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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Firmeza e Assentamento (Umbanda)




Firmeza e Assentamento


Antes de falar sobre o assunto, a leitura recomendada, trazendo maiores informações é:

 “Rituais de Umbanda” de Rubens Saraceni, editora Madras.

De forma resumida, podemos dizer que firmeza é uma força ou poder firmado e assentamento, a força ou o poder assentado.

Forças são as das entidades e poder é dos Orixás.

Firmamos uma força quando, por exemplo, acendemos uma vela, essa é a maneira mais simples de firmar força.

Ao acender tal vela, porém, há de se ter fé e força mental. Esse ato deve vir com força e convicção do íntimo, do contrário é apenas e tão somente uma vela acesa.

Desse ato então dizemos que ali, naquela vela, uma força está firmada porque firmar significa que tal força vibrará e repercutirá enquanto a vela estiver acesa, finalizando sua tarefa quando se apagar.

A vela é um recurso de ligação nossa com o Orixá ou com o Guia Espiritual.

Potencializamos a firmeza da vela quando, por exemplo, escolhemos cores que correspondem aos Orixás ou Guias Espirituais.

Pontos riscados potencializam ainda mais a firmeza da vela.

Exemplos de firmezas para Orixás:

Para Oxalá -  um prato branco ou transparente, com água,  oferecer a Oxalá e colocar uma vela branca de sete dias, firmeza de Oxalá. A água de fonte pode ser usada, pois é água de Oxalá.

Para Yemanjá - bacia ou um prato, colocar água de mar e oferecer uma vela azul claro a Iemanjá, firmeza de Iemanjá. (água com sal grosso pode substituir a água do mar)

Para Oxossi - folhas verdes e frescas, variadas ou ervas e colocar uma vela verde para Oxóssi, firmeza para Oxóssi.

 Lembrando que apenas a vela já é uma firmeza.

Nos altares dos terreiros, conga, há firmezas e assentamentos.

Podemos fazer firmezas em nossas casas e em auxílio ao nosso próximo.

Podemos fazer ainda, firmezas para as entidades pedindo força, proteção e amparo sempre que assim julguemos necessário.

A partir do momento que está firmada, aquela vela tem um dono, então se aparecer algum espírito – porque o medo do Espírita é acender vela e atrair espíritos – mas, o Umbandista não porque toda vela que o Umbandista acende tem um dono. Então, se a vela é de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, do Caboclo, se alguém se aproximar daquela vela vai ser encaminhado.

Podemos acender velas a vontade desde que entre nós e ela, seja estabelecido um vínculo, força, desde que a ofereçamos com fé e foco na mente. Isto é firmeza.

O assentamento é uma força assentada, às vezes, costuma-se dizer: “assentamento é uma força plantada, é uma força enraizada”.

Firmeza é algo provisório, enquanto a vela está acesa está firmada, apagou,  não está mais ali a força, o vínculo.

 A firmeza de Anjo da Guarda é uma das firmezas mais importantes para os médiuns de Umbanda. Algumas pessoas firmam seus anjos de guarda com vela de sete dias substituindo-a assim que termina.

O assentamento é uma estrutura de força para dar sustentação e base a um trabalho espiritual.

A diferença entre “força firmada” e “força assentada” é que a força assentada é  permanente, dá sustentação ao trabalho, inclusive se no assentamento as velas apagarem, o assentamento continua vivo e atuante por meio de outros elementos que existem ali.

Geralmente o assentamento costuma ser a força de sustentação de um Terreiro, assentamento é a força de sustentação de uma Casa, de um Templo que está recebendo pessoas.

Dentro de um Terreiro costuma-se ter no mínimo dois assentamentos que é o “assentamento do altar” e o “assentamento da tronqueira” – o assentamento da Esquerda.

A palavra “tronqueira” vem de tronco, antigamente se chamava de tronqueira aqueles troncos que se usavam na entrada das fazendas, quando não havia porteira, havia  o tronco, aquilo é uma tronqueira.

Tronqueira é o que bloqueia a entrada.

Os terreiros têm altar por influência da igreja católica e sua função é colocar na horizontal, a energia que nele penetra verticalmente.

É no altar que se faz assentamento e geralmente é para o Orixá de frente de seu dirigente encarnado.

Na tronqueira se fazem os assentamentos de Exu e Pomba Gira também para o dirigente da casa, ou seja, para os Guardiões que o acompanham.

O assentamento é feito com elementos da natureza na força do Orixá ou na da entidade espiritual chefe da casa que, normalmente, é quem indica como e com o que esse assentamento será feito.

O assentamento não é fundamento, é sustentação ao trabalho da casa. Fundamento é a teoria da religião de Umbanda.

Ao montar um terreiro, normalmente, a primeira coisa que se faz é o assentamento que é o fundamento particular daquela casa específica.

O “Otá” é muito usado, esta palavra significa pedra na língua Nagô Yorubá.

A idéia dos assentamentos, na Umbanda,  é influência do Candomblé.

Uma vez o médium tendo recebido, por missão espiritual, a abertura de um Terreiro, recomenda-se que, de forma alguma pague a alguém para que faça o assentamento de sua casa.

O correto é que o guia espiritual do médium diga como esse assentamento deve ser feito.

A insegurança do médium é comum nesses casos, mas, talvez, tal insegurança revele que o mesmo não esteja devidamente preparado para assumir a missão. Talvez, um pouco mais de tempo e de maturidade, nesses casos, se façam necessários.

