chakras, cada um desses chakras simboliza uma das sete forças da criação, em mim estão presentes todos os Orixás.

Eu sou um “mini universo”, meu corpo é a casa e a morada do meu espírito, da minha alma, que do lado de dentro é infinito, nós somos infinitos para dentro assim como a criação é infinita para fora. Do lado de fora quem guarda é Exu, o lado interno, a guardiã é Pombagira, no meu ser eu estou ligado e conectado a todos os Orixás, eu tenho uma coroa, eu tenho os chakras que são os pontos de força em mim.

Tudo isso se repete em nós, nós somos uma repetição daquilo que existe na criação, Exu é guardião da criação, guardião dos mundos, Exu é guardião do meu mundo, do meu universo, do meu trabalho, da minha casa, do meu corpo.

Temos Exu ligado à todos os Orixás.

Este é apenas um olhar pra gente começar a entender um pouco sobre o que é o “Orixá Exu”

Annapon

Texto baseado no curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino -



 E foi pensando sobre essas questões que uma Pomba Gira se apresenta, através do meu campo mediúnico, a fim de falar um pouco conosco sobre o "mistério" dos mirins:

Ainda é muito cedo para que compreendam esses seres encantadores.

Eles nos ajudam muito no extenso trabalho que realizamos na Terra (planeta) e fora dela.

Sou Pomba Gira, grau conquistado dentro da Lei de Umbanda a custa de muito trabalho e disciplina e digo com segurança que a maioria dos humanos ainda não consegue "enxergar" o que não seja devidamente reconhecido pelas suas humanas faculdades. Esse é o caso.

É na simplicidade que a Umbanda está pautada e toda vez que buscam novas realidades, sofisticando informações, mais distante da verdade vocês ficam porque, a verdade, é simples, objetiva, facilmente comprovada e assimilada não necessitando de métodos e palavras rebuscadas para que se revele e por fim seja aceita.

Não há nada que não se revele em momento oportuno, nada fica em segredo se a hora de se revelar for chegada e, por isso, pouco a pouco, trazemos essas informações a fim de que sejam úteis e com sabedoria sejam aplicadas em suas vidas e trabalhos mediúnicos.

Nossos amigos, que em algum momento foram denominados mirins porque à vidência de aluns médiuns se apresentam diminutos, em pequenas formas, são valiosos colaboradores, são valentes, porém não é a valentia humana, é realidade natural de sua constituição física totalmente diferente da humana.

Facilmente circulam de uma realidade para outra, simulam formas para adequarem-se ao meio onde estão como fazem alguns animais na terra para confundir seu predador. Por essa razão são de extrema importância na realização de alguns trabalhos aos quais nos dedicamos.

Entre eles não existe o bem e o mal, não há masculino ou feminino e só manipulam energias de oferendas quando a eles pedimos que assim façam, porém, sempre sob o nosso comando e supervisão porque são seres extremamente frágeis à realidade humana e seus hábitos alimentares.

Quanto à questão das oferendas, o que temos a dizer é que sim, são válidas, desde que haja bom senso e responsabilidade, mesmo porque a Umbanda se prepara para evoluir e tem evoluído malgrado a resistência de alguns que um dia se renderão ao novos tempos e às novas formas de rito e culto, isso é fato e a todos alcançará.

A melhor oferenda, queridos filhos de fé, é aquela que se consagra e compartilha, é assim que se alcança o Axé, a benção, a força de renovação, pois de nada vale jogar fora o alimento muitas vezes conseguido às custas de muito trabalho e sacrifício. Não é isso que garante o sucesso de uma oferenda e sim a intenção, a pureza de coração e a fé, portanto, sejam singelos nessas oferendas e respeitem o alimento que a mãe Terra e alguns animais lhes fornecem compartilhando com respeito e harmonia dentro de seus lares e casas de fé.

