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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

terça-feira, 17 de março de 2015

Oferenda – Guia (colar)



Oferenda – Guia (colar)

As oferendas fazem parte da religião de Umbanda, podemos dizer que oferenda é um dos fundamentos da religião, ou seja, desde o nascimento da religião se faz e é recomendado fazer oferendas. Sempre que se fala de origem da religião de Umbanda, se fala em Zélio de Moraes, Caboclo das Sete Encruzilhadas, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, pois foi ali que nasceu a religião de Umbanda. É sempre importante ressaltar e entender essa questão.

Antes de falarmos sobre o conceito de oferenda, existe uma história, bastante curiosa, que ilustra bem o assunto:

Certo dia, talvez no dia de Finados, num cemitério, um religioso estava ali levando flores para o seu parente desencarnado e essa pessoa viu ao lado um oriental que levava consigo um potinho de arroz para o seu parente também desencarnado.

Provavelmente, o senhor com as flores, era Católico ou Cristão de algum segmento e estava ali, com as suas flores e começou a observar o oriental que levava um potinho de arroz.

O que chegou primeiro com as flores olhou para o outro e achou um absurdo levar arroz, olhou pra ele e perguntou:

 “Você acha que o seu parente morto, desencarnado, vai vir comer esse arroz, não é um absurdo?” e pensou na cabeça dele que absurdo trazer arroz pra quem já desencarnou.

“Você acha que ele vai vir aqui comer?”, “Quando você acha que ele vem aqui pegar esse arroz?”.

O oriental com seu arroz bem tranquilamente virou pra ele e disse:

“É, o meu parente virá buscar esse arroz no mesmo momento, na mesma hora e da mesma forma que o teu virá buscar essas flores”.

Existem questões de preconceito religioso, são questões culturais, quando se fala de oferenda existe uma questão cultural que muitos de nós, que viemos de outras religiões, de outros segmentos, onde não existe oferenda, não compreendemos.

Quando nos deparamos com a Umbanda e vemos que existe um universo ritualístico em torno daquilo que a gente chama de oferenda, começam os questionamentos:

 “Pra que fazer oferenda?”, “O que é uma oferenda?”, “Quando se faz uma oferenda?”, “Como se faz uma oferenda?”, “Essa oferenda é feita para os Guias?”, “Essa oferenda é feita para os Orixás?” “O que nós oferendamos?”, “Quando a gente oferenda algo que é um alimento o Orixá vai vir comer esse alimento?”, “Uma entidade vai comer o alimento?”, “Nós estamos alimentando os Orixás?”, “As entidades tem fome pra comer?”, “É por isso que a gente faz uma oferenda, pra saciar a fome dos desencarnados?”

Existe todo um questionamento em torno da oferenda e existe também preconceito daqueles que vem de outro segmento tanto daqueles que vem de um segmento Católico e até dos que vem de um segmento espírita.

 Muitos que tem uma formação Espírita, seguindo a doutrina de Kardec e alguns que tiveram uma formação Espírita ortodoxa, acabam mantendo seus valores, às vezes, dentro de um conceito fechado, enquadrado, enlatado, com aquelas viseiras fechadas em que não se pode olhar para o lado e acaba tendo dificuldade de encarar o novo, a nova realidade quando chega numa nova religião.

Aos que vieram do Espiritismo, do Catolicismo, ao chegarem à Umbanda, têm de entender que estão em outra religião, num outro universo. A forma de explicar as coisas na Umbanda, não é a mesma forma de explicar as coisas no Espiritismo.

Aqueles valores e aquelas verdades do Espiritismo não são valores, não são verdades na Umbanda.

A gente tem que entender:

O que é uma oferenda? Primeiro, a palavra oferenda já explica muita coisa, essa palavra nos diz que estamos ali para ofertar algo.

O que será ofertado? No caso da Umbanda nós temos oferendas que são feitas basicamente com: flores, frutas, velas e bebidas, esse é o material que mais se usa na Umbanda pra fazer oferenda.

Nós estamos ofertando algo a alguém, o que é que se oferta? Ofertam-se elementos, elementos ritualísticos. Para quem? No caso da Umbanda ofertamos para os Orixás ou para as entidades, os espíritos, os Guias.

Existe uma sequencia de elementos que são os elementos que se ofertam para esse ou pra aquele Orixá, um sequencia de elementos que se ofertam para essa ou aquela entidade. A questão é: a oferenda não é uma entrega pura e simples.

 Oferenda é algo que estabelece uma relação de quem está entregando com quem está recebendo.

Quando se faz uma oferenda, você não é um entregador de pizza que leva apenas alguma coisa pra alguém, você quando faz uma oferenda está fazendo um ato ritualístico que tem um fundamento e tem um objetivo. O objetivo não se encerra em si mesmo no ato da entrega, o objetivo é: o que eu pretendo com essa oferenda?


Temos oferendas com diversas finalidades, no entanto, uma questão fundamental, no que diz respeito à oferenda é: não entregar, ou seja, não oferendar apenas os elementos.

Imagine que eu estou entregando uma oferenda a alguém, essa oferenda está na minha mão, vamos supor que eu estou oferendando uma canjica a Oxalá; estou oferendado maçãs, cerejas e morangos pra Oxum; estou oferendando espadas de São Jorge para Ogum isto está na minha mão, então, o Orixá tem necessidade dessa oferenda? Não. Ele não tem fome, não lhe falta nada.