A Umbanda é simples, por isso, mais vale um assentamento bem simples, que outro feito a custos altos e com energias alheias às suas.

No Candomblé, os assentamentos costumam ser bem complexos muito diferentes dos de Umbanda.

 “Ninguém assenta fora o que não está assentado dentro”.

É a primeira e grande lição da Umbanda no que se refere a assentamento.

O Templo é uma exteriorização do que está dentro de você, receber pessoas no seu Templo, no seu Terreiro, é recebê-las no seu coração. O altar do seu Templo deve estar no alto, no topo do altar do seu Templo, aquilo que está no topo do altar do seu coração. (Alexandre Cumino)

 Você precisa de um assentamento simples, construído com muito amor. Você não precisa de muitos elementos, você precisa de muito sentimento, amor e verdade no que você está fazendo, ali está a sua verdade.

Montar assentamento com “Otá” é bem simples, só vai exigir de você que busque a pedra, seja dentro ou fora da natureza, no comércio, por exemplo.

Os cristais são bons Otás, basta que sejam correspondentes à força que se queira assentar.

Na pedra você vai construir o seu assentamento.

 O mais simples é:

Pegar a pedra se veio do comércio, deve-se limpar com água e sabão,  defumar, colocar no sal grosso de um dia para o outro, depois enterrar e deixar mais 24 horas enterrada para ter certeza que está totalmente neutra, limpa da energia de qualquer outra pessoa que não seja você.

Passado o procedimento acima, envolva sua pedra, Otá, num tecido, de preferência sem uso e limpo, vá à natureza, no ponto de força de sua preferência, ou de seu Orixá de frente, ofereça a pedra, consagre-a   e assente-a.

Flores, frutas, bebidas e velas podem compor esse ritual. Todas, porém, correspondentes ao Orixá de frente.

Dessa forma será estabelecido um vínculo entre a pedra, Otá, e o sítio vibracional escolhido.

 É comum que, nesse momento, ocorra a incorporação de Orixá ou de Guia/Mentor Espiritual, naquela vibração, que consagrará, imantará e cruzará a pedra, estabelecendo também ele um vinculo com o médium e com a pedra.

Finda a oferenda, espere até que as velas se apaguem.

 O Otá, pedra, é então envolta no tecido e levada ao terreiro. Já em sua morada, será mergulhada num amaci, extrato de ervas correspondentes ao Orixá para o qual foi consagrada, será coberta com pano e, ao seu redor, velas serão acesas.

Ocupará então, ao término de sete dias, quando as velas terminarem de queimar, seu lugar no altar.

Esse assentamento, com Otá, é um vórtice de energia que constantemente estará captando energia da natureza e trazendo para dentro do Terreiro para sustentar o trabalho.

Depois de sete dias o Otá será descoberto, o Orixá ou o Caboclo vem em terra para receber essa pedra, ela é retirada e é colocada embaixo do altar. Ali a pedra pode ficar seca ou pode ficar dentro de um recipiente com água. Ela fica em cima ou embaixo do altar, pode estar à vista ou pode estar coberta.

 Este é o assentamento mais simples que existe, a forma mais simples de fazer um assentamento é com “Otá” e é a base de sustentação de um altar.

 Da mesma maneira, na Tronqueira, também é construído um assentamento onde elementos, escolhidos pelo Exu de trabalho, serão oferecidos para o Exu Guardião e para  a Pombagira Guardiã do Templo.

 Geralmente, no assentamento de Esquerda, se coloca terra porque Exu trabalha muito a energia da terra, mas, essa terra normalmente é colhida na mata, próximo a cachoeira, próximo ao mar, ou seja, terra de vários sítios naturais representando dessa forma, o universo.

Assentamentos normalmente são “alimentados” de sete em sete dias para que permaneçam sempre iluminados.

O propósito do assentamento é dar sustentação energética a todo um trabalho que está acontecendo.

Não se esqueça: melhor um assentamento simples feito por você, com seu amor, com a sua mão do que um assentamento complexo que você pagou que você gastou dinheiro e que não tem o seu amor, não tem o seu carinho, não tem o seu cuidado. Pense nisso. ( Alexandre Cumino)

Além do modelo de assentamento acima citado, existem vários outros, várias outras formas de montá-los e interagir com os mesmos.

Na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, onde Zélio de Moraes fundou a Umbanda, há um altar e embaixo do altar não há assentamento físico, da maneira como se costuma fazer hoje em quase todos os Terreiros de Umbanda.

Na primeira Tenda de Umbanda embaixo do altar há uma firmeza, ou seja,  uma vela branca de sete dias firmada em cima de uma estrela de cinco pontas.

 É uma firmeza coletiva para Anjo da Guarda, o altar é feito com imagens Católicas e há uma vela branca no altar também, não existe uma Tronqueira formal na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, não há uma Tronqueira do jeito como a gente conhece, do lado de fora há um cruzeiro.

Falamos de uma Tenda construída do lado de uma cachoeira, então, aí não precisa de nada porque está dentro da natureza, dentro do ponto de força, mas esse modelo de Tenda é o modelo da Tenda que havia sido construída na cidade da mesma maneira, mas, no início dos trabalhos, quando se abre uma sessão de Umbanda na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, antes de começar o trabalho são riscados os pontos no chão e várias firmezas são feitas.

