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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Selfies intermináveis




A que ponto pode chegar a vaidade?
Conheci alguém esteticamente bonita, mas não tão bonita quanto seu narcismo crê.
Horas no salão de beleza, em frente ao espelho em selfies intermináveis, segue nossa protagonista vivendo encastelada, crendo no poder das imagens e das palavras quase sempre mal escritas, mas, como todo elogio é bem vindo, sorri essa mulher ignorando as falhas graves da língua portuguesa, afinal elogio é elogio e jamais se dispensa, pensa ela, é claro.
Quando participa de reuniões sociais, sai de casa enfeitada, perfumada, sem deixar nenhum detalhe para trás e, fatalmente, armada de um bom celular capaz de registrar sua presença, mesmo que fria, mesmo que seja presente ausente, tem de registrar.
Chegando ao evento, alguns ela cumprimenta, outros, simplesmente ignora, talvez porque selecione os que possam, eventualmente, curtir suas "belas" imagens de selfies intermináveis, talvez.
Cumprimentos feitos, senta-se rapidamente buscando a melhor posição para navegar em seus castelos de areia, em seu falso mundo virtual, ignorando a tudo e a todos, afinal seu corpo está ali, presente, isso é o que importa, pensa ela sem se dar conta que é alvo de comentários maldosos e irritadiços por conta de sua atitude.
Ela não se importa, mesmo porque não se dá conta do mundo real a sua volta, o que na verdade para ela importa é navegar, surfar, se distrair talvez para esquecer de quem é ela mesma na realidade dura e fria de sua virtual vida inerte.
E passa e repassa páginas, sorri, intenta uma boa pose para mais uma selfie, enquanto isso, a sua volta espreita a vida querendo que ela viva e saia do estado vegetativo no qual se encontra.
Algumas vezes, essa mulher abre o guarda roupas, escolhe um belo vestido de festa, capricha na maquiagem, borrifa até perfume e com cuidado se penteia diante de seu "melhor" amigo, o espelho, só para mais uma de suas intermináveis selfies caçadoras de curtidas e comentários que massageiam o seu mega ego.
Mas é tudo mentira, é ilusão, porque depois da selfie vem o vazio, a frustração, é como um vicio, a sensação de saciedade tem efeito rápido e necessita de mais e mais doses.
Enquanto isso a vida passa, o tempo, tido por ela como maior inimigo, vai deixando suas marcas, tecendo linhas ingratas em seu rosto tão bonito que a levam à mesas frias onde bisturis milagrosos tentam reverter a implacável ação do tempo.
A sua volta a vida segue, mas ela já não ve. Os filhos crescem, os pais envelhecem, adoecem, mas ela não vê.
Tudo o que essa pobre mulher vê é um enorme espelho a lhe seduzir a alma e a tela de seu celular que a faz sentir viva mesmo que morta para a vida e suas reais possibilidades ela esteja.
E quando porventura lhe chegue a doença, ou a limitação, o que será dela? 
Afinal selfies só querem mostrar a beleza, a ilusão da felicidade virtual que na realidade não existe, e então? O que fará? Buscará seus amigos? Será que em meio a tantas curtidas e comentários bajulatórios algum amigo, real, restará?
E então? O que fará sem a beleza artificial à qual dedicou sua vida e seu precioso tempo?
Quem estenderá em sua direção a mão amiga a fim de ajudá-la?
Pessoas que negligenciou talvez? É, pode ser uma possibilidade, mesmo porque nem todos sofrem do mesmo mal e ainda há gente boa ao seu redor mesmo que ela os tenha esquecido num canto escuro e sombrio de seu coração.
Vida não pode ser desperdiçada, pessoas não podem ser descartadas como um velho celular ou uma selfie mal tirada, é bom pensar nisso porque o tempo passa e não volta jamais.
Desejo a essa mulher a cura e a firme vontade de viver, pois há muita coisa boa a se fazer além de selfies que, na medida certa, não deixam de ser boas também.
Annapon



domingo, 13 de dezembro de 2015

Sobre histórias das entidades





Olá!
Navegando por algumas páginas, na Internet, encontramos posts com os seguintes títulos:
" História da Pomba Gira ..." História do Caboclo ..." História do Exu ...", muito bem, encontramos ainda, nos comentários dos mesmos, as seguintes frases mais comuns:
" Quero saber qual é a história da Pomba Gira..." "Qual é a história do Exu ..." e assim por diante.
O que não fica claro, nem tampouco se explica nesses posts é que entidades usam o mesmo nome sem com isso serem as mesmas, por exemplo: Quantos Joões existem no Brasil? E Marias? Quantas são? A resposta é milhares. Acontece o mesmo com as entidades que, no mais das vezes, usam um determinado nome para que sejam facilmente identificadas dentro das linhas/falanges de trabalhos.
Assim como as histórias de vida das pessoas encarnadas, cada espírito tem a sua própria história de vida e de morte, cada uma viveu numa determinada época e morreu em circunstancias únicas, mesmo que, nos grupamentos das falanges, todos os espíritos que ali se reúnem tenham histórias parecidas e muito em comum, por isso mesmo é que se juntam nesses determinados grupos, por terem histórias semelhantes e pela afinidade que os une e reúne no plano espiritual, porém sempre conservando a sua individualidade e personalidade únicas.
Pelo acima exposto é que não se pode afirmar que determinada entidade tenha uma historia unica para todas as suas manifestações, ou seja, Maria Padilha, por exemplo, que incorpora em minha comadre, pode não ser a mesma que incorpora na dirigente espiritual da casa que frequento, só para dar um exemplo, mas o contrário também ocorre, médiuns não são donos das entidades e elas podem muito bem e tranquilamente incorporar em outros médiuns inclusive ao mesmo tempo por conta de sua elástica presença e por estarem atuando num tempo diferente do nosso, fato que lhes possibilita um deslocamento desdobrado, como se fossem vários num único.
Há algum tempo, escrevi sobre a hipótese de a falange de Maria Padilha ter sido iniciada a partir de uma história de vida real, tal escrito causou estranheza a alguns que talvez não tenham lido com atenção o artigo, aos interessados sugiro que busquem aqui mesmo, no blog, a postagem de nome Maria Padilha.
O fato é que cada entidade que se manifesta na Umbanda ou em outras doutrinas/religiões
 mediúnicas são únicas assim como somos únicos nós que estamos encarnados apesar de sermos espíritos vivenciando uma experiencia na matéria.
Seria, e ai vai um outro exemplo, como pessoas que trabalham numa grande empresa, nesse momento, de trabalho, representamos tal empresa eventualmente sendo chamados pelo seu nome apesar de termos o nosso próprio, como nesses casos:
- alô, bom dia, aqui quem fala é fulano da empresa tal.
ou
- alô, bom dia, aqui é da empresa...
Várias pessoas com histórias diferentes a serviço da mesma empresa que em seu horário de expediente se identificam como fossem a própria empresa, pois que durante algumas horas do dia a representam.
O que fazem fora da empresa fica por conta de sua inquestionável identidade.
Caso decidam não servirem mais àquela empresa, ou, se evoluem o bastante ao ponto de se tornarem custosos, buscam outra empresa e essa outra então terá outro nome que fatalmente irão representar, apesar de isso acontecer, espiritualmente falando, de forma muito lenta e gradual cujo nome é evolução, alcance de grau, ascensão.
Sugiro aos que buscam saber sobre a história de vida das entidades às quais servem de aparelho mediúnico, que perguntem às mesmas. Caso se neguem, no primeiro momento, aguardem com paciência, pois nada se constrói nem se revela sem que o tempo devido e necessário assim o permita.
Convivam com as entidades buscando nelas os exemplos, as palavras, os ensinamentos e aos poucos conhecerão suas histórias e as razões pelas quais estão juntos trabalhando pelo bem nessa vida.
Muita paz,
Annapon

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O Sacerdócio de Umbanda




O Sacerdócio de Umbanda

O que é Sacerdócio? – Quem é o Sacerdote de Umbanda? – Sacerdócio Vertical e Horizontal –


O Xamanismo é a expressão primeira da religiosidade do ser humano, é uma expressão natural a do Xamanismo primitivo.

O Xamanismo mostra que a expressão do êxtase, do transe religioso, do estado alterado de consciência, vai muito além daquilo que classificamos e rotulamos como mediunidade.

 O Xamã é alguém que se torna Xamã por dois caminhos, ele é um homem normal, comum, que passa a ter dificuldades emocionais, espirituais, ele vê coisas, ele sente coisas e muitas vezes ele fica até doente com doenças que não têm explicação, isso se conhece por doença Xamânica.

Em algum momento, ele se auto cura, ele tem uma visão, um encontro com um espírito ou com uma divindade, com um ser, com uma força, com um mistério, ele passa a ser portador desse mistério, se torna um Xamã, isso é o Xamanismo de investidura vertical.

