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Annapon ( escritora e blogueira )

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domingo, 19 de julho de 2015

Rituais de Umbanda: – Batismo –





Rituais de Umbanda:  – Batismo –

O que é o batizado?

 Por que nós fazemos batizado?

Qual é a origem do batizado?

O batizado é um ritual essencialmente cristão, não existe o batizado no judaísmo, no Islã, no Budismo, no Candomblé, você tem alguns rituais de iniciação, mas não o batizado da forma como nós entendemos.

A presença do batizado na Umbanda evidencia o quanto essa religião Brasileira bebeu no cristianismo e o quão forte é a influência cristã na Umbanda ao ponto de possuir, de ter e exercer o ritual essencialmente cristão que é o batizado.

Qual a origem do ritual do batismo?

Onde surgiu esse ritual?

A origem do batismo nos remete a própria história de Cristo é um momento no Evangelho, na vida de Cristo, em que ele encontra João Batista e Jesus naquele momento é batizado nas águas do rio Jordão.

O que significa o ritual de batismo para Jesus naquele momento?

O que significa o ritual de batismo para João Batista?

 Inclusive o nome do ritual batismo é derivado de: João Batista, daí vem o nome: ritual de batismo, ritual de batizado, vamos contextualizar a questão do batismo na sua origem.

Jesus era Judeu, João Batista era Judeu vivendo numa época em que os Judeus estão sob o domínio de Roma, numa realidade Judaica que nós conhecemos por meio da história e da cultura Católica, Cristã, Teológica, dogmática, se fala da cultura Judaica e da religiosidade Judaica é que nessa época o Judaismo está estruturado religiosamente em torno do Templo de Jerusalém – tem um contexto histórico, o primeiro Templo da cultura Judaica é o Templo de Salomão onde estava ali a Arca da Aliança, esse Templo é destruído pelos Babilônicos, depois é reconstruído quando tem a libertação dos Judeus no momento em que os Persas dominam a cultura Babilônica, o Templo é reconstruído e aí na época de Jesus existe uma cultura religiosa em torno desse Templo, existe um sacerdócio em torno do Templo de Jerusalém e que está construído em cima de uma Teologia Judaica, na qual exercem o sacerdócio aqueles que são os descendentes da tribo de Levi dentro da cultura Judaica. Jesus é da tribo de Judá, não poderia exercer o sacerdócio, Jesus é um homem do campo, é praticamente um camponês, é um homem do povo.

Por mais profundidade que Jesus tenha nas escrituras do Velho Testamento que é a Torá como Judeu, ele não é um sacerdote da estrutura Judaica no Templo de Jerusalém. Ele é um Rabi, um livre mestre e pensador dos conhecimentos, dos ensinamentos dessa cultura religiosa Judaica. Então, ele é um livre pensador, ele traz uma nova maneira de pensar religiosidade, por mais que ele diga “Eu não vim contradizer a lei. Eu vim fazer cumpri-la”, em vários momentos Jesus demonstra que pensa diferente da lei. A lei de Moisés é a lei de Talião, a lei do “olho por olho, dente por dente”, isto quer dizer: se alguém te arrancou um olho, você vai lá e arranca o olho dele; se alguém quebrou o seu dente você vai lá e quebra o dente dele. Essa é a lei de Talião.

E Jesus prega a lei do Amor: se te bateram numa face, dê a outra face. Isso é contra a lei de Talião. Jesus em vários momentos demonstra que traz uma nova lei, a lei do amor, existem passagens em que Jesus demonstra um novo pensar, uma conscientização de uma nova forma de pensar religião e religiosidade, menos presa a hierarquia, menos presa a estrutura do Templo – que no futuro será uma contradição para a religião Católica – e menos presa a questão dogmática.

Quando dizem “Rabi, você está trabalhando no sábado?”, ele diz “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, “Rabi você está comendo coisas proibidas?”, “Mais importante é o que sai da boca do que o que entra na boca”, “Rabi vamos apedrejar a mulher adúltera”, “Atire a primeira pedra quem não tem pecado”, então, isso é contra a lei radical mosaica, mas é dentro de uma nova estrutura, de um novo pensamento filosófico Judaico, não quer dizer que se choca frontalmente, em algumas questões sim, mas quer dizer que tem uma flexibilidade, outro olhar, um novo olhar.