Existe um documentário chamado “100 anos de Umbanda” da Chama Produções, que mostra uma abertura de trabalho na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

 No momento de abrir o trabalho, o médium risca o ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas - o ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas é um coração atravessado por uma fecha – ali o médium risca o ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas, esse médium se deita no chão, acende uma vela, coloca um copo d’água, põe uma flor e firma um ponteiro – um ponteiro é como um punhal – ele firma um ponteiro que não é jogado, ele é colocado, é estacado com a mão, colocado ali o ponteiro, firma-se o ponteiro e ali se diz: “o ponto está firmado”, o ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

São firmados vários pontos riscados na frente no altar, são feitas várias firmezas em toda sessão antes de começar.

 São feitas várias firmezas, riscados todos esses pontos, eles tem uma apostilinha na qual estão desenhados os pontos, eles são riscados no chão firmados com vela, bebida, flor e um ponteiro em cada um deles, sempre antes de começar um trabalho.

Lá não há assentamento, mas em compensação cada vez que se abre um trabalho tem que firmar todos esses pontos. Por isso é que o Terreiro monta um assentamento, porque toda vez que o trabalho vai começar já está assentado, essa é a questão. Não tem uma Tronqueira assentada, mas se faz uma firmeza.

 A Tenda é um Terreiro que deve permanecer intacto, da maneira como era enquanto Zélio estava encarnado, mas a grande maioria dos Terreiros de Umbanda tem um assentamento de Esquerda e um assentamento de Direita ou o assentamento do altar e o assentamento da Esquerda.

Existe, também, a possibilidade de se fazer um assentamento pessoal, na nossa casa, repetindo: assentamento é algo feito para dar sustentação a um trabalho, então, geralmente assentamento se faz no Terreiro, o que a gente faz em casa é uma firmeza. Quando um médium tem um assentamento pessoal em casa? Quando esse médium é muito ativo, quando esse médium trabalha demais e principalmente quando esse médium atende em casa.

O assentamento feito para o Terreiro é chamado de “assentamento coletivo”.

Existem assentamentos que são chamados de “assentamentos de descarga”, a própria Tronqueira é uma forma de assentamento de descarga, que é o assentamento de uma força, um vórtice - o assentamento se torna um portal - um vórtice de energia e ali, naquele assentamento, que é um vórtice de energia na Tronqueira, especificamente, está ali para absorver toda a energia negativa e encaminhar essa energia para outra realidade, uma dimensão paralela.

Existem assentamentos que são feitos para Orixá, como esse, que a gente comentou e para os Guias e surgem muitas outras idéias de assentamento, por exemplo, embaixo do altar, podemos construir um assentamento que é chamado de “ponto radiante” ou “ponto irradiante” que seria um assentamento simbólico para as sete vibrações de Umbanda, no qual se escolhem sete pedras semipreciosas, consagra-se cada uma delas no seu local da natureza, das sete vibrações ou das sete linhas, então, você escolhe sete Orixás, cada um em um dos sete campos e ali você coloca essas sete pedras em cima de um disco de cobre ou de aço e no centro do disco você põe uma vela, é uma forma de assentamento.

 No assentamento da Esquerda é importante ter elementos voltados para fora, elementos voltados para dentro.

Os elementos que são voltados para fora no assentamento da Esquerda, podem ser tridentes, pregos, punhais, são simbolicamente elementos de defesa e proteção contra energia externa. Então, a construção de um assentamento de Orixá é muito simples, basicamente uma pedra. A construção de um assentamento de Esquerda, de uma Tronqueira envolve o conceito de que aquilo é um ponto de força e proteção.

Existem muitos conceitos de assentamento, porém, na Umbanda há um problema de linguagem, é comum dizer para o médium: você vai fazer um assentamento na sua casa, quando na verdade o que ele está fazendo é uma firmeza.

Se tiver em casa, uma vela firmada para Exu, para Pombagira, para  Anjo da Guarda, para o Orixá, isso é firmeza.

Assentamento é uma construção material e espiritual que tem a função de dar sustentação a todo um trabalho.

Vale lembrar que cada casa tem sua maneira e cada sacerdote, ou dirigente, o seu conhecimento, não cabendo a ninguém o questionamento da fé alheia.

O texto acima não tem a pretensão de ser inquestionável, nem tampouco de ser a verdade absoluta e única, apenas, e tão somente pretende levar um pouco de conhecimento que, pessoalmente, nos satisfaz.
E, se nos satisfaz, temos prazer em compartilhar.

Annapon


(baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Orixá de Frente – Orixá Adjunto – Orixá Ancestral – A natureza humana -




Orixá de Frente – Orixá Adjunto – Orixá Ancestral – A natureza humana -


Qual é o meu Orixá?

De quem eu sou filho? Quem é o meu Pai de cabeça? Quem é o meu padrinho? Qual é o casal de Orixás que me acompanham?

Antes, porém, de saber qual é o meu Orixá é importante entender o que isso quer dizer, qual é a minha relação com os Orixás. Entendendo que temos também um problema de linguagem, o que um Terreiro entende por meus Orixás, outro Terreiro entende de uma forma diferente.

É muito comum as pessoas procurarem alguém que jogue búzios e ali fazer uma leitura de Orixá. Agora, é mais comum ainda você ir a um lugar e alguém lhe falar:

“Você é filho de Xangô”; aí você vai num outro lugar e lhe dizem: “Você é filho de Ogum”; vai num terceiro lugar e lhe dizem: “Você é filho de Oxóssi”; sem contar que as características de Xangô, Ogum e Oxóssi são diferentes.