A oferenda não é algo que está faltando para o Orixá. Essa oferenda é constituída de elementos aos quais por meio deles eu vou criar um vínculo e um contato, uma relação com o Orixá. Existe uma questão fundamental aqui: a oferenda é uma forma de relacionar-se com o Orixá e pelo fato de eu estar indo levar alguma coisa pra ele, ofertar algo para o Orixá me coloca num estado de espírito, numa condição emocional de quem está presenteando alguém que é muito importante.

Assim como quando vamos à casa de alguém muito importante para nós e o presenteamos para demonstrar a esse alguém que ele é importante, por exemplo, quando você vai à casa de um tio muito querido, de um mestre, de um professor, da pessoa que você ama, é comum você levar alguma coisa pra essa pessoa amada, levar flores, levar comida ou se você vai jantar na casa de alguém que fez uma comida especial para você, você leva uma sobremesa.

A oferenda é feita na natureza, então quando você faz uma oferenda você está entrando na casa do Orixá, eu estou fazendo oferenda para Oxum, então, eu vou à casa de Oxum que é a cachoeira; vou fazer uma oferenda pra Oxóssi, vou à casa de Oxóssi, à morada de Oxóssi, seu ponto de força do seu sítio sagrado que são as matas; eu vou fazer uma oferenda pra Iemanjá, eu vou ao mar, na casa de Iemanjá, na sua morada, por que ali é a morada de Iemanjá.  Ali abre-se um portal para a dimensão de Iemanjá, pra realidade de Iemanjá, ali está Iemanjá. Mas, Iemanjá não está em todo lugar, não apenas no seu ponto de força? Sim.


No ponto de força é onde há maior concentração de energia daquele Orixá e onde há um portal permanentemente aberto pra realidade daquele Orixá e ali estão muitas Iemanjás, é como entrar no universo dela, na dimensão dela.

Assim como você não vai de mãos abanando visitar quem você ama, você leva algo, um presente, um agrado, uma oferenda porque ali você está demonstrando o seu amor. Então, você não está levando apenas elementos, você está levando o seu amor, a sua gratidão, o seu sentimentos, as suas expectativas, tudo isso depositado nesses elementos.

Numa oferenda, principalmente religiosa, colocam-se sentimentos que estão no seu peito, no seu coração, na sua alma, no seu espírito, coloca-se isso nessa oferenda e leva-se na casa do Orixá, na morada do Orixá essa oferenda, que entre outras tantas coisas que uma oferenda propicia, ela cria uma relação sua com o Orixá porque no momento em que você estica as mãos pra entregar a mãe ou ao pai Orixá, ele (a) estica as mãos para receber.

E naquele momento de entrega é como se suas mãos tocassem as mãos de quem está recebendo.

 No momento da oferenda estabelece-se um vínculo, um elo e ali é o momento, de forma introspectiva, de sentir essa ligação, essa presença, o toque do Orixá na tua mão, na tua alma, na tua vida recebendo a oferenda.

Podemos dividir as oferendas em duas: “oferenda mágica” e “oferenda religiosa”.

A “oferenda mágica” é a realizada com um único objetivo, alcançar o pedido que está sendo feito.

 A “oferenda religiosa” é aquela que implica o sentimento de gratidão, de religiosidade, de amor, a vontade de relacionar-se com o Orixá.

Por exemplo:

Um consulente vai a um Terreiro de Umbanda, a Umbanda não pede a conversão religiosa, ele está indo se limpar, fazer um descarrego, se benzer, enfim, está no Terreiro porque alguém falou pra ele que ele está precisando fazer alguma coisa pra melhorar a situação dele na vida.

É muito comum isso. Muitos de nós chegamos ao Terreiro de Umbanda porque em algum momento da vida a gente começou a sentir que algo não estava muito certo, uma energia meio pesada, as coisas começam a desandar, as pessoas começam a dizer que você tem que se benzer.

Às vezes a pessoa chega ao Terreiro de Umbanda com a intenção de resolver problemas e aí a gente vê uma grande parte procurando principalmente por questões relacionadas ao amor, ao dinheiro e as suas frustrações. Então, esta pessoa vai a um Terreiro de Umbanda pedir ajuda pedir pra tomar um passe, pra fazer uma limpeza, não necessariamente ela vai se tornar Umbandista, às vezes é um Católico, um Espírita, muitas vezes o consulente não tem religião e ele não quer ser Umbandista, ele só quer ir lá pedir uma ajuda para o Preto Velho, para o Caboclo.

 A Umbanda aceita essa condição porque os nossos Guias espirituais não pedem para que as pessoas se convertam à religião como condição para ajudá-las.

 Essa pessoa, que não tem religião e pasmem, às vezes até uma pessoa que não acredita em Deus está ali pedindo ajuda, às vezes passa por um Caboclo, Baiano, Preto Velho, Boiadeiro, um Exu, conversa sobre a sua vida, explica a sua situação e a entidade lhe diz: “É, meu filho faça uma oferenda pra Ogum para abrir os seus caminhos, pra lhe ajudar a arrumar um emprego” ou então diz: “Meu filho, minha filha faça uma oferenda pra Oxum pra lhe ajudar nesse campo do amor” ou “Faça uma oferenda pra Oxóssi pra lhe trazer prosperidade”, “Faça uma oferenda pra Xangô pra lhe ajudar nessas questões jurídicas, de justiça, de equilíbrio” ou “Faça uma oferenda pra Obaluaiyê pra lhe trazer a cura ou pra ajudar a encaminhar esse parente desencarnado”, “Uma oferenda pra Omulu pra ajudar você a terminar uma situação desagradável na sua vida”, “Faça essa oferenda pra Oxalá pra lhe trazer paz, harmonia, tranquilidade”, “Faça essa oferenda pra Logunan pra que você busque uma proteção contra o mal religioso”.

