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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

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sábado, 9 de maio de 2015

– Mãe Yemanjá – Pai Omulu – A criação -



– Mãe Yemanjá – Pai Omulu – A criação -

“Mãe d´água Rainha das ondas, sereia do mar. Mãe d´água seu canto é bonito quando tem luar. Yê Yemanjá Rainha das ondas, sereia do mar. Rainha das ondas, sereia do mar”.

 A sétima linha de Umbanda, a sétima vibração, a linha da água, da vida e da geração onde está no polo universal nossa Mãe Yemanjá e no polo cósmico o nosso Pai Omulu. Yemanjá é a grande mãe, considerada a mãe de todos os Orixás.

Nanã Buroquê é considerada a avó de todos os Orixás, a mais velha de todas as mães Orixás, mas, quando se diz que Yemanjá é a mãe de todos é porque Yemanjá, personifica a qualidade mãe.

Cada Orixá tem uma qualidade: Oxum é senhora do amor e é vista com certa jovialidade, Nanã é senhora da evolução e é uma anciã, Yansã é uma guerreira, Obá é a determinação, Logunan é a senhora da religiosidade, Egunitá é a mãe do fogo, Yemanjá é “A mãe”. Graças a Yemanjá que nesse mundo é possível que existam as “mães”.

Cada orixá tem um “axé”. Dizem que Oxumaré é o Orixá das cores, graças a Oxumaré o mundo é colorido. Oxalá é o Orixá da fé, graças a Oxalá nós podemos ter e manifestar a fé no que quer que seja. Graças a Yemanjá nós temos “mãe”, Yemanjá é a personificação e a identificação do sagrado feminino na sua qualidade maternal.

Na Umbanda se fala muito em sincretismo, nós poderíamos dizer que sincreticamente falando de Oxum seria como fosse “Maria Virgem”, virginal, pura; Yemanjá é “Maria Mãe”, essas são as qualidades que buscamos em Yemanjá, a qualidade da “mãe”.

Cada Orixá é a individualização de Deus em uma das suas qualidades, Ogum traz em si as qualidades de Deus na Lei, na Guerra; Xangô traz as qualidades de Deus na Justiça; Oxum traz as qualidades femininas de Deus no amor e Yemanjá é Deus no seu aspecto feminino e na sua qualidade mãe. Nós temos algumas religiões que são muito paternalistas, religiões que são totalmente voltadas ao masculino, religiões nas quais Deus é apresentado única e exclusivamente como “Pai”.

Na nossa cultura judaico-cristã, pouco se fala em Deus na sua qualidade “mãe”, se Deus é pai, Ele também é mãe. Da mesma forma como nós rezamos ao “Papai do céu”, nós deveríamos rezar a “Mamãe do céu” ou a “Mamãe natureza” ou ao “Papai” que há dentro de cada um de nós por meio da centelha viva do Criador.

E Deus Pai está em todas as divindades masculinas ao mesmo tempo, assim como Deus ou Deusa Mãe são em si todas as divindades femininas ao mesmo tempo. E todas as divindades femininas dentro desse olhar da “Teologia de Umbanda” estudando as divindades a partir de sete vibrações, sete linhas, nós dizemos: que Deus é mãe e manifesta-se como mãe por meio de: Logunan, Oxum, Obá, Yansã, Egunitá, Nanã e Yemanjá E em Yemanjá o Criador ou a Criadora está totalmente à vontade e presente nesta qualidade “mãe”.

Assim como entre os Orixás que são os nossos pais, nós temos Pai Oxalá, nós temos Pai Oxumaré, Pai Oxóssi, Pai Xangô, Pai Ogum, Pai Obaluayê e Pai Omulu. Todos são os nossos pais, mas Oxalá, melhor do que qualquer outro idealiza a qualidade “Pai”, o fato de dizer que Yemanjá é a mãe não nega o fato de que Oxum também é nossa mãe, Yansã também é nossa mãe, Egunitá também é nossa mãe, Logunan é nossa mãe, Nanã Buroquê a velha anciã, a nossa avó também é a nossa mãe, mas, Yemanjá personifica a qualidade “mãe”.