E você fica sem saber, fica vendido, sem entender qual é, afinal, o meu Orixá?

A contra pergunta é: do que é que lhe adianta saber qual é o seu Orixá, se você não sabe o que isso significa na sua vida? Do que é que lhe adianta saber que é filho de Ogum, se você não conhece Ogum.

No Candomblé é um recurso comum jogar os búzios, identificar o seu Orixá, a validade do jogo de búzios num Terreiro de Candomblé é proporcional ao quanto você deposita de confiança naquele sacerdote, essa é a questão.

O jogo de búzios não é um fundamento da religião de Umbanda.

O que quer dizer que não é um fundamento?
Isso quer dizer que a Umbanda não prescinde do jogo de búzios para existir.

No ritual de Umbanda, as consultas espirituais são feitas com as entidades incorporadas, diferente do Candomblé onde o sacerdote faz a consulta por meio de um oráculo. É por isso que na Umbanda não é tão comum usar o jogo de búzios, embora não seja proibido.

Quem faz a identificação do seu Orixá, do seu Pai de cabeça?

 Geralmente, é o dirigente do Terreiro que identifica quais os Orixás de cada um dos filhos, mas ainda assim, é comum esse médium passar um tempo num Terreiro e ali fazer uma leitura de Orixá, depois vai para outro Terreiro e lhe dizem: “Não, aqui o seu Orixá é outro”. Ainda, pra complicar mais a questão, pra ficar mais complexo ainda, há de se pensar que há Terreiros de Umbanda que trabalham com apenas sete Orixás.

Por exemplo, há Terreiro de Umbanda que trabalha apenas com: Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiyê, Iemanjá. E se esta pessoa for um filho de Oxumaré? Uma filha de Obá? E se é uma filha de Iansã? E aquele Terreiro não cultua Iansã. Então, nunca será feita uma leitura de que você é filha de Iansã.

Tudo isso torna a questão um tanto complexa. Nesses casos, por exemplo, se alguém é filho de Oxumaré e está num Terreiro que não cultua Oxumaré, ele vai aparecer como filho de Oxum; se é uma filha de Egunitá e não cultua Egunitá, vai aparecer como filha de Iansã; se é uma filha de Nanã Buroquê e naquele Terreiro não cultua Nanã Buroquê, vai aparecer como filha de Obaluaiyê, porque são Orixás que fazem pares.

É comum que se diga então que a leitura está errada, no entanto, se esquece de perceber que nada acontece por acaso, não existe leitura errada, existe leitura que faz parte daquele contexto, naquele contexto esta leitura é a mais adequada. Assim como há momentos na vida em que embora você seja filho de Xangô, por exemplo, outro Orixá toma a sua frente pra lhe ajudar em alguma situação.

Isso tudo vai tornando a leitura de Orixá uma coisa cada vez mais complexa, mais complicada. Qual é o ideal? O ideal é: você conhecer os Orixás, identificar os Orixás e você se identificar com eles, reconhecer em você as qualidades dos Orixás.

A questão da filiação é algo parecido com a questão dos signos do zodíaco. Parecido, não é a mesma coisa.

Para identificar o seu signo é preciso apenas da sua data de nascimento e aí eu sei onde estava passando o sol no momento em que você nasceu, mas, para traçar um perfil astrológico mais completo é preciso construir uma “Carta Natal”, é preciso fazer um “Mapa Astral” e aí precisa do lugar onde você nasceu, da hora em que você nasceu e precisa de um Astrólogo ou de um programa de Astrologia para identificar onde estava cada planeta na hora em que você nasceu.

Ser filho de Orixá também é algo que numa primeira instância, parece tão simples quanto ser Geminiano, Canceriano, Taurino, mas olhando mais de perto é tão complexo quanto uma carta natal que vai lhe dar um série de características.

Há semelhanças, mas não é a mesma coisa porque com a sua data de nascimento não é possível identificar qual é o seu Orixá. Senão, todos aqueles que nascem naquela data seriam filhos do mesmo Orixá. Há semelhanças porque os Arianos têm muitas qualidades de Ogum, mas não quer dizer que todos Arianos são filhos de Ogum. Os Cancerianos têm muitas qualidades de Oxum, mas não quer dizer que todos são filhos de Oxum. Então, os Geminianos têm muitas qualidades de Oxóssi, mas não quer dizer que todos são filhos de Oxóssi.

Quem é que dá qualidades de Ogum ao Ariano? É o planeta Marte, que é o planeta da guerra, um planeta que tem qualidades de Ogum e de Iansã. Mas, você pode ser um Ariano que nasceu com a energia do planeta Marte bloqueada por causa da influência de algum outro planeta, então, você pode ser um Ariano que tem mais qualidades de Mercúrio e aí na leitura de Orixá você pode ter um perfil com muito mais de Oxóssi do que de Ogum. Por isso, não basta a sua data de nascimento pra saber quem é o seu Orixá.

Talvez, com uma carta astral completa e um bom Astrólogo que seja também um bom intérprete de Orixás, você tenha uma ideia, mas nunca vai ter certeza.

 O caminho mais seguro pra você saber qual é o seu Orixá é o caminho do autoconhecimento e do conhecer os Orixás.

Há de se conhecer os Orixás, o maior número de Orixás.

Conhecendo os Orixás, identificando qual é ou quais são as qualidades desses Orixás e como elas se refletem nos seus filhos, ou seja, quais são as qualidades de Oxalá? São qualidades de tranquilidade, de passividade, de religiosidade, os filhos de Oxalá têm um perfil mais magnético, envolvente, congregador.

