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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda




O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda

Para entender o que é Umbanda é preciso estudar, assimilar e viver a religião.

Podemos estudar uma religião “de fora para dentro” ou “de dentro para fora”. Estudar a religião de dentro para fora é o estudo teológico.

A Teologia de qualquer religião é o estudo do religioso estudando a sua religião. Teologia também é uma ciência. No entanto, é a ciência dos religiosos, cada religioso dentro da sua religião, cada estudioso, cada pesquisador da sua própria religião produz a Teologia.

 Teologia é um estudo científico.

Deve ser baseado na razão, com método, com metodologia.

É um estudo que a própria religião produz sobre si mesma, esse é o estudo teológico da religião.

Outra forma de estudar religião é “de fora para dentro”, de fora para dentro é chamado de “Estudo de ciências da religião” ou “Ciência das religiões” é o estudo de fora para dentro.

A religião é um fenômeno humano, então, todas as ciências humanas podem se debruçar no estudo sobre “o que é religião”. Logo, portanto, é possível identificar um estudo de pessoas que não são Umbandistas estudando a religião de Umbanda.

Existem estudos científicos de Sociologia, Antropologia ou desenvolvidos por outros cientistas e pesquisadores de fora da Umbanda estudando a Umbanda.

Ao contrário do que se diz, sobre a neutralidade do pesquisador/estudioso, acerca da religião, objeto de seu estudo, de alguma forma há sim envolvimento, interesse, do contrário ficaria comprometido o resultado do estudo/pesquisa.

Os estudos sobre a religião de Umbanda começaram de fora para dentro, a partir do interesse dos estudiosos pelas religiões Afro-Brasileiras.

Nina Rodrigues foi um dos pioneiros com os seguintes títulos:

“Os Africanos no Brasil”
“O animismo fetichista dos negros na Bahia”

Nina Rodrigues foi médico legista. Enfrentou muito preconceito quando começou a se interessar pelos estudos da religiosidade afro-brasileira pelos idos de 1890. Foi criticado por frequentar Candomblés, Terreiros e Centros por outros cientistas.

Apesar de estudioso da religiosidade afro brasileira, Nina também era preconceituoso, porém, o cerne de seu preconceito era cientifico porque, na época, os cientistas classificavam os negros como seres inferiores por conta de uma suposta qualidade cerebral inferior a do homem branco.

Nina Rodrigues considerava o transe uma espécie de doença, desequilíbrio que acometia os negros.

Apesar do preconceito, Nina Rodrigues era uma pessoa apaixonada pelo Candomblé e, essa sua paixão, deixa claro que seu preconceito se limitava ao ser cientista em 1890.

Entre os estudos de Nina Rodrigues está o da Cabula, ritual assim descrito por ele:

 “A Cabula é um ritual Bantu e é um ritual em que o Embanda entra na mata com uma vela apagada na mão e ele volta com a vela acesa. Esse Embanda, esse sacerdote de Cabula, entra em transe e faz uma sessão chamada Engira e nessa Engira há um auxiliar chamado Cambone”.

Podemos perceber que esse ritual, Cabula, tem alguma semelhança com a Umbanda, porém, não é Umbanda, mesmo porque em 1890 a Umbanda ainda não existia.

Outro estudioso das religiões brasileiras foi João do Rio, estudou, mais precisamente, as religiões da região do Rio de Janeiro em 1904. Em sua obra
A Umbanda não é citada e essa é uma das razões pelas quais o marco da fundação da Umbanda é a data de 1908 tendo Zélio de Moraes como seu fundador.

Outro estudioso importante das religiões afro-brasileiras é Arthur Ramos.

Na década de 30, Arthur Ramos, em seus estudos, já encontra a Umbanda. Em seu livro “O Negro Brasileiro”, identifica a etimologia da palavra “Umbanda”.

Ele identifica a palavra “Umbanda”, a palavra “Embanda” e a palavra “Kimbanda” – da língua Kimbundu dizendo:

 “Aqui no Brasil o “Embanda” é um sacerdote de Macumba” – Lembrando que no Rio de Janeiro Macumba era o culto afro-brasileiro angolano – e ele fala
superficialmente da Umbanda, o olhar dele para a Umbanda ainda é um olhar de sincretismo.

Outra citação de Arthur Ramos diz que não existe pureza em religião, ou seja, toda religião nasce de outra religião, ou nela se inspira, portanto, não existe Umbanda Pura, Verdadeira, ou coisa que o valha, o que existe é Umbanda, uma religião com seus fundamentos próprios e praticada de formas diferentes.

É uma colaboração importante o estudo de Arthur Ramos, da perspectiva de quem está de fora olhando para a Umbanda, numa época em que ninguém ainda consegue enxergar a Umbanda como uma religião, ela é muito mais vista como um sincretismo. Arthur Ramos é o primeiro a afirmar no livro “O Negro Brasileiro”, o seguinte:
“Umbanda é uma religião Afro, Hindu, Católico, Espírita e Ocultista”.

Talvez seja a melhor das definições para a Umbanda, de quem está olhando de fora e vê, na religião de Umbanda, a influência da cultura Africana, influência da cultura Hindu, da Católica, do Espiritismo, do Ocultismo e etc. Umbanda é uma riqueza cultural, mas que tem um eixo, esse eixo é a sua unidade.

Annapon

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


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