O homem na sua forma de conectar-se a Deus, de buscar o sagrado, tem necessidade de ir ao encontro do que é divino na sua qualidade masculina, na sua qualidade feminina. Tanto é que nós pegamos uma religião como o Cristianismo e mais especificamente a religião Católica, que é uma religião onde Deus é: Pai, Filho e Espírito Santo, mas o ser humano tem necessidade de relacionar-se com o sagrado feminino nas suas várias qualidades em que a divindade feminina se manifesta.

Por isso na religião Católica, foi necessário se colocar “Maria” na qualidade de “mãe de Deus”, esta é uma qualidade que pertence a Yemanjá na Umbanda: “mãe”, perante aquilo que é o sagrado ela é a grande mãe, uma mãe que passa dificuldades com os seus filhos, seja por dificuldades dos próprios filhos ou por dificuldades dela em criar os filhos, essa mãe vai buscar em Deus algo que entenda, vai buscar em Deus “Maria” que também é mãe “Maria a mãe de Jesus” que entende as suas dores, as suas dificuldades porque assim como ela também é “mãe”.

Na Umbanda temos “Mãe Yemanjá” e todos nós a buscamos quando sentimos necessidades da mãe ou as mães buscam Yemanjá por ela entender as questões relativas e pertinentes a “mãe”. Por ser senhora da Geração, Yemanjá também é aquela que traz a qualidade de gerar.

Yemanjá está presente em muitos momentos e principalmente no começo da vida, ou seja, o ato de dar a luz, de gerar, está dentro do campo de Yemanjá; fecundar pertence a Oxum, expandir-se pertence a Oxóssi, transformar-se pertence a Obaluayê, gerar e nascer pertence a Yemanjá.

Buscamos Yemanjá para nos dar essa força de geração, força de criação, força que também é uma força de criatividade, buscamos na mãe que é a “mãe d´água”, a senhora do mar, a rainha do mar.

Yemanjá está no elemento água, “água de chuva” para Yansã, “água ferruginosa” para Ogum, “água de cachoeira” para Oxum, “água de orvalho” para Logunan, “água ou líquidos vegetais para Obá” – mas, todas as águas são de Yemanjá por que o mistério água pertence a Yemanjá.

No que diz respeito à água podemos dizer que a vida vem da água, todos nós temos origem na água. O nosso planeta, chamado “Planeta Terra” poderia ou deveria ser chamado “Planeta Água” porque 70% desse planeta é água e o nosso corpo, a exemplo do planeta, também é 70% água.

O nosso mundo e cada um de nós é muito mais água do que terra, Yemanjá é água. Yemanjá é a água e todas as águas. A água é considerada veículo das emoções, dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo, dos sete elementos que são esses quatro mais o: cristalino, mineral e vegetal, o elemento água é considerado o elemento das emoções, Yemanjá também mexe com as nossas emoções, por ser água ela lida muito com as nossas emoções.

Por ser mãe, ela é a que primeiro nos recebe, é aquela que está presente na sua vida quando você é mãe, é aquela que está presente na sua vida quando você é filho ou quando você é filha, está presente na sua vida quando você quer criar, gerar coisas novas, quando você precisa ter ideias, quando você precisa ter criatividade, quando você precisa tomar conta.

Ela é a mãe que cria que sustenta, que mantém, é a mãe que lhe ajuda a manter e estabelecer famílias, é uma mãe muito relacionada com a questão da família, de manter a família, de sustentar a família, de estabelecer uma família, a força de Yemanjá nos traz essa energia também de estabelecer famílias onde nós estamos, de tornar tudo muito mais familiar, próximo.


Yemanjá também é senhora do cuidado, do zelo e, às vezes, até de certo controle, é aquela que cuida dos seus filhos, que quer cuidar dos seus filhos e que precisa saber onde estão os seus filhos, como estão os seus filhos. Senhora rainha do mar, das águas do mar, a nossa mãe Yemanjá, a mais popular de todas as mães Orixás.

Você pode conhecer muitas pessoas que não sabem o que é Umbanda, que não tem ideia do que é Candomblé, que não conseguem entender o que seja uma divindade, um Orixá, mas, uma coisa é certa: todos, absolutamente todos já ouviram falar de “Yemanjá”.