Nossos amigos não apreciam alimentos humanos nem tampouco cigarrilhas custosas e brilhantes, repito, sob nosso comando, manipulam algumas energias quando assim lhes solicitamos, porém, é com pesar que digo que a maioria dessas oferendas que têm sido destinadas a eles são meros desperdícios de forças e materiais porque onde não há o bem intencionado, logo vem aquele que tudo desfrutará para o mal, ou seja, muita cautela ao oferendar. Tenha sempre em mente que receberá em dobro o que desejar e que nem sempre aquele a quem foi destinada a oferenda a vem manipular em seu favor, principalmente se houver excessos que comprometam a saúde de suas finanças, muita cautela, bom senso. Espíritos evoluídos e trabalhadores no bem maior jamais comprometerão seus médiuns e simpatizantes receitando oferendas mirabolantes e de alto custo, jamais, nem tampouco indicarão receitas de acesso difícil aos filhos de fé.

Pensem sempre que tudo se alcança dentro de seu merecimento e necessidade, quando vocês se esforçam para conquistar seus sonhos e trabalham com afinco para os alcançar é que mãos invisíveis são estendidas até vocês sem necessidade de oferendas.

Oferende quando seu coração pedir e de forma simples, oferende junto a seus irmãos de fé e caminhada, junto ao sacerdote da casa que frequenta quando ele indicar, porém, observe sempre a simplicidade e a fé que anima a casa e a todos, isso sim garante sucesso, progresso e evolução.

Nossos amigos são seres tão especiais quanto o são os humanos, criados pelo mesmo Deus no qual cremos, estão à disposição da humanidade e não se atrelam a grupo algum, trabalham em prol da coletividade e onde houver necessidade de sua intervenção.

Alguns médiuns acreditam que os "mirins" são espíritos desencarnados de garotos(as) de "rua" e eu lhes digo: Não existe quem seja de rua, mas sim seres à merce de seu meio ou que estejam recolhendo sua semeadura. Não que tal estado seja punição, nem tampouco deve o ser, nessas condições, se deixar levar pela situação, não. Na verdade é justamente uma prova para o espirito e não se sujeita, esse teste de vida, à presente encarnação, mas sim ao conjunto da "obra" do ser como espirito imortal que é e que atravessa, pelo tempo, uma série de encarnações com vistas à evolução.

Crianças que desencarnam na situação de rua, ou indigência, são recolhidos, assistidos e esclarecidos em colonias espirituais especializadas e definitivamente não são os "mirins".

Essas crianças e jovens não são crianças e jovens, são espíritos imortais que em determinada encarnação, morrem nessas condições de desfavorecimento financeiro e social, repito, como uma das tantas provas às quais todos os espíritos estão sujeitos.

Tais espíritos podem se engajar, caso assim optem, aos trabalhos de Umbanda e, sendo devidamente preparados, normalmente escolhem falanges como as dos marinheiros, malandros, ciganos, mas nunca mirins porque mirins não são humanos trabalhando na Umbanda, se preferirem chama-los de encantados, que seja, mas, ainda assim, falta-nos recursos de palavreado para defini-los, mesmo porque a nós foi concedido acesso restrito aos seus reinos, constituição, etc.

Temos apenas com esses amigos uma relação de cooperação, não é troca, é colaboração com vistas ao bem da humanidade e universal. Vai além do mero "toma lá dá cá" dos humanos, não é barganha é soma de forças é trabalho para o bem maior sempre pensando na coletividade seja humana ou não.

Quando os "mirins" incorporam nos médiuns, estão sempre sob o comando de Exu ou Pomba Gira, costumam deixar nos médiuns uma sensação "estranha" indefinível, isso justamente porque não são humanos, têm outra constituição e suas sensações são muito diferentes das sensações humanas. Quando solicitam cigarros, bebidas, frutas, doces, não é para sua satisfação ou para despertar sensações e sim para manipular em beneficio do médium e do ambiente no qual foram chamados à atuar e usam tais materiais sob nossa orientação, do contrário não saberiam o que fazer com aquilo tudo, ou seja, junto aos nossos amigos sempre está um de nós.

A essa altura alguns perguntarão: " Mas então porque vocês mesmos não fazem o trabalho dos "mirins"? 

