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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Apometria - Estudo baseado na obra “Evolução no Planeta Azul” -




Estudo baseado na obra “Evolução no Planeta Azul”
Psicografia de Norberto Peixoto
Espírito Ramatís e Vovó Maria Conga

Estamos vivendo um momento de intensas mudanças em nosso planeta.

Esse movimento abrangente atinge a todos em todos os níveis de consciência, além de provocar mudanças de hábitos em todas as pessoas.

As religiões não são imunes à força desse movimento e vêm de alguma forma, se modificando/adequando diante da urgência que a Terra impõe no sentido de modificar e rever velhos conceitos.

A Apometria, por exemplo, que consiste em técnica amplamente utilizada nos dias de hoje por vários segmentos espiritualistas, aparece no cenário tal qual “poderosa” ferramenta destinada ao auxílio, à renovação dos seres aqui encarnados e aos desencarnados promovendo, junto à espiritualidade, eficaz e efetiva “varredura” das forças malignas ainda presentes em nosso planeta.

A todo instante, surge um novo grupo apométrico, porém, a espiritualidade nos alerta que, sem amor e comprometimento com o bem, a apometria será apenas mais uma técnica a disposição dos maus intencionados.

Apoiada no Evangelho de Jesus e na Doutrina Espírita, a Apometria vem se revelando importante e necessária ferramenta em auxílio a todos que a ela recorrem.

Divaldo Franco em sua obra “Mediunidade”, página 47, diz o seguinte:

“Allan Kardec não teve tempo de nos ensinar técnicas de concentração, de desdobramentos da personalidade; cuidou da essência da Doutrina e estabeleceu que o futuro se encarregasse de ampliar suas lições; seria, portanto, uma contribuição do Mundo Espiritual e do científico para que, preservando-se as bases essenciais, estejamos atualizando-as e desdobrando-as sem ferir as matrizes doutrinárias, o pensamento da Codificação.”

Diante de tal afirmativa, facilmente se conclui que a Apometria veio para somar, ficar, e não dividir ou separar forças. Podemos entender ainda que, de alguma forma, é a continuação da colaboração de Kardec ao mundo, muito embora a técnica apométrica não esteja atrelada a nenhuma religião, filosofia ou doutrina.

Ramatís, o grande Mestre Espiritualista, nos diz que os limites das amarras doutrinárias, nessa nova era, já não serão mais aceitas e que, a tendência para o futuro, será o triunfo do amor que é universal e independe de religiões, doutrinas, seitas.

Até que o amor universal triunfe, porém, há muito trabalho a ser feito. A própria Terra precisa de cura, pois vem dando sinais de mudança e, se o planeta está mudando, nada mais lógico que seus habitantes também mudem e busquem reciclar conceitos e posturas.

A Apometria surge, portanto, como forte instrumento de promoção dessa renovação do habitante terrestre.

Segundo Ramatís, a Apometria recoloca os médiuns a serviço dos doentes e necessitados de toda ordem.

A resistência à técnica apométrica se deve à rigidez com que alguns grupos seguem seus trabalhos em nada querendo inovar até mesmo por medo de retaliações.

Certo é que, esse período que estamos vivendo, de transição planetária, causa, conforme nos informa Ramatís, alterações em nossos padrões de sono, relacionamentos sociais e a sensação que o tempo esteja passando mais rápido. Causa ainda, sintomas como enxaquecas, cansaço, sensações elétricas na coluna, dores musculares, sinais de gripe e sonhos intensos.

A maioria de nós, espíritos encarnados e desencarnados, no planeta Terra, está em fase de evolução primária, como fossemos recém nascidos para as questões do espírito.

Apegados à matéria, e às sensações, pouco pensamos sobre os tesouros da alma e gastamos enorme tempo e energia nos apegando a coisas, pessoas, etc. Talvez seja esse um dos pontos pelos quais desprezemos a reflexão sobre a vida em outros planetas.

Qualquer um de nós, que se disponha a raciocinar, chegará sim à conclusão que não estamos sós nessa imensidão que é a criação de Deus e, se não conseguimos alcançar outros mundos, estabelecer contato, é, talvez, porque ainda não estejamos preparados, muito embora, durante os trabalhos de Apometria, seres, em formas estranhas a nós, se apresentem e colaborem com o trabalho.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Deus Pai e Mãe – 7 Linhas de Umbanda.