Yemanjá é o mais popular de todos os Orixás.

Não se sabe por que Yemanjá é tão popular e das suas festas serem tão frequentadas, o fato é que a festa de Yemanjá é o maior ritual de Umbanda a céu aberto, o ritual de Umbanda mais popular e se realiza em São Paulo numa data, no Rio de Janeiro em outra data na Bahia em outra data.

Por causa do sincretismo religioso, em São Paulo, a festa de Yemanjá acontece em dezembro na data de Nossa Senhora da Conceição porque tradicionalmente em São Paulo, no município de Praia Grande, na década de 60, se fazia uma festa de Oxum e Yemanjá no dia de Nossa Senhora da Conceição e em dezembro se tornou apenas festa de Yemanjá na data de Nossa Senhora da Conceição que é sincretizada com Oxum.

 No Rio de Janeiro, a festa de Yemanjá acontece na virada do ano, inclusive é por conta e por causa da festa de Yemanjá na virada do ano, que as pessoas no Rio de Janeiro começaram a usar roupa branca.

Vestir roupa branca, pular sete ondas, estourar champanhe e levar flores no mar, são coisas de “macumbeiro”, de Umbandista, é algo que fazia parte de um ritual da religião de Umbanda e que empolgou o povo, hoje, no Brasil inteiro, as pessoas passam o “Réveillon” de branco pra dar sorte e esse “dar sorte” é algo que fazia parte da realidade Umbandista.

E faz parte da realidade Umbandista que, na virada do ano, pular sete ondas simboliza as sete vibrações, as sete linhas de Umbanda, vestir-se de branco porque é a cor da religião de Umbanda. No Rio de Janeiro, a festa de Yemanjá acontece em fevereiro porque lá o sincretismo de Yemanjá é feito com Nossa Senhora dos Navegantes, a data de Nossa Senhora dos Navegantes acontece em fevereiro.

Por isso em cada lugar há festa de Yemanjá por conta do sincretismo. Embora, dificilmente se veja uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes no altar para representar Yemanjá, dificilmente se veja uma estátua de Nossa Senhora das Graças ou alguma outra imagem para sincretizar com Yemanjá. Porque Yemanjá é o único Orixá que tem uma imagem Umbandista, diferente dos outros Orixás.

Qual é a estátua ou a imagem que se usa para Oxalá? É a imagem de Cristo.

 Qual é a imagem ou a estátua que usa para Oxum? Nossa Senhora da Conceição.

Qual é a estátua ou imagem que se usa para Oxumaré? É São Bartolomeu.

 Qual a estátua ou imagem que se usa para Logunan? Pode ser a de Santa Clara.

Qual a estátua ou imagem que se usa para Obá? Joana D´Arc.

Pra Oxóssi? São Sebastião. Pra (Sangô) Xangô? São Jerônimo. Pra Egunitá? Santa Sara Kali. Pra Ogum? São Jorge. Pra Yansã? Santa Bárbara. Pra Nanã Buroquê? Santa Ana que é avó de Jesus. Pra Obaluayê? São Lázaro. Pra Omulu? São Roque.

E pra Yemanjá?

 Uma estátua de Yemanjá, aquela estátua de Yemanjá que é uma mulher branca, vestida de azul, com cabelos negros e que no quadrinho aparece acima do mar, é uma imagem que foi descrita por uma clarividente senhora Dala Paes Leme – história contada por Pai Ronaldo Linares, disse que na década de 50 essa senhora Umbandista viu Yemanjá sobre as águas do mar no Rio de Janeiro e descreveu isso para um artista desconhecido que fez o primeiro quadrinho de Yemanjá, a partir desse quadrinho então foi idealizada a imagem de gesso.

As tradicionais imagens de gesso de Yemanjá começam a aparecer tardiamente nos Terreiros de Umbanda na década de 50, começa a aparecer entre a década de 50, 60 e na década de 70 essa imagem vai se popularizar.