Ele se torna Xamã pelo contato direto com o transcendente, com aquilo que vai ser sagrado na vida dele. E há o preparo do Xamã que é feito por outro Xamã, o Xamã mais velho prepara um Xamã mais novo para dar continuidade a uma linhagem Xamânica.


 Na história da humanidade houve homens, na origem do que chamamos de história, civilização, já havia homens que tinham essa expressão e se tornavam a referência espiritual para sua comunidade, para sua tribo, para aquele coletivo, ali ele se torna a expressão. Esse homem se tornava a expressão da espiritualidade do que chamamos de religiosidade porque mesmo que não houvesse uma religião organizada, ali estava a fé daquele grupo.

Esta é a sua religião, mesmo que não tenha nenhuma organização, passa a existir um conjunto de conhecimentos, de informações baseadas na prática desse Xamã que começa a explicar quem é o sagrado / quem é Deus / quem é o transcendente, como ele se manifesta.

Nesse momento, ele começa a organizar as coisas e passa a ser o representante da espiritualidade, não só da espiritualidade como também o Xamã, ele era, ao mesmo tempo, o médico, o filósofo, o mestre, o professor, uma figura importantíssima que até hoje vemos em algumas culturas tribais que ainda sobrevivem.

Esse Xamã é um líder espiritual, é um sacerdote que foi investido de poder de forma vertical, ele foi preparado de uma forma direta, por uma experiência transcendente ou de forma horizontal quando outro lhe preparou.

E com o tempo, a experiência dos Xamãs, dos místicos, desses homens que são como profetas, passou a ser organizada, a sua experiência é o conjunto de informações que eles coletaram acerca de uma experiência forte para conduzir a sua comunidade e isso passou a ser organizado na forma daquilo que  chamamos de religião.

E pela investidura horizontal alguém, que viveu isso, preparou outra pessoa, que preparou outra e assim sucessivamente, assim surgiu a hierarquia sacerdotal no Judaísmo que é descrita na Bíblia, onde Moisés, que tem o contato direto com Deus – da forma como está descrito no Velho Testamento –  prepara Arão e coloca a responsabilidade dos descendente de Arão – irmão de Moisés – que constitui os descendentes da tribo de Levi, de terem a investidura sacerdotal.

Em Levíticos estão os detalhes do que é pertinente ao sacerdócio sobre a investidura sacerdotal e como preparar um sacerdote, lá está escrito ainda como um sacerdote Judeu deve se vestir, está escrito nos mínimos detalhes, como é confeccionada a roupa do sacerdote, os detalhes da roupa, o sacerdote Judeu deve usar um efode – efode é um peitoral, um tecido que vai ao peitoral e nesse efode vão incrustradas doze pedras entre elas estão o ônix, o quartzo e algumas outras pedras, sendo que, cada uma das doze pedras simbolizava uma das doze tribos de Judá e ele usava mais duas pedras nos ombros, que são aquelas pedras chamadas de Urim e Tumim que é algo como uma pedra branca e uma pedra preta que são colocadas dentro de um saco e esse é o oráculo do sacerdote, quando ele não sabe se a resposta é sim ou não, ele reza a Deus e pede para que Deus lhe dê a resposta certa, ele busca a resposta tirando uma pedra daquele saco, se a pedra é branca a resposta é sim e se a pedra é preta a resposta é não ou vice e versa.

Esse sacerdote tem um oráculo que são duas pedras para responder sim ou não, tem um efode de doze pedras que vai ao seu peito, tem uma roupa sacerdotal, ele passou por uma investidura, na Bíblia, no Velho
Testamento está descrito como é feita a investidura desse sacerdote.

Jesus é tido como sacerdote, não da linhagem de Judá, mas da linhagem de Melquisedeque porque na Bíblia também está escrito que Abraão encontra um sacerdote do Altíssimo e seu nome é Melquisedeque, quer dizer: O rei justo.

Abrahão encontra esse sacerdote Melquisedeque que não tem pai, nem mãe, na linhagem sempre aparece quem é o pai e quem é a mãe, Melquisedeque aparece sem pai, nem mãe, então, ele pode ser um Anjo, ele é um sacerdote do Altíssimo.

O sacerdócio Judaico é um sacerdócio, o Cristão é outro, o sacerdócio Cristão segue Cristo. Cristo não é da tribo de Judá, ele não usa as roupas sacerdotais, não passou por uma investidura sacerdotal, mas ele é reconhecido como descendente da linhagem de Melquisedeque que é uma linhagem que não tem sacrifício animal porque Melquisedeque senta-se junto com Abrahão e ele comunga do pão e do vinho com Abrahão e não faz sacrifício animal, é de uma linha não cruenta.

Jesus é de uma linhagem sacerdotal não cruenta, ele é um Judeu da linhagem de Melquisedeque que não é uma linhagem consanguínea, é uma linhagem independente da tribo. Jesus é um leão de Judá, ele é da tribo de Judá, mas os seus descendentes, os seus sacerdotes, da sua hierarquia, ou seja, os doze apóstolos, são de qualquer tribo, não importa qual é a tribo.

 No Cristianismo, a hierarquia sacerdotal, a linhagem sacerdotal, já é diferente do Judaísmo clássico, do Judaísmo tradicional e ortodoxo, existe outro sacerdócio. E a igreja Católica vai criar a sua investidura sacerdotal, há uma forma, que Roma criou, de dar a investidura sacerdotal que é uma investidura horizontal, um sacerdote prepara outro sacerdote, é outra leitura.

Jesus era um rabino, um mestre, mas não tinha investidura sacerdotal, mas passa a ser sacerdote da linhagem de Melquisedeque.

O rabino deve ser respeitado como sacerdote enquanto líder religioso.

Todo médium de Umbanda já é um sacerdote em potencial, mas ele será o líder da comunidade quando for o dirigente espiritual e ele é um sacerdote quando assume a responsabilidade do Templo e da comunidade.

Temos de entender o que é o sacerdote a rigor, um líder religioso é visto como um sacerdote porque ele está à frente de uma comunidade. Agora, eu tenho o sacerdócio como um ofício por aqueles que passaram por uma investidura sacerdotal, muitos passam por uma investidura sacerdotal, são preparados como sacerdotes, por exemplo, no caso dos padres. Há padre que foi ordenado padre, mas não está à frente de nenhuma igreja.

Aquele que foi ordenado como padre, que foi preparado para ser padre – para ser padre, meu amigo, você tem que estudar muito, tem que se formar em Teologia, tem que ter cultura, tem que ter conhecimento, tem que ter embasamento para se ordenar padre, você tem que saber o que está fazendo, a pessoa se ordenou, ela recebeu investidura sacerdotal e que naquela tradição Católica ele é chamado padre, ele é um sacerdote.

Mesmo que ele não seja um líder de nenhuma comunidade, ele já é um sacerdote porque ele já foi ordenado, mas não é líder de nenhuma comunidade porque ele não está à frente de nenhuma, não é responsável por nenhuma igreja, mas ele é um sacerdote que foi ordenado. Agora, aquele que está à frente de uma comunidade tendo passado ou não por uma ordenação horizontal é um líder religioso, logo, é um sacerdote. Por que essa conversa toda? Porque existe uma enorme discussão de quem é sacerdote ou quem pode ser sacerdote.

No Xamanismo antigo, o representante da comunidade é um sacerdote que recebeu investidura direta do astral.

No Catolicismo, é sacerdote aquele que foi ordenado sacerdote.

No Islã, o Sheik não passa por uma ordenação de sacerdócio de templo porque a Mesquita é uma casa de oração e ele não é ponte, mas ele é um sacerdote enquanto líder religioso.

O Rabino é a figura do sacerdote enquanto líder religioso, mas tecnicamente ele não teve uma investidura para estar à frente do templo porque a Sinagoga é uma casa de oração. Mas, ele é o líder religioso daquele povo, então, ele é visto como um sacerdote.

Esse é o ponto, na Umbanda, quem é sacerdote?

 Vamos começar com Zélio de Moraes. O que aconteceu com Zélio de Moraes? Ele tinha dores pelo corpo, o Zélio teve todos os traços da doença Xamânica, de uma mediunidade descontrolada, ele já incorporava antes de descobrir a sua mediunidade, passava mal, ficou doente, foi levado para um padre exorcizar, foi levado para um médico psiquiatra, ele foi levado a benzedeira, foi para um Centro Espírita, incorporou um espírito e o espírito disse “Amanhã, eu vou criar uma nova religião” no dia 14 de novembro de 1908.

Zélio era um jovem rapaz que não sabia o que fazer da sua mediunidade.

No dia 15 de novembro, incorporado nele um Caboclo, anunciou uma religião, no dia 16 de novembro, o Zélio de Moraes estava inaugurando, incorporado,  um Templo, no dia 16 de novembro o Zélio já estava como sacerdote da Umbanda – olha que loucura – por uma ordenação vertical, os espíritos fizeram de Zélio de Moraes o sacerdote da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, ali ele preparou outros sacerdotes e é o fundador da religião, que é o primeiro Umbandista e criou o primeiro Templo.

