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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

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domingo, 12 de julho de 2015

Rituais de Umbanda – A Gira –




Rituais de Umbanda – A Gira –

Ritual é tudo aquilo que você cumpre religiosamente.

Mas, não no sentido original da palavra que é o sentido religioso de fato, o ritual, enquanto ato religioso, mas é um ritual você cumprir à risca todos os dias o mesmo procedimento para algumas tarefas.

E o que é o ato religioso?

 É aquele ato que você cumpre religiosamente.

O que é a religiosidade?

É aquilo que você faz à risca e tem um método que tem que ser cumprido. Este método é o ritual.

A palavra ritual, às vezes, é empregada fora do contexto religioso para descrever algo que tem que ser feito passo-a-passo.

Existem rituais de magia, nos grimórios, nos velhos e antigos livros de magia e mesmo dentro da magia divina você tem uma ritualística, um ritual que tem que ser cumprido, há um procedimento, esse procedimento é um ritual.

Toda religião tem seu ritual, mesmo aquelas que negam tê-lo.

O ritual religioso dita quais são os procedimentos gestuais, simbólicos para se alcançar o sagrado, isso é um ritual, dentro desse contexto nós temos o ritual Católico, por exemplo. O ritual Católico é um ritual definido por Roma, antigamente a missa Católica era falada em latim, por determinação de Roma.

Antigamente o padre ficava de costas para os fiéis e de frente para o altar, era parte do ritual Católico. Hoje, em qualquer igreja que você for o padre está falando a língua do seu país, não fala em latim porque a igreja Católica define passo-a-passo como deve ser o ritual da missa. A igreja Católica define onde ele tem que estar, antigamente a descrição do ritual Católico era tão fechada que ate como movimentar as mãos era descrito no ritual, em que lugar do altar ele tinha que ficar inclusive.

Depois ficou mais tranquila a ritualística da missa. Mas, a missa é definida, até o tema de uma missa é predefinido, o padre vai fazer uma preleção, o tema da preleção dele é predefinido.

Em todas as igrejas naquele mesmo domingo todos os padres estão fazendo preleção sobre o mesmo assunto porque isso foi definido pela Arquidiocese, pela regional e o ritual é definido por Roma, então, é um ritual. Religião possui ritual, o ritual visa repetir os valores mitológicos daquela religião.

No ritual da missa, que é o mistério maior do Catolicismo, se revive o momento de compartilhar, é como se fosse reviver o momento da Santa Ceia, de compartilhar a multiplicação do pão e do vinho onde a hóstia é o corpo de Cristo, é um ritual antropofágico, simbolicamente falando, onde está ali o sangue de Cristo e o corpo de Cristo pra ser comungado, as pessoas estão em Ceia, elas estão comendo, simbolicamente porque é uma hóstia e o vinho, isto é um ritual do mistério maior, o mistério Cristão que revive aquele momento em que Cristo ressuscitou, ele continua vivo, é um ritual.

O Espiritismo afirma sobre si mesmo que não é uma religião, mas tem uma ritualística e as pessoas estão congregadas em nome de Deus. Então, sociologicamente falando, a partir do ponto de vista Sociológico é uma religião mediúnica. Isso foi defendido por um Sociólogo chamado Cândido Procópio Ferreira que foi também cadeira de Sociologia na USP - depois de Roger Bastide - e que publicou um livro: “Umbanda e Kardecismo”.

Por que um Sociólogo usou o termo Kardecismo?

Porque há um tipo de Espiritismo popular porque muitos chamam a Umbanda de Espiritismo e enquanto Sociólogo ele quer definir o objeto da sua pesquisa.

Aqueles que seguem a doutrina de Kardec, que sobre si mesma afirmam que não é religião, sociologicamente é uma religião porque as pessoas se congregam em torno de uma fé e o Espiritismo diz sobre si mesmo “Não temos ritual”, mas toda semana você encontra os irmãos, coloca uma toalha branca, coloca uma jarra de água, toda semana religiosamente você faz a leitura do Evangelho, isso é uma forma de ritual.

Não é um ritual simbólico que é o caso da Umbanda, não é um ritual no rigor da palavra, um ritual religioso com toda simbologia e hierarquia religiosa que a Umbanda tem.