Em São Paulo ficou muito famosa e conhecida a festa de Yemanjá em Praia Grande que é uma praia que foi emancipada de Santos em torno de 1969 quando começaram as festas de Yemanjá e ocupava a orla marítima inteira.

Naquela época, começo da década de 70 a Umbanda foi um fenômeno religioso que só podia ser comparada ao que é hoje o fenômeno de algumas igrejas Evangélicas Neopentecostais.

 Acredita-se que na época milhões de pessoas iam à praia para a festa de Yemanjá, o fato também ajudou a dar popularidade a religião, muita gente não conhece a Umbanda, mas já viu a festa de Yemanjá, já viu o Umbandista de branco, tocando atabaque, cantando, incorporando Caboclo, incorporando Preto Velho ali nas areias do mar.

Cultuar Yemanjá em fevereiro é algo que está mais ligado ao Candomblé,na Umbanda em São Paulo acontece em dezembro, no Rio de Janeiro na virada do ano, no “Réveillon”, a festa de Yemanjá é uma festa em que nós agradecemos tudo o que aconteceu durante o ano, é uma festa em que você manifesta todas as entidades, todas as linhas de trabalho de frente para o mar e é uma festa em que muitos deixam para batizar os filhos nas águas do mar.

O mar é sagrado, Yemanjá representa a água do mar. Ela faz par com o Pai Omulu, ela é a água / ele é a terra, ela é a geração / ele é a paralisação, ela é a criatividade, sua cor é o azul e nós buscamos nela força pra entender a vida, pra compreender a vida, pra se manifestar, pra lidar com as situações do dia-a-dia. Buscamos em mãe Yemanjá uma maneira de ter essa força sagrada feminina, maternal presente em nossas vidas.

Existem Caboclos, Pretos Velhos, crianças, Baianos, Boiadeiros, entidades de todas as linhas que trabalham no campo de Yemanjá, como há entidades que trabalham no campo de todos os outros Orixás.


Yemanjá também é vista como uma sereia, na religião de Umbanda há Terreiros em que se faz a incorporação de Yemanjá onde ela vem como uma mãe, sua incorporação é suave, é tranquila, é um pouco parecida com a incorporação de Oxum, mas geralmente na incorporação de Yemanjá os filhos ou as filhas ficam eretos e ela costuma movimentar as mãos, esse movimento caracteriza a sua energia no momento em que ela está oferecendo a sua força maternal e geradora para os filhos, é isso que representa esse movimento de mãos de Yemanjá.

A incorporação de Yemanjá, que não é uma Cabocla D´água, não é uma Cabocla do mar, é uma incorporação de Orixá. Quando se canta pra Yemanjá na Umbanda, a incorporação do Orixá, de mãe Yemanjá na Umbanda é diferente da incorporação de Yemanjá no Candomblé. Então, quem incorpora quando nós chamamos Yemanjá? É uma natural do reino de Yemanjá.

Existe uma dimensão paralela que é outra realidade é uma dimensão regida por Yemanjá, como se fosse o Reino de Yemanjá, o mundo de Yemanjá e é como se de lá viessem mães que são as nossas mentoras, as nossas orientadoras, mas não são humanas.

Por isso quando elas incorporam nós dizemos: “É incorporação de Yemanjá”, são mães que vem do Reino de Yemanjá, da dimensão de Yemanjá, do mundo de Yemanjá e elas incorporam e não dão consulta porque isso é incorporação de Orixá.

Há Terreiros de Umbanda que incorporam Orixá e há Terreiros de Umbanda que não incorporam Orixá, há Terreiros de Umbanda que só incorporam Caboclo, Preto Velho e criança, há Terreiros de Umbanda que só incorporam espíritos Caboclo, Preto Velho, criança, Exu, Pombagira, Baiano, Boiadeiro e há Terreiros de Umbanda que incorporam Orixá.

Quando o Terreiro de Umbanda tem influência do Candomblé ou uma influência Nagô Yorubá, no momento de incorporar Orixá, aquele Terreiro de Umbanda vai usar uma tradição afro pra incorporar Orixá que é alguém que veio da tradição do Candomblé e aí passa a trabalhar Umbanda mesclada com Candomblé, ou seja, há Terreiros de Umbanda que incorporam Orixá dentro da tradição afro-brasileira.