Por qual preparo Zélio passou?

Zélio de Moraes não foi raspado, não foi burilado, não deitou, não fez coroação, não fez nada disso porque ele não vinha do Candomblé, a sua mediunidade eclodiu, ele veio tendo manifestações mediúnicas que é aquela história “quem não vem pelo amor, vem pela dor”, Zélio estava vindo pela dor e no momento que ele entra no Centro Espírita, sua mediunidade eclode, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorpora e fala “Estou aqui. Estou dando minha mensagem e tenho uma missão de trazer uma nova religião, esse rapaz vai estar à frente”.

Por qual preparo sacerdotal de investidura horizontal o Zélio passou? Nenhum. Horizontal? Não tinha alguém mais velho na Umbanda para prepará-lo, ele foi preparado direto do astral por investidura vertical.

Zélio preparou médiuns, como é que Zélio de Moraes preparava médiuns?

Fazendo desenvolvimento mediúnico, é simples.

E aí, quando o médium, por meio do desenvolvimento mediúnico, mostrava aptidões ou o Zélio reconhecia a missão de líder religioso, de sacerdote, ele era distinguido como dirigente espiritual, não tinha o conceito de hierarquias sacerdotais, mas Zélio preparou médiuns na qualidade de dirigentes para tomar conta de outros Templos, outras Tendas, só o Zélio fundou sete Tendas além da Tenda Nossa Senhora da Piedade e além da Cabana de Pai Antônio, Zélio fundou sete Tendas, no total sete Tendas com a Tenda Nossa Senhora da Piedade, sete Tendas sob a ordenação do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

domingo, 30 de agosto de 2015

– Elementos de Magia – Pemba, Pedras, Ervas, Águas -




– Elementos de Magia – Pemba, Pedras, Ervas, Águas -

O que é a pemba?

 A pemba é nada mais do que um giz, um mineral e é feita do mesmo material que se faz o giz de quadro negro, o valor da pemba é ser um mineral.

Desde o início da religião, a pemba é utilizada na Umbanda, a magia de pemba  é uma magia legítima da religião de Umbanda.

Na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, no Terreiro de Zélio de Moraes, antes de se começar os trabalhos, com a pemba são riscados no chão os pontos dos Orixás e dos Guias.

Quando você firma um ponto de um Orixá com a pemba, você está fazendo uma firmeza, você faz um símbolo, o símbolo de Ogum são duas espadas cruzadas, de Oxóssi: duas flechas cruzadas; símbolo de Obaluayê: um cruzeiro; de Oxalá: um sol ou uma estrela de cinco pontas ou uma cruz sozinha; de Oxum: um coração; de Oxumaré: um arco-íris; de Logunan: uma espiral, de Xangô: um machado ou uma estrela de seis pontas; de Egunitá: uma estrela de seis pontas cruzada no centro ou um raio; de Yansã: pode ser um raio curvilíneo ou uma estrela feita com as linhas curvas - uma estrela de cinco pontas feita com as linhas curvas; símbolo de Nanã: a lua crescente e a lua decrescente; de Omulu: uma foice ou uma cruz equilátera dentro de um círculo ou círculos no centro com uma cruz; de Yemanjá: pode ser as ondas do mar ou uma estrela com uma reta que fecha em curva em baixo – como uma bengala, esses são símbolos dos Orixás.

São apenas estes os símbolos dos Orixás?

Não, existem muitos outros símbolos para os Orixás.

 Há literaturas de Umbanda que mostram esses símbolos para o Orixá Oxalá, Oxum, Oxossi, porém outra literatura pode mostrar outro símbolo.

Existe uma grande quantidade de símbolos, a estrela de cinco pontas é símbolo de Oxalá, a cruz é símbolo de Oxalá, o sol pode ser símbolo de Oxalá, mas existem outros símbolos que pertencem a Oxalá, então, não são apenas esses símbolos.

 O símbolo é algo que traz a força, a energia do Orixá, traz uma simbologia, o símbolo traz algo relacionado  àquele Orixá, traz algo da vibração do Orixá, da energia do Orixá, da força do Orixá.

Se eu risco o símbolo de um Orixá – e eu posso riscar e você pode riscar – o símbolo de um Orixá e coloco uma vela do Orixá, aquilo é uma firmeza da força daquele Orixá.

Qualquer adepto, qualquer médium de Umbanda pode riscar o símbolo do Orixá de forma religiosa e não de forma iniciática, ou seja, na magia pura você precisa de iniciação, mas de forma religiosa não. Então, dentro do que é magia religiosa, você pode riscar uma estrela de cinco pontas para Oxalá e oferecer em cima dessa estrela, um prato de canjica com uma vela de sete dias dentro ou um prato com água da fonte e uma vela de sete dias branca dentro, isso é magia religiosa, você pode fazer magia religiosa e trazer a magia de pemba para essa magia.

Por que usar a pemba e não o giz de cera?

 Por que a gente não risca com o carvão?

Por que a gente não risca com um lápis? Por que não usa uma canetinha?

 Porque a pemba é um mineral.

Quando você risca com um mineral, esse mineral dá força para aquele símbolo, o mineral riscado cria uma onda, uma vibração, uma frequência em torno daquele símbolo.

Cada símbolo gera um tipo de frequência, de energia, de vibração e entra em sintonia com a tela vibratória dos Orixás.

O que é a tela vibratória?

É o conjunto de energias e vibrações de cada Orixá que envolve o Planeta, quando o meu símbolo tem sintonia com esta ou aquela tela, porque o símbolo gera uma frequência de onda, uma vibração fundamentada numa geometria sagrada que encontra sintonia com a geometria das ondas e vibrações e energia presente na tela desta ou daquela divindade.

 Por isso cada símbolo de cada Orixá encontra sintonia, ressonância, na tela daquele Orixá que envolve o Planeta.

 Temos os símbolos sagrados de Umbanda, a Umbanda tem uma simbologia própria. “Ah, mas a estrela de cinco pontas é usada em outras culturas também”, pois é. Mas, na Umbanda ela tem um significado próprio, a estrela de seis pontas tem um significado para o Judaísmo, mas na Umbanda a estrela de seis pontas tem outro significado, aqui a estrela de seis pontas é a estrela da justiça, a estrela de Xangô.

Podemos, como magia religiosa, riscar uma estrela de seis pontas, colocar um prato de azeite em cima - azeite de oliva porque o azeite de oliva tem propriedades purificadoras da energia negativa - e colocar uma vela vermelha de sete dias ou marrom dentro desse azeite e oferecer para Xangô em cima do símbolo sagrado de Xangô.

E podemos nos ajoelhar e clamar a Deus, a sua Lei Maior e a sua Justiça Divina, a força e a proteção de Pai Xangô e oferecer a ele esse símbolo sagrado, esse azeite, essa vela que por meio dessa magia, desse recurso, Xangô possa afastar os inimigos da vida, cortar as demandas, limpar e purificar toda e qualquer energia negativa, isso é magia.

Eu posso fazer o símbolo de Yansã, partindo de um ponto central, posso fazer sete arcos voltados para fora ou uma estrela de cinco pontas feita com curvas, posso oferecer água de chuva num prato em cima de uma estrela de Yansã.

Cada Orixá tem a sua estrela.

Podemos ofertar água de chuva a Yansã em cima da estrela de Yansã, isso é magia. Eu risco uma estrela para Yansã e coloco quatro peras em volta e peço a Yansã para me dar força, poder, energia, coloco a vela amarela de sete dias no centro.

O símbolo de Obaluayê, por exemplo, pode ser um cruzeiro com três degraus e três cruzes, uma cruz no centro, no alto, e mais duas, uma de cada lado, no cruzeiro de Obaluayê.

Há ainda o octágono; uma cruz cruzada, como um asterisco, quatro retas que dá um total de oito pontas é um símbolo de Obaluayê.

Podemos colocar um prato com terra em cima e uma vela violeta para Obaluayê.

 Há uma ciência, qual é a cor? É violeta. Qual elemento de Obaluayê? É terra. Qual o símbolo de Obaluayê? Pode ser uma cruz, pode ser um cruzeiro, pode ser um octágono, isso é magia.

Podemos nos ajoelhar e evocar a força de Obaluayê elevando o pensamento a Deus, Pai Criador, sua Lei Maior e sua Justiça Divina e invoco, evoco e clamo a partir da minha fé, a força e a proteção de Obaluayê para me ajudar nesse sentido da vida, me ajudar a passar por essas dificuldades, me ajudar a evoluir.

Para cura, podemos colocar terra por baixo e estourar pipocas, as pipocas trabalham na força de Obaluayê, risco o símbolo de Obaluayê, coloco terra e pipoca por cima e peço a Obaluayê que me ajude a curar essa doença, aquela enfermidade, essa dificuldade.