 A Umbanda é religião em todos os sentidos em que você quiser olhar, uma religião que tem Templo porque todos os Terreiros de Umbanda são Templos, um Terreiro de Umbanda não é apenas uma casa de oração porque qualquer casa em que as pessoas se reúnem para orar é uma casa de oração, isso pode ser considerado um templo. Mas, o lar também é um templo da família e aí a palavra templo, ela está sendo aberta para definir o templo da família, o templo da oração.

A Umbanda é Templo no rigor da palavra porque todo Terreiro de Umbanda foi construído ou adaptado para ser um Templo, existe uma arquitetura sagrada, por mais simples que seja no momento em que você constrói um altar e uma tronqueira tem uma arquitetura sagrada, o Templo de Umbanda é templo a rigor, inclusive porque arquitetonicamente é templo no quesito de: possuir um altar e ter sido construída ali uma arquitetura sagrada de Templo para ser Templo, não é apenas uma casa de oração.

O Terreiro de Umbanda é um Templo e não apenas uma casa de oração porque tem uma arquitetura sagrada, isso é muito importante.

Uma Mesquita é uma casa de oração que nós chamamos de templo. Você já foi numa Mesquita? O que tem lá dentro? Nada. É só uma casa de oração para os irmãos se congregarem rezando voltados para Meca - que é o que diz respeito a religião do Islã/ Mulçumano – eles se reúnem numa Mesquita porque o Mulçumano reza cinco vezes por dia voltado para Meca.

Ele tem que saber onde está Meca, pegar uma bússola, em qualquer lugar onde ele estiver ele tem que saber onde está Meca, se ajoelhar voltado para Meca e rezar. Porque lá em Meca é que está o assentamento da sua religião – a Caaba ou Kaaba – a Mesquita é uma casa de oração. No caso do Judeu que também se reúne numa casa de oração que é a sinagoga.

A Mesquita não tem um altar, é uma casa de oração que nós consideramos um Templo. A sinagoga também não tem um altar, tem um púlpito, mas não tem um altar. Porque o Templo do Judaísmo era o templo de Jerusalém que foi destruído e o altar do Templo de Jerusalém era a Arca da Aliança que foi roubada, então, a sinagoga é uma casa de oração.

O Terreiro de Umbanda não é apenas uma casa de oração, é um templo tem uma arquitetura sagrada, um altar onde está assentado o santo do santo, o sagrado. E para eu me relacionar com esse sagrado há um ritual, uma ritualística, não é qualquer um que vai chegando e vai fazendo o que quer, tem a hora e o momento certo para cada coisa no ritual em que o ritual conduz o movimento religioso, o ritual conduz o ato religioso, o ritual define qual é o método de relacionar-se com o sagrado e o divino, o ritual ensina qual o tempo e o lugar de cada pessoa e de cada coisa no ato religioso, o ritual ensina o que cada um tem que fazer pra ninguém ficar perdido.

 A Umbanda é uma religião mediúnica, o ritual ensina como lidar com a mediunidade dentro do Templo de Umbanda, então, é fundamental o ritual e cada religião tem o seu ritual.

O espiritismo tem uma metodologia, uma ritualística própria de dizer como fazer um trabalho Espírita, uma sessão Espírita. Não é um ritual a rigor porque não tem simbologia, não tem mitologia, não tem mitologia no sentido de dizer: o ritual repete o mito. O ritual repete os mitos e os símbolos, ou seja, os valores mais fortes daquela religião.

A Umbanda não é uma religião mitológica, mas ela é uma religião profundamente simbólica como todas as outras e a Umbanda traz o valor das divindades dos Orixás que estão presentes no ritual, nós não temos um olhar mitológico, mas nós temos o conhecimento de quem são os Orixás e o sentido que nós damos pra essa relação com os Orixás repete aquilo que nas outras religiões são os mitos, pra nós são as qualidades dos Orixás.

Os Orixás serão louvados, cantados, reverenciados, cultuados dentro de um ritual e o ritual faz isso. O ritual diz qual o momento de louvar o Orixá, qual o momento de louvar Caboclo, qual o momento de receber as pessoas que vem de fora pra tomar um passe, uma consulta, isso é o ritual.