As oferendas podem ser realizadas visando alcançar um objetivo. Esta pessoa, que não é um religioso Umbandista, no momento que faz a oferenda, não faz por um sentimento de religiosidade, esta pessoa faz a oferenda com o objetivo mágico, faz a oferenda para que as coisas aconteçam na sua vida, ele não é Umbandista, nem sabe quem é Ogum, mas pegou uma receita de ir numa estrada, numa estrada de ferro, num caminho que é ponto de força de Ogum e levar lá: sete espadas de São Jorge, cerveja, inhame, pau de canela, velas brancas, velas vermelhas, velas azuis, levar cravos vermelhos e ali ele vai pegando a lista, colocar tudo isso em círculo, tudo em número de sete e ali arriar, colocar esta oferenda no solo, às vezes, tendo um pano vermelho por baixo e ajoelhar, acender as velas e pedir a Ogum que abra os seus caminhos e lhe ajude a arrumar um emprego.

Isto é uma oferenda mágica porque não tem um sentimento de religiosidade desta pessoa que está fazendo a oferenda para o Orixá Ogum, tem o fundamento mágico.

Funciona, é claro que funciona porque mesmo que o filho não tenha o sentimento para com o Pai porque não o conhece, o Pai sempre tem o sentimento para com todos os seus filhos porque Ogum é Pai de toda a humanidade.

Somos filhos de todos os Orixás e todos os Orixás são Pais e Mães, nos vêm como filhos e naquele momento da oferenda, no qual se está entregando para Ogum, mesmo que não tenha esse sentimento de religiosidade, naquele momento, mesmo com desconfiança, mesmo que tenha ido ao Terreiro de Umbanda por curiosidade, se ele está fazendo a oferenda, ele está pensando: “Se não der certo, mal não vai fazer. Não custa nada eu ir fazer essa oferenda”, então, naquele momento em que se acendem as velas, no mínimo ele sabe que vai ajoelhar e deve ter sido orientado que está fazendo isso em nome de Deus e está ali pedindo uma mudança de vida, está pedindo uma abertura, uma transformação, ele está pedindo aquilo que lhe falta, ele está pedindo a alguém que ele não conhece, mas que lhe foi dito que tem um poder, que tem um mistério divino, ele está pedindo ajuda para com relação a suas necessidades.

E se um Caboclo, um Preto Velho, um Baiano, um Boiadeiro recomendou que ele fosse fazer uma oferenda é porque essa entidade entende que ali naquela pessoa existe um merecimento e que em algumas situações da vida existe uma força externa perturbando e atrapalhando, ao mesmo tempo em que pode existir algo interno muito mal resolvido.

No ato mágico da oferenda, esta pessoa, que não é religiosa, que vai ali simplesmente pra fazer a sua magia, ela pode ser tocada por Ogum, por Oxum, Iemanjá, Oxóssi, Nanã, Obaluaiyê, Omulu, Oxalá, Logunan, Obá, Iansã, Oxumaré, Egunitá, ela pode ser tocada por esse mistério, sentir esse mistério, sentir que alguma coisa aconteceu no momento de entregar a sua oferenda e você está dentro do ponto de força, então você está dentro de um campo de energia poderoso que é, por exemplo, a cachoeira, que tem uma energia, um magnetismo incrível, você está lá dentro, só de estar dentro desse campo, desse sítio sagrado as suas energias negativas vão se desagregando e aí quando você eleva o pensamento a Deus, àquele Orixá, a presença dele começa a te envolver.

Quando a presença do Orixá lhe envolve, você é tomado pela força e o poder daquele Orixá e os Orixás que são manifestadores do poder de Deus, assim como as entidades são manifestadoras de força, então, dizemos “Orixá é poder e os Guias são as forças de trabalho na Umbanda”, então você passa a ser envolvido por esse poder, o poder do Orixá é algo que trabalha em nós de dentro para fora.

O poder de Ogum vai se manifestar, o poder e o mistério de Ogum irão se manifestar de dentro pra fora na vida desse cidadão, desse indivíduo que foi ali pedir um emprego de dentro pra fora vai começar a agir operando – essa palavra é uma palavra bem interessante – operando uma transformação interior. Porque na maioria das vezes nossas dificuldades na vida são reflexos das dificuldades que há em nosso interior.

O Orixá vai começar a trabalhar essas dificuldades internas, aquilo tem que ser mudado dentro da pessoa para que sua vida se transforme. Ao mesmo tempo a presença do Orixá vai limpar, cortar toda e qualquer influência negativa externa, inclusive pensamentos negativos, pragas, injúrias, maldições, trabalho feito, demanda, tudo isso o poder do Orixá vai alcançando, tudo que está ligado a essa pessoa está sendo alcançado pelo poder do Orixá.

Esse é o caso de uma oferenda mágica de quem pede qualquer coisa para qualquer Orixá sem ter o sentimento da religiosidade. O que pode acontecer e muitas vezes acontece é: quando a pessoa faz a oferenda, ela sente essa força, essa energia, ela sente que alguma coisa mudou na vida dela e por conta disso ela pode vir a ter uma religiosidade despertada no seu íntimo que pode levá-la de volta ao Terreiro de Umbanda como alguém que começa a crer que existe algo ali e principalmente se o seu objetivo mágico tiver sido alcançado que é nesse caso, arrumar um emprego ou em algum outro caso encontrar harmonia no lar familiar, o seu amor, então, para cada caso há de ser avaliado de forma única.