Há um contexto de época em que os Fariseus tomam conta dessa realidade religiosa e política Judaica e eles têm conchavas com o governo Romano para exercer o seu poder, eles são os chefes, são aqueles que mandam - que mandam prender, que mandam soltar – e Jesus chega com uma nova filosofia, com um novo olhar, ele arrasta uma multidão, ele é uma ameaça aos senhores do poder.

Ele tem uma nova forma de pensar religião, uma forma mais espiritualista, mais solta, menos dogmática, ele não é o único que pensa assim. Existem comunidades – vamos dizer: comunidades alternativas – do Judaísmo em torno dessa cultura, segmentos alternativos dentro desses segmentos a gente pode dar o exemplo do segmento dos Essênios.

Quem eram os Essênios?

 Eles eram um grupo de Judeus religiosamente alternativos, os Essênios vestiam roupas brancas.

Tinham a convicção de que o Templo de Jerusalém estava impuro e que aquela casta religiosa dos Fariseus estava corrompida, os Essênios buscavam uma pureza, viver na pureza de sentimentos, de valores, na transparência, na verdade e João Batista não era necessariamente um Essênio, mas ele fazia parte de uma comunidade, liderava uma comunidade que pensava da mesma forma que os Essênios, que o Templo estava impuro, essas comunidades alternativas Judaicas criaram rituais de limpeza e purificação.

Para adentrar a uma destas comunidades, fazer parte, a primeira coisa é se limpar, se purificar, aí nasce o ritual do batismo.

A comunidade dele, João Batista, não é a única, existe a comunidade dos Essênios e outras comunidades mais sendo que a comunidade dos Essênios é mais conhecida, porque até hoje existe a polêmica: João Batista era ou não Essênio?

Descobertas Arqueológicas cruzadas com fundamentos Teológicos dizem que João Batista tem muita coisa em comum com os Essênios, mas ele não era essencialmente Essênio.

Jesus Cristo criou uma nova vertente livre, liberta, que não é a mesma de João Batista e João Batista provavelmente tem muita coisa em comum com os Essênios, mas não é também um Essênio porque algumas coisas são em comum e outras coisas não.

No entanto, João Batista reconhece a envergadura espiritual daquele homem: Jesus Cristo – que, aliás, o seu nome não era esse, o nome é: Yashua – Jesus é um nome Romano pra aquele que é um Judeu, que falava o Aramaico: Yashuá ou Yeshua ou Yashua ou Yoshua, nós não temos a pronúncia exata, mas Yashuá: Jesus, um nome que é relacionado também ao ato de curar, de libertar.

Jesus encontra João Batista que reconhece a envergadura espiritual daquele homem que está na sua frente e o batiza. O que é aquele ritual no rio Jordão?

Era um ritual de limpeza e purificação e João Batista fazia com todos que iriam fazer parte da sua comunidade, ali Jesus é batizado, ele é purificado, ele é limpo, nessa passagem Bíblica se diz que naquele momento foi possível ver a manifestação do Espírito Santo em forma de uma pomba, dizem que ali Jesus recebeu o Espírito Santo, alguns pontuam que dali pra frente Jesus se tornou o Cristo.

Cristo quer dizer o ungido, seria a tradução do conceito Judaico de Messias, então, se diz que ali Jesus recebeu o Espírito Santo, ali ele foi abençoado, recebeu algo por meio desse ritual: o batismo. Acredita-se que Jesus trouxe esse ritual para sua comunidade, para seus apóstolos para que eles perpetuassem esse ritual que ali significa isso: limpeza, purificação, iniciação feito no rio.

Os seus apóstolos e discípulos teriam recebido de Jesus também esse batismo, essa iniciação que vai se perpetuar dentro de uma Instituição Romana está lá Jesus Judeu, trezentos anos mais tarde é que vai surgir uma Instituição Romana, Igreja Católica Apostólica Romana, trezentos anos mais tarde com um ritual forte de batismo e que essa Igreja chama para si uma linhagem hierárquica, dizendo: Jesus preparou Pedro, Pedro preparou discípulos, seus discípulos prepararam outros discípulos que prepararam outros discípulos por meio do ritual do batismo e da investidura sacerdotal, não pela linhagem de Levi, mas pela linhagem de Melquisedeque. Na qual, não importa de que tribo você é em que um sacerdote dá investidura sacerdotal para o outro sacerdote até o ano 300.