Deus Pai e Mãe – 7 Linhas de Umbanda.


Herdamos do Cristianismo e do Catolicismo, nossos conceitos sobre Deus na Umbanda.

A Umbanda, tendo recebido influências de várias religiões, amplia esses conceitos sobre Deus nas fontes que bebeu para se formar.

Surge o conceito de Deus Pai/Mãe, uma vez que reconhecemos Deus como tal.

Como pensamos Deus, porém, é algo muito pessoal e intimo. Cada um de nós sente e se relaciona com Deus Pai/Mãe, de forma singular.

Pensar sobre Deus de forma rotulada e pronta pode ser conveniente para alguns, porém, fica longe da realidade intima onde reside a fé de cada um.

Conceber Deus é um direito de cada um e cada ser sente, pensa e se relaciona com Deus da maneira que melhor lhe convier ou aceitar.

As religiões, com fórmulas prontas, inibem a capacidade de raciocínio livre das pessoas e “engessam” o conceito de Deus.

Deus como Pai, fica limitado ao masculino e tudo que a ele se relaciona talvez tal conceito tenha se desenvolvido em sociedades machistas. Hoje, porém, muitos de nós pensamos em Deus como Pai/Mãe sem nenhum problema, apenas compreendendo a força e a pureza que residem entre o masculino e o feminino.

Considerando que Deus é amor puro, que cuida e ama a todos nós, seus filhos, Ele se apresenta, neste aspecto, como feminino e, considerando ainda que Deus é Pai, no sentido de nos fornecer recursos para que busquemos nosso sustento e evolução, temos ai Deus, Nosso Pai, masculino, portanto, Deus é amor, colo, proteção, garra, energia, força, enfim, Deus é tudo.

Acredito que os Orixás sejam Divindades de Deus e, sendo Deus, masculino e feminino, essas divindades se manifestam ora num, ora noutro aspecto.

Deus se individualiza por meio de suas Divindades/Orixás.

O conceito de trindade, como conhecemos através da religião católica, nada mais é que Deus manifestado sob três aspectos, não deixando, porém, de seguir sendo Um.

A Criação de Deus é masculina e feminina em toda sua extensão.

A Umbanda é monoteísta, acredita num Deus único e cultua os Orixás, pois entende que os mesmos são Suas Manifestações Divinas tanto no aspecto feminino quanto no masculino.

A nomenclatura monopoliteísmo surgiu a partir dessa crença/fé Umbandista e de outras formas de religião que se relacionam com Deus de maneira semelhante.

O Umbandista, além de crer num Deus único, de cultuar os Orixás, ainda entende Sua Manifestação através da Natureza, onde se encontram as forças vibracionais dos Pais/Mães Orixás, sendo assim, também podem os Umbandistas, serem considerados panteístas aqueles que entendem que Deus está em todos os lugares.

Cada religião pensa e sente Deus de forma particular, porém sem conflito quando entendemos que todas as formas são boas desde que haja discernimento, desde que uma complete a outra.

Somos todos filhos de Deus, conservamos a centelha Divina da Criação, somos igualmente, todos, Deuses, filhos do mesmo Pai/Mãe e, se pensamos/sentimos Deus, cada um de nós, a nossa maneira, é porque assim Ele quis e permitiu que fosse.

Ampliar nossos conceitos acerca de Deus, através do conhecimento, nos aproxima de nossos irmãos que conservam crenças diferentes, porém que podem, e muito, alargar nossos horizontes e assim nos aproximar um pouco mais Dele.

As Sete Linhas da Umbanda são as sete irradiações de Deus, Suas sete qualidades individualizadas nas qualidades masculinas e femininas.

Deus se manifesta de forma sétupla, como por exemplo, os sete chacras, sete dias da semana e daí por diante.

 Temos Pais e Mães Orixás nas sete vibrações de Deus que fazem e faz surgir as “Sete Linhas de Umbanda”, sete Linhas não são sete Orixás, os Orixás é que se assentam nas Linhas que são as vibrações de Deus.


Annapon


(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Meditação e mediunidade






Meditação e mediunidade        

A meditação é excelente ferramenta para os médiuns, pode ajudar muito na questão do autoconhecimento que levará ao conhecimento de suas companhias espirituais.

Somos corpo, mente, espírito e emoção. Tentar tratar apenas um desses nossos “corpos”, em detrimento do outro, pouco pode nos ajudar. O equilíbrio reside em tratar todos os corpos para que desfrutemos de bem estar.