Ainda como oferenda de sentido mágico, uma observação daquilo que está desconectado da Umbanda, o que foi desconectado da Umbanda são as receitas de simpatia:

 É comum ouvirmos nos meios de comunicação, por exemplo, receita de simpatia para o amor. Aí o que é que faz essa receita de simpatia para o amor? Estão lá o mestre ou a mestra das simpatias vendendo suas simpatias ou o seu produto para o amor, então diz pra você que tem problemas no amor, pra que na sua casa você junte ali algumas maças, coloque cerejas, coloque morangos, coloque pau de canela, pegue canela em pó, alguns cravos que você abre, abra um champanhe rose coloque em algumas taças, que você pegue mel e coloque mel em tudo isso e você reze para as forças do universo e para todo esse poder cósmico e por meio dessa simpatia lhe traga o seu amor.

Muitas dessas simpatias são fundamentadas nas oferendas de Umbanda de pessoas que já foram Umbandistas, que saíram da Umbanda e que sabem como a oferenda funciona, passaram a praticá-las como simpatia. Então, muitas das simpatias são magias populares que tiveram no passado e que tem origem em magias fundamentadas na religião de Umbanda e em outras religiões.

Muitas simpatias são formas de oferenda popular ou de atos populares de uma magia popular que tem uma fundamentação.

Isso é oferenda mágica.

A “oferenda religiosa” consiste no ato de amor do religioso.

 Quando eu vou à natureza para agradecer, não deixo de fazer um pedido por ser uma oferenda religiosa. Inclusive, nós temos na Umbanda um calendário de festas que são geralmente as datas dos santos Católicos que foram sincretizados com os Orixás.

Uma vez por ano há a festa de Iemanjá. Então, quando se realiza festa de Iemanjá é feito também uma oferenda para mãe Iemanjá.

 Esse ato é um ato religioso, não importa se você está precisando de alguma coisa, não importa se você vai pedir alguma coisa, se você quer alguma coisa, você está indo ali louvar Iemanjá, você está indo manifestar o seu amor por Iemanjá. Assim como uma vez por ano tem festa pra Ogum, pra Xangô, pra Oxum, então, você está manifestando o seu amor pelo Orixá e sempre é feito uma oferenda.

Oferendas religiosas cumprem calendário e o grande objetivo da oferenda religiosa é fortalecer o vínculo, fortalecer a ligação, com o Orixá, sentir a força dele, a presença dele. Ali naquele momento, você cria um vínculo maior com o Orixá ou com o Guia e também passa a existir uma ligação entre você e aquele ponto de força da natureza onde você fez um ritual.

Você fez um ritual naquela mata, pedreira, montanha, caminho, encruzilhada, cachoeira, campo santo, você fez uma oferenda lá? Você realizou um ritual naquele local? Então, há uma ligação entre você e aquele sitio sagrado da natureza e aí quando você está no seu Terreiro ou no seu dia-a-dia, trabalhando com o seu Caboclo, com seu Baiano, com seu Preto Velho, o Caboclo está incorporado, está trabalhando em você mesmo ou o Caboclo está atendendo um consulente, não é? Dentro do Terreiro ou na sua casa, o Caboclo está conversando com o consulente, está atendendo ele e o Caboclo precisa de uma energia de Oxum, o consulente precisa dessa energia de Oxum. Existe uma ligação entre você e o ponto de força da natureza onde você realizou um ritual e naquele momento o Caboclo tem recurso, tem mais recursos para trazer a força da natureza daquele local onde você realizou a oferenda e ele trabalhar com essa energia no consulente.

Ao longo dos anos é importante o médium de Umbanda fortalecer o seu vínculo com a natureza, fazer oferendas fortalece o nosso vínculo com a natureza para que quando as entidades estiverem trabalhando, elas não trabalhem apenas com a sua luz, não trabalhem apenas com seu amor, com a sua vibração, mas para que elas trabalhem também com as forças da natureza, trazendo essas forças para o momento do trabalho mediúnico.

Isso ajuda tanto que, em algumas situações, no lugar de o consulente ter que ir à natureza, a natureza vem até o consulente porque essa força da natureza
está presente no Caboclo e no Terreiro. Este é o fundamento de quando se faz uma oferenda de firmeza ou uma oferenda de assentamento, ou seja, você vai à natureza, faz uma oferenda de firmeza para Oxum, para aquela força de Oxum estar firmada no seu corpo mediúnico que estabelece a diferença entre o médium que não incorpora fazer a oferenda para Oxum, ter um vínculo com aquela força, e o médium que incorpora quando faz oferenda para o Orixá, a força do Orixá fica firmada no seu campo mediúnico.

Às vezes, no meio da oferenda, é colocada uma pedra ou algo que vai ficar consagrado e imantado na força daquele Orixá, quando termina a oferenda leva-se essa pedra para casa, então, essa pedra passa a ser uma pedra de firmeza na força de Oxum. Você pode levar um quartzo rosa, depois da oferenda, aquele quartzo rosa vai estar consagrado na força de Oxum ou pode levar uma granada para uma oferenda de Ogum, vai ficar consagrada. Da mesma forma é feito a consagração, a imantação e o cruzamento de um Otá.

As oferendas têm muitos objetivos diferentes.
Existem as oferendas de firmeza, de assentamento e a diferença está no sentido, estou indo fazer essa oferenda para trabalhar essa força no meu campo mediúnico, estou indo fazer essa oferenda para trazer essa força para minha vida espiritual que é ativa.