Respondo: Justamente porque não somos eles, somos espíritos que passaram pela encarnação humana, conhecemos as sensações do fumo, da bebida, do doce, mas, eles não e justamente por isso e por serem extremamente velozes e ágeis na manipulação desses materiais é que nos vem auxiliar nas giras que abrem campo à sua presença. O trabalho que realizam nós não conseguimos realizar, a velocidade que alcançam é impraticável ao ser humano encarnado e desencarnado, as dimensões que conseguem acessar jamais serão alcançadas por humanos e os recintos nos quais conseguem penetrar ao humano o acesso é vetado.

Alguns desses locais são fendas astrais, locais de acesso muito difícil onde atuam alguns "inimigos" da humanidade e do bem, como o conhecemos. Lá eles circulam e já conseguiram desativar vários laboratórios onde seres perversos, por exemplo, armazenavam cópias de seres humanos com finalidades nada boas. Esses normalmente são locais de densidade impenetrável ao ser humano e discorrer sobre esse assunto seria desvio de nosso tema. O fato é que "mirim" viaja no espaço, no tempo, atravessa portais, dimensões, com extrema velocidade e fluidez e nos traz informações preciosas que muito colaboram com nossos trabalhos. Numa questão de segundos, por exemplo, nos traz informações sobre futuros atentados contra o ser humano, em alguns casos, já conseguimos impedir atentados, de grandes proporções, pelo aviso recebido previamente dos nossos amigos. Esse é apenas um exemplo do trabalho desses preciosos amigos a quem dedicamos o mais profundo respeito e gratidão.

Para nós, Guardiões de Esquerda, e que essa esquerda se entenda como tudo o que envolve emocionalmente o ser humano e ainda todas as questões cotidianas às quais estão expostos, assim como os relacionamentos, interações, etc., entendemos que todo o trabalho ao qual somos solicitados é importante e grandioso demais porque quando atendemos uma pessoa, por intermédio de nossos médiuns, na verdade atendemos a muitos outros seres a ela ligados, ou seja, cada pessoa que chega até nós traz consigo uma infinidade de outras que são igualmente atendidas e ai está mais um belo trabalho dos "mirins", enquanto atendemos um, eles se encarregam dos restantes encaminhando-os e por vezes até curando-os de seus inúmeros males porque já aprenderam sobre o que fazer e a reconhecer cada necessidade humana com a grande vantagem de não se envolverem, apenas trabalharem e pronto, o trabalho os faz "felizes" se é que podemos usar essa palavra, porém, de alguma forma expressam bem estar em ação e nós, Exus e Pombas Giras, aprendemos, com o tempo, a entender um pouco suas reações, mas estamos longe de uma compreensão ampla.

Nossa comunicação não é verbal, nos entendemos por ondas, frequências, símbolos desconhecidos pela maioria dos humanos, mas, a nós, foi permitido esse aprendizado a fim de que juntos pudéssemos trabalhar em prol de muitas coletividades.

Vale ressaltar que, como já mencionado, entre nossos amigos não existe masculino e feminino, o que ocorre é que quando estão conosco, as Pombas Giras, assumem certa aparência e gestos femininos, quando estão em trabalho com os Exus, assumem modos, energias similares às masculinas, ou seja, moldam-se ao comandante da tarefa.

É comum, quando incorporados, trazerem à tona tudo o que vai no inconsciente dos médiuns, fazem emergir maneiras, gestos, que se encontram nos escaninhos das almas encarnadas justamente pelo fato de que são muito ágeis, sendo assim, é comum que acessem, ao incorporar, toda a história do médium como espirito e todas as suas encarnações com o objetivo de "zerar" digamos assim, possíveis influencias de vidas passadas que ressoam agora, na atual encarnação do médium aliviando-o assim de memórias pregressas que o impedem de evoluir com maior rapidez, seria como desativar uma lembrança, inconsciente, que atrapalha o progresso evolucionista do médium sem com isso remover essa lembrança que pertence ao espirito que é eterno e que, em tempo oportuno, e pelo seu bem, a ela terá acesso.