Sentir e pensar são ações diferentes, separadas, às vezes sentimos algo, porém não pensamos a respeito. Corpo e espírito são igualmente separados, embora vibrem num harmônico conjunto.

Meditar ajuda a equacionar o conflito mente/coração principalmente aos médiuns em desenvolvimento.

Aprender a cuidar de si mesmo ajuda na vida e no trabalho quando o médium incorpora a fim de auxiliar outras vidas a se conhecerem e por fim melhorarem.

O fato de ser médium, incorporar espíritos uma vez por semana no terreiro, não isenta ninguém de seguir, todos os dias, cuidando se si mesmo. Tal cuidado consiste em vigiar os pensamentos, orar, agradecer, procurar ser mais atento, gentil com as pessoas e consigo mesmo.

Praticar a caridade é ato constante, não cessa após o trabalho mediúnico.

A caridade não deve ser fonte de vaidade, mesmo porque, se hoje podemos praticá-la, em beneficio do outro, amanhã, provavelmente, seremos nós os necessitados em busca dela.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A Bíblia e a Mediunidade na visão de uma Umbandista



A Bíblia e a Mediunidade na visão de uma Umbandista

A Bíblia é um Livro Sagrado, todos entendemos e respeitamos tal fato.

Um livro, mesmo sendo Sagrado, como no caso da Bíblia, não deve simplesmente ser aceito, mas sim estudado, analisado para que se possa entender a mensagem nele contida levando em consideração a época na qual foi escrito e em quais condições o ser humano vivia.

Fundamentalismo significa aceitar sem questionar. Tal postura não combina com os dias atuais e com o ser que busca constantemente o aprendizado.

A Bíblia é um Livro Sagrado, Teológico, com fundamentos religiosos e muitos conceitos, além de contar a história de um povo que viveu há muito tempo.

O Novo Testamento surge a partir de Jesus e o Velho Testamento é o conhecimento que existia antes de Jesus.

Compreender a mediunidade baseado na Bíblia requer conhecimento, não profundo, mas algum conhecimento sobre o Livro Sagrado dos Católicos e Evangélicos.

O Velho Testamento traz o conhecimento Judaico e Jesus, nascido neste meio, sendo Judeu, era considerado Rabi, que significa professor dentro dessa cultura.

O Novo Testamento traz o conhecimento transmito por Jesus que é diferente do Velho, por esta mesma razão o termo Novo Testamento é empregado.

O Velho Testamento é a base do Judaísmo tanto que, os cinco primeiros livros da Bíblia são chamados de “Pentateuco”.
O Pentateuco, primeiros cinco livros da Bíblia, consistem num livro chamado “Torá”, ou seja, o Pentateuco é em si a Torá que é o livro sagrado dos Judeus.

O Cristianismo nasce do Judaísmo.

Jesus foi Judeu com ideias novas, com ideias revolucionárias, foi um revolucionário e médium.

Encontramos a presença da mediunidade na Bíblia desde o Velho Testamento, quando “pessoas especiais” (médiuns) falavam com Deus e Ele os orientava, depois vieram os que se comunicavam com anjos, os profetas (visionários do futuro), etc.

A Bíblia é um conjunto de crenças de várias culturas e cada cultura a interpreta a seu modo, de acordo com seu tempo, espaço físico e momento evolutivo.

Existe um conceito, na Cabala Hebraica, que diz:

“Deus se manifesta através de Anjos”.

Diante de tal afirmação podemos concluir que, através da mediunidade, guias, mentores espirituais e anjos, seres mais elevados espiritualmente, se comunicavam com os homens e esses homens, desconhecendo o fenômeno mediúnico, diziam que falavam com Deus.

Existem muitas passagens na Bíblia que confirmam o pensamento acima.

Na verdade, as grandes religiões castraram os dons mediúnicos como forma de manter sob controle seus fiéis porque alguém que tem contato direto com a espiritualidade, por meio da mediunidade, não precisa mais de religião teoricamente, mas sentimentalmente pode sim se ligar a uma religião por amor e por sentir necessidade de ajudar outros a conquistarem sua paz de espírito. Esses médiuns são aqueles já desenvolvidos e desapegados de muitos dos valores materiais.