O que é que o batismo vai significar para essa instituição, Igreja, que trouxe os fundamentos religiosos de base de uma cultura Judaica alternativa – para não dizer de uma seita judaica – tornada a religião Romana num sincretismo Quer dizer que Umbanda é sincretismo? Judaísmo não foi um sincretismo? Moisés era um Judeu que foi criado para ser Egípcio e Pós Graduado na cultura Egípcia do seu sogro Jetro. Jesus era um Judeu, a igreja Romana e nós é que fazemos sincretismo.

Toda religião é sincrética porque bebeu em outras fontes.

Surge ali uma nova religião Romana que tem a sua ritualística, a igreja Católica tem uma ritualística, o seu ritual de base é a missa, o mistério maior que lembra o reviver, na qual o fiel comunga do sangue e do corpo de Cristo e nos seus pilares, dentro dos pilares ritualísticos, dos ritos da igreja nós temos: o Ritual de Batismo, o Ritual de Casamento e o Ato Fúnebre.

 O que é o ritual de batismo para a igreja Católica?

 É uma base fundamental tanto que se criaram alguns tabus com relação ao batismo, criaram-se algumas verdades relativas ao ponto de quando uma criança nasce um parente, um amigo ou os avós já perguntam: “Já batizou? Já levou essa criança pra batizar na igreja Católica?

Crêm que se não batizar, essa criança vai ficar pagã. É muito perigoso a criança não batizada, ela pode sofrer várias influências negativas porque é uma criancinha pagã. Se a criança que nasce numa cultura Católica não é batizada, ela está em pecado.

O significado de limpeza e purificação não está mais relacionado com o contexto de época que tinha quando Jesus foi batizado por João Batista.
Agora, a igreja ensina a questão de pureza e impureza: todos são impuros, todos nasceram impuros e em pecado, somos herdeiros do pecado de Adão e Eva e até uma criança que desencarna sem batizar, vai para o limbo, ela não vai para o céu se não foi batizada.

A igreja Católica Apostólica Romana, em sua Teologia, explica porque batizar: para te livrar do pecado, esse é o fundamento de uma Teologia do terror, do terrorismo, batize porque se não batizar você está em pecado, se não batizar você é pagão.

 O que quer dizer pagão?

Pagão quer dizer aquele que vive no campo e que cultua Deus e as forças da natureza no campo, o pagão é aquele que não está dentro do Templo, não faz parte da comunidade religiosa daquele Templo por isso o pagão é considerado um herege – herege é aquele que está contra os nossos valores – faz lembrar outra palavra: o opositor.

Nisso há um contrassenso, a pessoa nunca foi à igreja, não frequenta a igreja, nunca assistiu uma missa, só vai à igreja – olhe lá – quando tem casamento e quando lhe perguntam a sua religião, ela diz: “Sou Católica”, “Por que você se considera Católico?”, “Porque eu fui batizado”, “Mas, você não pratica essa religião”, “Ótimo, sou Católico não praticante”, é só no Brasil que existe esse negócio. Como é que você pertence a uma religião que você não pratica?

Como é que você pertence a uma religião se você não comunga dos valores daquela religião? Você é Católico, então, me diga você acredita na virgindade de Maria? Você acredita na inefabilidade do Papa? Você acredita que sexo é só para procriação? Você acredita que só pode fazer isso depois do casamento? Você é Católico, então, você acredita ou não nos dogmas da igreja Católica? Porque dizer: “Sou Católico porque sou batizado”, você está justamente fazendo parte de uma massa de manobra.

Tal terrorismo faz com que as pessoas batizem seus filhos mesmo sem serem praticantes da religião Católica porque buscam no ritual de batismo uma proteção. Agora, onde está a manutenção dessa proteção se você não faz parte daquela religião?

O sentido do batismo dentro da religião Católica é para afastar o pecado original, para que você não seja um pagão, que é o que se diz mais popularmente. E o outro sentido é: batismo é um ritual também de conversão.

Se você pertence a outra religião e agora você quer ser Católico, você deve passar pelo ritual de batismo porque é o ritual de conversão. Logo, batismo é ritual de iniciação, você está sendo iniciado naquela religião, esse é o sentido Católico do batismo.

Por que é que nós estamos falando do sentido Católico do batismo?

 Porque é um ritual essencialmente Cristão, é um ritual que foi modelado pela igreja Católica e a Umbanda absorve o batismo, não adianta falar “Ah a Umbanda não absorveu do Catolicismo, a Umbanda absorveu do Cristianismo”, acontece que todos os Umbandistas tiveram contato com o Cristianismo por meio da igreja Católica – estamos falando da origem da Umbanda: 1908 – o país tinha acabado de se tornar República, então, até pouco tempo esse país era oficialmente Católico.

