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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Linhas de Trabalho – Pretos Velhos – Êres/Crianças




Linhas de Trabalho – Pretos Velhos – Êres/Crianças

Passam pela Umbanda muitas pessoas que questionam:

 Por que os nossos Guias bebem?

Por que eles fumam?

Por que eles têm coisas?

Mas, espírito não precisa beber, espírito não precisa fumar, espírito não precisa ter elementos, nem objetos, não precisa ter um cachimbo, não precisa ter um banquinho, pra que essas coisas?

Realmente, eles não precisam, eles não precisam fumar, eles não precisam beber, eles não fumam por vício, não bebem por vício, não tem apego às coisas, mas eles as têm, as usam e as manipulam em nosso favor, então essa é a grande diferença entre um espírito que quer beber e um espírito que bebe manipulando aquele elemento.

Existe uma grande diferença entre um espírito que quer fumar e um espírito que está defumando com seu charuto, defumando com seu cachimbo, defumando com seu cigarro de palha, há uma grande diferença entre dizer que um espírito precisa ter coisas e um espírito usar ou manipular elementos: a diferença é essa.

Realmente os Guias da Umbanda fumam, bebem, utilizam de elementos, de punhal, usam pemba, usam ervas, pedras, velas, mas isso não é apego.

Não é um atraso quando eles usam esses elementos porque eles não têm apego por esses elementos, esses elementos são recursos de trabalho.

E é muito pertinente porque nós vamos falar sobre os Pretos Velhos, a primeira manifestação de um Preto Velho na Umbanda, também por meio de Zélio de Moraes, aconteceu no dia 16 de novembro de 1908, na casa da família de Zélio de Moraes, onde Zélio incorporou o Caboclo das Sete Encruzilhadas primeiro, ali o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a dar as orientações de como seria a religião.

 Logo depois, ele incorpora Pai Antônio, é lógico que Zélio não inventou a incorporação de Preto Velho, Zélio não criou a incorporação de Preto Velho, mas essa é a primeira manifestação de um Preto Velho dentro do contexto da nova religião que estava sendo anunciada. E é Pai Antônio, o Preto Velho de Zélio de Moraes que pede um cachimbo, é ele que coloca, que inclui o uso das guias, dos colares consagrados que são as nossas guias dentro da religião de Umbanda.

E ali as entidades de Umbanda junto de Zélio de Moraes começam a usar elementos, beber o café, beber pinga, beber vinho, não por apego, jamais por vício, mas porque a nossa religião é mágica, ela se utiliza desses elementos.

 Quem é o Preto Velho?

Quando nós falamos de Preto Velho, isso é praticamente sinônimo de negro ancião que foi escravo, Preto Velho é um sinônimo disso. Assim como Caboclo tem sido sinônimo de índio, mas vimos que nem todo Caboclo é índio e ser Caboclo é um grau. Preto Velho é a mesma coisa.

É importante definir que negro é raça, preto é cor, então inclusive o termo Preto Velho é um termo que atualmente não se utilizaria pra identificar um negro ancião, porque preto é cor. No entanto, dentro da Umbanda Preto Velho já é algo aceito e é algo que revela e identifica uma imagem.

O arquétipo do Preto Velho causa uma doutrina de impacto, existe um por que trabalhar com Caboclo, um porque trabalhar com Preto Velho. No caso do Caboclo inspira o respeito pela cultura nativa, pela cultura do índio, pelo homem vermelho, pelo diferente, por aquele que vive na natureza, que cultua a natureza. O Preto Velho há um respeito pelo mais velho, um respeito pelo ancião, pelo mistério ancião, pelos Pretos Velhos e as Pretas Velhas.

A primeira coisa a se compreender: nem todo Preto Velho foi um negro escravo, mas o Preto Velho representa e é uma homenagem àqueles que foram escravos aqui no Brasil, mas não pode se dizer que todo Preto Velho foi um negro escravo no Brasil. E no caso do Preto Velho isso é muito lógico e é muito claro.

Vamos voltar à época da Colonização.

Imagine você na época da Colonização, qual era a expectativa de vida?

Quantos escravos se tornavam anciões?

A expectativa de vida na época da escravidão girava em torno de 45 anos, um escravo adulto durava – porque os escravos eram comprados como mercadoria, comprados e vendidos como animais e o comprador já comprava com uma expectativa de vida – trabalhando em serviço forçado como escravo , um homem adulto não vivia mais do que 10 ou 15 anos, quando muito 20.

Um homem que tivesse já uns 18, 20, 21 anos vivia mais 10, mais 15, quando muito mais 20, então não costumavam passar dos 45, poucos escravos se tornaram - muito poucos escravos - se tornaram anciãos, poucos escravos se tornaram velhos.

Não existiram tantos negros anciãos aqui no Brasil. Desses poucos que se tornaram velhos, menos ainda eram realmente homens iluminados, que tinham culto ao Orixá. Então, a pergunta é: de onde é que sai tanto Preto Velho pra tanto Umbandista? Nós somos, creio eu, milhões de Umbandistas que temos um Preto Velho a nos amparar.

Não tem Preto Velho pra tanta gente, não tem tanto espírito que foi negro escravo aqui no Brasil pra tanta gente. Mas quando você fala: “Eu trabalho com Pai Benedito de Aruanda”, milhares e milhares de pessoas trabalham com o mesmo Benedito de Aruanda, mas não é o mesmo espírito, são vários espíritos que usam o mesmo nome, Benedito de Aruanda foi só um, aí está respondido.

Nós temos alguns negros que foram escravos no Brasil, que fundaram e criaram a linha de Preto Velho e lá está: Pai Jacó, Pai José, Pai Joaquim, Pai Benedito, Vovó Maria, Vovó Maria Conga, Vovó Ana, Vovó Cambinda, lá estão os Pretos Velhos e as Pretas Velhas, alguns poucos que realmente foram escravos. Almas iluminadas que realmente foram escravos e criaram essa linha de Preto Velho no astral porque eles começaram a trabalhar no astral pra ajudar as pessoas e aí começaram a regimentar, a unir, a juntar, espíritos para ajuda-los e que trabalhavam em nome deles, isso é hierarquia.

Pai Benedito começou a trabalhar no astral e muitos começaram a trabalhar junto dele, mas nenhum deles trabalhou em nome de si, trabalharam em nome de Benedito, então se apresenta: “Quem é você?”, “Eu sou aquele que vem em nome de Benedito” e daí “Quem é você?”, “Eu sou o Benedito”, eles assumiram um arquétipo do Benedito, assumiram o arquétipo de João, de Joaquim. Observe, a gente fala muito na Umbanda do valor da raça vermelha, do valor da raça negra.

Nossos Pretos Velhos são: Pai João, Pai José, Vó Maria, Vó Catarina e a gente fala: “Ah o Preto Velho é representante da cultura Africana”, mas observe o seguinte: eles estão se identificando com nomes da língua portuguesa. A maioria dos Pretos Velhos tem nome, se apresentam com nomes Cristãos, eles não dão nomes Angolanos, eles não dão nomes Yorubanos, eles não dão nomes que venham da cultura Gêge, eles dão nomes Cristãos, oriundos de uma cultura Judaico-Cristã, Europeia e no Brasil mais especificamente Portuguesa.