Assim como as grandes religiões, Sacerdotes egoístas também não ensinam seus discípulos a fim de retê-los em seu convívio por medo, insegurança e orgulho tornando-se assim, de certa forma, obsessores vivos daqueles que o seguem.

Quando o médium, desenvolvido, atinge o estágio de maturidade, na verdade não necessita mais da religião em si permanecendo nela por amor, vocação, por vontade de ser útil ao próximo auxiliando-o a encontrar seu caminho, permanece por amar o ritual, por entender que a egrégora formada por um grupo é diferente da formada por ele sozinho, nesse estágio a religião se torna opção e não mais necessidade.

Voltando à Bíblia e à mediunidade nela inserida, percebemos que o contato mediúnico estabelecido pela maioria dos profetas com Deus, ou anjos a seu comando, foi muito forte.

Em várias passagens as orientações passadas aos médiuns como Abraão, Moisés, entre outros, foi tão forte que modificou a vida da população.

A mediunidade desses homens permitiu que a palavra de Deus viesse ao mundo dando roteiro seguro às pessoas que viviam naquela época.

Seguramente Moisés foi um dos médiuns de maior destaque na Bíblia, estudioso, Moisés conhecia magia e sacerdócio. Uma das mais conhecidas magias de Moisés são as sete pragas soltas no Egito, fenômeno claro de manipulação de energia e força mental.

Há ainda o caso da morte dos primogênitos, ocasião na qual Moisés ensina o povo a se proteger do “Anjo da Morte” através de um símbolo grafado na porta de seus lares, símbolo esse que afastava daquele lar a morte. Isso é magia.

Talvez a primeira psicografia que se tem notícia seja a de Moisés quando Deus lhe revelou os dez mandamentos e ele os escreveu numa pedra, ou psicografou numa pedra.

Em determinado momento, Moisés, a fim de organizar e ordenar seu povo proíbe oráculos e a necromancia (conversa com espíritos) sendo permitido só a Ele praticar magia e mediunidade.

Existe outra passagem Bíblica na qual Saul pede a uma médium que incorpore o espírito de Samuel a fim de estabelecer contato mesmo ele tendo proibido a prática mediúnica pelo seu povo e tendo levado à morte pessoas que a praticavam.

A mediunidade sempre existiu, sempre foi praticada, principalmente entre os profetas.

Existem na Bíblia muitas passagens de clarividência e é importante saber que a Bíblia é constituída de livros que foram escolhidos.

Como a mediunidade é algo proibido, esses livros foram escolhidos de maneira que não houvesse entre eles nada que instigasse as pessoas a praticar mediunidade.

Na verdade não é algo tão fácil encontrar os fenômenos mediúnicos ou identificá-los na Bíblia porque ao longo dos milênios eles foram trabalhados para dar a ideia de que isso só poderia acontecer com algumas poucas escolhidas pessoas e também há um cuidado de não mostrar como a mediunidade se manifesta, como trabalhar mediunidade.

No caso de mediunidade de vidência, Ezequiel, no “Livro de Ezequiel” vê o carro de Deus e diz:

 “Que olhou e havia um vento tempestuoso que soprava do norte uma grande nuvem e um fogo chamejante, em torno, uma grande claridade, no centro algo que aparecia no meio do fogo. No centro algo com forma semelhante a quatro seres vivos”.

São visões impressionantes e bastante fortes em sua simbologia e aparência.

No Novo Testamento temos uma nova ordem, uma nova visão, uma nova orientação, surge Jesus, Jesus diz: “Eu e Deus somos um”.

Jesus cura com a imposição das mãos e Jesus expulsa demônios que em grego significa espíritos.

Jesus deu autoridade a seus discípulos para expulsar os espíritos impuros e curar toda sorte de males e enfermidades e os preparou para que multiplicassem sua missão como se tivesse, Ele próprio, preparado sacerdotes como se faz nos dias atuais.

Toda a trajetória de Jesus e de seus discípulos está pautada na mais pura mediunidade.

Jesus deu aos discípulos o dom de fazer aquilo que é feito na Umbanda, ou seja, desobsessão e cura, não só na Umbanda, mas em outras religiões praticantes da mediunidade.

Jesus ensinou os seus discípulos e esse era o grupo de trabalho e o povo todo era a sua consulência.

 Os 12 discípulos formavam a corrente mediúnica de Jesus e o seu povo, os beneficiados com a boa nova, com a doutrina, a cura e o encaminhamento dos espíritos em sofrimento.