Podemos riscar a estrela de Yemanjá, se pode riscar uma estrela de sete pontas, que é a estrela de Yemanjá, feita com sete pontas e em cima colocar um prato com água do mar – você não tem água do mar, coloque um prato com água e misture com sal grosso - ofereça a Yemanjá, isso é magia de Umbanda, é simples. Alguns podem dizer: “Ah, isso é uma simpatia”. O que é uma simpatia? Uma magia que perdeu o seu fundamento.

Quando você não sabe o fundamento de algo, você faz só por repetição, isso é simpatia. Agora, quando você sabe o fundamento é magia, então, se eu risco uma estrela de sete pontas com a pemba, se eu coloco um prato com água do mar, se eu pego uma rosa branca e coloco as pétalas da rosa em cima dessa água, coloco uma vela azul claro de sete dias e ofereço para minha mãe Yemanjá e peçoa ela para me ajudar a lidar com a força criacionista, geracionista, que ela me dê o poder de criar, que ela me dê o poder de gerar, que ela me traga criatividade, que ela me traga a força da mãe, que ela me ajude a cuidar dos meus filhos, que ela traga força, o poder, a energia do mar pra limpar e descarregar qualquer energia negativa no meu lar, na minha casa.

Eu posso fazer isso dentro de casa, uma magia de Umbanda que nesse caso não requer iniciação, porque é uma magia religiosa, você está fazendo enquanto religioso. Esse é o símbolo de Yemanjá. Apenas a estrela de sete pontas com uma vela dentro já tem um poder incrível porque é um espaço mágico, você tem um espaço formado por um símbolo, então, as estrelas dos Orixás criam espaços mágicos.

Logunan nos protege contra o mal religioso.

Logunan é a senhora que encaminha os espíritos perturbados e perturbadores. Logunan é a senhora da religiosidade, é o Orixá do tempo, é a mãe que faz par com Oxalá – Oxalá é o espaço, Logunan é o tempo – o símbolo de Logunan é uma espiral, você começa de fora para dentro ou de dentro para fora, comece do ponto central para fora girando no sentido anti-horário para fora e termina apontando para cima. Depois você começa de fora para dentro, girando para dentro ou você simplesmente faz uma espiral, como um caracol, risque uma espiral no chão, coloque uma vela em cima, ofereça para Logunan, ali está uma firmeza de Logunan pra você pedir a proteção de Logunan.

Há ainda a firmeza de Logunan com o bambu, coloca-se um bambu, uma cabacinha na ponta, com a tampinha da cabacinha cortada, coloca-se água dentro e oferece-se isso para Logunan, você pode acender uma vela branca e uma preta ou você pode acender uma vela azul petróleo, azul bem escuro. Agora, você pode fazer uma firmeza interna de Logunan, riscando o símbolo de Logunan e colocando uma vela branca no centro, pedindo a força de Logunan, o amparo de Logunan para sua religiosidade, para que ela proteja a sua religiosidade.

Para Omulu, quando se quer cortar demanda, você faz uma cruz com quatro lados iguais e risca um círculo ou você risca um círculo e faz uma cruz dentro dele e oferece uma vela roxa pra Omulu, é uma firmeza de Omulu pra quebrar demanda, pra cortar demanda, pra paralisar uma ação negativa, podemos nos ajoelhar, evocar a força de Omulu, religiosamente, e pedir para Omulu paralisar toda força negativa que estiver indo ao seu encontro..

Temos símbolos de Oxalá, Logunan, de Oxum – o coração;  risque com a pemba um coração, experimente fazer, pegue a pemba e risque um coração, coloque dentro dele uma vela de sete dias cor de rosa, ofereça pra Oxum, peça a ela força e proteção.

Faça um arco-íris, você pode pegar pembas coloridas e fazer um arco-íris religiosamente, faça um arco-íris ou faça um circulo e coloque sete velas coloridas para Oxumaré, coloque o seu nome no centro com uma vela de sete dias branca em cima, peça a Oxumaré para renovar o seu amor, diluir o seu ciúme, o seu negativismo.

O que eu peço a Oxóssi?

 Fartura, expansão, conhecimento, faça a firmeza dele, experimente fazer a firmeza de Oxóssi com a pemba.

 Obá: você faz o símbolo de Obá que é um losango, risque um losango e coloque uma vela vermelha ou magenta – a cor é magenta, mas você não encontra magenta, coloque uma vela vermelha dentro de um losango ou risque a estrela de Obá, que é linda.

Como é a estrela de Obá? Como uma flor, faça um círculo e comece a riscar pétalas em volta, pétalas e mais pétalas até que forme uma flor de lótus; uma flor olhada de cima é símbolo de Obá.

Pede-se a Obá foco, determinação, você pode colocar também um prato de terra úmida ou molhada para Obá, você oferece uma vela, pede a ela para te dar foco, quando você está distraído, disperso ou quando você vai fazer uma prova. Se você vai fazer uma prova, se você está passando por uma avaliação. Quem pode lhe ajudar? Obá, porque ela te dá concentração, foco, objetividade, faça uma flor de lótus vista  por cima e coloque uma vela e seu nome em baixo.

Em todas essas firmezas você pode escrever o seu nome e colocar em baixo da vela. Por que então há outro elemento na magia, o nome representa a sua presença, colocar o nome debaixo da vela é mais um elemento de magia, é trazer essa magia para sua identidade.
Símbolo de Nanã: risque uma lua decrescente ao lado de uma lua crescente, duas luas, uma sobre a outra é símbolo de Nanã Buroquê.

Se você quiser, pode riscar uma lua voltada para direita e uma lua voltada para esquerda, uma lua voltada para cima e outra voltada para baixo, você tem uma cruz feita com luas: símbolo de Nanã Buroquê, ali você coloca uma vela lilás.

Além disso, temos na Umbanda, o ponto riscado que entra nesse mérito da magia de pemba; dentro da Umbanda é uma polêmica. O primeiro autor a afirmar isso foi Aloisio Fontenelle. Começou afirmando que aqueles pontinhos de Umbanda, de flechinha, solzinho, eram fracos e que tinha que ter uma alta magia de Umbanda que é a magia com símbolos e signos cabalísticos derivados de uma escrita perdida, sabe-se lá qual e só você lendo os livros dele vai saber por que senão você não vai saber e tirando o mérito da escrita mágica de Umbanda, de pemba.

Nossos Caboclos, Pretos Velhos, Baianos, Boiadeiros, riscam ponto. O ponto riscado, às vezes, está dentro do círculo, às vezes está sem círculo, então, quando está dentro do círculo é ponto riscado fechado, sem círculo é ponto riscado aberto; quando o ponto riscado está dentro do círculo é porque a ação mágica vai ocorrer dentro do círculo. E no ponto riscado pode ter flechinha, solzinho, cruzinha, pois todos têm um poder incrível de ação, atuação.

Todo ponto riscado tem valor, poder e é mágico.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Funcionamento da Magia na Umbanda




Funcionamento da Magia na Umbanda

No momento em que uma religião, como a Católica, assume o poder, e ela assumiu durante um bom tempo, essa religião começa a perseguir as outras e uma forma de perseguir é afirmar que a magia do outro é uma coisa demoníaca, isso é uma receita antiga.

Historicamente, quando o Catolicismo se torna uma grande religião, de poder, uma religião do estado, que tem o poder de perseguir, de castigar, naquele momento foi, por exemplo, criada a inquisição.

E por meio da inquisição essa organização persegue as outras religiões, os praticantes de outra religião. No olhar preconceituoso, a prática de outra religião é sempre de feitiçaria, de magia.

Nomearam de bruxos e bruxas todos que tivessem alguma prática religiosa de outra religião, uma rezadeira da cultura Celta era considerada uma bruxa, uma benzedora de outra cultura era considerada uma bruxa, alguém que soubesse trabalhar com ervas, com algum elemento da natureza, era considerado bruxo ou bruxa.

A Inquisição levou à fogueira os praticantes de magia de outras religiões e mesmo as religiões que insistiram em praticar a religiosidade que não fosse a  Católica.

Esta é uma página da história da humanidade que a Inquisição “escreveu” e é um momento em que a religião instituída assume uma guerra contra a magia e o que a magia representa, lançaram guerra contra a magia impedindo as pessoas de praticá-la, referindo-se à magia como algo que não presta, não serve, essa ideia foi incutida na cabeça das pessoas durante séculos e foi sendo trabalhada essa ideia de que magia não presta e de que qualquer magia é algo enganoso, embusteiro, que toda forma de magia, toda e qualquer forma de magia não é algo sagrado porque não pertence àquela religião e isso ficou no inconsciente coletivo.