O preto Velho, a figura do Preto Velho, a imagem do Preto Velho, o arquétipo do Preto Velho, representa no imaginário, no inconsciente, evoca a figura do Preto Velho enquanto o negro escravo que foi batizado e trazido para o Brasil, então ele não é apenas a figura de um Africano, o negro velho é a figura do negro escravo.

Há uma diferença entre a figura do Africano e a figura do negro escravo, inclusive por quê? Muitos negros escravos inclusive nasceram no Brasil. Os negros escravos foram trazidos da África, mas houve aqueles que nasceram no Brasil.

O Preto Velho é a figura do negro escravo que traz uma figura Africana, mas que foi batizado pela religião Católica porque os Pretos Velhos tem uma ligação muito forte com Cristo, é muito comum ver um Preto Velho com um terço, usar como guia um rosário – o terço é: um terço de um (1/3) rosário, isso representa o terço. É comum ver o Preto Velho com terço ou com um rosário ou uma guia feita de lágrimas de Nossa Senhora como se fosse um terço ou um rosário. É comum essa ligação dos Pretos Velhos com o mistério Cristão, com Cristo, com a cruz.

Essa é uma representação do Preto Velho, daquele que foi escravo, daquele que sofreu com a escravidão. A imagem é aquele que apesar de ter o corpo escravizado, a sua alma era livre, isso que dizia a Igreja. Graças ao decreto de Bartolomeu de Las Casas à Igreja Católica, graças ao fato de os Jesuítas terem muito carinho pelos índios, graças ao conceito de que o índio era de um espírito muito livre, não dava pra escravizar o índio pela sua liberdade de espírito, então o índio não aceitava ser escravo por ter essa liberdade de espírito.

Quer dizer que então o negro não tinha liberdade de espírito? Só o índio?

Acontece que o índio estava na sua terra, você faz ele escravo, ele foge, ele cai na mata, ele está na casa dele, ele está na terra dele. Agora, o escravo não, o negro não, o negro já era comprado. A África vivia em guerra, uma nação contra outra, uma nação fazia guerra contra outra e quem perdia a guerra era feito escravo, o Europeu chegava na África e comprava negro que já era escravo lá, então eles já vinham numa condição de escravo, era tirado da sua terra, separado da sua família, já tinha perdido tudo e chegava aqui nessa condição de escravo e na condição de escravo ele ficava.

Muitos iluminados encarnaram no meio desse povo pra dar uma luz, pra dizer “Não se revolte” e a Igreja dizia: “Eles são escravos do corpo, mas agora estão libertos na alma porque foram batizados”, a Igreja dizia que a África era o inferno do mundo, isso é histórico, é fato histórico. E realmente, de fato os Pretos Velhos representam aqueles que apesar de todo sofrimento não perderam a sua fé, não perderam o seu amor pelos Orixás, não perderam a sua espiritualidade, a sua esperança, isso os Pretos Velhos representam.

Quando você olha para o Preto Velho, você vê no arquétipo dele, na imagem, naquilo que o Preto Velho representa, você vê alguém que no seu imaginário, no nosso imaginário foi escravizado, apanhou, perdeu a família, alguém que foi arrancado da sua terra, alguém que sofreu no tronco, na chibata e não perdeu a fé.

Ao olhar o Preto Velho na sua imagem de resignação, humildade, simplicidade e sabedoria, isso cria um impacto. A frase é: pouco com Deus é muito, meu filho. Muito sem Deus é pouco.

Ele é aquele que não perdeu a fé, que diz pra você os valores não são as coisas que você tem, que você compra, os valores são: quem você é. Isso Preto Velho ensina e ele ensina cantando, brincando, contando história, às vezes, contando uma história de quando foi escravo, que pode ser a história do hierarca Benedito, do hierarca Pai Joaquim de Angola, da Vovó Cabinda ou Cambinda – como preferir – existem histórias sim que ele conta como se fosse dele ou ele encarna isso, ele vive isso, ele se apresenta, ele se mostra e você não sabe realmente quem ele é, ele sabe quem você é. Você sabe que ele é um espírito e que se ele foi preto velho ou se ele não foi não interessa, agora ele é: o Preto Velho.

E muitas vidas ele teve, muitas encarnações porque um espírito pode plasmar aparência de Preto Velho, isso é um fato, no entanto, ninguém pode plasmar sabedoria, ninguém plasma sabedoria e aqueles espíritos que trabalham como Preto Velho na Umbanda eles alcançaram um grau.

 Preto Velho também é um grau, é um grau e um mistério do nosso Pai Obaluayê e da mãe Nanã Buroquê.

Preto Velho é um grau de ancião, esse grau ancião é alcançado por aqueles que são espíritos velhos, mas, espírito fica velho? Velho não é uma coisa da matéria, do corpo biológico que nasce, cresce, envelhece e morre? Sim. Espírito não fica velho dentro do conceito de encarnado que é um velho, mas, sim, existem espíritos que nós consideramos mais velhos. O que é um espírito mais velho? É um espírito que tem mais maturidade, que encarnou muitas vezes e que aprendeu as lições que a vida dá.

 Ele é mais velho porque nas suas encarnações ele se tornou alguém melhor, alguém mais sábio, ele é respeitado como um mais velho, ele alcança o mistério ancião. Tudo isso é relativo e é pertinente aos Pretos Velhos, tudo isso está ligado aos Pretos Velhos.

Com o Preto Velho você aprende a respeitar o mais velho, porque do que adianta você ter amor pelo Preto Velho, pedir a benção para o Preto Velho e não respeitar os seus mais velhos, os seus pais, os seus avós, esse é o respeito que se tem pelo mais velho que se aprende na Umbanda.

Como você trata os seus mais velhos? Assim os seus mais novos lhe tratarão também, Preto Velho ensina o respeito por uma raça negra, ensina o respeito pelo mais velho, ensina humildade, ensina sabedoria, mesmo o soberbo, o arrogante, quando chega no Terreiro de Umbanda pra falar com Preto Velho, ele tem que ajoelhar, tem que bater cabeça, tem que pedir a benção e tem que chegar bem pertinho porque o Preto Velho na maioria das vezes fala baixinho.

 A Umbanda estabelece um nivelamento social com relação ao ambiente da espiritualidade. A pessoa que está incorporada não importa qual é a sua condição social porque ali não é mais o médium, é o Preto Velho, o Caboclo, o Baiano, o Boiadeiro. É comum ver o patrão no mundo profano, chegar no mundo sagrado tomar passe com aquele que no mundo profano é o seu empregado e vice-versa.

Dentro da Umbanda, do ambiente de Umbanda, pouco importa de onde você veio, quem você é, qual é a sua condição social, qual é a sua raça, qual é a sua cor. A Umbanda não levanta bandeiras, não é contra isso ou contra aquilo, ou defendendo isso ou aquilo porque pra Umbanda tudo é igual.