Há ainda, oferenda para cortar demanda, para encaminhar espírito, para trazer prosperidade, fartura e é muito simples porque a gente vai estudando, conhecendo os Orixás e entendendo que cada Orixá trabalha num campo diferente na nossa vida.

Existe uma ciência, uma técnica de como montar as oferendas.

A oferenda é um espaço mágico religioso, essa oferenda pode ser montada de diversas formas, mas, geralmente, montamos uma oferenda em forma de círculo. Quando essa oferenda está montada em forma de círculo, ela passa a ser como uma mandala, que é um espaço geométrico perfeito partindo do centro para o seu em torno, vibrando e gerando uma mesma energia para todos os lados.

 Quando uma oferenda está montada em círculo, o centro do círculo reflete o centro do meu ser. Tudo aquilo que eu coloco numa oferenda para ser oferecido a um Orixá, uma entidade, eu também estou colocando para mim. Tudo que eu sentimentalmente coloco numa oferenda, eu estou colocando a partir do meu coração, do meu peito, do meu sentimento.

Então, pelo fato de a oferenda ser um espaço geométrico, um círculo no qual, geralmente, os elementos estão colocados em número de sete ou em número de três, são números mágicos; o número sete nos remete aos sete sentidos da vida, os sete chakras, aos sete elementos, as sete linhas de Umbanda.

Estou colocando numa oferenda em número de sete bebidas, flores, frutos e velas, para que a força daquele Orixá, por exemplo, de Obaluaiyê - a força de transformação, crescimento e evolução - possa ser trabalhada em mim, nos meus sete sentidos da vida.

Por isso se trabalha com número sete numa oferenda: sete velas, sete copos de vinho, sete punhados disso, sete flores e no centro um prato de pipoca, aquilo que está no centro é remetido, cria uma ligação com o meu centro e o centro de forças do Orixá.

No centro da oferenda, para reafirmar que essa oferenda está sendo feita para mim, a fim de que eu alcance um objetivo como, por exemplo, uma cura na força de Obaluaiyê, no centro da oferenda coloque um alguidar – o alguidar é de barro, o alguidar tem uma simbologia forte; é um prato de barro e o barro é a terra, a força da terra – Obaluaiyê é o Orixá da terra, então, coloque um prato de pipocas com mel e embaixo dessa pipoca coloque o seu nome pedindo uma cura pra Obaluaiyê e em torno coloque pedaços de coco, você está sendo ligado, existe uma ligação entre você e essa oferenda.


A oferenda deve ser construída de forma bonita, geométrica, harmoniosa, quando você olha para aquela oferenda mágica e religiosa, cheia de significado, cheia de valor e esta oferenda é bonita, geometricamente equilibrada, harmoniosa, eu estou pedindo, também, de forma inconsciente, esta beleza para minha vida, estou pedindo esta harmonia para minha vida, estou pedindo que a minha vida seja trabalhada nos seus sete sentidos que é: fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração.

Há uma relação mágica, uma geometria mágica na oferenda, há quase que uma ciência das oferendas. Se o centro da oferenda é o centro do meu ser, o que está em torno da oferenda é o que está em torno de mim e o que está fora da oferenda é o mundo exterior gerando uma ciência, uma técnica simbólica e ritualística na construção da oferenda, por exemplo, se eu estou fazendo uma oferenda para Pombagira, ali tem champanhe vermelha rosas vermelhas, velas vermelhas, têm frutas, tem cigarro, pode ter uma farofa.

Com as rosas vermelhas vou construindo a oferenda em círculo, com sete rosas vermelhas ou vinte e uma rosas vermelhas, as rosas que estiverem voltadas com a flor para dentro querem dizer que estarão trabalhando de fora para dentro em mim, as rosas que estiverem voltadas para fora, estarão trabalhando de dentro para fora em mim. No momento em que eu coloco o cigarro com a brasa voltada para fora, esses cigarros que estão acesos, representam o elemento fogo, junto com o vegetal e o ar e a terra, o tabaco representa o trabalho desta oferenda contra aquilo que de fora estava me desequilibrando.

As bebidas em número de sete trabalhando nos sete sentidos o poder de Pomba gira que é o poder de estimular, o poder de trazer o desejo pelos sete sentidos da vida e assim a gente vai entendendo porque que em algumas oferendas os elementos estão voltados para dentro, em outras oferendas os elementos estão voltados para fora porque tudo que está voltado para dentro é para trabalhar o que é interno em mim, o que está voltado para fora é trabalhar o que é externo em mim.

Cada oferenda é um universo, é um espaço mágico e religioso, então, a oferenda em si é um portal para a realidade daquele Orixá, você abre o portal e por meio desse portal transitam forças elementais, forças elementares, forças encantadas, forças naturais, abre-se um portal.

Muitas vezes esse portal é aberto para a força do Orixá e seu Axé (força), fica em você durante algum tempo, quando o portal é aberto são estabelecidas sete faixas de vibrações que representam os sete campos na força daquele Orixá. É por isso que, às vezes, quando se faz uma oferenda, é pedido: “Filho, faça essa entrega e quando terminar dê sete passos para trás”, o que representam esses sete passos dados para trás? Eles representam que: cada um desses passos é você transitando em cada uma das sete vibrações ou faixas vibratórias daquele Orixá.

Existem muitas coisas dentro de uma oferenda, ou relativas a uma oferenda muitas coisas as quais a gente faz de forma intuitiva e não se deu conta que tem fundamento.