Conhecendo essas qualidades você vai se identificar com elas. Qual é o perfil das filhas ou filhos de Logunan? O perfil é também religiosidade, são pessoas mais reservadas, que tem uma fé muito forte e que não aceitam nada de errado com relação à fé e que tem uma relação especial nas questões pertinentes a lidar com o tempo.

Como são as filhas ou os filhos de Oxum? São pessoas amorosas, vaidosas, sentimentais – Ah mais todo mundo é amoroso, todo mundo é vaidoso – a questão é: as filhas e os filhos de Oxum têm isso num grau de importância maior do que, por exemplo, os filhos de Ogum, as filhas de Iansã.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Umbanda e Energias



Umbanda e Energias

Tudo o que existe é energia e tem magnetismo, vibração e onda, inclusive a matéria.

Existem ondas no mar, nos rios, na nossa voz. Algumas vemos, outras não, porém sabemos que existem.

As ondas do rádio não podem ser vistas e só são ouvidas se  um aparelho captar a onda, decodificando-a e transformando-a em informação.

O mundo material e espiritual que conhecemos é sustentado e mantido por ondas vibratórias, por energia pura, por pura vibração.

Para nós, que cremos em Deus, toda a energia, onda e vibração foram criadas por Ele e N’Ele se mantêm.

Os Orixás estão em Deus. Eles são a manifestação e a individualização de Deus para a criação, não apenas para os seres humanos, são sustentadores, mantenedores de toda a criação.

 O que é magnetismo? É o campo que se forma em torno de algo que tem energia.

Nem sempre conseguimos ver a energia, algumas forças magnéticas são mais visíveis do que outras, por exemplo, é mais fácil ver e identificar o campo de magnetismo que existe em torno de um imã, mas, cada um de nós também tem um campo magnético.

O aparelho de ressonância magnética, por exemplo, consegue fazer uma varredura do nosso corpo, scanear o nosso corpo a partir do nosso magnetismo.

Os nossos Orixás, as nossas Divindades, são co-criadores e mantenedores de toda essa estrutura energético-magnética.

Quando elevamos nossos pensamentos a Deus e a Oxalá, sentimos a energia de Oxalá,  sentimos a vibração de Oxalá. Somos envolvidos pelas
ondas congregadoras de Oxalá que tem a função de congregar, desempenha a ação congregadora.

Ao elevarmos os nossos pensamentos a Oxum, “senhora do amor”, “das cachoeiras”, “do coração”, sentimos outra energia e a energia de Oxum se sente no chakra cardíaco.

A energia de Oxalá sentimos na coroa. São energias sentidas em lugares diferentes porque o nosso corpo tem vórtices de energia chamados “chakras”.

No chakra da coroa eu sinto uma energia, no chakra frontal eu sinto outra, no laríngeo outra, no cardíaco outra, que são energias, vibrações, magnetismo.

 Energia, vibração e magnetismo da Fé sentimos no chakra coronário, da coroa, onde vibra Oxalá.

 Energia, vibração, onda, magnetismo do Conhecimento, eu sinto no frontal: o Conhecimento de Oxossi.

A Lei, a ordem, a determinação de Ogum sinto no laríngeo, o Amor, de Oxum, no cardíaco, a Evolução de Omolu no esplênico. Justiça, de Xangô, o fogo, no umbilical que é o caldeirão e a Geração de Yemanjá no básico.

Sentimos isso em nós, a energia dos Orixás, e cada um tem a sua onda, o seu fator. Oxalá é congregador, eu sinto onda congregadora, fator congregador.

Oxum tem onda agregadora, fator agregador, verbo agregar, função agregadora, mas não apenas agregadora também é conceptiva, não apenas conceptivas muitas outras funções ela possui.

 Assim como Oxóssi é expansor.
Oxóssi é o “senhor das matas”, é o “rei das matas”, é “o caçador”, é o que vai buscar e é o Trono de Deus que gera a Onda Expansora.

 Xangô gera a Onda Equilibradora.

 Ogum gera a Onda Ordenadora.

O que isso quer dizer? Que na base da criação é a onda fatoral de Ogum, a ordenadora, que dá a ordem para todo o universo. É a Onda Fatoral Equilibradora de Xangô que traz equilíbrio para o universo, porque essas são as ondas que estão na base da criação.

Onda Fatoral de Obaluaiyê: transmutadora, é graças a essa onda que as coisas se modificam, evoluem se transformam que juntam e fazem surgir outra.

Onda Fatoral de Iemanjá: geracionista, criacionista é a partir dessa onda que se faz criar e gerar, surgir coisas.

A Onda Fatoral de Logunan: onda cristalizadora, de Oxumaré: diluidora, de Obá: concentradora, de Iansã: movimentadora.

A Onda Fatoral de Iansã dá movimento ao universo, ou seja, é Iansã quem movimenta o universo. Nós podemos estudar Iansã como “senhora do movimento”, de todos os movimentos.

É por isso que quando eu estou precisando me movimentar, quando eu estou muito “paradão”, apático, eu preciso de um movimento, eu busco Iansã porque ela tem energia movimentadora, ela tem Onda Fatoral Movimentadora, porque ela tem o fator movimentador, porque ela traz esse verbo divino.