Existe uma passagem em Mateus bem interessante:

Mateus capítulo 17, versículo 1: “Seis dias depois, Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João e os levou a um lugar a parte sobre uma alta montanha e ali foi transfigurado diante deles, seu rosto (de Jesus) resplandeceu como um sol, as suas vestes tornaram-se alvas como a luz e eis que lhes apareceram Moisés e Elias conversando com ele”.
                
Este é o fenômeno de materialização extremamente natural para Jesus que deveria possuir ectoplasma da mais alta qualidade e em abundância.

O contato mediúnico é Bíblico, ancestral, milenar.

O fenômeno mediúnico é intrínseco ao ser humano.

A mediunidade é inseparável do ser humano, uns tem mais outros tem menos mediunidade. Por isso não dá pra escrever a história da humanidade sem falar de mediunidade, não existe nenhuma cultura sem religião, nenhum povo em nenhum lugar do mundo, nenhuma sociedade organizada que não tenha religião, religião no sentido de fé, espiritualidade, ritual.

Não existe religião sem mediunidade.

 Existem organizações religiosas castradoras da mediunidade, mas essas religiões, que castram a mediunidade, nasceram da mediunidade de pessoas que tinham dons mediúnicos.

As organizações religiosas podam os dons mediúnicos, mas em todas as religiões surge ou nasce o seguimento paralelo chamado: “a mística daquela religião”.

Na Umbanda não existe “mística da Umbanda”, porque a Umbanda já é mística.

Falava-se antigamente sobre a “Umbanda Esotérica” ou o “Esoterismo da Umbanda”, qual é o lado oculto da Umbanda?

A Umbanda não é uma religião de segredos, não é preciso esconder, nem ocultar nada. Tudo o que se pratica a magia, a mediunidade, a ciência e a arte de lidar com tudo isso, não é algo oculto na Umbanda, é algo que eu não preciso esconder, não preciso guardar. Tudo isso é aberto, está aí pra quem quiser estudar.

A Umbanda é uma religião que não oculta, não temos o Ocultismo na Umbanda, temos a Umbanda como a reveladora de tudo aquilo que era oculto nas outras religiões porque não estamos mais no tempo da Inquisição.

Não precisamos mais nos esconder, as coisas não precisam mais ser ocultas e nem esotéricas, no sentido de “o que está por trás do véu”.

A Umbanda não tem véu encobrindo as coisas, está tudo aberto, todo mundo pode acessar esse conhecimento. Só é preciso ter amor, querer, se dedicar, se entregar. A Umbanda é uma religião reveladora, libertadora e é como diz Rubens Saraceni:

“A Umbanda é a religião dos mistérios”.

A Umbanda nos inicia nesses mistérios e quando dizemos:

 “Quando o mestre está pronto o discípulo aparece” ou ainda:

 “Quando o médium está pronto a Umbanda lhe revela”.

Ela lhe revela e lhe ensina a encontrar os seus mestres pessoais que são os seus Guias, que vão nos ensinar a nos tornarmos mestres de nós mesmos no momento em que nós começamos a aprender com a vida.

Annapon

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Incorporação consciente ou inconsciente – Desenvolvimento mediúnico. Medos e traumas – Quebrando tabus e preconceito – A importância da educação mediúnica.



Incorporação consciente ou inconsciente – Desenvolvimento mediúnico. Medos e traumas – Quebrando tabus e preconceito – A importância da educação mediúnica.

Um dos maiores dilemas vividos pelos médiuns de incorporação é o medo. No momento exato em que deveria relaxar e esvaziar a mente, ele se contrai todo e começa a pensar em várias coisas ao mesmo tempo dificultando assim seu desenvolvimento mediúnico.

São tantos medos, e às vezes, tanta pressão, que o médium iniciante simplesmente “trava” e, é claro, nada acontece.

Em seus pensamentos se acumulam o fantasma da mistificação, do estar sendo observado, questionado, da insegurança, etc. e tal.

Pior ainda fica a situação quando se depara com a questão do ser ou não um médium consciente.

A consciência e a inconsciência durante o transe mediúnico são questões muito particulares inerentes a cada pessoa e uma não desabona a outra em sua autenticidade.

O mais correto seria dizer que todo médium é semi consciente porque a incorporação é um estado alterado de consciência, ou seja, é um transe no qual duas consciências interagem.