Não há diferenças, aceitamos e aprendemos a aceitar os diferentes e as diferenças como algo igual que merece o nosso respeito e com Preto Velho a gente aprende todas essas coisas pertinentes ao mistério ancião manifesto ali no Preto Velho de Umbanda.

Preto Velho e Preta Velha é um grau dentro da Umbanda, eles trazem o mistério ancião, eles trabalham a humildade, a sabedoria, eles nos ensinam isso como uma doutrina de impacto, você aprende a respeitar o mais velho, o Preto Velho, o que ele representa, você aprende a respeitar isso.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Linhas de Trabalho na Umbanda – Caboclo –






Linhas de Trabalho na Umbanda – Caboclo –


Quem é o Caboclo?

O que o Caboclo representa para a religião de Umbanda?

 O que significa?

Por que nós temos uma linha de trabalho chamada linha dos Caboclos na Umbanda?
E dentro da Umbanda a linha de Caboclo é a linha mais expressiva, a mais presente, a mais forte, a mais significativa junto com a linha de Preto Velho.

 Poderíamos dizer que as duas linhas mais fortes são: de Caboclo e Preto Velho e na maioria das regiões do Brasil, a linha de Caboclo tem se mostrado como a linha mais forte, mais determinante, mais incisiva, mais presente, mais significativa, seguida pela linha de Preto Velho.

Podemos inclusive trazer o contexto histórico, vamos voltar até a história de Zélio de Moraes e do Caboclo das Sete Encruzilhadas, vamos voltar até que todos tenham isso “de cor”, na “ponta da língua”, a primeira manifestação de Umbanda foi no dia 15 de novembro de 1908, Zélio de Moraes incorpora um espírito e ao ser questionado: “Quem é você?”, ele responde: “Se eu preciso ter um nome, me chame Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

 Caboclo das Sete Encruzilhadas, não é um nome da sua identidade, é um nome simbólico.

 E Caboclo?

 Qual é o simbolismo em si de Caboclo?

O que quer dizer Caboclo?

Quando alguém diz: “Eu sou um caboclo”, o que ele está querendo dizer com isso: eu sou um caboclo? Então, vamos a palavra: caboclo. O que quer dizer caboclo? Na cultura Brasileira, na língua portuguesa, qual a terminologia da palavra caboclo?

Quer dizer: simples. Caboclo é isso: é um homem simples. Quando uma entidade, um espírito diz que é um Caboclo, isso tem sido considerado sinônimo de índio, mas Caboclo não é sinônimo de índio. Quando alguém perguntou para aquela entidade: quem é você?
 Ele não respondeu: eu sou o índio Sete Encruzilhadas, ele respondeu: “Eu sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

Há uma diferença entre ser caboclo e ser índio porque um índio pode ser um caboclo, mas um caboclo não é necessariamente, nem obrigatoriamente um índio.

No entanto, para a Umbanda, quase todos os Caboclos tem se apresentado como índios.

 Todo Caboclo é índio?

 Não necessariamente.

Nem todo Caboclo é índio e nem todo Caboclo foi um índio ou teve uma encarnação como índio, os espíritos que se manifestam como Caboclo em sua grande maioria traz um pouco de sua cultura nativa, dessa cultura do índio, mas não necessariamente eles foram índios.

 Mesmo que não tenha sido índio, ele pode querer se apresentar como índio, essa é a liberdade que a Umbanda dá, isso se chama linha de trabalho, forma de apresentação, hierarquia, aquele espírito assume uma forma plasmada, ele se assenta numa hierarquia, se você tem tantos Caboclos Pena Branca, então um deles é o primeiro Pena Branca, o hierarca Pena Branca, aquele que é o dono do nome, o responsável pelo nome, aquele que em algum dia se identificou com aquele mistério Pena Branca.

No caso de Pena Branca existe a história de um índio e foi chamado e identificado, existiu um índio Pena Branca, a gente tem um histórico desse índio num texto do Edmundo Pelizari.

Existe o índio Pena Branca, existiu o índio Ubirajara, existe na história, na literatura Brasileira de José de Alencar está Ubirajara, a história de Ubirajara.

Urubatão é nome praticamente de um mito indígena, de um herói indígena. Agora, quando você fala Caboclo Tupã, Tupã é o nome da divindade, da deidade, não para todas as tribos Tupis Guaranis, para alguns Tupã era uma das divindades, para outros Tupã era uma referência a uma força: ao trovão.

Quando o Caboclo dá o nome de Tupã, quer dizer que ele está fazendo uma referência a uma força, a uma energia, diz respeito a qual linha que ele está trabalhando, então quem é ele? Ele é um Caboclo. Você sabe quem é o Caboclo? Não, você não sabe quem é o Caboclo, você só sabe o que ele está querendo lhe apresentar, o que ele está querendo lhe mostrar.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas foi Frei Gabriel de Malagrida – Frei Gabriel de Malagrida foi um intelectual, foi um homem de cultura europeia - no entanto, ele prefere se apresentar como Caboclo, diz que foi índio e se apresenta como Caboclo, como homem simples. Por que apresentar-se como Caboclo das Sete Encruzilhadas? Para que não haja o culto a personalidade, para que não haja o culto ao ego se apresenta como caboclo, como homem simples.

Nós podemos nos lembrar que isso aconteceu numa sessão Espírita em que ali os médiuns estavam incorporando espíritos de índios, espíritos de negros e o dirigente da sessão estava convidando esses espíritos a se retirarem porque eles não tinham o mesmo nível de cultura, de informação, de sabedoria, eles não eram doutores, não eram filósofos, então há uma confusão entre bondade e cultura.

Um homem pode ser extremamente culto, intelectual, ter muito conhecimento e não ser um homem bom. E às vezes a pessoa simples, a pessoa que não teve muito acesso a cultura, muitas vezes se sente intimidada quando está diante de alguém que se apresenta cheio de conhecimento, de cultura, de informação porque é comum no dia-a-dia as pessoas que adquirem muito conhecimento, assumirem uma postura de arrogância, então aquele que já se apresenta dessa forma de certa maneira cria certo acanhamento na pessoa que é simples.

Apresentar-se como pessoa simples, é isso que o Caboclo pretende: apresentar-se como uma pessoa simples, faz com que os outros simples e humildes consigam conversar e estabelecer uma relação na mesma altura, no mesmo nível.

Nos textos de Leal de Souza que é o primeiro escritor de Umbanda, que foi médium, intelectual, escritor que na época de Zélio de Moraes frequentou o Espiritismo, era um expositor, um médium falante que dava palestras, que ensinava a doutrina Espírita, que ao conhecer a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e Zélio de Moraes se torna Umbandista.

Leal de Souza, o autor do primeiro livro de Umbanda, que se chama: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, ali no primeiro livro de Umbanda ele fala sobre o Caboclo das Sete Encruzilhadas e ele diz que o Caboclo das Sete Encruzilhadas se comunica de uma forma simples e humilde com os humildes e se comunica de uma forma mais intelectualizada com as pessoas que são intelectualizadas.

Apresentar-se de uma forma humilde ou comunicar-se de forma humilde é uma opção e não uma falta de opção para os Caboclos, que isso fique muito claro.