 Dentro do que é o verbo divino, que é a força divina da criação, Iansã entra como aquela que é a movimentadora. Assim como: Nanã é decantadora e Omulu é paralisador. Entra também Exu, como vitalizador enquanto Orixá.

E a Orixá Pomba gira como aquela que estimula que traz o desejo para a criação em todos os sentidos.

É importante saber que existe esse campo de estudo na Umbanda, o campo de estudo das energias, das vibrações em mim, tudo isso existe em mim.

Porque o filho de Xangô tem a energia de Xangô em maior quantidade, o filho de Ogum tem energia de Ogum em maior quantidade, o filho de Oxóssi tem energia de Oxóssi em maior quantidade, isso vibra em nós, pois também temos as nossas energias.

 Nós possuímos energias que podem se tornar mais positivas e mais negativas e nem sempre isso tem a ver com bem ou com mal.

 Independente de você ser uma pessoa boa ou ruim, você tem energia positiva e energia negativa e há de se ter um equilíbrio disso tudo em você.

 É como uma pilha que tem lado positivo e lado negativo.

Isso não quer dizer que é lado bom ou lado ruim. É apenas energia positiva e energia negativa.

Temos energia positiva e energia negativa, não necessariamente energia boa, energia ruim, mas, além disso, nós também temos energias virtuosas e energias viciadas.

Tudo isso tem que ser entendido, explicado, compreendido porque no dia-a-dia do trabalho de Umbanda, todas essas energias são trabalhadas. Por exemplo, nosso corpo tem necessidades biológicas; o cérebro, ele comando o corpo de uma maneira muito peculiar.


O cérebro geralmente é partido em “lado direito” e “lado esquerdo”.
 O lado direito do cérebro comando o lado esquerdo do corpo. O lado esquerdo do cérebro comanda o lado direito do corpo, dessa maneira. E assim, o lado direito do nosso corpo é um lado que compreende as coisas num sentido mais racional. O lado esquerdo do corpo é um lado que compreende as coisas no sentido mais emocional.

Quando você quer explicar alguma coisa a alguém, você quer ser racionalmente entendido, fale bem na orelha direita da pessoa.

 Quando você quiser dizer palavras que despertem emoções fale na orelha do lado esquerdo dessa pessoa.

O nosso lado direito, ele é considerado o lado racional e o nosso lado esquerdo é considerado o lado emocional.

 Temos uma energia do lado direito e outra energia do lado esquerdo. Por convenção, acabamos identificando essas energias por “energia racional” a energia positiva que está no lado direito, “energia emocional” é a energia negativa que está no lado esquerdo.
                                                                                         
Emocional não é negativo, o negativo não é ruim, é apenas a minha energia emocional e a minha energia racional. Geralmente, é muito mais fácil descarregar a minha energia negativa, a minha energia pesada mesmo do lado esquerdo pelo campo emocional.

Além disso, temos um campo de energias que pode ser identificado como “a energia que está a minha frente”. Não existe apenas a energia da minha direita, da minha esquerda, existe a energia que está a minha frente, a energia que está atrás, a energia que está na minha direita, na minha esquerda, em cima e embaixo. E aí surge uma quadratura do médium, não só quadratura em
relação a cruz do médium.

O que é a cruz do médium?

É o seu campo de energia: em cima, embaixo, na direita e na esquerda.

Existe uma quadratura, em forma de cruz, do médium, tema para outro texto, que é um campo de energias onde o que está na frente, em cima e o que está na direita é considerado “positivo” e as três forças estão ligadas.

O que está na esquerda, embaixo, atrás, são consideradas energias“negativas”, as três forças estão ligadas. Isso gera um campo de ação.

Qual é o meu campo de ação no embaixo? Qual meu campo de ação pela direita? O meu campo de ação pela esquerda? O meu campo de ação no alto? Isso tem a ver com as forças que me regem pela direita, as forças que me regem pela esquerda, as forças que me regem pelo embaixo.


No meu campo de ação pelo embaixo, estão as energias relacionadas a quais forças estou ligado no embaixo. E não são forças negativas, não são forças demoníacas. É simplesmente, em qual campo de atuação eu melhor me desempenho no embaixo.

Isso quer dizer que quando eu caio no vício, tenho um campo de ação no embaixo onde desempenho melhor os vícios, onde eu mais me entrego, eu mais caio, onde a queda é maior, vamos dizer assim:

 No em cima, eu tenho um campo de virtudes onde eu desempenho melhor a minha energia. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que:

Um filho de Oxalá desempenha suas virtudes melhor no campo da fé; uma filha de Oxum desempenha melhor as suas virtudes no campo do amor; um filho de Ogum desempenha melhor as suas virtudes no campo da lei.

E quando no momento da queda ela será maior no campo dos vícios que são exatamente o oposto das suas virtudes, essa é a explicação.

 Há de se entender quais são as energias e como você lida com essas energias no campo: do amor, da fé, do conhecimento, da justiça, da lei, da evolução e da geração, são energias.

 A energia da fé tem uma relação íntima com seu oposto que é a “ilusão” e tem uma relação com o seu desequilíbrio que é o “fanatismo”. A energia do amor tem uma relação com seu oposto que é o “ódio” e tem uma relação com seu desequilíbrio que é o “ciúme”, a “posse”. A energia do conhecimento tem uma relação com a “ignorância” e com a “arrogância”.