Há a incorporação de Orixá Umbandista que é uma forma Umbandista de incorporar o Orixá em que o médium não foi raspado, não foi catulado, não fez bori, não deitou, não fez camarinha porque é médium Umbandista e porque quando ele incorpora Orixá, ele não incorpora só o Orixá de Cabeça, ele incorpora todos os Orixás.

Isso existe na religião de Umbanda e é possível ver na festa de Yemanjá, mulheres e homens incorporados de Yemanjá em que ela faz apenas um canto porque ela não vem para dar consulta, ela vem para trazer o seu “axé”, Yemanjá vem pra trazer a força, isso é incorporação de Orixá, vem pra trazer força, energia, axé, não vem para dar consulta.

E dentro ainda dessa realidade de Yemanjá, no campo de Yemanjá, na força de Yemanjá, nós temos a incorporação de sereias, aí também no campo de Yemanjá, mas, uma coisa é a incorporação de Yemanjá e outra coisa é incorporação de sereias porque sereias são encantadas da realidade de Yemanjá, isso também há na Umbanda.

Estes são elementos que mostram a riqueza cultural e espiritual da religião de Umbanda. Graças a Deus então, nós temos “Mãe Yemanjá”, nós temos essa presença, essa força. Na incorporação de sereia, o médium costuma receber deitado ou sentado no chão, as suas pernas não se mexem muito, ficam como um rabo, o clarividente pode ver o rabo de peixe, de sereia, é uma sereia de fato, uma encantada do mar que vem trazer sua força, metade mulher, metade peixe.

Na Umbanda há incorporação de sereias que trazem sua força, sua energia, que é a força e energia de mãe Yemanjá. Tudo isso faz parte da religião de Umbanda. As filhas de Yemanjá são matronas, elas são muito mãezonas, elas são muito cuidadosas, zelosas, são aquelas que estabelecem famílias em todos os lugares por onde passam.

O nome Omulu vem de “Omo – lu: Omo quer dizer “filho”/ lu quer dizer “senhor”, então, “Omulu” quer dizer o “filho do senhor”, sua saudação é “Atotô Omulu” ou “Atotô meu Pai” – “Atotô” quer dizer “silêncio” é um pedido de silêncio porque Omulu é o velho.

Em muitos Terreiros Omulu é cultuado junto de Obaluayê e pra muitos Omulu e Obaluayê é o mesmo Orixá, muitas pessoas acreditam nessa forma, muitas pessoas cultuam dessa forma.

 Na “Teologia de Umbanda”, segundo Rubens Saraceni, Omulu é separado de Obaluayê, inclusive há um sincretismo próprio, Obaluayê é sincretizado com São Lázaro, Omulu é sincretizado com São Roque, Obaluayê é do elemento terra/ água, Omulu é da terra seca. Obaluayê é o Orixá da transformação, Omulu é o Orixá da morte, do final, da paralização.

Muitos Terreiros não cultuam Obaluayê e não cultuam Omulu.

No passado existia medo de cultuar esses Orixás, as pessoas acreditavam que Omulu e Obaluayê eram Orixás da doença – o que é uma pena porque eles são Orixás da cura – pelo fato de serem os Orixás que eram chamados “Orixás da varíola”, pelo fato de serem Orixás que curam havia uma inversão de valor em acreditar que eram Orixás que traziam a doença, havia medo de cultuar esses Orixás.

No próprio Culto de Nação, em suas tradições afro-brasileiras, alguns Candomblés também não cultuavam Omulu e Obaluayê e aí quando surgem na Umbanda, pelo fato de não serem muito conhecidos, Omulu e Obaluayê, pelo fato de serem temidos, os Terreiros de Umbanda tinham receio de cultuá-los e aí surgiu, por exemplo, o Culto de Iofá dentro da religião de Umbanda, mais especificamente no Primado de Umbanda – o Primado de Umbanda que é uma organização que surgiu da Tenda Espírita Mirim fundado em 1924 por Benjamim Figueiredo – Benjamim junto do Caboclo Mirim traz toda uma filosofia da religião de Umbanda e uma maneira particular de ver as sete linhas de Umbanda onde ele coloca ali uma linha de “Iofá” – “Iofá” seria o mistério de Obaluayê e Omulu – que está relacionado com os Pretos Velhos e as Pretas Velhas, por isso em alguns Terreiros se cultua Iofá.