 O Caboclo não é - ele pode ser - mas ele não é sinônimo de bugre, não é sinônimo de ignorância, não é sinônimo de falta de conhecimento, não é sinônimo de espírito atrasado e nem o índio é sinônimo de espírito atrasado, nem de falta de cultura.

O índio tem outra cultura, o índio tem uma cultura diferente, isso não é falta de cultura. Isso quer dizer que ele tem a cultura dele, que não é a cultura do europeu, que não é a cultura do branco, diz a cultura do homem vermelho, a cultura do índio.

E dentro da cultura do índio nós temos a cultura do índio Tupi, a cultura do índio Guarani, a cultura do índio Karirri, a cultura do índio Xavante, a cultura do índio Xocó, a cultura do índio Tupinambá, a cultura do índio Aymoré, a cultura do índio Brasileiro, a cultura do índio norte-americano, a cultura indígena antiga. E há uma ligação entre essa cultura e a cultura dos Maias, a cultura dos Astecas, as culturas aborígenes em torno do mundo, as culturas naturais, as culturas nativas, as culturas que louvam, que cultuam, que adoram, que amam e vivem em harmonia com a natureza.

Caboclo tem uma mensagem relacionada a essa outra forma de ver o mundo, essa outra forma de ver a vida, aquele que é caboclo traz uma mensagem de simplicidade, de ver a vida com simplicidade, de relacionar-se com simplicidade na vida.

Há uma mensagem implícita na presença do Caboclo, ser Caboclo representa alguma coisa dentro da Umbanda, ser Caboclo representa, na Umbanda, um conjunto de valores, uma forma de expressar-se, uma maneira de ser, que vai muito ao encontro da cultura indígena - mas não apenas da cultura indígena, mas não apenas da cultura indígena Brasileira – vai ao encontro da natureza, das forças da natureza, da simplicidade do ser e da força que isso pode representar.

Quando o Caboclo se apresenta como Aymoré, não necessariamente ele foi um índio que teve por batismo esse nome, ele se apresenta como Tupinambá, Tupinambá foi um tronco cultural e linguístico, não foi um índio. Ele pode se apresentar como Caboclo Guarani, Ubirajara, Icaraí, Guaraci, Caboclo Jurema – Jurema é o nome de uma árvore, jurema é o nome da bebida que se faz com a árvore, jurema é o nome de um ritual, jurema é o nome da mãe, a divindade que habita aquela árvore.

Existe jurema branca, jurema vermelha, jurema preta – e a Cabocla Jurema? Cabocla Jurema é alguém que traz essa força, essa energia, o seu nome é simbólico.

Quantas Caboclas Juremas existem?

Muitas Caboclas Juremas, isso é hierarquia, isso é o simbolismo e quando eu digo Caboclo eu quero dizer: Caboclo e Cabocla, que se entenda bem, Caboclos e Caboclas e não são apenas índios e índias, mas que representam uma cultura, uma força, um conjunto de valores, o Caboclo traz para nós esse conjunto de valores.

Quando o Caboclo se coloca como um homem simples, e é esse um dos objetivos, a pessoa simples se sente a vontade e a pessoa arrogante, a pessoa soberba, a pessoa preconceituosa, esta pessoa vai precisar baixar um pouquinho o seu ego, essa pessoa vai ter que “descer do tamanco” e essa pessoa preconceituosa, arrogante, soberba, vai aprender a pedir a benção para o Caboclo, tomar-lhe a mão, beijar a mão e pedir a benção meu Pai porque é esse Caboclo, esse simples que vai lhe ajudar, que vai cortar as demandas, que vai limpar, que vai purificar, que vai dar uma força, que vai dar uma energia, que vai ganhar a sua confiança, o seu amor, a sua fé e que vai transformar essa pessoa em alguém menos arrogante, alguém menos egocêntrico, alguém menos vaidoso, alguém menos soberbo porque agora ele começa a ver que também o Caboclo é uma imagem na qual se espelhar, também o Caboclo é naquele momento, um objetivo de vida, também é representante de um conjunto de valores, de novos valores, representa uma mudança de paradigma, o Caboclo é um exemplo de virtudes, exemplo de valores e ali o consulente seja quem for vai aprender a respeitar o diferente.

A Umbanda, de uma forma subjetiva, ensina o respeito ao diferente porque se o Caboclo está ali como homem simples e na maioria das vezes como um índio, você está aprendendo a respeitar essa cultura diferente, você está aprendendo a respeitar o homem vermelho, você está aprendendo a ser como ele, a adquirir essa humildade e pra aqueles que se acham muito sabidos, mas que na verdade são ignorantes porque ignoram a cultura do outro, que pensam que o índio é sem cultura, que na verdade ele é apenas de uma cultura diferente, que busquem mais informação sobre os valores dessa cultura.

A Umbanda nos chama para incorporar o Caboclo, mas não apenas para incorporar o Caboclo, a Umbanda nos chama para incorporar os valores do Caboclo, nós temos na Umbanda uma religião mediúnica, na qual a principal forma de mediunidade é a mediunidade de incorporação. A Umbanda é uma religião de transe mediúnico, a Umbanda é uma religião de possessão, a Umbanda é uma religião na qual em estados alterados de consciência, pelo transe mediúnico, unicamente pelo transe mediúnico nós ficamos tomados, possuídos, incorporados, manifestados de entidades que se apresentam em arquétipos.

Não importa qual Caboclo você trabalha, ele traz um conjunto de valores incomum para todos os Caboclos e a Umbanda lhe chama não apenas para incorporar esse Caboclo, mas para incorporar os valores desse Caboclo para sua vida, a Umbanda lhe chama pra você operar um crescimento espiritual a partir dos valores do Caboclo, do Preto Velho, da criança, do baiano, do Boiadeiro, do Marinheiro, do Cigano, do Exu, da Pombagira, a Umbanda lhe chama a respeitar o diferente, pedir a benção para o Caboclo aqui, pedir a benção para o Preto Velho ali, dar a benção pra criança, aprender o respeito e o amor pelo Exu, pela Pombagira, respeitar uma mulher incorporada de Exu, um homem incorporado de Pombagira, respeitar e entender a manifestação espiritual: feminina no masculino, masculino no feminino, o diferente, os valores diferentes, as diferentes formas de olhar para a vida.

O Caboclo traz esses valores relacionados à natureza, à simplicidade e o Caboclo representa também a força, o Caboclo é sinônimo do homem forte, do guerreiro, do líder, então quando você incorpora o Caboclo, naquele momento, você – como somos mais de 90% dos médiuns de Umbanda são semiconscientes e aqueles que são inconscientes também estão aprendendo de forma inconsciente – então, ao incorporar o Caboclo se nós
estivermos de mente e coração abertos, estaremos incorporando os valores do Caboclo, estamos nos “encaboclando”, nos “empoderando” no mistério do Caboclo, estamos nos tornando pessoas melhores.