O batismo chega à Umbanda por meio da religião Católica e na Umbanda o batismo vai ter certa liberdade, uma flexibilidade como ele será realizado dentro da Umbanda, o batismo será resignificado por quê?

 Porque nós Umbandistas não precisamos do pecado, não precisamos crer no pecado, não cremos no pecado, muito menos em pecado original.

Nós não batizamos pra tirar o pecado original, mas batizamos como ato de iniciação, limpeza, purificação e até de conversão. Mas, não é obrigatória a conversão pra alguém frequentar a Umbanda, logo o batismo não é um ritual imposto. É um ritual que surge de uma necessidade, de uma vontade natural que parte do coração dos frequentadores da Umbanda e que evocam o mistério Cristão, uma ligação com Cristo, o batismo é também uma iniciação dos mistérios de pai Oxalá.

O batismo na Umbanda é diferente do batismo no Catolicismo, mas é um ritual que vem do Catolicismo, um ritual Cristão, teve um contexto de época com João Batista, com Jesus, teve um contexto dentro da igreja, tem a sua importância, faz parte de uma doutrina de conversão, faz parte de uma Teologia, de uma doutrinação de angariar fiéis, de trazer as pessoas para a religião e acredita-se que por meio do batismo os pecados são perdoados porque você passa a estar sobre o amparo, a cobertura do mistério de Cristo e Cristo é aquele que perdoa os seus pecados porque ele derramou o seu sangue em nosso nome, Cristo foi à cruz por nós, ele é o último cordeiro.

A expiação dos nossos pecados é feita por meio da nossa fé em Cristo manifesta, concretizada por meio do batismo. Na Umbanda se não há pecado, se nós não precisamos da Teologia do pecado, nem do medo, nem do terror. No entanto, o batismo se mostra como um ritual presente e importante porque é um ritual de iniciação, o batismo é um ritual de limpeza, é um ritual de purificação, de conversão e a gente pode dividir entre batismo de criança e batismo de adulto.

Qual o sentido de batizar uma criança? Qual o sentido de batizar um adulto?

Batizar uma criança é trazê-la para o amparo e a força da egrégora da Umbanda, nós batizamos criança pela vontade dos pais, os pais tem ascendência sobre a criança, tem o direito de decidir os rumos da vida dessa criança até que ela se tornando um adulto tenha condições de ela própria fazer as suas escolhas.

Enquanto aquela criança não tem consciência e nem condição de fazer escolhas próprias, os pais têm todo o direito de escolher uma religião pra ela. Porque hoje em dia se fala muito assim: “É, quando meu filho crescer, ele escolher qual religião ele vai ter” e a questão é: até ele crescer ele não vai ter religião nenhuma. Como é que alguém vai escolher uma religião se não conheceu religião nenhuma?

A sua religião é saudável pra você? Se for saudável porque não trazer o seu filho para o seio da religião crendo que a relação com a Umbanda é uma relação saudável, se é uma relação saudável isso será saudável para seu filho e para a família.

Casar-se na Umbanda, batizar o seu filho, é trazer a religião para a família e não apenas para o indivíduo. A Umbanda dá uma liberdade muito grande, então, nós vemos Umbandistas que inclusive são casados com mulheres que pertencem a outra religião ou mulheres Umbandistas que são casadas com homens que pertencem a outra religião.

O Umbandista se casa com um Candomblecista, com um Evangélico, com um ateu, a Umbandista ou Umbandista se casa com uma pessoa ou dentro da família a mulher é Umbandista, o marido não é, o marido é Umbandista, a mulher não é pra Umbanda não tem problema. A Umbanda não obriga que a mulher converta o marido ou que o marido converta a mulher. A Umbanda nunca vai afirmar que na sua casa se o seu marido ou sua mulher não é da mesma religião nunca vai dizer que isso é um problema. Agora, se temos uma família onde marido e mulher são Umbandistas, então, isso é uma oportunidade de viver os valores da religião dentro de casa.

A Umbanda é uma religião libertadora, trazer esses valores pra família não é prender a família num falso moralismo, mas dar liberdade espiritual, uma liberdade de pensar e viver a espiritualidade com liberdade e trazer essa liberdade para a família, batizar o seu filho é trazê-lo para uma realidade espiritual de libertação que é a realidade da Umbanda que não é uma realidade dogmática, que não tem tabus, não tem dogmas e que não prega um falso moralismo, é trazer o seu filho para um amparo.