Até hoje é muito difícil para muitas pessoas entenderem o benefício que traz a prática de magia, pra muitas pessoas ainda qualquer forma de magia tem uma conotação negativa, pejorativa, se você tem que fazer uma receita mágica, parece, para algumas pessoas, que se sentem como se estivessem fazendo algo errado por estar praticando magia. E a diferença do certo e do errado é a intenção.

Fala-se na magia branca e na magia negra, existem muitas formas de magia – e negra aqui não diz respeito à raça – mas, diz respeito à magia positiva e magia negativa, magia negativa há muito tempo foi e é chamada de magia negra.

Qual a grande diferença? A intenção.

A magia branca ou magia divina é feita com boa intenção, com a intenção de ajudar e a magia negativa é feita com a intenção de prejudicar.

 Dentro de muitas culturas, a grande diferença é a maneira de trabalhar.

Dentro do que nós chamamos de magia existem as magias naturais, ou seja, as magias ligadas à natureza que são as práticas de magia das religiões ligadas à natureza e aí nós temos: magia branca e magia negativa/ magia negra, aí tem magia astrológica, magia Celta, magia rúnica, magia Egípcia, magia Maia, magia Asteca, magia deste povo, magia daquele povo, magia dessa cultura, magia daquela cultura e aí também essas formas de magia vão assumindo nomes.

Por exemplo, hoje em dia a prática da magia Celta é chamada de wicca.

Se o Judaísmo tem a Cabala Hebraica e o Islã tem o sufismo, a wicca está para a religiosidade Celta assim como essas práticas estão para outras formas de religiosidade. A wicca é trazer, reviver a magia daquela cultura, daquele  povo Celta.

E em todas as práticas mágicas de diversas culturas a gente vê a manipulação de elementos, então, dentro da tradição da Cabala você tem a utilização de nomes sagrados, de palavras sagradas, de letras sagradas, de símbolos, de signos, o uso dos elementos, da vela, da verbalização, da vocalização de sons sagrados, da chamada de forças e poderes.

A Cabala Hebraica influenciou fortissimamente o que é chamado de magia europeia ou ala magica europeia onde, nessa cultura, na alta magia, há uma distinção entre teurgia e goécia, nessa cultura europeia mágica se diferencia magia branca como teurgia e magia negra como goécia, é dito que na teurgia se trabalha com Anjos e na goécia se trabalha com demônios.

E há um tipo de magia em que você trabalha com teurgia e goécia ao mesmo tempo em que se formam signos pantáculos, signos cabalísticos, estruturas simbólicas de magia onde você evoca o poder de um demônio cercado por um poder de um Anjo, então, isso é chamado também de uma forma de alta magia.

Por que trabalhar com Anjos e demônios?

 Acredita-se que a força dos Anjos é manipulada por meio da magia ou trabalhada por meio da magia para atingir objetivos espirituais e divinos, e a força dos demônios é para atingir objetivos materiais ou profanos.

Para trabalhar a força de um demônio nesse tipo de magia, você trabalha com a força de um anjo e aprisiona a força do demônio construindo um pantáculo, um círculo mágico com outros círculos dentro - como uma cebola - nos círculos de dentro estão as forças dos demônios e ao redor as forças dos Anjos, no centro fica o praticante de magia que evoca o Anjo e evoca um demônio, o demônio é obrigado a obedecer a sua ordem sob a força e a presença do Anjo.

Muita gente, na Umbanda, já estudou sobre teurgia e goécia, e trouxe para a Umbanda como Aluísio Fontenele em 1950 quando começou a aplicar isso na Umbanda considerando a linha da Esquerda como goécia e linha da Direita como teurgia, ele comparou os Exus aos demônios e os Orixás aos Anjos e ele considerava que o trabalho mágico de Umbanda devia ser feito dessa forma, evocando Exus como demônios e invocando Orixás como Anjos numa magia Cabalística imitada, copiada ou inspirada pela alta magia que mistura Anjos com demônios, teurgia com goécia, no entanto, nossos Exus não são demônios e a nossa magia não é magia europeia, então, é bom estudar outras tradições, mas nem sempre o fundamento de outra tradição pode fundamentar a nossa religião, existe uma magia que é a Magia de Umbanda que se auto explica, é uma magia divina, é uma forma de teurgia, mas os Orixás são divindades, são muito semelhantes aos Anjos, mas não são tratados na Umbanda da mesma forma que os Anjos são tratados no Catolicismo ou da forma como os Anjos são tratados na Cabala Hebraica.

Nossos Exus não são demônios, eles lidam sim com os aspectos mais materiais da vida também, não apenas, mas, a maneira de tratar um Exu não é à maneira da goécia ou da magia negra tratar um demônio. Exu não é escravo do Orixá, não se coloca Exu para trabalhar por obrigação, forçado pelo poder incisivo de um Orixá que o obriga a trabalhar, não, Exu trabalha comigo porque é minha entidade e o Orixá Exu não é um demônio, Orixá Exu é uma divindade, é um Orixá assim como Oxalá.

O sufismo tem práticas mágicas muito parecidas com a Umbanda, mas não é Umbanda, eu posso estudar a obra de Eliphas Levi, mas essa obra não explica a magia da Umbanda “Dogma e Ritual de Alta Magia” – Eliphas Levi publicado pela editora Madras é um livro excelente, mas esse livro não explica a Umbanda, os dogmas de Levi não são os dogmas da Umbanda, para Levi a mulher não pode praticar magia, na Umbanda a mulher pratica a magia, aí tem Umbandista que lê Levi, depois escreve livro de Umbanda dizendo que mulher não pode praticar magia, que bobagem é essa? Porque foi buscar um fundamento alheio, eis a resposta.

Você pode ler o livro magos de Francis Barret, um livro de 1801 que foi publicado pela editora Mercúrio, você pode ler, mas não é Umbanda. Você pode estudar o wicca, mas não é Umbanda. Você pode estudar muitas práticas diversas de magia, você pode estudar a Cabala Hebraica a fundo, mas não é Umbanda.

 A Umbanda possui uma magia que se auto explica. É certo que no passado não tinha por onde estudar a magia de Umbanda e todos aqueles que se interessaram pela magia de Umbanda, por falta de uma literatura mágica de Umbanda, buscaram estudar a magia em outras culturas, isso ajuda a entender a magia da Umbanda, mas também pode atrapalhar.

Quando você pega a dogmática de outra religião, os dogmas de outra prática de magia, aí traz pra dentro da Umbanda, que é uma religião mágica, mas que não possui dogmas – dogma é uma verdade que tem que ser aceita sem contestação. Então, tudo na Umbanda é passível de ser questionado e contestado por isso que não tem dogma, dogma é uma verdade que tem que ser aceita porque Deus quis e ponto final.

A Umbanda tem magia própria, desde o começo da religião se fala em magia, desde Zélio de Moraes, desde Leal de Souza – o primeiro autor de Umbanda – o primeiro livro de Umbanda publicado chama-se: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, publicado em 1933, nele já está a magia.

Em 1944, vários autores defendem a Umbanda como magia branca, Lourenço Braga afirma no seu livro Umbanda e Quimbanda: “Umbanda é magia branca, Quimbanda é magia negra” – não vamos entrar no mérito da Quimbanda – mas, a questão é: a Umbanda sempre foi vista como uma prática de magia, magia religiosa e religião mágica pelos seus praticantes, mas houve aqueles que misturaram os fundamentos como os de Aluísio Fontenele, misturou o conhecimento da goécia europeia com a Esquerda da Umbanda e com a Quimbanda.

É algo que dá pra praticar?

 Dá para praticar, mas você buscou um fundamento alheio, hoje a magia de Umbanda é uma forma de teurgia quando trabalha com os Orixás, a magia da Umbanda é uma forma de alta magia quando apresenta uma ciência, a magia da Umbanda é uma magia natural quando busca as forças da natureza, a magia da Umbanda é uma magia autêntica e divina no momento em que ela tem fundamento próprio.

Hoje existe literatura de Magia Divina de Umbanda.

Há uma magia da Umbanda que é uma Magia Divina, a Magia Divina de Umbanda é a magia que dá acesso aos mistérios, mistérios relativos e pertinentes as forças e os poderes que se manifestam na Umbanda – poder é a manifestação de uma divindade, força é a manifestação de uma entidade –

Na Umbanda se trabalha com a magia das sete chamas sagradas que é o elemento fogo, com a magia do elemento água, magia do elemento terra, com a magia do elemento ar, com a magia do elemento cristalino, mineral e
vegetal.

Na Umbanda se trabalha com magia dos sete elementos. Na Umbanda se trabalha magia da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução, da Geração.

 Na Umbanda se trabalha a magia de Oxalá, de Oxum, de Oxóssi, de Xangô, de Obaluayê, de Nanã. A magia do mistério do Caboclo, a magia do mistério do Preto Velho, a magia dos movimentos, a magia da dança, a magia do som, a música de Umbanda é uma verdadeira magia, a magia que há e é praticada por meio do fumo, por meio da bebida, dos símbolos, dos gestos, das palavras, das oferendas, magia de símbolos.