Falar sobre Caboclo é algo que mexe profundamente com a gente, todos nós temos experiências incríveis com Caboclo, com Preto Velho, com Baiano, com Boiadeiro e cada um deles nos marcam de uma forma diferente, às vezes nem pelo que disse ou pelo que fez, mas pelo que a gente sente quando está na presença de um Caboclo, isso é algo que eu posso falar, mas que é impossível de transmitir a experiência do convívio diário ou convívio esporádico com Caboclo dentro da religião de Umbanda.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Linhas de Trabalho na Umbanda




Linhas de Trabalho na Umbanda

Quem são os nossos Guias?

De onde eles vêm?

Para onde eles vão?

 Quais são as linhas de trabalho na Umbanda?

 Como essas linhas se formaram?

 Quem são os meus mentores, os meus Guias, os meus mestres, os meus orientadores, os meus amparadores?.

 Quem são os espíritos que trabalham comigo, que me amparam, que me guiam, que me orientam, que incorporam, que entram em contato comigo por meio do processo mediúnico, da clariaudiência, da clarividência, do transe, da possessão, quem são eles na religião de Umbanda?

Quem são os espíritos segundo o Espiritismo?

A obra de Kardec explica, a obra de Chico Xavier complementa.

Quem são os espíritos que se manifestam na Umbanda?

São espíritos da mesma forma como explica a obra de Kardec, como explica Chico Xavier e outros, os espíritos são gente como a gente, já viveram, já choraram, tiveram família, evoluiram ou não, mas que agora estão no mundo espiritual.

Existem na realidade humana, nós temos o lado material e o lado espiritual, nós somos espíritos passando por uma experiência material, eles são espíritos que já passaram pela experiência material. Alguns desses espíritos ainda vão encarnar outras vezes, outros não vão encarnar mais porque já alcançaram uma condição elevada de ascensão, de evolução.

O que seria evolução?

Desapego, a pessoa desapegada já não sofre as dores desse mundo, a pessoa desapegada, evoluída, ascencionada já não tem mais os nossos traumas, os nossos vícios, os nossos apegos, já não tem tanta necessidade de nascer nesse mundo pra aprender algo. Entre os espíritos que nos acompanham, que nós chamamos de Guias, são os nossos mentores?

No Espiritismo se utiliza muito essa denominação: mentor, o meu mentor, o mentor que incorpora em mim, o mentor que deu a mensagem, no meio espírita é sinônimo de espírito e Guia, aqui nós vamos chamar de Guias espirituais.

E há aquele que é o meu mentor, mas aqui a palavra mentor tem um sentido, nós vamos explicar qual é o sentido dessa palavra: mentor, para nós. Todos os espíritos que nos acompanham de forma ativa ou passiva, ou seja: forma ativa: são os espíritos que me acompanham e incorporam em mim para realizar um trabalho espiritual / forma passiva: os espíritos que me acompanham fazem parte do meu trabalho espiritual, mas não costumam incorporar.

Eles são meus Guias espirituais que tem uma atuação ativa, esses que incorporam; os meus Guias espirituais que tem uma atuação passiva, esses que não incorporam, mas que me acompanham.

São muitos os espíritos que nos acompanham, que nos amparam, que nos guiam, eles formam uma família espiritual, nós temos uma família astral. De onde vem essa família?

Para nós, que cremos que estamos no ciclo reencarnacionista, quer dizer: encarna e desencarna; pra aprender alguma coisa porque o objetivo de encarnar é aprender alguma coisa na matéria.

Eu não podia aprender em espírito?

Para que eu preciso encarnar para aprender?

 Porque o corpo biológico, a relação entre o espaço e o tempo que existe no mundo material, nos propicia viver situações que nos obrigam a passar por
experiências fundamentais no nosso processo de aprendizado.

De forma inconsciente, nós somos conduzidos a situações onde vamos viver experiências necessárias para o nosso crescimento de acordo com as nossas necessidades.

Isto quer dizer que você nasceu no planeta necessário para sua evolução, no país necessário para sua evolução, na cidade necessária para sua evolução, na casa, na família, você nasceu com uma condição cultural, social, financeira ideal para o seu crescimento, para sua evolução, para o aprendizado, mas não nasceu para ficar estagnado.

Não fique preso a ideia de que “Essa família é meu karma, essa condição social é o meu karma, essa falta de cultura é o meu karma, essa dificuldade financeira é o meu...”, você nasceu para vencer essas dificuldades, elas foram colocadas para serem vencidas, nós, com as nossas dificuldades interiores, colocamos obstáculos às vezes maiores do que realmente são.

Karma é uma palavra que quer dizer ação: uma ação passada reflete no presente, uma ação presente reflete no futuro, algo que eu fiz de errado no passado me dá uma energia negativa que faz atrair algo semelhante pra mim, mas no momento que isso chega na minha vida eu tenho que vencer essa dificuldade subir de degrau, evoluir.

Um corpo biológico me obriga a passar pela experiência de: nascimento, crescimento, envelhecimento e morte, são experiências únicas, você não vive esta experiência no astral, a experiência de nascer e ficar preso no corpo biológico de um bebezinho que depende de todos, de uma criança que depende da vontade do adulto, e um adolescente cheio de hormônios que não sabe o que fazer com isto, de um adulto cheio de insegurança que quer se afirmar, de alguém que quer criar uma identidade e que depois a velhice vai lhe dar a experiência de ser responsável pelos mais novos, de ser aquele que já viveu a experiência e isso é a carne que dá, é a matéria que dá, a gente só vive essa experiência encarnando, a experiência de amar ao próximo como a si mesmo a gente vive principalmente quando tem filhos porque você não consegue amar o próximo como a si mesmo, você não ama o seu vizinho, você não ama o cobrador, de ônibus como si mesmo, você não ama seu professor como a si mesmo, você não ama o conhecido, muito menos um desconhecido, mas o seu filho, carne da sua carne, sangue do seu sangue, olhos dos seus olhos, vida da sua vida, você ama como a si mesmo, é a carne que te dá essa experiência, é encarnando que você tem essa experiência e a primeira experiência é amar a ele como a si mesmo, o ideal é conseguir amar outras pessoas mais.

Na carne temos a experiência de viver e nos relacionar como homem e mulher ou de que forma for desde que duas pessoas se amem e vivenciem a experiência do amor com as dificuldades da matéria.

Isso nos leva a situações que são encruzilhadas na vida e essas encruzilhadas propiciam o crescimento do ser, o seu crescimento como pessoa é um crescimento espiritual porque quando você desencarna isso vai com você..

De onde nós viemos antes de encarnar aqui pra viver essa experiência?

Viemos do astral espiritual, lá nós não estávamos sozinhos, nós fazemos parte de uma família maior, uma família que geralmente vive em grupos que encarnam juntos.

 A sua família espiritual quer saber onde você nasceu, como você nasceu, em que condições você nasceu, como fazer para lhe ajudar, entre os nossos parentes espirituais, da nossa família espiritual, algumas pessoas – que são espíritos como nós, mas que não estão encarnados – alguns deles conseguem autorização pra nos acompanhar, pra nos ajudar, pra nos guiar, eles tem autorização pra nos acompanhar.

Quem tem essa autorização?