Durante a incorporação, para reforçar a teoria da semi consciência, podemos citar os gestos, muitas vezes involuntários, praticados pelo médium e que não são os seus habituais. O médium sabe, conscientemente, que está agindo sob outra sugestão/orientação, no caso a de seu guia espiritual.

A incorporação é uma conexão mental entre o médium e a entidade espiritual e só acontece com a total permissão/passividade, do médium que permite ao outro (espírito), que domine, temporariamente, a sua matéria.

 O desenvolvimento mediúnico permite que a confiança e a entrega do médium aconteçam gradativa e calmamente. Cada um terá uma velocidade e estará mais ou menos aberto à condição de médium de incorporação.

Ansiedade, medo, fobias, pensamentos em desalinho são os principais impedimentos para uma incorporação confiante e tranquila.

A incorporação é um acoplamento de auras, ou seja, a entidade espiritual acopla sua aura na do médium e então a incorporação acontece.
Na incorporação os chakras do espírito e os do médium se ligam, assim, ambos estão ali. Raros são os casos nos quais o espírito do médium é deslocado a outras paragens a fim de que permaneça, no momento da incorporação, apenas o espírito do guia.

Abrir mão do controle do corpo, transferindo-o a outro alguém, no caso, o guia espiritual, requer quietude na mente e confiança para que o transe mediúnico seja uma boa experiência, mesmo porque há um deslocamento natural do espírito do médium nesse momento e, se a pessoa não estiver firme e segura em sua fé, tal deslocamento pode causar pânico comprometendo assim seu desenvolvimento mediúnico e a incorporação.

Por essa razão é que se vê muitos médiuns “chacoalhando” no momento de incorporar, é o medo, na maioria das vezes, que limita o médium e causa a maior parte do mal estar nas primeiras incorporações. Com o tempo, todo esse medo e mal estar tende, naturalmente, a passar.

Uma boa educação mediúnica é fundamental para que o médium evolua, para tanto, o apoio dos mais experientes e o estudo, colaboram para que a cada gira o médium vá adquirindo mais confiança e conseqüentemente passe a não mais sentir mal estar algum.

 “Incorporação sonambúlica” ou “incorporação com desdobramento astral” são casos raros de incorporação inconsciente. Na maioria das vezes esses médiuns, inconscientes, são extremamente resistentes à incorporação e, em alguns casos, o espírito do médium fica ali, no chão do terreiro dormindo enquanto o guia espiritual trabalha utilizando seu corpo.

Há, ainda, casos nos quais o espírito do médium, por desdobramento astral, sai e vai realizar tarefas em outros planos, outra possibilidade é o espírito do médium observar tudo o que está acontecendo, acordado, porém sem interferir, inclusive podendo ver seu corpo incorporado pelo guia. Todos esses casos se encaixam na mecânica de incorporação inconsciente.

Outra questão interessante é que alguns médiuns, semi conscientes, no momento da desincorporação, esquecem tudo o que houve, ou seja, o “choque”, no momento de desincorporar, apaga da memória do médium tudo o que o guia fez ou falou durante a incorporação. Nesse caso o médium também é inconsciente.
                                                                                                   
Se existe incorporação ideal a semi consciente é forte candidata ao título porque possibilita o aprendizado, a troca, as sensações, com isso dando chance de crescimento ao médium através do conhecimento dinâmico, além de exercitar a questão da meditação no que se refere ao silenciar da mente para que a entrega do médium seja plena e produtiva.

Chico Xavier, na obra “Mandato de Amor”, fala sobre a “Mediunidade interexistente”.

Ele relata no livro sua experiência de desdobramento astral enquanto, na Terra, seu corpo psicografava sob a influência de outro espírito.
Chico fora chamado, em espírito, para servir de ponte (médium), no plano espiritual, portanto, diante de tal fato podemos concluir que a mediunidade é inerente ao plano físico e ao espiritual. Classificar, porém, a mediunidade de Chico Xavier em consciente ou inconsciente é impossível.

Chico possuía a maioria dos dons mediúnicos.

Lapidar as faculdades mediúnicas requer tempo, calma e muita confiança em si, na casa escolhida, em seus dirigentes e principalmente em seus guias/mentores.

No inicio todo médium sente insegurança, se questiona sobre a autenticidade da comunicação que está dando, porém, creio que, ter em mente que incorporar é uma parceria entre você, médium, e seu guia espiritual, seja uma boa maneira de, aos poucos, ir adquirindo confiança.