Batizar uma criança é trazer essa criança para a egrégora da Umbanda, não é um ritual de conversão, é um ritual de amparo, de recebimento, de acolhida da criança na Umbanda. O batismo se torna um ritual de conversão quando você está batizando um adulto.

Ao batizar um adulto você tem um ritual de conversão, ele era Católico e agora ele está praticando a Umbanda.

E até o médium da corrente não se sente Umbandista sem batismo, ele tem a necessidade de passar por um ritual, de fazer um ritual de passagem, um ritual de transformação íntima, um ritual que vai realizar por ele, que vai fazer com que ele passe a se sentir Umbandista, o batizado faz isso.

 O ritual do batizado faz com que a pessoa se sinta Umbandista.

E o ritual de batismo é um ritual de conversão porque antes você pertencia a outra religião, ou de aceitação porque agora você está sendo recebido na Umbanda, é um ritual de limpeza, de purificação porque é um ritual no mistério do pai Oxalá, é também uma iniciação no mistério de pai Oxalá, as maneiras de fazer esse ritual, são muitas, o batizado pode ser realizado dentro do Terreiro, o batizado pode ser realizado na mata, pode ser realizado na cachoeira, pode ser realizado no mar, pode ser feito de diversas formas e para o adulto uma das questões mais importantes é criar essa identidade Umbandista e para isso esse ritual serve muito bem.

Em alguns Terreiros, por insegurança do sacerdote, ele pede para o Caboclo ou para o Preto Velho realizar o batismo ou por um pedido daquele consulente que quer ser batizado pelo Caboclo ou pelo seu Preto Velho. Mas, o sacerdote de Umbanda tem condições de fazer esse ritual.

Quem pode fazer o ritual do batismo?

Qualquer pessoa que já foi batizada, dentro de um Templo a pessoa ideal pra fazer isso é o sacerdote, inclusive na igreja Católica até um diácono que não é um sacerdote – no rigor da palavra – um diácono não realiza uma missa sozinho, ele pode entrar como um auxiliar, mas ele não é um sacerdote, o diácono pode fazer batizado e ele pode fazer casamento.

Não se preocupe com outorga sacerdotal para realizar batismo. Você é um dirigente espiritual? Está à frente de uma comunidade? Você incorpora um Guia e seu Guia desenvolve pessoas? Você já está apto a fazer o batismo, só precisa saber o que é o batismo. É um ritual de limpeza, purificação, iniciação, de aceitação da nova religião e criação de uma identidade.

Você só precisa saber isso e entender: você pode fazer o batismo, você deve fazer o batismo que é o mais simples dos rituais de Umbanda e um dos mais importantes por criar essa identidade. É muito simples fazer um ritual de batismo, você pode e você deve fazer esse ritual com médiuns da sua corrente.

Como é que se faz um batismo?


O batismo é concretizado no momento em que a água é preparada, além da água pode se usar banha de ori, além da banha pode se usar óleo consagrado, além do óleo consagrado pode se utilizar pemba. Cada Federação de Umbanda, cada Terreiro usa um ritual diferente pra batizar, algumas pessoas fazem o batismo dos médiuns na praia, na festa de Yemanjá.

Depois da festa de Yemanjá se junta todos os médiuns que entraram no Terreiro aquele ano e levam-se esses médiuns ao mar e ali mergulha o médium em sete ondas, depois de mergulhado em sete ondas está batizado meu filho. Recebe ali uma vela de batismo e seu pano de cabeça e pronto: “Você está batizado, foi batizado”.

Um ritual de iniciação é um ritual de morte, você está morrendo para o profano e nascendo para o sagrado, iniciação é morte e renascimento. Acredita-se que nos rituais de batismo no Cristianismo primitivo, você afundava o Cristão dentro da água e o segurava lá embaixo até ele perder o fôlego e soltava e ele “Ahhhh (respiração profunda)” em que esse respiro era o primeiro respiro, o primeiro sopro divino e sagrado na vida de uma nova pessoa, um novo Cristão.

 Então, se segurava a pessoa lá embaixo até ele sentir um pavor como se fosse morrer e essa é uma ideia, o batismo enquanto ritual de iniciação – de morte e vida – de iniciação, de renascer, de renascimento, morrendo para o profano, nascendo para o sagrado.