Aqueles que têm um gabarito maior, uma estatura espiritual, aqueles que têm condição, eles tem outorga, licença, autorização pra vir aqui nos amparar, esses são os nossos Guias espirituais, eles são nossa família espiritual.

É comum que eles tenham afinidade com esse ou aquele seguimento religioso, principalmente com seguimentos – no nosso caso –, os nossos Guias espirituais têm afinidade com seguimentos que deem a oportunidade de comunicação com eles, no caso, a Umbanda.

A Umbanda é uma religião como tantas outras religiões que não é melhor nem pior do que nenhuma outra, mas é uma religião que nos dá a oportunidade de por meio da mediunidade entrar em contato com a nossa família espiritual, com nossos Guias.

Nossos familiares espirituais, antes de a gente encarnar, eles já estavam, boa parte deles, adequados às linhas de trabalho da Umbanda: de Caboclo, Preto Velho, Baiano, Boiadeiro, Marinheiro, então eles já vem nos orientando e se apresentando na forma de um Preto Velho, na forma de Caboclo, na forma de um Baiano, de um Boiadeiro.
Quem são eles? O meu Caboclo, o meu Preto Velho, o meu Baiano, a minha criança, meu, de minha propriedade? Não. Meu, por que é minha posse? Não. Porque você não pode dizer que é seu, ele não é sua propriedade.

Mas, ele é meu Caboclo, o meu Baiano, minha criança, assim como eu tenho o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, o meu filho. O “meu” Caboclo é no sentido: meu querido, meu parente, meu amigo. Quem são eles? São aqueles que me amam, que tem muito amor por mim.

Por isso mesmo eu estando aqui, numa outra realidade, eles param o que eles têm pra fazer no mundo deles, na outra realidade que também é minha, pra vir aqui me orientar, me acompanhar, me conduzir e se possível por meio de mim enquanto médium ajudar o próximo também, esses são os nossos Guias espirituais.

Entendemos que eles são nossos amigos, nossos irmãos, nossos mestres, nossos mentores, nossos amados, nossos queridos, eles são aqueles que nos amam e às vezes não é porque me ama que “passa a mão” em minha cabeça, por quê?

O pai ama o filho e nesse amor está a arte de ensinar.

 Às vezes é triste a relação dos pais com os filhos, mas muitas vezes o pai está ali na tentativa de dar o seu melhor, nessa tentativa o pai tem que chamar a atenção, o pai tem que, simbolicamente, “puxar a orelha”, não é?

 O pai tem que metaforicamente “dar umas palmadas”.

Às vezes, a postura dura, rígida, aquela postura de um Exu, de um Caboclo, sério, é a postura do pai que está lhe chamando a atenção no momento bem pontual em que ele está ali para dizer: “Não faça besteira, não se entregue a esse vício, não perca seu tempo com essa dor, não sofra de forma desnecessária, não vá por aí, não pule, não procure um atalho, meu filho, vem cá”, com amor e às vezes esse amor se traduz numa postura mais firme, mais rígida que pode ser postura de pai, pode ser postura de mãe, geralmente o pai é a figura forte e a mãe a figura amorosa, mas há mãe que é firme e há pai que é mais amoroso.

Dentro da Umbanda verificamos as linhas de trabalho, por exemplo: Um Caboclo de Oxum é mais doce, já o de Ogum, a postura dele é mais dura, mais rígida e um Caboclo de Xangô vai explicar, vai fundamentar, vai fazer considerações, racionalizar as coisas.

A força que rege a entidade já ajuda a entender o comportamento dela, independente de quem eles são: Caboclo, Preto Velho, Baiano, Boiadeiro, todos são nossa família espiritual que tem autorização de nos orientar, de nos conduzir, de nos acompanhar, de nos amparar e em relação a nós eles assumem posturas e posicionamentos diferentes com relação a nossa missão.

Todos nós temos um Guia, todos nós médiuns de Umbanda temos um Guia que é um Guia chefe, temos uma entidade que é aquela que está de frente e temos um mentor. Então aqui a palavra – todos eles são Guias – mas, a palavra mentor: diz respeito à postura de uma entidade em relação a nós, a forma que uma entidade tem de nos conduzir.

Quem é o meu Guia de frente?

É aquele que em quase todas as situações, na maioria das questões e dos problemas está à frente.

O Guia de frente é a entidade mais presente no meu trabalho mediúnico, na minha vida mediúnica, este que está mais presente eu chamo de: Guia de frente. Isso fica mais visível – dentro de um Terreiro de Umbanda quando a gente observa o dirigente do Terreiro.

Quando nós temos um Terreiro de Umbanda e naquele Terreiro o dirigente espiritual trabalha bastante com Baiano pode ser porque ele tenha Baiano de frente, a entidade que está de frente é aquela que incorpora mais. Então, se esse dirigente trabalha muito com Boiadeiro, o Boiadeiro pode ser a entidade de frente.

Se ele trabalha muito com Caboclo, Caboclo pode ser a entidade de frente porque é comum a pessoa ter a tendência de trabalhar muito mais vezes incorporado com o seu Guia de frente.

E quando não, há médiuns de umbanda que trabalham sozinhos que praticamente trabalham apenas com uma entidade, há médiuns que atendem somente com Preto Velho, apenas com Caboclo, geralmente esse é o Guia de frente, aquele que é mais presente, que mais incorpora.

Esta é uma explicação simples porque isso é uma coisa simples, não se deve complicar. O que quer dizer Guia de frente? É esse que está sempre à sua frente, que é mais presente. Quando as pessoas olham pra você, o Guia de frente é a primeira entidade que ela vê. Mas, observação – olhe lá: Isso não tem nada a ver com quem é a primeira entidade que incorpora no seu desenvolvimento mediúnico.

As pessoas questionam muito isso: “Ah, o meu Guia de frente é o primeiro a incorporar no desenvolvimento mediúnico?”. Não. Quem é a primeira entidade que incorpora no desenvolvimento mediúnico? É aquela que consegue, não tem nada a ver se ele está de frente, se ele é chefe, se ele é isso ou se ele é aquilo.

Quem é o primeiro a incorporar no meu desenvolvimento? O primeiro que conseguir, aquele que você conseguir relaxar, ficar tranquilo e dar passividade.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Orixá Exu Mirim (Um novo olhar – Uma possibilidade)




Orixá Exu Mirim (Um novo olhar – Uma possibilidade)

É um tema controverso, são questões ainda pouco conhecidas e pouco trabalhadas na Umbanda.

Exige abertura da mente, de horizontes nessa imensa diversidade Umbandista.

Tudo é uma questão de flexibilidade, deixando o “novo” entrar, uma questão de raciocinar friamente e concluir depois.

Estas são questões novas, são informações novas, esse é um novo conhecimento, é uma nova abordagem dentro da religião de Umbanda e que exige “esvaziar o copo” do conhecimento até aqui adquirido abrindo espaço às novas possibilidades.

Essas informações foram psicografadas e estão presentes num livro chamado “Orixá Exu Mirim”, é um livro pequeno da editora Madras de autoria (psicografia), de Rubens Saraceni.