 O ritual Umbandista cuida da mediunidade, o ritual coloca ordem na casa, o ritual deve ser obedecido, cumprido, seguido, o ritual diz: “Agora é hora de incorporar”, todos que são desenvolvidos devem incorporar naquele momento porque o ritual mandou. O ritual não pede o ritual manda.

O ritual dá o tempo para cada um saber o que tem que fazer, então, o ritual manda: é hora de desincorporar. Como? Ponto de retirada, ponto de subida, não é? “Caboclo pegue a sua fecha, pegue o seu bodoque o galo já cantou. O galo já cantou na Aruanda Oxalá lhe chama, salve a sua banda”, você está ouvindo o Caboclo? Você está ouvindo isso? Isso é um ritual, o ritual está sendo cantado.

Roger Bastide escreveu um livro chamado: “O Sagrado Selvagem” onde diz: “Precisamos primeiro entender o que é o sagrado selvagem” é aquele sagrado que ainda não foi domado, domesticado.

Selvagem é diferente de agressivo. A gente confunde as coisas e costuma dizer: “Fulano isso é muito selvagem” e aí o selvagem acaba sendo uma coisa agressiva. Mas, pensemos: é lindo ou não é o cavalo selvagem? Livre, sem cabresto, sem carroça, sem cavaleiro, ele é livre, o cavalo selvagem.

 O leão é selvagem quando está solto, o tigre é selvagem quando está solto, mas, que pode ser domado, domesticado, perdendo a sua naturalidade, selvagem é aquilo que é o sagrado, a manifestação do que é sagrado no ser humano de uma forma antropológica, ou seja, no ser humano independente de religiões, o ser humano tem uma conexão com o sagrado e essa conexão se você nascer numa ilha e nessa ilha se construir uma comunidade totalmente isolada de todas as sociedades, sem nenhuma cultura conhecida, sem nada, se nascer ali uma nova humanidade sem nenhuma religião ou cultura conhecida, uma nova humanidade, o sagrado vai se manifestar, mesmo que ninguém ensine, o sagrado faz parte do ser humano, mas ele nasce de uma forma selvagem, natural, por meio de experiências como o transe, a mística, o transe Xamânico, o transe Umbandista que nós chamamos de Umbandista.

O transe é essencialmente uma experiência do ser humano com o sagrado, tais médiuns podem ser conduzidos para a Umbanda, para o Espiritismo, para o Candomblé ou para o Xamanismo e serão sempre conduzidos para onde tiverem maior afinidade.

Antes que houvesse qualquer religião na face da Terra já havia manifestação do sagrado, antes que houvesse qualquer religião já havia o que Allan Kardec depois chamou de Mediunidade. Antes de existir religião, organizada, já existia religiosidade, o sagrado já se manifestava de forma selvagem.

O mais próximo disso é o Xamanismo, totalmente livre de regra, de dogma, o sagrado selvagem se manifesta sem uma ritualística, no livro “O Sagrado Selvagem”, Roge Bastide faz uma afirmação contundente: “O ritual domestica o sagrado” e o que isso quer dizer?

Quer dizer que há algo sagrado que se manifesta de uma forma selvagem, natural e desordenada porque você não sabe lidar com isso, que é o exemplo das pessoas que começam a incorporar sem nunca terem ido num terreiro de Umbanda, por exemplo, a pessoa começa a passar mal e não sabe o que está acontecendo com ela. O que está acontecendo com ela é mediunidade, mas a pessoa não sabe o que fazer com essa mediunidade.

Zélio de Moraes não pertencia a uma família que fosse de uma religião mediúnica. Há textos que dizem que o pai do Zélio era Espírita, não era Espírita, ele tinha uma simpatia, mas não era Espírita. O Zélio não era Espírita, ninguém era Espírita, eles não eram Espíritas, mas o Zélio de Moraes passou mal e já incorporava espíritos sem saber, Zélio de Moares tinha dores.

O sagrado estava se manifestando nele de uma forma desordenada que nos estudos de Xamanismo chama-se de doença Xamânica.

Na Umbanda se diz: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”, ou “Você é médium de incorporação, meu filho, enquanto não desenvolver não vai resolver”, a incorporação não é um karma, a incorporação não é um peso. Não saber lidar com isso pode ser porque há algo em você sagrado que quer vir à tona, quer se manifestar.