A Umbanda é uma religião magica, mas magia não significa excesso porque a maior magia é aquela onde a mente é forte assim como a vontade do praticante. Toda consequência de um ato de magia recai sobre o mago e repercute pela eternidade, pode ou não ajuda-lo, mas o mago sempre arcará com a responsabilidade do ato que pratica e sobre ele prestará contas. Nessa questão, nossos amigos são exímios desarticuladores de magias, seja de que natureza forem, se assim dermos o comando, eles desativam rapidamente toda e qualquer magia considerada nociva por nós que labutamos pelo progresso e bem da Terra e de seus habitantes, são pouco dados a se mostrarem pela vidência e, caso sejam percebidos, instantaneamente modificam sua aparência assumindo formas assustadoras para que não sejam reconhecidos ou capturados pela mente humana.

Magos negros já tentaram, sem sucesso, captura-los, mas, desenvolveram um artificio de copias mal feitas, grosseiras de nossos amigos e as usam em seus infelizes intentos, porém, nunca quebrarão a barreira de proteção de nossos amigos porque as forças de renovação do planeta os protegem por serem seus mais habilidosos colaboradores,além de não possuírem acesso à sua dimensão de origem, portanto, seguiremos juntos nesse trabalho no bem e pelo bem até quando queira o poder de Deus, nosso Pai Criador.

Quanto às palavras que articulam quando incorporados, através de complexo mecanismo de conversão mental é que se comunicam, mas, sempre se valem das maneiras de se expressar do médium, por exemplo, caso falem "palavrões" estarão usando os falados pelo médium com mais frequência, revelando assim a real natureza de quem os incorpora.

Essa é uma questão a ser muito bem esclarecida junto aos médiuns incorporantes: cuidado com o que pensa porque nossos amigos, quando incorporados, revelarão seu padrão mental/vibratório pelo seu próprio bem, para que você médium reconheça suas próprias fragilidades e necessidades de mudanças e para que você aprenda a bem viver sua mediunidade com dignidade, amor e segurança.

A qualquer momento podemos voltar ao assunto.
Desejo Luz e progresso a todos,

Pomba Gira do Oriente
psicografia de Annapon 
26.07.2017



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Obsessão durante o sono e a prece - por Annapon -




Nem todo obsessor tem aparência grotesca, alguns, pelo contrário, iludem, seduzem, pela bela aparência.

A prece, antes de dormir, é uma boa forma de terminar um dia e de se preparar para o desligamento temporário do corpo quando nosso espírito, emancipado, vai em busca de algo que necessite como: estudar, visitar amigos, parentes, trabalhar, porém, nem sempre é assim, desligados da matéria o inverso também pode acontecer e nos remeter à paragens sombrias, tristes, à confrontos, enfrentamentos com desafetos ou visitas à locais de baixa vibração, tudo depende de como estejamos sintonizando nosso "rádio", ou seja, tudo depende em que faixa vibratória estejamos nos ligando.

De nada vale a prece antes de dormir se durante o dia nossas ações tiverem sido de destempero, raiva, impaciência, omissão, corrupção, se tivermos investido contra a vida alheia, humana ou não, mesmo através do pensamento que julga, deseja o mal, portanto, como já dizia nosso grande Mestre Jesus: " Antes que te ajoelhes no templo, vá e reconcilia-te com teu irmão". Isto quer dizer: Não sejamos hipócritas ao ponto de rezar, antes de dormir, e viver a vigília incoerente com tal ação.

É claro que todos nos irritamos, pronunciamos alguns palavrões, porém, tal desabafo é diferente do mal querer e pensar, de remoer velhos e deteriorados sentimentos negativos que acabam por sintonizar com espíritos que pensam e sentem o mesmo. O resultado é desastroso e nenhuma prece é capaz de anular o efeito nocivo de tudo isso, apenas a busca por melhorar é que funciona, apenas cultivar alguma paz na mente pode nos sintonizar com espíritos bons e nos aproximar mais de nossos anjos guardiões e guias, mentores espirituais, conservar alguma tranquilidade em nosso cotidiano é que nos distancia da obsessão.

Preferir a paz à razão as vezes ajuda muito porque todas as vezes que nos enfrentamos uns aos outros nos distanciamos de Deus e dos bons espíritos, todas as vezes que responsabilizamos o outro pela nossa falta de paz estamos mascarando nossas ações que muitas vezes contribuem para que o outro nos trate mal ou com indiferença.