O conceito de que Exu Mirim possa se identificar como um Orixá é algo novo, inusitado para alguns, porém, vale refletir, assim como sobre Orixá Pomba Gira.

Existe uma divindade regente de um mistério que se manifesta por meio das entidades exu Mirim, entidades, ou seja, aqueles que incorporam no Terreiro e se identificam como Exu Mirim, na Umbanda nós temos uma linha de crianças chamada de Êres, de Ibeji, de Cosmes, de Doun ou simplesmente de criança, como às vezes se fala “as crianças da Direita”.

Exu Mirim seria as crianças da Esquerda, crianças arrelientas, irrequietas, crianças de pouca doutrina, crianças que bebem, crianças que fumam, crianças
irreverentes, crianças as quais a gente não entende muito bem como é que uma criança se comporta daquele jeito, muito menos porque é que se manifesta na Umbanda assim, crianças que não revelam muito sobre o que é que elas são, faz parte do mistério Exu Mirim ocultar as coisas.

Essas crianças não explicam muito bem o que elas são, nós carecemos de entender ao ponto de que muitos dirigentes espirituais dizem que Exu Mirim não existe, aí já é uma postura radical. Como é que você vai dizer que não existe aquilo que está manifestado, incorporado, aquilo que se apresenta por meio de um médium. Aquele médium incorpora um Caboclo, incorpora Baiano, incorpora Preto Velho, aquele médium incorpora Exu, Pombagira e aí quando ele incorpora um Exu Mirim, isso não existe?

O que está acontecendo se todas as outras entidades estão dando o aval, a credibilidade dizendo Exu Mirim vem aí. Então, Exu Mirim existir é um fato, Exu Mirim se manifestar é um fato. Quem é Exu Mirim?

O mistério ele é manifesto, irradiado, sustentado, tem por base, por fundamento uma divindade, esta divindade desconhecida que vamos chamar de: Orixá Exu Mirim, simples assim.

A divindade regente daqueles mistérios que se fazem presentes na entidade Exu Mirim que incorpora no Terreiro.

Existe um Orixá chamado Orixá Exu Mirim, ou se preferir nomeado Exu Mirim ou ainda um Orixá, uma divindade a qual nós adotamos o nome Exu Mirim para identificá-lo.

Mesmo que você não saiba quem ele é, ele sabe quem é você e entende que você está adotando esse nome para identificá-lo. Isso para nós deve bastar.

 Por onde começar? Tudo tem início por meio de uma palavra chamada gênese, então falar de Exu Mirim é falar algo que está remetido e relacionado à Esquerda, ali onde está Exu e Pombagira - “Esquerda” na Umbanda, aquilo que é relativo às nossas trevas, as nossas sombras, ao nosso negativo.

Esquerda trabalha com o nosso emocional, com o nosso inconsciente, enquanto a Direita trabalha com a nossa luz, com as nossas virtudes, trabalha com o nosso consciente, com o nosso racional.

Isto não quer dizer que uma entidade de Esquerda seja ruim, não quer dizer que uma entidade de Esquerda é o mal ou que ela é as trevas, mas que ela lida com o nosso negativismo, ela lida com os nossos vícios, com as nossas dificuldades, com a nossa sombra - inclusive, fica aqui a dica para procurar no Youtube (http://www.youtube.com) um vídeo chamado “Efeito Sombra - O filme” procure isso no Youtube e assista a esse vídeo.

Faz parte das questões pertinentes a Esquerda entender o que é a nossa sombra porque as entidades de Esquerda trabalham com a nossa sombra, na gênese, ou seja, na origem de todas as coisas há um momento em que se pontua a presença do Orixá Exu Mirim na Criação de tudo e de todos, esse momento é realmente o primeiro momento da Criação, vamos agora nesse instante voltar à gênese.

No momento em que nada existia, mesmo que nada exista, ainda assim Deus já existe, então, nada existe, a única coisa que existe é Olorum. No entanto, Olorum não é ainda manifesto.

Nesse momento em que nada existe, Olorum não está manifestado. Isso quer dizer que ele ainda não se exteriorizou, Olorum está no lado interno da Criação. Nesse primeiro momento precisamos lembrar: Olorum é Deus, portanto é Criador de tudo e de todos.

O momento antes da Criação, a primeira coisa que surge em Olorum é a intenção de criar, nesse momento surge o Orixá Exu Mirim. Exu Mirim é a divindade regente do mistério do nada e das intenções.

No momento em que você tem a intenção de fazer alguma coisa ai está presente o mistério de Exu Mirim e como isso é apenas uma intenção você ainda não fez nada, você só tem a intenção, este ponto na gênese é o ponto onde se identifica e localiza o Orixá Exu Mirim.

Primeiro Olorum tem a intenção de criar no momento em que nada existe, no momento seguinte por conta dessa intenção de criar os mundos ou o universo, então surge o vazio – o “nada” mistério de Exu Mirim, o “vazio” de Exu – e no vazio o Criador cria o espaço, o infinito, o espaço pleno e a plenitude – mistério de Oxalá.

O Criador começa a se exteriorizar, Ele que está no lado interno da Criação vai se exteriorizar. E no momento que o Criador se exterioriza, ele passa a manifestar a partir de si por meio de seus vórtices, a partir de si Ele exterioriza as divindades e são criados os mundos, as realidades paralelas, os universos, as galáxias, os planetas, a vida, os seres, as criaturas, tudo é criado por meio de uma vontade de Deus, a vontade de Olorum.

Em primeiro lugar vem a intenção e depois a concretização, a realização, a construção, a criação e naquele primeiro momento, da intenção surge Exu Mirim no lado interno da criação, ele está em Deus. Exu Mirim não se exterioriza, por isso ele não é o primeiro Orixá a sair do lado interno para o lado externa da criação. O lado externo da criação é o mundo tal qual nós o conhecemos.

Tudo isso é mitologia, são lendas, não é um fato histórico, mas é uma maneira de explicar, de apresentar a qualidade das divindades perante a criação, perante a gênese, essa é a ideia.

 Exu Mirim é a intenção de Olorum. Como assim? Ele é a intenção de Olorum, exatamente - Xangô é a justiça de Olorum, Ogum é a lei de Olorum, Oxum é o amor de Olorum, Yemanjá é a geração de Olorum - Exu Mirim é a intenção, a intenção de Olorum em criar as coisas.

Exu Mirim não se exteriorizou, permanece no lado interno da criação em Olorum, por isso ele não é o primeiro. Depois da intenção surge o vazio que é a exteriorização de Exu, que é anterior ainda da Criação, por isso Exu é anterior às sete linhas, às sete vibrações, à coroa Planetária, ao assentamento.

Exu é um Orixá a parte, Pombagira é um Orixá a parte porque ela é o lado interno de todas as coisas, Exu Mirim é um Orixá a parte porque ele é a intenção de Olorum.

Quando falamos em Orixá Exu, Orixá Pombagira, Orixá Exu Mirim estamos falando de outros Orixás além dos quatorze Orixás. Onde estão eles nos sete sentidos da vida? Em todos os sete sentidos da vida, tanto Exu, quanto Pombagira, quanto Exu Mirim.