A energia da justiça tem uma relação com a “injustiça”, com o “vício de julgamento alheio”. A energia da ordem tem uma ligação com a “desordem” e com a “imposição da vontade”. A energia da evolução tem uma ligação com a “involução” e também com a “preguiça”. A energia da geração tem uma ligação com a “esterilidade” e a “morte” e com o sentimento de “apatia”. Todas essas energias vivem e existem em nós.

Aquele que tem grande capacidade nas suas virtudes para o amor no campo negativo, ele vai desempenhar o contrário, no campo do desamor ou do ódio.

Alguém que desempenha muito bem na fé, no seu negativo a sua queda é violenta e é maior ainda no campo da ilusão, por quê? Porque ele traz em si as qualidades do “fator congregador”, o fator no campo da fé, que se no positivo é a fé, no negativo é a ilusão e esse fator é o que lhe anima, faz parte de você, você domina, você trabalha a energia da fé.

Aquele que é um filho de Oxalá, no positivo é um congregador de pessoas para algo positivo, algo bom e é alguém que tem uma grande capacidade magnética, tem magnetismo pessoal, no negativo ele é alguém perigoso, alguém que engana com facilidade, que ludibria, é alguém que convida a todos a se matarem para ir no rabo de um cometa, é alguém que junta um monte de pessoas por um ideal criminoso porque ele tem a capacidade de congregar por um ideal.

Um fator é algo que tem positivo e negativo, nesse sentido, porque tudo na criação tem positivo e negativo.

No caso do Orixá Oxalá não tem a qualidade positiva de Oxalá e a qualidade negativa. O que tem é: Oxalá vibrando as qualidades positivas do fator e um Trono oposto vibrando as qualidades negativas desse fator.

Os Orixás estão no alto vibrando as virtudes dos sete sentidos, os Orixás estão no alto vibrando as virtudes dos sete sentidos e os Tronos opostos estão no embaixo absorvendo os vícios nos sete sentidos que o ser humano gera.

O ser humano, quando desenvolve as suas virtudes, é magneticamente
atraído para o alto pelos Orixás.

O ser humano quando desenvolve os seus vícios é magneticamente atraído para o embaixo, pelos Tronos opostos dos Orixás que se assentam embaixo que não são demônios e sim Divindades opostas que estão absorvendo, atraindo para o embaixo quem tem negativismo, as pessoas que tem esse negativismo, o que a gente sente é que são pessoas pesadas, densas.

A gente mesmo quando está com raiva, triste, chateado, magoado ou quando a gente pega uma carga negativa, a gente sente que está pesado e não é físico porque se você subir numa balança o seu peso está igual, então, você se sente mais pesado. É uma sensação porque esse peso não é físico, é um peso que você sente no seu espírito, é um peso que você sente na sua alma.

E há aqueles que naturalmente já são carregados, pesados, porque estão vibrando negativo, ao desencarnar serão atraídos para faixas vibratórias negativas.

Isso tem a ver com energia que a gente sente.

Quando você chega num Terreiro de Umbanda e a entidade fala:
“Você está carregado, meu filho”

Ela está querendo dizer:

 “Você está carregado de energias negativas que precisam ser descarregadas” e o mais fácil é descarregar isso pela sua esquerda, por isso que a gente fala que Exu e Pomba gira trabalham a esquerda, porque são especialistas em descarregar, cortar, anular, purificar, encaminhar energia negativa e espíritos negativos.

E isso tem a ver com os fatores, por quê?

Porque cada fator funciona com uma polaridade como um “X” - que a gente vê no livro: “Doutrina e Teologia de Umbanda”, cada fator é como um “X”, tem quatro polos: dois para cima e dois para baixo, ou seja, o Fator da Fé em cima, ele é congregador e cristalizador e embaixo, ele é o contrário, invés de trabalhar a fé, ele trabalha a ilusão, o descongregar, o descristalizar, nesse sentido.

Esse é um campo de estudos para o resto da vida. Quer se aprofundar nesse assunto de “energias” e “fatores”? Leia: “Livro das Energias e da Criação”, pra quem quiser se aprofundar.

Nós temos energia em nós, que são as nossas energias da direita, as nossas energias da esquerda, pela “direita” eu trabalho as minhas virtudes, aquilo que é consciente, racional, e pela “esquerda” eu trabalho melhor os vícios, aquilo que é negativo, aquilo que é inconsciente e emocional, ou seja, para descarregar.

 Nós precisamos descarregar os nossos inconscientes da nossa sombra, do nosso negativismo, para que o nosso espírito livre desse peso, desse chumbo, possa alçar vôos às esferas superiores e faixas vibratórias superiores quando assim chegar o momento de nosso desencarne e pra que isso aconteça, é importante uma vida virtuosa. E uma vida virtuosa não é uma vida em que eu  estou me obrigando a fazer a caridade. Se a caridade é uma obrigação pesada, isso não é virtude.

Virtude é algo que não pede recompensa, que flui, logo, o melhor que a Umbanda faz por nós é nos dar consciência de quem somos, do que faz bem e do que não faz bem pra cada um de nós. Tudo o que faz bem é bom e é virtuoso, tudo o que não faz bem é ruim e pode ser um vício. E o que nós sentimos é a energia de cada uma dessas coisas.

Annapon

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Umbanda e a Androgenesia – A Gênese do Ser – Os sete planos da vida – - Orixás -




Umbanda e a Androgenesia – A Gênese do Ser – Os sete planos da vida - Orixás -

Gênese significa origem e androgenesia é a Ciência do desenvolvimento físico e moral da espécie humana.