A beleza da Umbanda é você querer se deixar conduzir e então, nesta beleza da Umbanda aquele que é o seu Guia não precisa colocar uma viseira em você porque você quer ser conduzido.

Isso não quer dizer que você vai ser totalmente domesticado ou adestrado, mas, que você vai aprender a se deixar conduzir e o ritual ensina isso.

O ritual, em qualquer religião, domestica o sagrado.

A Umbanda tem um ritual, o ritual de Umbanda tem muitos objetivos e um deles é lidar com a mediunidade. E lidar com a mediunidade é domesticá-la, domá-la, direcioná-la pra isso existe o ritual. A Umbanda é uma religião que tem fundamento é preciso conhecer, nosso ritual tem fundamento, tem porquê de ser.

O ritual tem poder mágico, o ritual nos coloca em lugares diferentes com relação ao sagrado, ao mistério.

 A Umbanda tem um ritual que nós chamamos Gira ou Sessão de Atendimento, é o ritual maior da Umbanda, é abrir o Terreiro ao público, público este que nem precisa ser Umbandista. Nós não obrigamos conversão para que as pessoas frequentem o nosso templo.

Temos um ritual pra realizar esse trabalho espiritual, o trabalho maior da Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade. Como é que a Umbanda faz isso? Por meio de um ritual, uma sessão. Como é feita a Gira de Umbanda? O ritual de Umbanda? A sessão de Umbanda?

Existe um método, tem começo, meio e fim.

Talvez o ritual já comece nas casas dos médiuns responsáveis pela gira do dia, porque em dia de trabalho espiritual, o médium, na sua casa, começa a se preparar.

 Naquele dia ele vai tomar o banho de erva especial, naquele dia não pode esquecer a vela para o Anjo da Guarda, deve procurar ter um dia tranquilo, não comer carne, não ingerir bebidas alcóolicas, 24h antes não deve ter relação sexual.

 Por que não comer carne?

Principalmente porque a carne é pesada e difícil de digerir.

Para o corpo fazer digestão existe um desgaste de energia, o corpo gasta muita energia pra fazer a digestão e o teu corpo está querendo utilizar a energia pra fazer digestão e o Caboclo quer usar sua energia pra dar o passe em alguém. Por isso não é bom ter uma alimentação pesada de qualquer forma.

 Evitar a carne, que carne?

Todas as carnes. A mais pesada é a vermelha, a branca também é pesada, o peixe é um pouquinho menos.

 A experiência com o vegetarianismo é uma experiência muito válida porque hoje o problema não é só comer carne, é você comer tudo quanto é droga que dão para aqueles animais que estão ali no abatedouro, eles colocam um monte de hormônios nesses animais para eles crescerem e ficarem gordos rápido.

Experimente ficar mais de um dia sem carne, dois, três dias, uma semana sem carne pra sentir se há uma diferença no seu corpo, na sua alimentação, na sua energia.

Sem bebida por quê?

 Ninguém sabe se você está bebendo só um copinho ou vários copos ou se você toma só uma tacinha de vinho.
Portanto, se proíbe, para não ter problema porque o excesso de bebida não é bom e o médium alcóolatra deve voltar para a consulência para se tratar.


Com relação ao sexo, no momento em que a gente tem uma relação sexual, há uma troca de energia, você chega ao Terreiro com a energia do outro – não importa quem é esse outro – tem uma energia do outro em você e a gente quando troca energia a doa.

Dependendo da relação sexual você pode ter doado muita energia e às vezes chega ao Terreiro sem energia, relaxado, mas sem energia e que tipo de energia o outro deixou em você?

Que é um mérito que não dá pra se discutir dentro do Terreiro, não dá pra discutir com você qual a qualidade sexual que você tem. Que qualidade de energia você trabalha? Então, proíbe-se para você estar ali na sua energia quando chega para o trabalho, tudo isso já é uma preparação para o ritual.

O ritual de Umbanda em si tem uma marcação de tempo muito certa, que geralmente segue alguns passos.

O que é o ritual de Umbanda?