O Preto Velho está incorporado batendo o pé no chão, tremendo a perna e batendo-a no chão, é uma magia e um mistério. E tem o momento em que a entidade pega uma pemba risca um ponto no chão e aí ele coloca água, coloca erva, tem a magia das sete ervas sagradas, a magia das sete águas sagradas, a magia de cada elemento, força, símbolo, de cada signo.

A magia de Umbanda é uma ciência porque existe uma técnica para se trabalhar essa magia e isso acontece de uma forma muito natural.

Como preparar uma defumação?

A defumação é uma prática mágica, implica no conhecimento de uma ciência. O que faz a defumação? Faz a limpeza e a purificação do ambiente por meio da queima de ervas ou de resinas.

Quando a resina do incenso queima em cima de um carvão em brasa, aquela fumaça que exala vai carregada das propriedades aromáticas dessa resina, desse incenso que tem a capacidade de limpar, purificar a energia negativa no ar, é uma magia que trabalha no ar.

domingo, 16 de agosto de 2015

Magia de Umbanda – O que é Magia? – Tipos de Magia





Magia de Umbanda – O que é Magia? – Tipos de Magia

O que é magia?

 Existem muitas definições para magia como manipulação de forças; como a capacidade de interagir com os elementos da natureza; como produzir uma ação por meio da vontade; ou a evocação de poderes e mistérios de maneira que os coloque a seu favor; ou a evocação de poderes, forças e mistérios para ajudar você ou outra pessoa.

 Há muitas definições para magia, mas às vezes por mais que a gente dê várias definições, para muitos ainda é difícil entender o que venha a ser magia e fica mais delicada ainda a diferença entre magia e religião.

Existe uma linha tênue entre o que é magia e o que é religião, até porque as religiões também possuem um viés mágico e as magias muitas vezes tem uma conotação religiosa.

Existem religiões mágicas, magias religiosas e religiões que mesmo não se considerando religiões mágicas têm uma influência da magia ou no seu ritual ou na sua origem. Existem vários olhares para explicar o que é magia, diferentes olhares e formas de entender.

Magia é manipulação de forças, é chamada de poderes, é chamada de entidades, a relação, a forma de evocar, de determinar. O praticante de magia  tem uma postura diferente da postura do religioso.

A pessoa que pratica magia é ativa, tem um contato direto com os mistérios aos quais está se submetendo/lidando, a pessoa que pratica magia trabalha direto com a divindade, com as forças, com os poderes, com os mistérios determinando, dando ordens mágicas, realizando ações mágicas com a finalidade de alcançar um objetivo.

A palavra mago hoje tem um peso tão grande que é difícil utilizar essa palavra porque quando você fala que alguém é um mago, já imaginam que ele tem que ser o Merlin com chapéu de Merlin com uma varinha na mão, com uma roupa esquisita e fazendo mágica de palco.

O mago, o praticante de magia é e pode ser uma pessoa comum que conhece técnicas de magia, essa é a questão.
 A postura do religioso é de reverência, de humildade, de quem está pedindo, clamando, se curvando. O religioso é aquele que está sempre pedindo, o praticante de magia é aquele que está determinando, a postura é diferente.

O religioso está sempre esperando que as coisas aconteçam sob a vontade de Deus, o praticante de magia está interferindo como elemento ativo e dependendo do segmento, o praticante de magia é o elemento ativo da vontade de Deus, o religioso é sempre um elemento passivo.

 A relação do religioso com o mistério Maior, na maioria das religiões, é de passividade e em muitas religiões o fiel, o religioso, não tem um contato direto com a divindade, entre ele e a divindade existe um intermediário: o sacerdote.

O praticante de magia tem contato direto.

Há uma ação mágica e uma ação religiosa: a ação religiosa é aquela que está trabalhando o seu íntimo, o seu lado interno; ação mágica está trabalhando o lado externo e aquilo que você quer conquistar, que você quer trabalhar ou aquilo que você quer cortar, anular, a energia que você quer descarregar, a entidade que você quer encaminhar, o trabalho que você quer desfazer, quer desamarrar. Isso é uma ação mágica e uma ação mágica em que você está manipulando elementos e sabe que, por meio daqueles elementos, você desamarra, corta, purifica, esgota, encaminha, quebra, desfaz.

Na ação religiosa você entra em contato com sagrado e pede que se for do seu merecimento, de forma direta, seja feito o que tiver de ser das suas necessidades, esse é o contato religioso.

O contato mágico implica num conhecimento, é uma ciência, uma arte real, a arte da magia, da prática da magia, ciência que implica o conhecimento de um objeto que está sendo trabalhado.

O religioso não precisa conhecer uma ciência, ele precisa ter uma doutrina, o religioso não é estudioso de ciência, o religioso é doutrinado é ovelha, o praticante de magia é leão.

 O religioso pode se tornar uma galinha, o praticante de magia deve ser uma águia. O religioso é passivo, o praticante de magia é ativo. A religiosidade é algo que acontece de dentro pra fora, a magia acontece de fora para dentro.

Rubens Saraceni diz que: “ A ação religiosa é uma ação que se desdobra a partir do lado interno da criação”.

O que tem no lado interno da criação?

O lado íntimo de Deus, o lado íntimo daquilo que é o sagrado e é desconhecido, onde a gente não penetra.

E o lado externo da criação?

É o mundo tal qual nós conhecemos com suas dimensões paralelas, com o lado espiritual, o material que é possível ver e relacionar-se.

Temos o lado interno e externo da criação e no lado externo a gente tem as realidades divinas que é aquela que se manifesta para nós, a natural das realidades naturais e paralelas e a realidade espiritual.

Nós nos relacionamos com seres naturais, com seres divinos e com seres espirituais isso é um conceito da obra de Rubens Saraceni em Teologia de Umbanda.

Na ação religiosa o meu lado interno se comunica com o lado interno do criador, com o lado interno da criação, é uma ação que se desdobra de dentro para fora.

Na ação mágica, o meu lado externo, a minha espiritualidade, minha relação com as divindades, com os seres naturais, com os elementos, com as forças, com os poderes, isso é o meu lado externo e está atuando, ou seja, há um desdobramento mágico que acontece no lado externo. Então, a ação religiosa é uma ação que acontece de dentro para fora e ação mágica que acontece do lado externo para o lado interno a partir do externo vai provocar mudanças que vão alterar o meu interno.

O religioso é submisso, reverente, humilde, aquele que se curva.

 O praticante de magia é ativo, ele determina e ele manipula.

Max Weber explica que a grande diferença entre religião e magia é: que a religião é a prática de uma comunidade e a magia é uma prática solitária, o religioso se estabelece em comunidades, se congrega, se une em torno de uma doutrina, de uma filosofia, de um Templo.

O praticante de magia realiza a sua arte, a sua ciência sozinho, de forma solitária, para ver como é difícil entender a diferença entre magia e religião, o Weber não entra no mérito de como é feita a prática, ele entra no mérito que religião é algo que congrega as pessoas, magia é algo que você pratica sozinho.

Essa é uma característica de que para praticar magia você não precisa de uma congregação, não precisa se congregar com as pessoas para praticar a magia você não precisa de um Templo para reunir pessoas, para praticar magia você não precisa de hierarquia religiosa, você não precisa de um sacerdote, você não precisa de uma doutrina porque a doutrinação envolve a maneira de conduzir um grupo.

A magia é uma prática que pode ser solitária porque ela dispensa toda organização do contexto religioso que implica em como conduzir uma comunidade, o praticante de magia tem um contato direto com o mistério, ele é ativo, determina, faz, realiza e ele não depende de ninguém, de nenhuma estrutura, de nenhuma hierarquia, ninguém está acima dele, ele tem um contato direto. Agora, os praticantes de magia podem se reunir, mas eles não dependem de uma reunião para realizar a sua arte mágica, mas eles podem se reunir.

Da mesma forma, os religiosos podem ter práticas mágicas, mais ou menos mágicas e aí entram as religiões mais ou menos mágicas.

 A Umbanda é uma religião mágica, o religioso de Umbanda não é alguém que fica apenas em atitude passiva, ele não vai ao Templo para sentar e ficar esperando de forma passiva, essa atitude passiva na Umbanda a gente só vê nos consulentes que não são exatamente a figura do religioso de Umbanda porque o consulente não precisa nem ser Umbandista, o consulente pode ser Católico, Judeu, Muçulmano, ateu – o consulente – e o consulente é passivo porque ele chega, senta no banquinho e ele fica esperando a hora de chegar sua consulta, o consulente é passivo.