Todas as religiões, desde as mais antigas, explicam, a sua maneira, a Gênese.

Cada povo tem um determinado entendimento, momento evolutivo, capacidade de aceitar, ou não, o que lhe é revelado.

A necessidade de compreender a origem de tudo é a responsável pelas tantas lendas e mitos existentes na Bíblia e em outros livros Sagrados. O homem deseja saber como, e por qual razão tudo começou e porque está aqui, neste planeta.

Allan Kardec com suas obras aparece no cenário e busca, através da ciência e do contato com os espíritos, explicar o que antes era só alegoria e mito.

Surge então a Gênese Espírita, que é muito interessante. A fé raciocinada, como provavelmente dizia Kardec, traz mais luz ao tema e auxilia a compreensão mais ampla sobre o assunto antes encoberto por lendas e mitos.

Segundo Allan Kardec, o homem passou pelos reinos mineral, vegetal e animal. Isso quer dizer que o ser humano estagiou nesses reinos e não que um dia tenha sido pedra, planta ou bicho. É diferente ter pertencido a esses reinos e ser, literalmente, a matéria que o compõe.

A obra Gênese Espírita é uma boa indicação de leitura aos que se interessam pelo assunto.

A obra de Chico Xavier, com André Luiz, também é uma boa recomendação de leitura que aborda o tema em questão.

Nós, Umbandistas, cremos em Deus e cremos que Ele é a nossa origem, por isso somos Sua imagem e semelhança sem nos apegarmos à forma porque, para nós, Ele está em toda a natureza e criatura.

Somos a imagem do nosso criador, nossa origem está em Deus.

De onde viemos?

De Deus, essa é a origem.

Para onde vamos? Qual é o nosso fim? Ou o nosso destino final?

É Deus. Nós viemos de Deus e vamos voltar para Deus.

Qual é o objetivo de você sair de Deus e voltar para Deus?

É o que se chama de “Uroburus”, a cobra que morde o próprio rabo, ou seja, é como o símbolo do infinito no qual, infinitamente você tem uma origem e um destino e sua origem e o seu destino estão no mesmo lugar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Umbanda – Simbologia – Chakras.




Umbanda – Simbologia – Chakras.

Sabemos que no mundo existem muitas religiões, muitas formas de pensar e crer em Deus.

Uma, dessas tantas formas é o simbolismo. O símbolo fala sem palavras e é universal, é uma linguagem compreendida por quase todos os povos e suas crenças.

A partir das figuras geométricas, que representam algo, surge o simbolismo que é a base da escrita mágica, da magia e que aparece na Umbanda a partir dos pontos riscados pelas entidades incorporadas.

Como exemplo podemos citar a circunferência que representa o vazio, o nada, já uma circunferência com um ponto no centro representa Deus, é seu símbolo, porém também é o símbolo do Sol para a Astrologia.

Uma circunferência com ponto no meio é o símbolo para Deus enquanto unidade de criação, o Deus uno.

A partir desse simbolismo, vamos avançando nos números lembrando que nessa representação podemos também associar a um Orixá, o número 1 (um), a unidade, o ponto no centro pode ser associado ao nosso pai Oxalá.

O número dois representa a dualidade, como o yin e yang, da cultura chinesa.

O número dois lembra a atração entre o masculino e o feminino, à força do amor que nos remete à presença de Oxum e Oxumaré.

Do número 3 surge a figura do triangulo. Um triangulo dentro de uma circunferência representa a força multiplicadora da criação, ou força expansora, que por sua vez tem ligação com o Orixá Oxossi.

Um dos números de simbologia mais forte é o 4 que pode ser representado pela figura de um quadrado ou de uma cruz, sendo que a cruz serve de símbolo para muitos Orixás em suas formas variadas.

O numero 4 representa ainda os 4 elementos, as quatro estações do ano e assim por diante. Este é um numero de simbologia forte.

A cruz é um simbolismo muito forte relacionado à terra.

O símbolo da cruz está e pode ser relacionado tanto com Omulú quanto com Obaluaiyê quanto com Oxalá, mas como identificamos Oxalá no número 1 (um) e vamos identificar Obaluaiyê no 8 (oito), podemos colocar Omulú no quarto em parceria com Obá, não porque eles são pares de Orixás Omulú e Obá, mas, porque ambos estão na terra.

A cruz para Omulú e o quadrado para mãe Obá representando a terra, a firmeza, a sustentação. O número 4 (quatro) como um número de terra, de firmeza e a cruz para pai Omulú.

O número 5 (cinco) nos remete à estrela de cinco pontas, dentro da circunferência, a estrela de cinco pontas é a energia do número cinco que é energia potencializadora e é a energia que representa o homem como imagem e semelhança de Deus. A estrela de cinco pontas é uma representação que lembra o próprio homem com os braços abertos, as pernas abertas e a cabeça.

A estrela de cinco pontas representa o micro no macro, representa o homem relacionado ao sagrado. Essa estrela de cinco pontas enquanto símbolo se relaciona com Oxalá, Ogum e Iemanjá.

No número 6 (seis), temos a estrela de seis pontas, dentro da circunferência também, a estrela de seis pontas é a estrela da justiça, aquela estrela na qual identificamos um triângulo que aponta para cima e um triângulo que aponta para baixo.

A estrela de seis pontas é a estrela da razão, a estrela da justiça, a estrela do nosso pai Xangô e, também, é a estrela da nossa mãe Egunitá.

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