E batizar no mar lembra um pouco isso, mergulhar a pessoa em sete ondas, baixar a cabeça a sete ondas: ou baixa para trás ou afunda dentro da água, mas mergulha – não é para pular – é para mergulhar sete ondas.

Há batismo que é feito na cachoeira, no mar está na força de Yemanjá, na cachoeira está na força de Oxum, nas matas na força de Oxóssi e dentro do Terreiro na força de Oxalá.

Você batiza no mínimo com a água, então você pode preparar uma água, você pode usar uma água mineral e consagrar essa água mineral: coloca essa água mineral na frente do altar, acende sete velas, oferece para o pai Oxalá e pede que ele derrame sua força, seu poder, seu mistério sobre essa água, tornando-a imantada, cruzada e consagrada para o batismo.

É a nossa água benta porque você não vai à igreja buscar água benta pra batizar o médium Umbandista. Você vai consagrar sua água no mistério de Oxalá ou você pode buscar uma água de fonte ou você pode trazer uma água de rio, uma água de mar ou você pode misturar sete tipos de água: água de mar, água de rio, água de chuva, água de fonte, água de cachoeira e água de lago, você tem sete águas e você tem ali o mistério das sete águas sagradas, o mistério do batismo, o mistério das sete chamas sagradas por meio das velas, o mistério do pai Oxalá.

Todos os rituais de Umbanda trazem a revelação e a presença de muitos mistérios e das divindades regentes desses mistérios, consagra aquela água. O filho que vai ser batizado é apresentado pelo sacerdote pelos seus padrinhos, se é uma criança, essa criança vem no colo do padrinho ou da madrinha e é entregue a vela de batismo para os pais ficarem segurando e iluminando aquele momento, essa vela, a vela de batismo é oferecida a Oxalá e ao Anjo da Guarda da criança e ali essa criança vai ser batizada.

A igreja Católica batiza em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a Umbanda pode batizar em nome de Olorum, de Oxalá e Ifá como a sagrada Trindade ou pode batizar em nome de Deus, dos nossos Orixás e Guias da Umbanda.

Essa água que foi consagrada agora está numa bacia, a criança vai ser trazida e vai se apresentar, fazer uma oração, elevar o pensamento a Deus, apresentar essa criança aos Orixás e pedir que ela seja limpa, purificada e recebida nessa nova religião e batizada em nome de Olorum, Oxalá e Ifá, batizada em nome de Deus, dos nossos Orixás, dos nossos Guias.

Além da água, pode se pegar banha de ori, com a banha de ori fazer uma cruz na coroa, uma cruz no frontal, um cruz no laríngeo, uma cruz no peito e nas duas mãos, pode se fazer a cruz com a banha, pode se fazer a cruz com óleo consagrado que é um azeite de oliva extra virgem que também foi consagrado para Oxalá, estamos no mistério de Oxalá. Depois a pemba, com a pemba que representa a magia da Umbanda você faz uma cruz com a pemba nos mesmos lugares aonde foi feita a cruz com óleo ou com a banha de ori.

E ali a criança está sendo batizada, está sendo aceita e apresentada para os Orixás passa a fazer parte de uma comunidade.

Os pais guardam aquela velinha, a vela é apagada com os dedos, nesse momento não se assopra a vela porque cada gesto é simbólico, o sopro foi feito para dar a luz e não para tirar a luz, então, não se assopra a vela, você a apaga com os dedos como quem está guardando aquela luz, daquele momento e não mandando embora com o sopro.

Você guarda aquela luz e diz aos pais que essa vela deve ser acesa nos momentos que a criança estiver precisando de uma força, de uma energia, essa criança pode ser benzida com essa vela.

Quem são os padrinhos?

Os padrinhos são as pessoas escolhidas pelos pais para estarem presentes na vida dessa criança e na falta dos pais, os padrinhos é quem assumem a criança, padrinho não é aquele que vai dar o presente mais caro, mais bonito no aniversário, os padrinhos são aquele casal escolhido pelos pais da criança como pessoas de confiança na criação, na educação e no caso deles faltarem na vida dessa criança, esses são os padrinhos materiais.