É uma metodologia de comunicar-se com o sagrado por meio de gestos, postura, comportamentos e atitudes. Que começa geralmente com uma – não necessariamente nessa ordem – oração, saudação à Esquerda, bater cabeça, defumação, abrir Gira, saudação às Sete Linhas ou hino da Umbanda, saudação aos Orixás, saudação ao chefe da casa, chamada da linha que vai trabalhar: Caboclo, Preto Velho, Baiano, Boiadeiro, atendimento e encerramento da Gira ou encerramento da sessão, encerramentos dos trabalhos.

Geralmente, a ritualística é essa, não necessariamente nessa ordem, por quê?

Porque há quem defume antes de abrir Gira, há quem defume depois de abrir Gira, há quem faça saudação da Esquerda antes da oração, há quem bata cabeça antes da oração, há quem bata cabeça depois.

Porém, em todas as Giras de Umbanda, você vai encontrar defumação e todas as Giras de Umbanda tem o ato de bater cabeça - ato de fazer reverência – em todas as Giras de Umbanda tem abertura, em quase todo Terreiro de Umbanda.

Você inclusive é capaz de ouvir os mesmos pontos. Quem nunca ouviu: “Defuma com as ervas da Jurema. Defuma com arruda e guiné, corre Gira Pai Ogum, filhos quer se defumar. A Umbanda tem fundamento é preciso preparar...”, “Vou abrir minha Jurema, vou abrir meu Juremar, com a licença de mamãe Oxum e nosso pai Oxalá...”, “Rei das demandas é Ogum Megê, quem rola as pedras é Xangô Caô, flecha de Oxóssi é certeira éh, Oxalá é meu senhor ohohoh...” “Refletiu a luz divina em todo seu esplendor. Luz que refletiu na Terra, ...”, o hino da Umbanda, isso é ritual.

Todos nós fazemos defumação, todos nós batemos cabeça, fazemos abertura dos trabalhos, cantamos para Sete Linhas, entoamos o hino da Umbanda, não necessariamente nessa ordem, mas este é o ritual da Umbanda e não importa se o teu Terreiro é Umbanda Branca, Umbanda Esotérica, Umbanda Omolocô, Umbanda Trançada, Umbanda Mista, Umbanda... não importa, todos fazem o mesmo ritual.

 Você vai a um determinado terreiro e sempre é a mesma coisa, só que um tem influência maior Africana, o outro tem influência maior indígena, o outro uma influência maior do Ocultismo, mas.. é Umbanda, faz o mesmo ritual e da mesma forma recebe o Preto Velho, o Caboclo, Baiano, Boiadeiro. Mas, nesse Terreiro as Guias são assim, naquele Terreiro não pode ter Guia desse jeito, naquele Terreiro cumprimenta-se de uma forma, naquele outro Terreiro tem areia, nesse Terreiro você entra descalço, naquele Terreiro você pode entrar de sapato, mas o ritual é o mesmo com nuances de diferença. O ritual diz como você deve se comportar.

É sabido que estamos todos em uma religião urbana, a Umbanda é essencialmente uma religião urbana que cultua as forças da natureza, ótimo, mas é urbana.

Um Terreiro de Umbanda pode começar dentro da sua casa, dentro de um apartamento, num quintal, no quarto, na sala, na cozinha, mas em algum momento quando esse grupo se organiza, aluga um salão, uma casa e transforma num Templo, então, o Terreiro de Umbanda possui um Templo.

Cultua as forças da natureza, vai à natureza, entende que a cachoeira é o altar de Oxum, que o mar é o altar de Yemanjá, que as matas são o altar de Oxóssi, que a montanha é o altar de Xangô, a pedreira é o altar de Yansã, mas o nosso altar está dentro do nosso Terreiro, do nosso Centro, do nosso Núcleo, ali está nosso Templo, ali acontece o ritual de uma religião urbana.

A Umbanda lida com os problemas do dia-a-dia da pessoa urbana, daquele que veio da rua, pegou trânsito, trabalha e, que às vezes recebe mal ou está desempregado, ela lida com os problemas do dia-a-dia e ela abre as suas portas para receber os consulentes e os médiuns e ambos estão vindo da rua.

Os médiuns queira Deus, se preparam para este ritual, os consulentes não tem o que preparar, o que exigir de um leigo.