Existem oferendas para os Orixás, oferendas para os Guias da Direita e oferendas para os Guias da Esquerda, tanto as oferendas de Orixá – que são oferendas feitas para o alto – quanto às de Direita, são oferendas que não, obrigatoriamente, mas geralmente, antes de realizá-las, a gente faz um agrado para o Exu e a Pomba gira correspondente daquele Orixá ou daquela entidade.

Por exemplo: quando eu faço uma oferenda para Ogum, no mesmo dia, antes de colocar os elementos para Ogum, a gente faz um agrado para o Exu de Ogum,  eu posso saudá-lo como: “O Exu Guardião dos poderes de Ogum” e não necessariamente com o nome. Mas, poderia também fazer uma oferenda para um daqueles Exus que trabalham no mistério de Ogum, por exemplo, “Sr. Tranca Ruas” é um Exu que trabalha na força de Ogum, “Sr. Exu dos Caminhos” é um Exu que trabalha na força de Ogum, “Sr. Trinca Ferro” trabalha na força de Ogum.

 Eu poderia, antes de oferendar Ogum, fazer um agrado para um Exu – um agrado é uma pequena oferenda, uma mini oferenda.

 O que é um agrado? Um agrado é uma vela, um copo de água ardente e um charuto, é um agrado. Se eu for fazer uma oferenda para Iemanjá, eu faço para Pombagira de Iemanjá, eu ofereço uma taça de champanhe, uma cigarrilha e uma vela vermelha para “Pombagira Guardiã dos mistérios de Iemanjá” e depois eu faço a oferenda para Iemanjá.

Por que é que eu faço um agrado para a Esquerda antes? Porque quando você chega ao ponto de força de Iemanjá, na entrada daquele ponto de força ou o guardando, estão as Pombagiras e os Exus que trabalham na força de Iemanjá. Você pode simplesmente ignorar que eles estão ali ou você pode ao chegar à casa de Iemanjá, fazer a sua saudação, o seu cumprimento àqueles que são os Guardiões do poder e do mistério de Iemanjá.

É muito simples, é como quando você vai visitar alguém que mora num prédio: você chega ao prédio, tem um porteiro, o correto não é parar no portão, apertar o interfone, conversar com o porteiro, anunciar quem é você, pedir licença para entrar? Ou você chega num local que tem um porteiro e você o ignora, pula o portão, entra como se não tivesse ninguém guardando aquele lugar?

Quando você chega num ponto de força sempre tem quem guarde aquele ponto de força, quem guarda é os Guardiões e as Guardiãs da Esquerda. Você pode também saudar os Guardiões à Direita daquele mistério – em todo ponto de força sempre tem um Ogum e uma Iansã que dentro do mistério da lei, o Ogum de Iemanjá e Iansã de Iemanjá também estão ali guardando aquele local, você pode saudar: “Salve suas forças Guardião dos mistérios de Iemanjá”, “Salve suas forças, Iansã dos mistérios de Iemanjá” e fazer um agrado para Exu e Pombagira. Como você está ali fazendo um agrado para o Exu ou para Pombagira ou para os dois, tanto faz se dos mistérios de Iemanjá ou dos mistérios de Ogum, de Oxalá, de Oxóssi, você já aproveita e pede da seguinte forma:

Você chegou à cachoeira, vai fazer uma oferenda para Oxum, então, dê pelo menos uma distância de sete passos entre a oferenda de Oxum e do agrado para o Exu ou a Pombagira Guardiã dos mistérios de Oxum. Por que uma distância de sete passos? Porque sete passos são aqueles que você vai dar quando terminar a sua oferenda e que representam os sete campos de vibração que deve haver entre uma oferenda e a outra.

Dê uma distância, no mínimo, de sete passos entre uma oferenda e a outra e o agrado, você se ajoelha, acende a vela para Pombagira Guardiã dos mistérios de Oxum, acendeu a vela, coloca a cidra ou a champanhe numa taça para oferecer a ela e acenda a sua cigarrilha para oferecer a essa Guardiã, eleve a vela, eleve os seus pensamentos a Deus que é Pai e Mãe, Criador e Criadora de tudo e de todos, e peça que em nome de Deus, a Pombagira Guardiã dos mistérios de Oxum, receba esse seu agrado, a sua oferenda, receba essa vela que está na sua mão, acende a cigarrilha, sopre sete vezes em cima da taça de champanhe, firme a sua vela, coloque a sua cigarrilha ali do lado e bata palmas – bater palmas quer dizer “bater pao”, “p-a-o - pao”, bater pao: a palavra “pao” quer dizer unir – então, bater palmas é chamar aquela entidade para se unir a você, para vir a seu encontro, o bater pao é feito com os dedos de uma mão, batendo no meio da palma da outra mão.

Você vai bater pao para Pombagira e vai saudá-la: “Laroiyê Pombagira Guardiã dos mistérios de Oxum, Pombagira é mojubá” e bate palma três vezes, repete: “Laroiyê Pombagira Guardiã dos mistérios de Oxum, Pombagira é mojubá”, se preferir pode dizer “Saravá: Saravá Pombagira Guardiã dos mistérios de Oxum, Pombagira é mojubá”.

Você fez três vezes chamando essa Pombagira para receber o seu agrado, você ofereceu a ela o mínimo: uma vela, um copo de champanhe, uma cigarrilha, coloque nesse mínimo uma rosa vermelha, pelo menos, ou três rosas vermelhas ou sete rosas vermelhas e se você quiser coloque mais alguns outros elementos nesse agrado para essa Pombagira, a mesma coisa para o Exu Guardião dos mistérios de Oxum.