Somos, na maioria das vezes, responsáveis pelas obsessões que sofremos e, mais comum que se imagina, é que somos obsessores de nós mesmos e dos outros, encarnados ou desencarnados porque, ao nos emanciparmos durante o sono podemos muito bem ir ao encontro de quem obsedamos sem nos darmos conta disso.

Certamente é muito mais confortável se dizer obsedado, mas, numa analise mais critica e apurada, somos quase sempre obsessores.

Quanto aos espíritos que hipnotizam os encarnados no momento do sono, só o fazem porque a pessoa viveu seu dia em sintonia com os mesmos, portanto, nenhuma prece o distancia das horas que vibrou e pensou mal, dos momentos que julgou ou maldisse alguém por alguma razão.

A verdadeira prece é viver em harmonia o máximo que possamos conseguir, sem desmerecer, é claro, a prece que sempre nos alivia, desde que acompanhada por uma boa analise de nossas ações, reações e pensamentos durante o dia.

Obsessores não escolhem horário para cercar seus desafetos. É claro que trazer um encarnado, em desdobramento durante o sono para o plano espiritual desprovido de Luz, é uma das tantas formas que o sub mundo astral tem de prejudicar àqueles que são seus alvos, mas, dizer que somente a prece pode evitar isso é infantilidade. A prece é forte aliada desde que o obsedado reconheça suas "falhas", faltas, deslizes e busque se reconectar com o que seja bom, com o bem enfim durante as horas que estiver em vigília para que assim sua prece seja forte aliada à sua busca incessante por se melhorar como ser humano, vivendo em harmonia e buscando estar em paz consigo e com os outros. Tal postura não apenas afasta obsessores, mas, e isso é muito importante, colabora com aqueles que já estejam dispostos a evoluir e buscar a Luz em suas almas, isso é caridade também.

É muito triste a figura do diabo que a igreja católica tanto pregou transformada em grotescas imagens agora na lide espirita onde o velho medo é incutido nas mentes em forma de ferrenhos obsessores, ou seja, mudam-se os nomes para antigas ameaças esquecendo-se que demônios ou obsessores só ocupam lugares vazios, mentes sem alimento que só o Sagrado, no dia a dia, pode oferecer. Transferir ao demônio ou ao obsessor a falta de fé, a falta de uma compreensão maior que deve vir de nós mesmos como artífices de nossos destinos é imaturidade, desserviço na causa do bem que liberta das amarras e velhos conceitos através da auto analise, auto conhecimento para então ser verdadeiro colaborador da espiritualidade de Luz que nos inspira à prece como aliada ao processo de nossa auto iluminação.

Sem essa compreensão a prece é inócua e fortes, dominantes, se tornam os obsessores que nos espreitam à hora sagrada do sono a fim de nos vampirizar a seu bel prazer.

Annapon

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Médiuns de Transporte


Olá!


Abaixo três orientações sobre a polemica mediunidade de transporte na Umbanda.
Lembrando sempre que tal procedimento deve ser feito por médiuns experientes e com autorização dos dirigentes espirituais e materiais da casa.

Annapon



DOUGLAS RAINHO

A mediunidade de transporte – em alguns casos também chamada de descarrego – é uma mediunidade que ou caiu em desuso nos terreiros ou é bem mal-explicada e trabalhada. Alguns referenciam que o cambone é um médium de transporte nato, pelo simples fato do mesmo doar energia ectoplasmática durante as sessões ou giras de Umbanda. Porém isso está incorreto.

O cambone tem sim um papel de extrema importância e pode – geralmente o faz – doar ectoplasma para os guias que ali estão para que os mesmos manipulem em prol do assistido. Veja, o ectoplasma aqui citado é a energia vital em excesso. Jamais será tirado algo que fará mal para o indivíduo e também sem a concordância deste. Quando se aceita ser cambone, tacitamente se “assina” esse tipo de contrato de doação energética. Porém, a mediunidade de transporte é bem distinta, apesar de utilizar-se do princípio do ectoplasma também.