O ritual tem que preparar as pessoas para o que vai acontecer.

Para realizar um ritual, é preciso preparar o ambiente, é da responsabilidade do dirigente, do corpo mediúnico, preparar o ambiente. O que é preparar o ambiente? Às vezes está numa meia luz, numa luz não tão clara, um pouquinho mais escurinho para criar aquele clima, um clima gostoso em que não está tão claro, as pessoas também não ficam tão a vontade pra ficar se movimentando e gesticulando ou fazendo barulho.

Preparar o ambiente em silêncio, tranquilo, colocar uma musiquinha, já ter ali um incenso, a Umbanda nos pega por todos os sentidos, Umbanda é mágica, você entra no Terreiro e a Umbanda nos pega pela visão, você sente o perfume da defumação, ela nos pega pelo aroma, pelo olfato. Nós ouvimos uma musiquinha, ela nos pega pela audição, alguém lhe da a mão e toca, ela lhe pega pelo tato de alguém que lhe tocou de uma forma carinhosa e ali dentro isso vai prosseguir, vai se desdobrar.

Para fazer um ritual é preciso preparar o ambiente do ritual que não é um ambiente qualquer, é um Templo, tem um altar, tem uma Tronqueira. O ambiente deve estar limpo, cheiroso, é terrível entrar no Terreiro e você sentir que não está cheiroso, não está bonito, entrar no Terreiro e ver o Terreiro sujo, as coisas desgrenhadas ou algum odor desagradável, gente de cara amarrada, feia, parece que não está ali de boa vontade, como é que é isso? Sua religião é onde você coloca sua verdade, isso tem que ser bonito, cheiroso, gostoso, agradável, limpo.

A pessoa que vai lá tem que comentar:  “Eu quero mais porque me faz bem vir aqui, eu me sinto bem aqui dentro”, têm que preparar o ambiente, tem que ser um ambiente onde as pessoas se sintam bem, onde elas são bem recebidas, bem tratadas. Na sua fé, na sua religião você tem que dar o seu melhor ali dentro. A ritualística, o ritual, ele começa com o quê?

Por exemplo; alguns médiuns entram no Terreiro, entram e já vão bater cabeça. Eles entram e  vão a algum lugar – dentro do Terreiro provavelmente tem um vestiário – eles se vestem de branco ali dentro, tiram aquela roupa que  usaram na rua, põe uma roupa branca, vai bater cabeça ou ele fica aguardando o momento de bater cabeça.

Deve-se aguardar em silêncio, em tranquilidade, sem querer chamar a atenção, não tem por que querer chamar atenção, não é o Templo do ego. É o Templo dos Orixás, das divindades, dos Caboclos, dos Pretos Velhos, dos Baianos, então, recolhimento, silêncio, tranquilidade, harmonia.

Se a corrente mediúnica está em harmonia, antes de começar o trabalho, já está ali tranquila, passando tranquilidade para o consulente.

 Se os médiuns estão nervosos, tensos, um corre pra cá, outro corre pra lá e outro grita: “Cadê a defumação?”, “Cadê isso?”, “Fulano, você acendeu a vela?”, “Ciclano você fez aquilo?”, “Beltrano, o que você está fazendo?”, aí já fica um clima de tensão, você vai deixar a consulência tensa.

Os preliminares do ritual devem ser realizados num clima de tranquilidade para que deixem os consulentes tranquilos, sossegados.

 Se tiver um folheto, alguma coisa pra entregar na mão deles, para que, enquanto o trabalho não começa, eles iniciem uma leitura como, por exemplo: “Aqui é um Templo de Umbanda, aqui é um Terreiro. A Umbanda é uma religião Brasileira, só faz o bem, só faz a caridade. Aqui não fazemos isso, não fazemos aquilo, não fazemos aquilo outro”.

Antes de começar o trabalho propriamente dito, que tenha uma preleção, que o dirigente ou o médium escolhido por ele vá até a consulência, chegue à consulência e faça uma preleção: “Meus irmãos, boa noite. Sejam bem-vindos. Quem está vindo aqui pela primeira vez? Oh meu irmão seja bem-vindo, é a primeira vez que você está vindo, é a primeira vez que você vem nesse Terreiro? Ou é a primeira vez que você vem na Umbanda? Você nunca veio na Umbanda? A Umbanda é uma religião Brasileira, fundada em 1908 por Zélio Fernandino de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

É uma religião que só faz o bem, a Umbanda quer dizer a manifestação do espírito para a prática da caridade.