Podem ser escolhidos padrinhos espirituais como Caboclo, Preto Velho ,Baiano, Boiadeiro ou um casal de Orixás e aí os padrinhos materiais também representam os padrinhos espirituais, que podem ser Orixás escolhidos independentes dos Orixás da criança, pode ser até os Orixás dos padrinhos que representam ali, um filho de Ogum é a presença de Ogum na vida de alguém, uma filha de Yemanjá é a presença de Yemanjá na vida de alguém.

Se os padrinhos são de Ogum e Yemanjá, eles representam Ogum e Yemanjá na vida dessa criança ou pode se escolher outros Orixás pode ter incorporação de Orixá, de Preto Velho naquele momento e a criança está batizado no ritual extremamente simples. O batismo do adulto é feito da mesma maneira, a água é consagrada, o adulto vem por livre e espontânea vontade. Se ele foi apresentado a religião por outro Umbandista, esse outro Umbandista pode ser o seu padrinho, ele pode ter padrinhos espirituais, padrinhos encarnados, o sacerdote mesmo pode se tornar o padrinho desse adulto que está sendo batizado no ritual de conversão, iniciação no mistério de Oxalá.

Ele deve bater cabeça para o altar, bater cabeça para o sacerdote, se ajoelhar, abaixar a cabeça, num gesto de quem está se apresentando de forma humilde para ser batizado, o sacerdote por três vezes derrama água na sua coroa, no seu ori pedindo que se ele passou por outros rituais, outras iniciações que isso seja limpo, purificado e que ele seja iniciado, apresentado e batizado em nome de: Olorum, de Oxalá e de Ifá.

A vela foi previamente acesa e oferecida a Oxalá e ao seu Anjo da Guarda, ai vai ser feito o sinal da cruz na sua coroa, na sua testa, no seu laríngeo, no seu peito, em suas mãos, depois vai ser feito com a pemba.

 Em alguns casos se pega um chumaço de ervas e também se colocam as ervas sobre a sua coroa e diz que ali ele está sendo recebido e aceito como um novo filho da religião de Umbanda. A água que cai, que passou na sua coroa e que cai no alguidar pode ser guardada, em alguns segmentos esse alguidar é guardado com uma firmeza do filho de fé e esse alguidar é constantemente completado com água.

Em alguns Terreiros essa água do batismo é guardada numa quartinha que será a quartinha do Anjo da Guarda que vai ser sempre completada de água e nesse momento o filho de Umbanda vai receber do sacerdote, não é regra porque as coisas mudam de Terreiro para Terreiro, mas geralmente no batizado por ser iniciação de Oxalá porque é um ritual que vem a nós por meio de Cristo, por ele ter sido batizado por João Batista, então, é um ritual Cristão, um mistério Cristão que está no campo do pai Oxalá.

E ao terminar o sacerdote diz que esse filho está sendo recebido como mais um Umbandista sobre a proteção de Deus e dos Orixás e geralmente, no batismo, ele recebe a primeira guia, a guia mais simples e mais importante da Umbanda, a guia de Oxalá, beija-se essa guia e coloca-se no pescoço do filho dizendo “Meu filho, receba a guia de Oxalá” que é a guia mais simples e mais importante da religião, essa guia simboliza a sua fé.

Quando você está usando essa guia, você está demonstrando que tem orgulho de ser Umbandista, a religião que te ampara, que te protege e que te guia e que te orienta, está batizado em nome de Deus, dos nossos Orixás e Guias de Umbanda.

 Então, esse batismo é feito e pode ser feito dentro do Templo, pode ser feito numa cachoeira, pode ser feito numa mata, pode ser feito numa pedreira, onde você e seus guias acharem melhor. O importante é que é simples assim, você pode e deve realizar o ritual do batismo.

No entanto, por mais simples que seja, assim como é simples a guia de Oxalá, ela é a mais importante das guias porque simboliza a tua fé, a tua religião, teu orgulho pela religião, no momento do batismo alguma coisa acontece é correto que nesse momento ao terminar o batismo o filho de santo, adepto, fiel, a pessoa que está sendo batizada peça a benção, deve verbalizar “Sua benção, meu pai ou meu padrinho” e pede-se a benção beijando a mão, encosta na testa e beija a mão outra vez, então, o sacerdote lhe abençoa dizendo “Que Oxalá lhe abençoe, meu filho” e daí pra frente essa é a relação do sacerdote e aquele médium que ele batizou que é o seu filho dentro do Terreiro nessa estrutura religiosa, o sacerdote é o pai, o médium/ o adepto é o filho.

Annapon


(Texto baseado no curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

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