 Esse consulente pode se tornar um religioso Umbandista passivo enquanto consulente, mas quando uma entidade falar para ele: “Meu filho, pra trazer fartura para sua vida, você pega uma moranga dá uma cozinhada nessa
moranga, tira a tampa de cima da moranga, abre ela, faz uma canjiquinha amarela cozida coloca dentro da moranga, coloca uns cravos da índia por cima, acenda uma vela verde de sete dias e coloque dentro dessa moranga oferece isso para Oxóssi, o Orixá do reino vegetal, dos vegetais e da fartura e pede para Oxóssi trazer fartura para sua vida, faça isso e como resultado você vai sentir uma melhora nesse campo”.

A entidade está ensinando magia, está falando: “Meu filho, pra abrir os seus caminhos vá até uma estrada, até um trilho de trem e faça uma oferenda pra Ogum”, esse consulente que é passivo, está aprendendo práticas mágicas, então, a religião é uma religião mágica.

Quando a gente olha uma religião como o Catolicismo, a gente pensa que é uma religião que se coloca frontalmente contra a magia e não tem prática nenhuma de magia. A gente pensa que no Catolicismo não existe magia porque historicamente o Catolicismo foi contra a magia, no entanto, o eixo central da religião, da ritualística Católica é a missa e na missa você transforma o vinho em sangue e o pão em carne, em corpo de Cristo.

E aí você pensa: “É, mas, o vinho não se torna sangue de fato e a hóstia não se torna carne de fato”, pois é, mas simbolicamente sim.

Simbolicamente aquele vinho não é mais visto como vinho e sim como o sangue de Cristo, simbolicamente a hóstia não é mais um pão, ela é o corpo de Cristo, a carne de Cristo, então, simbolicamente o vinho foi consagrado para tornar-se sangue de Cristo. E como? Por meio de um ritual.

 Na missa existe um ritual no qual você faz com que o vinho se torne sangue e com que o pão se torne carne, esse é um ritual mágico. A missa tem um ritual de magia que não pode ser explicado para os fiéis e só quem pode fazer esse ritual é o sacerdote, o fiel é passivo.
A religião Católica busca os fundamentos do Cristianismo é uma forma de Cristianismo, não é a única forma, ela revive a vida, a história, a filosofia de Jesus Cristo e na vida de Jesus é relatado, por exemplo, a multiplicação dos pães - é magia, o momento em que Jesus faz com que a água se torne vinho – é magia, Jesus levanta a mão e expulsa demônios ou espíritos imundos, seja lá qual for a tradução – é magia.

A linha é tênue entre magia e religião.

Muitas vezes o religioso, principalmente o Católico vai dizer assim: “O que Jesus fazia não era magia era milagre”. E nas outras religiões? “Ah nas outras religiões era magia”, então, a ação mágica da sua religião é um milagre e a ação mágica da outra religião é magia, é feitiçaria.

Atente para esse detalhe: que o religioso de outra religião quando não reconhece a presença divina e sagrada na sua religião ele diz que o que você faz é magia e feitiçaria porque ele não está reconhecendo que ali está Deus e ali tem algo sagrado.

No momento em que reconhece isso deixa de ser magia pra dizer: isso aí é um milagre, uma intercessão de Deus, mas um milagre é também uma ação mágica quando a pessoa que faz sabe o que está fazendo.

O que vem antes do Cristianismo?

 O Judaísmo.

 No Velho Testamento nós temos Moisés: “Moisés solta sete pragas no Egito. Foi um milagre que Deus operou”, é magia; “Moisés pega um cajado bate no morro e sai água”, é magia; “Moisés pega o cajado e joga no chão e o seu cajado se transforma numa cobra”, é magia. Não é milagre. Milagre é porque é da sua religião porque quando você olha de fora é magia, isso é magia. “Moisés bate o cajado no chão e abre o mar”, é uma ação mágica produzindo um efeito externo, isso acontece de fora para dentro, isso é magia. Moisés poderia operar tudo isso sozinho sem intercessão de ninguém, então isso é ação mágica.

Moisés diz: “Que todos os primogênitos no Egito irão morrer menos os filhos primogênitos dos semitas”, mas para isso todos fizeram sinal na porta da sua casa para que a morte não entrasse. Quem é a morte? É o Anjo da Morte.

Moisés evocou o Anjo da Morte, a presença do Anjo da Morte para levar a morte para todos os primogênitos dos Egito menos na casa dos semitas, por quê? Porque na porta de entrada eles colocaram um sinal, esse sinal é um sinal cabalístico, é um sinal que tem o poder, que tem uma força.

Ali há uma ciência, é magia.

Quem é Moisés?

 Moisés é um semita que foi criado como príncipe do Egito, foi criado para ser Egípcio, mas ele foge e se casa com Séfora passando a conviver com seu sogro, chamado Jetro, que é negro, Africano, passa a conviver com ele, vai aprender magia com Jetro, Moisés torna-se um grande praticante de magia e ele dá base de fundamentação para o Judaísmo tanto a base Judaica religiosa quanto a base Judaica Mística ou Mágica que está na Cabala ou na Cabalá. “Ah, então, o Judaísmo tem religião e magia?”. Sim. O Judaísmo tem uma vertente mais religiosa e uma vertente mais mágica.

As religiões possuem a vertente mágica também que é relacionada com a mística e a parte que a gente chama de mediúnica.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

– Funeral Umbandista – A Morte – O Desencarne




– Funeral Umbandista – A Morte – O Desencarne

As pessoas não falam sobre a morte e a morte é a maior certeza da vida, a única certeza que se tem sobre a vida é a morte, a morte é certa.

Precisamos quebrar o tabu com relação à morte, a gente precisaria entender a morte de uma forma mais natural. Claro, que tem o problema em lidar com a saudade.

 Não dá para negar a saudade e a falta que fazem as pessoas queridas, mas é preciso lidar com a morte de uma forma mais natural porque nós vamos morrer, todos nós vamos morrer e a vida não para.

E não deve parar no momento em que alguém querido desencarna porque cada um tem algo para cumprir aqui nesse mundo, é natural que os pais desencarnem antes dos filhos, a morte de seus pais e dos seus avós deve ser encarada como algo natural, você já sabia que naturalmente eles irão desencarnar antes que você, então, devemos lidar com a morte de uma forma mais natural, ou, pelo menos, nos esforçarmos para tanto.

Há uma passagem da vida do Chico Xavier, na qual ele relata, no programa Pinga-Fogo, que ele estava num avião e em determinado momento, o avião começou a passar por uma grande turbulência, o avião voava pra cá, ia pra lá – o Chico Xavier contando isso é muito engraçado, procure se você não viu, ver no Pinga-Fogo, essa passagem  de Chico Xavier – e o comandante explica que estão passando por uma turbulência e o que pode acontecer é chegar mais cedo e as pessoas diziam:

 “Então, nós vamos chegar mais cedo é do outro lado, do lado de lá”, o avião vira de ponta cabeça, faz manobras e todo mundo fica assustadíssimo, o povo entra em pânico e começa a gritar e o Chico Xavier também começa a entrar em desespero e gritar, pedir por socorro.

 Ele conta que Emanuel entra no avião, ele vê pela clarividência e Emanuel fala: “O que foi Chico? Eu ouvi o seu chamado”, ele falou “Ué, nós estamos em desespero, estamos desesperados” e aí o Emanuel lhe diz: “Mas, isso não é privilégio seu, nesse momento muitas pessoas estão em desespero”, e o Chico diz: “Sim, mas eu sinto que há o perigo de morte aqui, nós podemos morrer.

Esse é o momento da morte eu estou desesperado, se é a morte, então eu estou com medo, estou desesperado, eu tenho medo, estou sentindo esse medo, esse pavor” e gritando também e diz que Emanuel vira para ele e diz:

“Pois então, se vai morrer, morra com educação” e o Chico diz: “Eu não sei como é que alguém pode morrer com educação”.

Então, a morte é algo que nos assusta, até para um homem como Chico Xavier que mostra a sua fragilidade diante do medo de perder o corpo ou de sentir dor.

Nós temos medo da dor, de descartar esse corpo, de abandonar esse mundo, essa realidade mesmo tendo convicção na reencarnação, mesmo tendo convicção na vida após a morte, nós temos medo do desconhecido, medo do que vai acontecer agora se eu vou morrer.

 E a morte é a grande aventura da alma aonde essa alma vai se libertar do corpo para viver uma grande aventura, mas aonde você vai sozinho, não vai acompanhado mesmo que morram, desencarnem duas pessoas juntas, pode ser que uma é atraída para um lugar, a outra é atraída para outro lugar.

No livro O Guardião da Meia Noite há uma passagem sobre a morte do Barão, o Barão morreu de inanição no livro, ele se trancou e ficou trancado no quarto até morrer, isso é considerado suicídio. E ele viu o próprio corpo ser enterrado, o próprio corpo se decompor, ele viu o corpo dele virar apenas ossos, ele viu a morte. Disse que todo aquele que é suicida se depara com a morte uma segunda vez que é ver a decomposição do corpo, sentir a morte.