 Aqui não se faz amarração, não se faz trabalho para prejudicar a vida dos outros, não damos informação acerca de morte ou de traição porque não é objeto da Umbanda esse tipo de coisa.

“Somos uma religião, não somos aqui um balcão de milagres, aqui não é uma casa de negócio, é uma religião”, situa e “A Umbanda é uma religião Brasileira e nós rezamos para santo, rezamos para Orixás, aqui tem o Preto Velho, tem o Caboclo porque a cultura Brasileira ela é formada da cultura do branco, do índio, do negro e assim é Umbanda, assim é o ritual de Umbanda, rezamos para todas essas entidades, divindades, Orixás e santos e Anjos e Arcanjos e somos também devotos a Cristo, também somos Cristãos, também cremos em Cristo, nós rezamos para Cristo, rezamos para Oxalá, rezamos para São Miguel Arcanjo, para o Caboclo, Preto Velho e Boiadeiro, a Umbanda é uma religião mediúnica, eles vem em Terra falar conosco”, explica isso, faça uma preleção.

Vai começar o ritual: vai se bater cabeça ou vamos saudar a Esquerda. De frente para o altar? De costas para o altar? Não importa, tem Terreiro que fica de costas, em alguns Terreiros você fica de costas para o altar porque você está de frente para a Tronqueira que está para o outro lado, então, não é dar as costas para a luz. Saudação à Esquerda: Laroyê Exu, Exu é Mojobá, Laroyê Pombagira, Pombagira Saravá, Loroyê Exu Mirim, saudação à Esquerda, bate paô. Vamos defumar ou vamos abrir a Gira? Se vamos defumar, então, turíbulo aceso, incenso, resina ou erva no turíbulo, salve a defumação.

Vamos orar, agora é hora de orar, a oração é um ritual falado, vamos fazer uma oração a Deus e aos Orixás – nós estamos preparando a consulência e os médiuns para o trabalho que vai acontecer – porque se agora nós vamos orar, estamos pedindo a todos “Vamos elevar nosso pensamento a Deus, vamos esquecer as coisas mundanas, vamos esquecer as coisas profanas, vamos agora nos voltar ao sagrado, vamos nos conectar ao sagrado, elevar o pensamento”, vamos defumar.

O que vem antes a defumação ou a oração? Não importa, em alguns Terreiros primeiro é a defumação e outros primeiro é a oração. Vamos defumar, por que a gente vai defumar? Porque a queima dessas ervas aromáticas, dessa resina, provoca uma limpeza das energias desse ambiente, purifica o ambiente, limpa o ambiente.

 O correto da defumação é dar a volta no Terreiro e terminar na porta da rua.

Tudo que é para limpar você faz de dentro pra fora, levando pra rua, vai limpando, defumando. Rezou, saudou a Esquerda, defumou, em alguns Terreiros para cantar e abrir a cortina, pra saudar a toalha, então, depende do Terreiro, abre a cortina – quer dizer nós estamos abrindo o espaço sagrado pra quem vem de fora. Vamos cantar agora abertura dos trabalhos, anunciar que está aberto o portal de ligação de conexão e avisar a todos: “Agora, começou o trabalho mediúnico espiritual”. Saudação ao hino da Umbanda, é reverenciar, o hino da Umbanda diz a que viemos, porque estamos aqui.

Tudo isso é cantado na religião de Umbanda com ou sem atabaque, é cantado, o ritual de Umbanda, é musicado, é cantado em língua Portuguesa – uma das coisas que enfatiza a nacionalidade da religião.

 Umbanda é uma religião Brasileira que quer ser Brasileira, que tem o seu ritual feito em língua Portuguesa, estamos saudando as forças do alto, estamos chamando para trabalhar, estamos evocando, invocando, clamando, pedindo, nos prostrando, batendo cabeça pra abrir o trabalho do dia, chama-se a manifestação de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, de Yemanjá, de Nanã, de Omulu, uma incorporação de Orixá antes do atendimento pra trazer aquela vibração, aquela energia.