Na incorporação são duas inteligências interagindo, trabalhando e cada uma colabora com o conhecimento que tem. Essa troca é maravilhosa e permite tanto ao médium quanto ao espírito, aprender a cada gira algo mais.

O termo “cavalo” na Umbanda significa médium, não apenas um aparelho para comunicação entre planos, mas alguém vivo que, em algumas ocasiões, pode ser conduzido/guiado, por isso a entidade espiritual é chamada guia e o médium cavalo.

A metáfora do cavalo é muito interessante, expressa a força, o vigor, a vontade, enquanto que o termo aparelho é frio. Sem dúvida o termo mais adequado, nos dois casos, é médium, porém, a referência ao cavalo, pode significar abrir mão de suas necessidades para ser guiado.

Há ainda a questão do cavalo selvagem (médium em desenvolvimento) que precisa de adestramento a fim de adquirir habilidade e doçura. Parte do adestramento é feito pelos guias que, com muita paciência e calma, tornam dóceis seus cavalos (médiuns) outra parte do adestramento fica por conta do cavalo (médium) que responde, ou não, à doutrinação/adestramento.

Caso o médium seja egocêntrico, encontrará muita dificuldade em incorporar porque esse ato exige entrega, humildade e abandono do ego para que aconteça.

Psicofonia não é incorporação, é apenas e tão somente a fala do espírito enquanto que, incorporar, significa interagir com o outro de forma tal que ao espírito o médium permite que se manifeste, através dele, não apenas sua inteligência, mas também os modos com os quais deseja ser reconhecido, por exemplo, se a entidade quer se manifestar como Preto Velho, normalmente se apresenta com as costas arqueadas, caminhando devagar como lhe pesassem os anos no corpo.

Incorporar é permitir, ao espírito, que se apresente como é, ou como seja mais conveniente ao trabalho da casa. Para tanto o ego deve ser posto de lado, caso contrário não acontecerá incorporação.

Incorporar é abandonar, temporariamente, seu lugar no mundo material para viver a força e a energia do plano espiritual, cedendo aos espíritos seu corpo para que eles nele se manifestem a fim de praticarem o bem e de promoverem a paz, o amor, a força, a energia que cura.

Todo médium de Umbanda tem o dever de não apenas incorporar as entidades, mas buscar incorporar, em sua vida, seus ensinamentos e valores que jamais perecem. Valores esses que nos acompanham em todos os momentos de nossas vidas. Essa é a incorporação mais bela, mais eficaz.

A questão dos arquétipos na Umbanda tanto pode confundir, quanto fascinar. Todos buscam por heróis em suas vidas e, na Umbanda, as entidades espirituais, de alguma forma, se tornam heróis de seus médiuns e dos consulentes.

O Caboclo traz o arquétipo do índio, do homem forte, em pleno vigor da juventude, o Preto Velho simboliza o homem sábio, maduro, o homem que sofreu pela agressão da escravatura e assim por diante, porém, nem sempre um caboclo foi, em sua última encarnação, um silvícola, e nem todo Preto Velho foi escravo.
O que ocorre é que alguns espíritos se valem desses arquétipos a fim de trabalharem na corrente astral de Umbanda.

A mediunidade para fluir, de forma natural, precisa que haja entrega, como quem se entrega a uma loucura, para que a mediunidade flua e se desenvolva eu preciso baixar o meu racional, eu tenho que parar de questionar para a mediunidade acontecer, para ela fluir.

 A mediunidade de incorporação é um momento de loucura, de desvario que você se entrega. É como uma embriaguez, na qual você docemente se entrega à embriaguez, e é conduzido. E você está se observando quase que de fora e ao mesmo tempo sentindo de dentro para fora tudo o que está acontecendo como uma loucura.
Talvez, por isso, Zélio de Moraes tenha sido considerado louco quando de suas primeiras incorporações.

A incorporação de Umbanda é um contato místico, é uma loucura divina.

Na Bíblia há a seguinte passagem: 
“A loucura, a loucura de Deus... A loucura dos homens é a sanidade para Deus, a loucura de Deus é a sanidade para os homens”.

O contato com o sagrado, com o divino de forma direta é algo inexplicável. Quando o que você está vivendo é algo inexplicável para o outro isso é considerado loucura porque você vive algo inexplicável.
É uma loucura, mas é uma loucura sadia, é uma loucura saudável, é, enfim, loucura no bom sentido.