Ali você  pede para Pombagira ou para o Exu que na força deles, onde está o campo de força de Oxum, que toda e qualquer energia negativa seja cortada, que toda e qualquer praga, mandinga, demanda, feitiço, bruxedo, quebranto, peça que seja cortado, anulado, purificado, desamarrado, que toda e qualquer entidade que esteja trabalhando para lhe prejudicar que seja encaminhada, que seja purificada.

Você não está apenas fazendo uma oferenda para Oxum, você também está fazendo um agrado para a Guardiã e o Guardião dos mistérios de Oxum e isso torna a oferenda muito mais poderosa no sentido de poder de realização na sua vida. Porque você vai trabalhar o mistério do amor no alto – que é o Orixá – na Direita – que é o Orixá vibrando na sua oferenda, ele alcança a sua Direita – e a Esquerda – e a partir da Esquerda alcança o seu embaixo – Todos nós temos aquilo que vibra em nós: no Alto, no Embaixo, na Direita e na Esquerda – no “Alto” vibram nossos pais e mães Orixás, na nossa “Direita” nossas energias à direita as nossas entidades à direita, a “Esquerda” as nossas entidades à esquerda e o “Embaixo” tudo aquilo que a gente tem pra resolver no nosso campo emocional, espiritual, mediúnico, negativo que está no Embaixo.

Quem melhor trabalha o nosso Embaixo, nossos traumas, nossas frustrações, nossos medos, o nosso negativo, a nossa sombra – recomendo que pesquisem que estudem um pouquinho sobre o conceito psicológico do que é a “sombra”, nossa sombra.

Ali, Pombagira e Exu Guardião dos mistérios do Orixá vão trabalhar nesse campo nossa Esquerda, o nosso Embaixo, limpando e descarregando , cortando e de quebra a força deles, o poder deles também é comungado, é transferido, é compartilhado com a nossa Esquerda, com os nossos Exus. Por isso, sempre que fazemos uma oferenda para um Orixá, fazemos um agrado para Exu e a Pombagira daquele Orixá.

Faz parte da técnica, da ciência das oferendas, oferendar um Orixá e fazer um agrado para o seu Exu e Pomba Gira antes.

Lembrando sempre da importância de fazer oferenda de uma forma ecológica. Se você está indo a natureza e, por exemplo, vai numa cachoeira, procure não deixar, quando for embora, de recolher os elementos, procure deixar naquela cachoeira só elementos biodegradáveis e frutas. Há oferendas que você pode fazer e depois de algumas horas retirar os elementos dali.

Frutas podem permanecer na natureza sem problema nenhum porque depois virão os passarinhos, os bichinhos e vão comer essas frutas. Agora, não tem nada que justifique você ir numa cachoeira limpa, maravilhosa, encantadora e deixar lá um monte de copo plástico, garrafa de vidro, elementos que a natureza não vai consumir, os animais não vão consumir e que todo mundo que chegar lá vai olhar e dizer: “Olha, mais um macumbeiro passou por aqui”. Isso degrada, se nós amamos os Orixás que são Senhores da natureza, então a gente não pode agredir a natureza nessa oferenda.

Quanto à bebida, pode ser colocada no chão em círculo, se você coloca a bebida em sete copos, faça o seu ritual, acenda as velas com sete copos, com os elementos, terminou a sua oferenda, permaneça por ali mais algum tempo, na natureza, a vela queima muito rápido, em questão de alguns minutos, às vezes, não chega a dar nem uma hora e a vela acaba. Então, depois que a vela acabou, por favor, recolha essa parafina para você jogar no lixo. Você levou copos plásticos e colocou na oferenda, terminou? Quase toda oferenda tem um melão, por exemplo, pegue esses copos e coloque o liquido deles dentro do melão que está aberto ou coloque em círculo, depois que a vela acabou retire os copos, retire tudo. Se tiver alguma garrafa ali, pegue a garrafa despeja em torno e leve embora, leve para o lixo tudo aquilo que não for da natureza, que não for biodegradável porque o Orixá não vai fazer nada com isso.

Vamos desenvolver um pensamento ecológico, se você fez uma oferenda num local que ninguém vai limpar que não tem ninguém para limpar. Depois de um dia, dois, volte lá e limpe o local. Vamos começar a desenvolver essa religiosidade ética e de respeito à natureza. Vamos pensar sobre isso.

Se você faz uma oferenda, uma entrega para a Esquerda na esquina da casa de alguém, essa pessoa quando acorda de manhã, sai na rua, vê a oferenda, acha que fizeram macumba pra ela, acha que fizeram magia negra pra ela. Eu sei: “macumba” é o nome de um instrumento musical, “macumba” não é uma religião, “macumba” é o nome de uma árvore, de uma dança. Mas, “macumba” é o nome pelo qual as pessoas chamam o trabalho de magia negra também, não é o sentido técnico, mas é o sentido popular, é o que a pessoa pensa, evite isso.

Guias (colares)

A diferença entre um colar e uma guia é: a guia foi consagrada na força de uma entidade ou na força de um Orixá.

Na Umbanda as guias são feitas de sementes ou de contas – essas contas não são de plástico, não devem ser de plástico – essas contas são de porcelana que é a miçanga – a famosa miçanga – tem miçanga, miçanguinha, miçanga, miçangão e conta – a conta é aquela miçanga que é uma bolinha. Podem ser de cristal, o fio pode ser de nylon ou barbante encerado.