Aqui nós colocamos “Obaluayê” e “Omulu”, quem cultua Iofá já sabe que essa energia, essa força de Iofá pertence à sexta linha de Umbanda que é a linha da Evolução.

Iofá enquanto mistério está relacionado com Obaluayê e Omulu. Da mesma forma em alguns Terreiros se cultua Iorimá que é a mesma situação. Iorimá surgiu na literatura de Umbanda em 1956 com o livro: “Umbanda De Todos Nós” com senhor Wilson Woodrow da Matta e Silva em que ele coloca “Iorimá onde está a vibração de Obalauayê” que representa a força de Obaluayê e Omulu. E ele coloca “Iori” onde está a energia das crianças.

Falar sobre Orixá não é simples, falar sobre Orixá muitas vezes é algo complexo, principalmente quando há polêmica, como separar Omulu de Obaluayê pra muitos é uma heresia, pra outros uma questão polêmica, para uns um acerto, para outros um erro. Aqui nós separamos Omulu de Obaluayê porque tem energia diferente, se cultua de forma diferente. Você faz uma chamada de Obaluayê e você sente a energia de Obaluayê, uma energia maleável, solta.

Quando se chama Omulu e se sente a energia de Omulu, é uma energia seca, dura, uma energia de morte, é a força da morte.

Omulu faz par com Yemanjá: Yemanjá é a vida / Omulu é a morte. Então, quando se fala em morte já vem um monte de coisa ruim na cabeça da maioria das pessoas: “ele é aquele que mata que traz a morte”, a morte é o fim e muitas vezes a morte é uma benção.

Não é uma benção a morte ao final de uma vida muito bem vivida? Não é uma benção a morte daquela pessoa que está sofrendo e você não aguenta mais vê-la sofrer? Não é uma benção a morte não no sentido apenas do desencarne, mas, no sentido do fim de algo que você não quer mais? Como o término de um relacionamento que é a morte daquele relacionamento?

O fechamento de uma empresa é a morte daquela empresa. Tudo aquilo que você acaba que você dá fim, tem esse sentido de morte, Pai Omulu nos ajuda no sentido de terminar as coisas, de finalizar, de chegar a bom curso no término daquilo que tem que ser encerrado.

Quantos relacionamentos terminam o namoro, o casamento acaba, mas não acaba, ou seja, não encerrou como deveria. Quantas pessoas estão à beira da morte ou ficam de forma vegetativa e não estão nem vivas e nem mortas?

Pai Omulu nos auxilia a dar término, a trazer a morte, a encerrar, mas, sempre de forma positiva. Nunca ninguém pode pedir para Pai Omulu a morte de um inimigo, a morte de quem você não gosta porque ele é um Orixá, ele é uma divindade. Alguém que chama a divindade da morte pra pedir a morte do outro está querendo colocar a sua força de livre arbítrio, o seu ego, a sua vaidade à frente.

Então, já está errado, já começou errado, já está totalmente errado, pois nenhuma divindade serve ao ego do ser humano.

Se eu tenho um parente que está sofrendo muito e que está vegetando numa cama e eu falo: “Meu Deus do céu, melhor benção na vida agora seria o desencarne” ainda assim eu peço a “Meu Pai Omulu, se for da vontade da Lei Maior, da Justiça Divina, da vontade de Deus, se for dada a benção para ele desencarnar que Vós possais amparar esse desencarne” porque é ele quem faz o corte do fio de prata.

 Pai Omulu que dá o corte da vida, o último respiro da vida está ligado a Pai Omulu, o momento do desencarne pertence a ele.

Todo aquele que atenta contra a vida está atentando contra o mistério de Pai Omulu que é o mistério da morte, a morte não é apenas o desencarne, quando você engana a alguém, ludibria, quando você leva a ilusão, você está matando a fé que aquela pessoa tinha no ser humano é a morte de um sentido da vida e aí está Pai Omulu para cobrar.