O Terreiro é um Templo com tudo firmado, tudo assentado, só do consulente estar dentro do Terreiro ele já está sendo limpo, descarregado, antes de o ritual começar, o trabalho espiritual já tinha começado.

Quando o consulente entra no Terreiro, o Caboclo, Preto Velho, Baiano, Boiadeiro já estão ali trabalhando, Exu já está ali trabalhando, chama-se o Orixá ou chama-se o Guia chefe da casa “Salve Sr. Caboclo Folha Verde”, “Salve Sr. Caboclo Fecha Ligeira”, “Salve Sr. Caboclo Fecha Dourada”, “Salve Sr. Tupinambá”, “Salve Sr. Aymoré” “Sr. Ubiratã”, “Sr. Ubirajara”, “Sr.Urubatão”, “Sr. Fecha Certeira”, “Sr. Pena Branca”, “Sr. Sete Penas”, “Sr. Pena Vermelha”, “Sr. Pena Roxa”, “Salve Sr. Sete Mata”, “Sr. Caboclo das Matas”, “Salve Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

O chefe da casa vem pra riscar o seu ponto: de firmeza, segurança, descarrego, o ponto dele enfim – alguns Terreiros riscam pontos antes de começar o trabalho.

 Até que chega o ápice do trabalho: qual a linha que hoje vai trabalhar? O Preto Velho. Então, chamada de Pretos e Pretas Velhas pra trabalhar, tem um ritual, quem incorpora primeiro? O Preto Velho do dirigente depois incorporam os Pretos Velhos dos outros médiuns, é uma sequência. Quem é o Preto Velho do dirigente? Pai Joaquim de Angola?

Então, vamos cantar: “Pai Joaquim de Angola angolê, Pai Joaquim de Angola angolá...”, vamos cantar salve suas forças, salve pai Joaquim, ele incorpora. Ele incorpora, ele chega, tem o cambone que vai lhe atender, ele senta, acende o cachimbo, acende a vela, recebe o café e diz “Agora, vamos chamar os outros Pretos Velhos”, isso é um ritual.

Cada coisa tem um momento certo pra acontecer, o ritual diz o momento certo de cada coisa acontecer, depois os outros médiuns incorporam e aí então os consulentes vão sendo chamados. Tem Terreiro que o consulente escolhe com quem vai passar, tem Terreiro que o consulente não escolhe, não tem o certo, o certo pra um não é certo para o outro.

O passe Umbandista não é apenas um passe magnético como um passe Espírita em que a pessoa não está incorporada só trabalhando a energia.

O passe Umbandista é em si espiritual onde o Guia usa recursos mediúnicos, recursos astrais, onde o Guia usa magia, vela, pemba, símbolo, palavra de determinação, de ordem, o Guia incorporado estala os dedos em cruz, estala os dedos em círculo, estala os dedos formando uma estrela de cinco pontas, põe uma Guia no chão, chama o médium de transporte, transporta um espírito, doutrina, descarrega, faz um corte de demanda, esse é o trabalho de Umbanda e cada casa sabe qual liberdade dá pra esse Guia trabalhar.

O ritual diz quantas pessoas ele pode atender, quantas pessoas ele deve atender e o momento de terminar. Todos já terminaram de atender, o ritual está acabando, então, da-se a retirada dos Pretos Velhos, o Preto Velho chefe da casa geralmente dá uma palavra, dá a retirada dele, todos estão bem, pode chamar outra linha pra fazer descarrego, pode chamar outra linha pra trazer uma força pra casa.

O ritual diz o tempo certo de cada coisa acontecer, é importantíssimo, sem ritual não tem religião, tem apenas religiosidade e manifestação mediúnica.

 O ritual diz que isso é uma religião. A Umbanda é religião em todos os sentidos, ela tem Templo e tem ritual, onde está a minha fé, está a minha religiosidade, quando eu ritualizo, tenho uma religião, a Umbanda tem um ritual e seu ritual tem fundamento.

Por último, fecha-se a Gira, canta-se pra subir, pede-se que Deus abençoe a todos e isso foi mais uma Gira de Umbanda onde se cumpriu o ritual.

Annapon


(Texto baseado no curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

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