Sabemos que o ser humano não é constituído apenas de matéria, dentro das tradições orientais mais populares, nos é dito que possuímos sete corpos: Atma (espírito), Búdico, Mental Superior, Mental Inferior, Corpo Astral (Espiritual), Duplo-Etéreo e Material. Dentro da classificação espírita, Kardec sintetizou os corpos Búdico, Mental Superior e Inferior, o Corpo Astral e o Duplo-Etéreo em um só denominado Perispírito, deixando a sua definição assim: Espírito, Perispírito e Matéria. Ele simplificou a estrutura energética do ser humano, mas sem desqualificar a sua essência.

Dentre esses corpos, o que podemos denotar é que ao desencarnar perdemos dois deles: Duplo-Etéreo e o Material. Apesar do Duplo-Etéreo ser um corpo invisível a olho nú, ele ainda é em parte material e será desagregado após o desencarne, depois de aproximadamente 48 à 72 horas. Isso pode variar, conforme o apego a matéria ou a espiritualização do indivíduo.

Em muitos casos os espíritos obsessores ou negativados (desequilibrados, desarmonizados e alguns até mesmo sem saber que estão mortos), acabam interferindo na vida material das pessoas. Trazendo perturbações de ordem espiritual, manifestações fenomênicas, etc. Alguns, precisam se nutrir da energia da vida (duplo-etéreo) para lembrar como era na matéria. Outros tantos, acabam simplesmente por obsedar pela maldade e pela vingança. Seja qual for o caso, o espírito em desequilíbrio ou em embrutecimento consciencial, acaba se esquecendo de certas particularidades da vida material. Nesses casos, quando alguns procedimentos falharam é que entra o médium de transporte. O médium cederá seu instrumento mediúnico, para que um espírito embrutecido ou desequilibrado possa “incorporar” e tomar um CHOQUE anímico. Ou seja, ele irá sentir as dificuldades e restrições da matéria e em alguns casos isso é o suficiente para colocar determinadas entidades nos trilhos novamente.

Existe até dentro dos tratamentos de passes dos centros espíritas o passe chamado Choque Anímico (CH). Que tem o mesmo princípio, vitalizar o ser desencarnado para que ele lembre-se de como é estar aqui, em uma terra de expiação.

Logo após o trabalho do médium de transporte, o espírito é então retirado do campo mediúnico do mesmo e levado para as zonas de recuperação, pelas falanges que cuidarão do espírito agora em estado de choque ou ao menos temeroso.

Hoje em dia, muitos dizem que esse tipo de artifício não é mais necessário, pois evoluímos e não precisamos mais utilizar dessa mediunidade. Outros, acabam por dizer, que é necessário, mas que qualquer pessoa pode se tornar um desses tipos de médium de transporte e pode fazê-lo. Ambos, na minha visão estão enganados.

A mediunidade de transporte ainda é necessária, mas assim como era no passado, os casos em que ela é necessária são escassos. Não é regular fazer transporte em TODAS as giras e sessões e também não é qualquer um que pode doar a sua matéria para esse tipo de atividade. Os mais antigos da tradição umbandista, chamavam esses médiuns de médiuns de descarrego ou médiuns de Exus, pois tratavam todos os espíritos em desequilíbrios, negativos, negativados, etc. como espíritos de exus catiços. Existem pessoas que tem uma certa “vitalidade espiritual” diferente, mais abundante, que são os ideais para esse tipo de trabalho.

Com essa mania das novas Umbandas de que todos são médiuns, seja de incorporação ou de transporte, estão criando verdadeiros casos de obsessões complexas e até mesmo coletivas nos terreiros. Pessoas que acabam perdendo a sua própria vitalidade, sua energia vital, entrando em colapso nervoso, psicológico, emocional e até mesmo manifestando desordens físicas. Em outros casos, o terreiro inteiro acaba sendo desvitalizado e perdendo a força! Quantas vezes não ouvimos dizer que determinado terreiro era bom, mas que de uns tempos pra cá parece que ficou fraco? Que os pedidos e ajudas não são mais atendidas? Inúmeros!