Quando você engana alguém, age de forma errada intencionalmente no campo do amor, você está levando a morte no sentido do amor na vida daquela outra pessoa.

Quando alguém age com injustiça está levando a morte no sentido da Justiça na vida do outro, os domínios de Pai Omulu no embaixo são os maiores domínios que existem de todos os Orixás, a maior quantidade de linhas na Esquerda do embaixo pertence ao campo de Pai Omulu porque quem atenta contra um sentido da vida de alguma forma está levando a morte naquele sentido da vida pra vida de alguém, de quem quer que seja então isso entra no campo de Pai Omulu.

No embaixo são as linhas de “Caveira”, “Tata Caveira”, “Cova”, “Sete Ossos”, “Sete Ossadas”, “João Caveira”, todas aquelas linhas que estão relacionadas a ossos, que estão relacionadas ao que está embaixo da terra: “Exu da Morte”, “Exu das Trevas”, tudo aquilo que está relacionado também à cor negra: “Capa Preta”, “Exu Pantera Negra”, “pantera” pertence ao mistério de Oxóssi, mas o “negro” pertence a Omulu; “capa” pertence ao mistério de Logunan, “preto” pertence a Omulu.

A cor “preta” é de Omulu, existem várias e várias linhas de Esquerda que trabalham no campo de Omulu porque o domínio dele no embaixo é muito grande.

 Isso gerou uma confusão na década de 50, alguns autores de livros Umbandistas chegaram a dizer que Omulu era Orixá da Esquerda, que a energia dele era totalmente de Exu e passaram a tratar Omulu como se fosse um Exu, a inversão é tão grande que chegaram a tratar Omulu como se fosse o “senhor das ilusões”, o “senhor das ilusões” é aquele mistério do embaixo em que trata todas as coisas de forma invertida.

Há livros de Umbanda que afirmam que você deveria pedir tudo ao contrário para Pai Omulu: se você quer saúde, deveria pedir doença/ se você quer amor, devia pedir ódio/ se você quer dinheiro, devia pedir “Pai Omulu me ajude a ficar pobre”, tudo invertido, essa inversão de valores é algo que só cabe ao Trono da Ilusão é dizer: “Se sou odiado pelas trevas, quer dizer que sou amado pela luz”, então, eu desejo ser odiado pelas trevas porque estarei sendo amado pela luz, essa é a inversão. Isso não tem nada a ver com o mistério de Pai Omulu.

Pai Omulu é uma divindade amada, adorada, querida como todas as outras, mas, é um Pai firme, um Pai severo, é um Pai duro, é aquele que lhe protege, é o que tem maior campo de atuação contra as investidas do baixo astral.

Os maiores trabalhos pra cortar demanda de magia negativa, de magia negra, sem conotação racial, trabalhos de feitiçaria baixa, os melhores, os mais eficientes trabalhos são os trabalhos no campo de Pai Omulu e Mãe Logunan; Logunan porque é cósmica na Fé / Pai Omulu é cósmico na Geração.

 Na linha da Geração, na linha da Água, mãe Yemanjá é universal, Yemanjá é amparadora da vida e Pai Omulu é cósmico, ele é o cobrador, ele é o fiscal, ele é aquela força de Plutão, ele é o “senhor da foice”, mas ele não é idealizado como aquela figura da morte que vem com uma foice, mas esse mistério da morte é um dos mistérios de Omulu que na cultura Nagô Yorubá é “Iku”.

Ele é realmente muito parecido com Pai Obaluayê, inclusive a manifestação dele é aquela imagem em que aparece alguém coberto de palha. Na origem Africana se diz que Obaluayê está coberto de palha porque debaixo da palha ele é um velho inteirinho cheio de feridas por isso ele não se mostra pra não impactar, pra não chocar.

Ele é coberto de palha da costa por estar todo purulento, todo cheio de feridas, esse é um mistério do Pai Obaluayê – é algo do qual vale a pena comentar –
O que são as feridas de Pai Obaluayê? Por que é que um Orixá, uma divindade tem feridas?