Mediunidade, enquanto uma loucura de Deus, uma loucura sagrada, é algo que dá sentido à vida. É diferente da histeria, dos desequilíbrios.

Qual é a diferença entre doença mental, histeria e mediunidade?

A mediunidade tem hora e lugar para acontecer. A mediunidade dá sentido à vida e é essa a grande diferença entre patologia, psicopatologia e mediunidade.

Ao médium ostensivo, praticar/educar a mediunidade é uma questão de saúde, tal prática equilibra, acalma e dá condições de vida saudável ao médium.

Na Umbanda, o ritual é Sagrado e é ele o responsável pela “domesticação” do “Cavalo Selvagem” (médium).

A ritualística de Umbanda coloca a mediunidade no seu devido lugar.

Quando um médium em desequilíbrio, que não sabe o que fazer com a sua mediunidade, chega num Terreiro de Umbanda, onde todos têm o mesmo dom, todos têm o mesmo tipo de mediunidade que ele, a tendência é que se sinta confortável e confiante. Dessa maneira, cessam as manifestações a esmo e se inicia uma jornada prazerosa porque quando eu não sei o que fazer com a minha mediunidade, então, eu reprimo. Quando a mediunidade está reprimida, começa a estourar, metaforicamente falando, ela estoura em qualquer lugar e isso não é bom nem tampouco conveniente.

Quando o médium não trabalhado, não desenvolvido, lapidado, não sabe o que fazer com a sua mediunidade, e a está reprimindo, quando esse médium sofre desequilíbrios emocionais, essa mediunidade aflora desequilibrada causando transtornos.

É isso que atrapalha a vida, atrapalha a vida você ter mediunidade e não saber o que fazer com ela.

A partir do momento em que você estuda a sua mediunidade, você lapida a sua mediunidade, que você trabalha a sua mediunidade, que você conhece a sua mediunidade, que você traz a sua mediunidade pra dentro de um ritual, que esse ritual educa e que existe uma educação mediúnica, uma doutrinação mediúnica, um direcionamento para sua mediunidade, então, essa mediunidade deixa de ser algo reprimido, pra ser algo trabalhado.

No momento em que você perde o medo da mediunidade, você perde o medo dos espíritos, você perde o medo do que está acontecendo e você começa a trabalhar com isso de uma forma natural, essa mediunidade encontra espaço para se manifestar então, isso deixa de ser um problema. Você deixa de ser um joguete, você deixa de ser um sofredor pra ser um doador da multiplicação, essa é a multiplicação dos pães, essa é a multiplicação do vinho em que você deixa de ser um sofredor, você deixa de sofrer por conta de uma mediunidade mal trabalhada.

 E agora por conhecer o dom, você por meio da mediunidade, como uma ferramenta tendo lugar e espaço para se manifestar você consegue ajudar você mesmo e ajudar o próximo. E ajudar a você mesmo em primeiro lugar, porque a mediunidade permite o contato com os meus Guias. Quem são os meus Guias? Eles são a minha família. Esses Guias, esses mentores são a nossa família, são pessoas que nos amam.

O contato com esses espíritos, a aproximação dos meus Guias imediatamente traz qualidade de vida pra mim porque estou me aproximando daqueles que me tem amor, daqueles que me querem bem, daqueles que estão me dando orientação. Eu passo a ser o primeiro e o maior beneficiado da mediunidade e dos dons mediúnicos.

Então, essa conversa de que meu Guia ajuda todo mundo, mas não me ajuda isso é conversa de mediunidade mal trabalhada e de pseudo-humildade. Nós não podemos nos fazer de coitadinhos no que diz respeito à mediunidade pra usar esse subterfúgio do coitadinho para os outros terem pena de mim e pensar: “Nossa como ele é caridoso”.
“Os Guias dele ajudam todo mundo, mas ele é tão pobrinho, tão coitadinho”. Nós somos os primeiros e os maiores beneficiados da manifestação mediúnica é fato e é certo. Se os meus Guias quando incorporam em mim, ajudam outras pessoas em primeiro lugar eles estão ajudando a mim.

Até porque o simples ato e fato de incorporá-los muda o meu padrão vibratório, a minha energia e eu estou aprendendo com aqueles que me tem amor, que querem o meu crescimento.

Annapon



(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

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