Então, médium de transporte (ou de descarrego ou de exu) é um indivíduo com uma constituição físico-espiritual diferente, que passará por um processo de aprendizado e saberá utilizar da melhor maneira possível sua mediunidade sem que está lhe traga prejuízos em sua vida cotidiana ou a sua saúde.

Já para o Espiritismo, codificado pelo pedagogo francês Allan Kardec, a mediunidade de transporte é outra coisa. Usa-se a mesma nomenclatura, mas para um fenômeno diferente, que é conhecido nos meios de estudos parapsicológicos como “Apport”. Para a Doutrina Espírita, mediunidade de transporte é a capacidade de fazer com que um objeto material seja levado a outro local. Por exemplo, dentro de uma gaveta trancada, há um pequeno objeto (anel por exemplo). Através da manifestação fenomênica da mediunidade de transporte, tal objeto é desmaterializado de dentro da gaveta e levado até outro local. Isso podendo ocorrer também, com o objeto sendo deslocado “manualmente” sem proceder a desmaterialização, ou seja, determinado espírito manipulando a matéria (lembrando que é necessário ter um médium de efeitos físicos próximo) pega o anel e o carrega (como um ser humano encarnado o faria de forma ordinária) até outro local.

No livro do espírito encontramos também dentro da categoria de médiuns especiais, como médiuns de aporte:


Médiuns de aportes – Os que podem servir aos Espíritos para o transporte de objetos materiais. Variedade dos médiuns motores e de translação. Excepcionais. (Ver nº 96).

Dentro da categoria dos fenômenos mediúnicos de característica física, existem diversas subdivisões. Recomendamos a leitura do Livro dos Médiuns, para mais informações.

Dentro dessa lógica, podemos traçar um paralelo com os inúmeros relatos sobre aparições de objetos em travesseiros ou dentro de tufos de algodão. Ramatis, ponderá sobre isso em seu livro Magia de Redenção, quanto as magias negras, feitiçarias e macumbas feitas com objetos que depois se materializam em alguns locais, geralmente nos objetos que já citamos acima. Para causar um efeito magnético e uma perturbação no campo espiritual e energético do alvo dessas magias negativas.

Podemos então, claramente dizer, que determinados espíritos sob a batuta de um mago negro, feiticeiro maligno, etc. pega certos objetos de uso pessoal do médiuns – que contém sua impressão energética – e os levam até o mago negro. Esse, por sua vez, agirá com todo seu conhecimento sobre essas artes negras para que impregne com energias nocivas tais objetos, ou até mesmo, os utilizar para criar um elo (link) com o alvo. Depois ordenará a seus asseclas espirituais que devolvam os tais objetos a seus locais de origem. Em alguns casos, há ainda outro tipo de manifestação, como uso de pregos, pregos de caixão e outras coisas, sendo magnetizados negativamente junto com “links” pessoais, como cabelo, unhas, sangue, etc, do alvo. Esses serão materializados depois dentro de seu travesseiro, pela proximidade com o campo energético e também com o aparelho mental, para que possa perturbá-lo e que tenha mais eficácia em seu sórdido objetivo.

As manifestações de mediunidades de transporte são distintas pro Espiritismo e para a Umbanda, porém, acho que conseguimos deixar claro sobre as mesmas. Caso ainda persistam dúvidas, leiam os livros indicados.

O importante é sempre manter a responsabilidade sobre as questões espirituais e principalmente mediúnicas. Axé!




tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola e Caboclo Tupinambá



O transporte na Umbanda é um procedimento de desobsessão onde o médium, geralmente através de um toque com a mão, transfere para si o egun (espírito obsessor) que acompanha o paciente incorporando-o momentaneamente. Trata-se de um ato de caridade, pois além de livrar o paciente de sua obsessão espiritual, durante a incorporação (que deve ser breve), o egun recebe o que se designa como Choque Anímico, que provoca melhora em seu estado de sofrimento, facilitando e incentivando sua disposição em receber ajuda e ser encaminhado. Nesse momento, durante o transporte, é possível uma breve tentativa de doutrinação do egun (obsessor), para que entenda sua situação e siga com os espíritos socorristas.