Existem lendas Nagôs Yorubá pra explicar as feridas de Pai Obaluayê que dizem que Obaluayê é filho de Nanã Buroquê e que ele já nasceu com problemas de saúde, talvez já tivesse nascido com feridas e aí Nanã o entregou  para o mar onde Yemanjá cuidou de Obaluayê, cuidou das suas feridas, mas ele teria problemas de pele, deformidades, doença, por isso ele se cobre.

Daí se diz que as pessoas que tem alguma deformidade na pele, que não tem a pele muito boa, seria um indício de que são filhos de Obaluayê.

 Obaluayê é o Orixá da cura, da transformação, ele ajuda a curar. Dizer que Obaluayê têm feridas é dizer que: “Obaluayê carrega as feridas da humanidade”. Cristo não tem chagas? Se Cristo tem chagas por que é que Obaluayê não pode ter feridas? Por que as chagas de Cristo são uma benção tão grande pra todos?

 Porque ele morreu, ressuscitou, desencarnou, Cristo foi à cruz, ele é o último cordeiro para redimir os nossos pecados, então o sangue de Cristo tem poder. E o de Obaluayê? Mesma coisa. As chagas de Obaluayê não são chagas de Obaluayê, são as chagas da humanidade.

São as nossas dores, as nossas chagas que Obaluayê, enquanto Pai chama para si porque ele está curando as nossas chagas, quando você vê chagas em Obaluayê, feridas em Obaluayê, são feridas da humanidade em que ele é o curador.

Temos o sincretismo com São Lázaro que tem uma ferida e aparece um cachorro lambendo as feridas de São Lázaro.

 Omulu também vem coberto de palhas, a diferença é: por baixo da palha enquanto Obaluayê é um velho, vovô, um vovô ancião com chagas, por baixo da palha Omulu é um esqueleto, ele é ossos, totalmente ossos, ele também é Orixá de cura porque a morte é uma cura porque a morte de uma doença é a cura de uma doença com o desencarne ou não da pessoa.

Você está com gripe? Quando a sua gripe acabar ela morreu. Você está com câncer? Se você tirar, extirpar esse câncer, você matou o câncer. Você está com um problema no fígado, no pulmão? Quando você se curar é a morte da doença, Omulu também é curador, pouco se sabia se conhecia sobre Omulu, muito pouco se cultuava Omulu de forma separada de Obaluayê porque eles são muito parecidos, os dois são cultuados no cemitério.

O cemitério, o campo santo, é ponto de força de Obaluayê porque a morte representa a maior transformação da vida, sair da condição de encarnado para desencarnado, tornar-se apenas espírito ou passar pela transformação de sair do invólucro carnal, essa é a maior transformação, a maior evolução é o desencarne. O desencarne é a maior passagem, as passagens pertencem a Obaluayê e a morte é a maior representação do fim, é o fim da encarnação.

O cemitério é campo de: Obaluayê, Nanã Buroquê e Omulu e é campo em que estão: Oxalá do Cemitério / Logunan do Cemitério, Oxum do Cemitério / Oxumaré do Cemitério, Oxóssi do Cemitério / Obá do Cemitério, Ogum do Cemitério, Xangô do Cemitério, Yansã do Cemitério, Egunitá do Cemitério, porque todos os Orixás têm um entrecruzamento com todos os outros.

 Também guardam a entrada do cemitério Ogum Megê e Iansã do Balê, ali está o guardião e a guardiã do cemitério que é campo de Omulu.

Omulu é cultuado no campo santo, no cemitério e também pode ser cultuado de frente para o mar porque o mar é a vida e é onde faz polaridade com Omulu, o nosso Pai.

Ele também aceita pipoca, vinho, coco, mas, lá no cemitério, no campo santo, onde está o cruzeiro, à direita é campo de Obaluayê, à esquerda é campo de Omulu, ele é o “senhor da morte”, “da foice”, ele é temido pelo baixo astral. Ele é aquele que atua no escuro, no embaixo, na sombra, em todos os lugares como um Pai que é a nossa força e a nossa proteção.

Annapon


Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino -

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