Nota:
Nem todo suicida passa pela experiência acima. Há, na literatura espírita/espiritualista, outros relatos, outras experiências.
Annapon

Há também o livro “Memórias de um Suicida”, é um clássico do Espiritismo, de Ivone Pereira – Memórias de um Suicida – é a psicografia, autobiografada de Camilo Castelo Branco, aquele que escreveu Amor de Perdição, Amor de Redenção na época do Romantismo onde as pessoas se matavam por amor. Por amor, você não deve se matar, você deve viver por amor.

A morte é algo forte, é o momento mais forte da vida do ser humano, um dos momentos mais fortes.

Cada um encara a morte de uma maneira diferente.

 Paramahansa Yogananda que trouxe a Kriya Yoga para os Estados Unidos previu a própria morte, chamou os seus discípulos e anunciou que ele estava  próximo ao desencarne e desencarnou em paz profunda, grandes mestres desencarnam em paz profunda, dizem que Gandhi no momento da morte, quando tomou um tiro – Gandhi foi assassinado – dizem que naquele momento ele pronunciou o nome de Deus.

E há na cultura Hindu, dentro de alguns segmentos do Hinduísmo, se diz que se no momento da morte você pronunciar o nome de Deus, você não encarnará mais, a cultura Hindu lida de uma maneira com a morte diferente da cultura Ocidental.

 No Japão existe um ritual relativo ao momento do desencarne e de como apresentar a pessoa que desencarna para os seus parentes, de preparar o velório, de fazer essa relação, essa ponte.

Na China o funeral é uma festa com muita dança, com muita alegria.

 Cada cultura trata a morte de uma forma diferente.

 O estudo acerca da religião e da religiosidade, esse estudo antropológico sobre a religiosidade do homem, do ser humano, é feito por meio da Arqueologia, então você sabe sobre a religiosidade das pessoas desenterrando as suas tumbas.

Assim que o homem começa a pensar e raciocinar surge uma sociedade, quando ele começa a pensar e raciocinar sobre si mesmo, sobre a sua realidade, ele se depara com o aspecto da transcendência, a vida além da vida, onde ele estava antes de nascer para onde ele vai depois que ele morre. Existe vida além do corpo material?

A sua consciência só existe enquanto existe o cérebro ou ela é algo além do cérebro?

O que dá essa certeza para o homem de que existe vida além da corporeidade, que existe uma consciência além do cérebro físico, o que dá essa certeza são as experiências de transcendência, experiências de saídas do corpo, de desdobramento astral, de viagem astral, de desdobramento mental, sonhos em que a pessoa se vê fora do corpo, a sensação de que esse corpo vai morrer e nós vamos continuar vivos, a sensação de que tivemos outras vidas ou a certeza de que tivemos outra vida e a comunicação com pessoas que desencarnaram.

Se você tem parentes que desencarnaram e você sente a presença deles, você se comunica com eles, então, você também vai desencarnar e vai continuar vivo em algum lugar.

O homem sempre teve essa certeza desde que ele existe habitando esse mundo, a necessidade de preparar aquele que desencarna para a vida que virá depois, nisso consiste o ato fúnebre no ritual.

A ideia é preparar a pessoa que desencarna para a próxima vida, preparar para realizar o desenlace do espírito com a matéria, ajudar aquele que desencarna a seguir o seu caminho, abandonar o corpo.

O ato fúnebre vai conduzir orientar e ajudar aquele que desencarna e consolar os que ficam que é o mais difícil, o mais delicado. O ideal é que se tenha compaixão por aqueles que ficam e com uma palavra de amor, de consolo, poder, de alguma forma, confortá-los.

Todas as culturas têm um modelo de ato fúnebre religioso enfaticamente religioso ou não, diretamente religioso ou não, assim que o homem começa a raciocinar sobre si mesmo e o mundo que o cerca, ele começa a enterrar os seus mortos.

 Aqui no Brasil muitas tribos indígenas enterram os seus mortos em posição fetal, com a ideia de que eles vão nascer no outro mundo no momento em que morrem aqui. A criança quando nasce aqui, está morrendo lá.

Morrer é estar encerrando as coisas lá, terminando, deixando de viver lá pra vir viver aqui, para nascer aqui, isso é ritualizado.

O ritual marca o momento importante, a passagem: ritual de batismo que é o ritual daquele que está recebendo aquele que morreu lá e nasceu aqui; de casamento a mudança, a maturidade, a mudança de uma vida e ritual fúnebre, ato fúnebre que é a encomenda, a purificação do corpo, a encomenda do espírito, a ritualização do momento, a união, a chamada das forças para abençoar esse momento.

Cada religião tem a sua maneira de lidar com a morte, talvez a cultura que deu maior valor ao ritual fúnebre, com maior ênfase, tenha sido a Egípcia porque os Faraós preparavam durante a vida minuciosamente o seu sarcófago. Ao desencarnar o Faraó era mumificado para o seu corpo continuar intacto por baixo daquelas ataduras.

Ao desencarnar, o corpo do Faraó era todo tratado, cuidado, mumificado e colocado dentro de um recipiente no sarcófago onde há uma imagem pintada, geralmente nas múmias Egípcias que são os Faraós e pessoas importantes, eles eram enterrados com seus ouros, com seus tesouros, com a sua cultura. A história do Faraó era contada, escrita na sua tumba, ele era enterrado embaixo de uma pirâmide.

E é comum vermos os Faraós nessa posição: de braços cruzados, numa mão o Faraó está segurando o chicote, na outra mão está segurando um cajado, isto é a imagem do deus Osíris.

Osirís é o deus Egípcio que venceu a morte, marido de Isís, Osíris foi cortado em sete pedaços pelo seu irmão Seth e os pedaços foram distribuídos, a sua esposa Isís reuniu todos os seus pedaços e fez Osíris reviver, Osíris venceu a morte, Osíris é senhor das almas e do mundo dos mortos, assim como Obaluaiyê.

No momento da morte você vai se deparar com Osíris, ele ajuda a fazer a passagem, na cultura egípcia aquele que morre faz a passagem sob a proteção de Osíris, depois o seu coração é colocado numa balança no mundo de Anúbis – que é o mundo de Omulu, do embaixo – nessa balança de um lado está o coração e do outro lado está a pluma de Maat – que é como Yansã – ela coloca a pluma de um lado da balança e o coração do outro lado.

Se o teu coração for mais pesado que a pluma você vai descer aos sub mundos– aos mundos abismais. Se o teu coração for mais leve você vai subir aos mundos celestiais sob a pena e a justiça de Maat que é como Yansã e Tot que é como Oxóssi.

Na Umbanda a morte está relacionada a passagem, a pai Obaluaiyê e ao fim que é o mistério de pai Omulu.

Quem cuida da morte, do corte do cordão, do desencarne é o pai Omulu, quem ajuda a fazer a passagem é o pai Obaluaiyê, quem ajuda a decantar as emoções negativas é mãe Nanã Buroquê, no momento da morte é a esses Orixás que a gente pede ajuda, pra aquele que desencarna conseguir cortar o seu apego com esse mundo e com esse corpo pra seguir viagem, pedimos a Obaluaiyê pra fazer a passagem desse mundo material para o mundo espiritual, pedimos a Nanã que ajude a decantar esses apegos, essas emoções com relação ao mundo que fica para trás e pedimos a todos os Orixás para abençoar os familiares, pra acalmar os corações, pedimos aos Guias desse que desencarna para estarem juntos lhe conduzindo segundo sua necessidade e o seu merecimento, aos Orixás daquele que desencarna que o amparem que o encaminhem.

A morte é o mais próximo que a gente chega da vida, o ritual fúnebre é uma forma de ritualizar esse momento tão forte para todos nós.

É importante esclarecer sobre o que é a morte, falar sobre a morte, conversar sobre a morte, estar preparado para a morte.

É preciso lidar com a morte de uma forma mais natural, com a sua morte, com a morte de seus parentes e de quem lhe é querido.

 Boa parte do trabalho do Chico Xavier foi feito em cima de cartas dos filhos desencarnados a seus pais, existem livros e mais livros publicados com psicografias dos filhos desencarnados aos pais.

É interessante ler essas cartas daqueles que desencarnaram como realmente o natural é o pai desencarnar antes do filho, a dor da perda de um filho que desencarna é muito maior do que a dor de algo que é natural como os pais desencarnarem na velhice.

 E geralmente o desencarne de um filho, muitas vezes está ligado a um acidente, a uma situação delicada e o Chico psicografou várias cartas nesse sentido, dos filhos dizendo aos pais “Fiquem bem, sua dor, seu sofrimento atrapalha minha caminhada para onde eu tenho que ir”, depois do desencarne a gente tem uma caminhada para fazer, a dor de quem fica atrapalha aquele que vai.

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