Enquanto Orixá Exu, Orixá Pombagira, Orixá Exu Mirim atuam nos sete sentidos da vida: Exu a partir do vazio, da vitalidade e do vigor / Pombagira a partir do estímulo e dos desejos / Exu Mirim a partir das intenções nos sete sentidos da vida, ele rege um mistério chamado: o Mistério do Nada.

Segundo Pai Benedito de Aruanda, segundo Rubens Saraceni, em sua obra Orixá Exu Mirim, nós temos uma afirmação antiga e aceita na religião de Umbanda que é: “Na Umbanda sem Exu não se faz nada”, a nova afirmação é: “Sem Exu Mirim nem o nada é possível fazer”, são jogos de palavras, são trocadilhos, são afirmações apenas pra que a gente possa lembrar da qualidade daquele Orixá, não é pra “Ah você está desafiando a minha inteligência? Que conversa essa de que nem o nada é possível fazer?”, não.

Exu Mirim está relacionado, associado ao nada, Exu Mirim está relacionado, associado às intenções, ele é divindade das intenções, ele é o Trono das Intenções, ele rege uma tela Planetária, vibratória relacionada às intenções. O que é que isso quer dizer? Isso quer dizer que todas as intenções de todas as pessoas vibram na tela de Exu Mirim. Da mesma forma, que o sentido de justiça de todas as pessoas e todas as suas atitudes com relação à justiça refletem na tela de Xangô.

Todas as intenções, todos os sentimentos, todas as palavras, tudo que é relativo à lei de todas as pessoas refletem na tela de Ogum. Todos os sentimentos, todas as vibrações, todas as intenções, todas as atitudes relacionadas à fé refletem na tela de Oxalá. Agora, todas as intenções em todos os sentidos da vida refletem na tela de Exu Mirim: a divindade Exu Mirim, o Orixá Exu Mirim, ele capta todas as intenções de todas as pessoas em todos os sentidos da vida.

Quando a gente fala em justiça, Xangô capta os sentimentos, as palavras, as ações, as atitudes no campo da justiça em todos os sentidos da vida, ou seja, a justiça com relação à fé, o amor, o conhecimento, a evolução, a geração.

Yemanjá capta todas as ações de geração, de criação, de criatividade nos sete sentidos da vida. E Exu Mirim capta as intenções: as boas e as más intenções nos sete sentidos da vida.

Aqui entra o papel do Orixá Exu Mirim, aqui entra a função – uma das funções – do Orixá Exu Mirim na criação e aí começamos falando dele na gênese e agora estamos falando dele enquanto mistério, divindade na criação.

Sua função, seus atributos, suas atribuições do mistério do Orixá é: captar todas as intenções de todas as pessoas em todos os sentidos da vida, quando as intenções são positivas o mistério Exu Mirim, a divindade Exu Mirim as fortalece, as energiza, as incentiva, estimula – mesmo que o mistério estimulador seja de Pombagira – por meio de Exu Mirim as intenções positivas elas são fortalecidas, estimuladas, vibradas, impulsionadas e etc. E as intenções negativas, elas são desestimuladas, desfortalecidas, as intenções negativas são captadas pela tela do Orixá Exu Mirim e aí entram outras qualidades de Exu Mirim como, por exemplo, a qualidade complicar.

Exu Mirim trabalha a questão, a atribuição complicadora, está complicado? Peça ajuda a Exu Mirim, o mal intencionado se complicou? Tem dedo de Exu Mirim, Exu Mirim também faz regredir, onde entra esse fator “regredidor”, esse verbo regredir, a função de regredir, a atribuição de fazer regredir? Faz regredir o mal intencionado, Exu Mirim faz atrasar, Exu Mirim faz retroceder, Exu Mirim faz ocultar, Exu Mirim faz esconder e Exu Mirim é “Senhor das controvérsias”.
                                                              
Orixá Exu, Pombagira, Exu Mirim são divindades duais, não são nem Universais, nem Cósmicas - a gente só fala de Orixá Universal ou Cósmico, ou seja, que tem uma atitude universal ou uma atitude cósmica, a gente fala dessa forma de atuação quando estamos falando dos Orixás polarizados, daqueles que formam pares dentro das sete linhas de Umbanda.

Na primeira vibração que é da Fé eu tenho Oxalá com Trono Universal da Fé / Logunan como Trono Feminino e Cósmico da Fé, no Amor: Oxum é Trono Feminino e Universal do Amor / Oxumaré Trono Masculino e Cósmico do Amor, Oxóssi Trono Masculino e Universal do Conhecimento / Obá Trono Feminino e Cósmica do Conhecimento, na Justiça: Xangô Trono Masculino e Universal da Justiça / Egunitá Trono Feminino e Cósmica da Justiça, Ogum Trono Universal e Masculino da Lei / Yansã Trono Feminino e ela é Cósmica na Lei, Obaluayê é Universal Masculino da Evolução / Nanã Buroquê é Feminina e é Cósmica na Evolução, Yemanjá é Feminina e é Universal na Geração / Omulu é Masculino e é Cósmico na Geração – quatorze Tronos polarizados que formam pares: um Pai e uma Mãe para cada vibração, um é Universal, o outro é Cósmico.

 O Universal é amparador, o Cósmico é retificador ou reparador. O Universal ampara, o Cósmico conserta. Agora, quando a gente fala de Exu – Orixá Exu, Orixá Pombagira e Orixá Exu Mirim, eles são divindades duais e tripolares. O que isso quer dizer? Eles atuam a partir dos sete sentidos da vida também, tanto no sentido Universal, quanto no sentido Cósmico.

Exu Mirim capta as boas e as más intenções no campo da Fé, no campo do Amor, no campo do Conhecimento, do campo da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração. Exu – Orixá Exu vitaliza as virtudes, desvitaliza os vícios e neutraliza o que é negativo no campo da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução.

No campo Universal da Fé, a fé propriamente dita, o sentido da fé, o Cósmico está mais ligado a religiosidade e Exu atua nos dois campos. No campo do Amor, a gente tem o amor no sentido Universal e no sentido Cósmico e Exu atua nos dois campos.

A mesma coisa Exu Mirim, atua no campo dos quatorze Orixás captando as intenções das pessoas, uma boa intenção no campo da Fé é uma intenção que vai encontrar em Exu Mirim uma força para que seja trabalhada, seja concretizada, para que seja realizada.

No campo do Amor, uma boa intenção encontra em Exu Mirim força para ser realizada, para ser concretizada, agora uma intenção negativa encontra em Exu Mirim uma força pra fazer a pessoas regredirem, uma força que faz paralisar, uma força que vai criar confusão naquele que é mal intencionado.

Exu Mirim pode criar a controvérisa no caminho da pessoa mal intencionada, no entanto Exu Mirim também cria controvérsia em seu mistério, não enquanto entidade – Exu Mirim, a divindade, cria no universo, no nosso universo também para que as pessoas estimulem a sua capacidade de raciocinar, de dialogar, de encontrar alternativas para as situações.

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