 Alguns dizem que a Guia tem que ser confeccionada pelo médium, que não pode ser comprada pelo médium, isso é a regra de uma ou outra casa, porque você pode comprar uma guia no comércio, mas você pede para uma entidade consagrar. Se eu compro uma guia no comércio, eu devo limpa-la com água corrente, se sentir a intuição de limpar com água e sal, limpe com água e sal grosso.

Depois leve essa guia e dê na mão de uma entidade: um Caboclo, um Preto Velho, um Baiano, eles podem consagrar na hora ou eu posso levar essa guia até a natureza, fazer uma oferenda, colocá-la no centro da oferenda e ali será consagrada.

As guias também podem ser feitas com conchas. Os búzios vêm do mar, essa guia pode ser de Iemanjá. O búzio também é usado para Obaluaiyê, também é usado para Exu e o búzio também pode ser usado para Oxum, então uma guia de búzios, para funcionar, foi consagrada, passou por um ritual.

O que é braja? Braja é uma guia feita com mais de um fio de contas.

A guia, geralmente, não deve ter o número certo de contas, de cristais, isso é importante dizer. Quando a gente põe uma guia no pescoço, ela vem mais ou menos até o seu chackra solar ou o chakra esplênico, ela pega até o esplênico e,  alguém que é muito alto, pode até usar uma guia maior do que alguém que é baixinho. Pode-se fazer uma guia com comprimento menor para uma criança usar.

 Algumas guias têm um elemento chamado de “firma”. Existem livros de Umbanda que dizem que “firma” é uma bobagem. Para que é que usa uma “firma” na guia? Acontece que o Caboclo incorpora e ele pede pra você colocar uma firma, como é que você vai falar que é bobagem uma coisa que uma entidade pediu. Então, a firma é considerada o elemento mais forte da guia.

Quando a guia tem uma firma, que fica no pescoço, por trás, encostando-se à coluna cervical, é porque ali é que o “axé” entra e nos pega.

 No comércio é comum se adotar certo número de contas para que todas as guias tenham o mesmo tamanho.

Nossa guia tem um objetivo mágico, pois,  estabelece uma relação entre mim e o Orixá, ou entre mim e o guia.

A guia é um círculo, ela é um espaço mágico, uma circunferência. Quando eu coloco essa guia no meu pescoço, ela envolve o meu eixo magnético - que é um eixo que começa no chakra da coroa e termina no chakra de base – ela envolve o meu campo magnético, cria um campo mágico no meu entorno.

A força de Xangô, por exemplo, está estabelecida na guia que é colocada no meu pescoço. O braja tem sete fios porque cada fio representa uma vibração do Orixá.

Quer dizer que a normal não tem as sete vibrações? Tem. Mas, no brajá, isso está simbolizado fisicamente com sete fios. Em alguns Terreiros só pode usar braja quem é dirigente espiritual, em outros Terreiros só usa braja quem tem uma formação sacerdotal, isso é regra da casa. Há Terreiros que qualquer médium pode usar um braja. Em muitos Terreiros o médium recebe como primeira guia a “guia de Oxalá” ou “guia de Anjo da Guarda” na cor branca, geralmente, é a primeira guia que o médium recebe.

 O correto é que com o desenvolver da mediunidade, esse médium comece a ter o direito de usar outras guias ou as que suas entidades pedirem,  orientando sua confecção.

Em alguns Terreiros, o médium vai recebendo as guias: de Oxalá, de Oxum, de Oxóssi, de Xangô, etc.

 Há Terreiros que não usam guias, mas a guia é um fundamento da Umbanda.

 Alguns Terreiros usam apenas uma guia, a “guia de Oxalá”, duas guias: a de Oxalá e a da Esquerda. E há Terreiros que confeccionam uma guia que tem a força do Terreiro e todos os médiuns tem uma guia que é a guia daquele Terreiro.

Na Tenda Nossa Senhora da Piedade, de Zélio de Moraes, todos os médiuns tem uma guia chamada: “guia de Pai Antônio” que é uma guia confeccionada para identificar que quem tem aquela guia é reconhecido como filho daquela casa.

A guia é ferramenta de trabalho e, para exemplificar, pode acontecer de o Caboclo, que esteja dando consulta, tirar o seu braja, que é um espaço mágico, tem poder e passar esse braja pelo consulente, ou seja, coloca, o consulente na sua frente, coloca esse braja pela cabeça do consulente e passa esse braja pelo corpo do consulente chegando até os pés. Quando o braja chegou ao chão, ele abriu um círculo mágico, é um braja de Obaluaiyê, então estou nesse momento dentro de um espaço mágico de Obaluaiyê e aí o Caboclo trabalha com a pessoa dentro do espaço mágico.

É como colocar alguém dentro de um ponto riscado, porque o braja abre um espaço mágico e sozinho ele começa a trabalhar, limpar, descarregar a pessoa  conforme ele vai descendo, vai limpando e cortando tudo nos sete níveis vibratórios.

As guias são elementos de trabalho, é fundamento da religião, são ferramentas que a entidade tem para trabalhar.

 Às vezes, uma entidade dá uma guia de presente ou empresta uma guia para o consulente usar durante sete dias, para ele ficar com aquela proteção. Essas guias são guias de trabalho, há guias que são guias de proteção que são confeccionadas para o médium usar no seu dia-a-dia como proteção.

As guias de trabalho são utilizadas durante o trabalho mediúnico, as de proteção são aquelas que a gente pode usar o tempo todo para nossa proteção. Elas são consagradas pelas mãos das entidades ou são consagradas na natureza de forma simples e poderosa porque tem muito poder de realização.

Annapon

(baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


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