Divaldo Pereira Franco afirma que a terapia desobsessiva pela doutrinação do obsessor incorporado no médium, independentemente da eficácia da doutrinação propriamente considerada, já traria em curto prazo uma melhoria de 30% a 40% no nível vibratório do obsessor só pelo choque anímico.

Blog: Umbanda, aprecie com moderação

Para que a puxada tenha objetivo e finalidade correta é importante ressaltar;


1- Que exista mediunidade de fato (não seja um anímico);


2- Não tenha medo, e confie naqueles que vão ampará-lo neste trabalho, tanto na parte material como na espiritual - se não confiar, nem é bom tentar;

3- Tenha recebido treinamento adequado ou, se for iniciante, que tenha à sua volta uma corrente muito bem firmada por espíritos que tenham este tipo de treinamento;

4- Que saiba controlar moderadamente as atitudes do "puxado" para que não haja excessos. O exemplo da ilustração acima em azul é uma pista;

5- Tenha protetores de fato que tanto o prepare para a (s) puxada (s) quanto para a limpeza posterior, sempre necessária (fator imprescindível);

6- Entenda que ele é um intermediário e que está ali para permitir ou facilitar o contato do obsessor com os espíritos que vão encaminhá-lo depois e que, por isto mesmo, não pode entrar em sintonia máxima com o obsessor sob pena de dificultar a sua retirada por parte dos espíritos auxiliares em casos em que esses obsessores se tornam ou se mostram muito obstinados.


No processo de puxada, dependendo muito do treinamento do médium para isto, ele vai sentir a aproximação; vai sentir a "entrada" da entidade até o ponto em que ele médium permitir, sem perder a consciência. Mantendo-a, mesmo que parcialmente, não poderá deixar que todas as sensações "físicas" da entidade, bem assim como os comportamentos sejam expostos em toda a sua plenitude, fato este que denotará que, mesmo parcialmente incorporado, o dono do corpo é ele - o médium - o que fará ver à entidade que "ela não é tão forte como quer parecer", nos casos em que isto se torna evidente.

Se o médium se deixar comandar totalmente é sinal de que ele é "mais fraco" que a entidade, o que por si só já transmite a ela a ideia (quase sempre correta) de que pode "mandar no pedaço" e fazer o que bem quer com este médium.


Indicação Chave: Neste tipo de processo, tudo o que o médium não pode é FICAR TENSO. Pelo contrário, deve deixar fluir por seu corpo todas as sensações que forem necessárias de uma forma que ele mesmo não acabe prendendo-as e com isto continue a senti-las após a saída do "invasor". Se sentir enjoo, não deve se ligar a ele; se sentir ânsia de vômitos não deve forçá-lo, mas se ele vier, deve deixar vir o mais naturalmente possível, sem se importar com o que os outros vão pensar porque, de outra forma, prenderá toda a energia que provoca a ânsia dentro de si dificultando o trabalho dos espíritos que o assistem de fora. De uma forma geral, num processo bem coordenado, essas sensações (e possíveis outras) PASSAM pelo médium e, se ele não as bloquear dentro de si por tensões e medos, vão embora assim como vieram.


Liberdade de comando do corpo só se dá aos espíritos seguramente amigos (Ou seja, seus Protetores de fato e direito) e nunca aos que apenas passam por nós, temporariamente, para que possam vir a ser encaminhados. Questão de segurança!

Médiuns em desenvolvimento, em sua maior parte já tendem a não deixarem QUALQUER ENTIDADE lhes tomar adequadamente (por medo mesmo, quase sempre). Se aprenderem com a prática a deixarem se tomar por Protetores e não se deixarem tomar por "invasores", já terão um bom caminho andado nesta prática.

Os médiuns mais antigos que não tiveram este tipo de treinamento inicial, costumam ter maiores dificuldades e às vezes não conseguem se livrar de todas as sensações que esses espíritos trazem consigo e passando mal, após, por conseguinte. Em casos mais problemáticos, digamos assim, não conseguem nem se livrar do próprio obsessor, de tanto que lhe deram permissão de invasão.



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