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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que é Religião?-Definições e Religare – Religiões Monoteístas – Variações de forma religiosas.



 O que é Religião?-Definições e Religare – Religiões Monoteístas – Variações de formas religiosas.

Vamos voltar no tempo e consultar as fontes para entender o que é religião.

O que é religião e o que é a palavra religião?
Há uma definição sobre essa palavra. 
Qual é a origem? 
A origem é o latim. 
Qual religião  usa o latim como praticamente uma língua sagrada?
 É a religião Católica.

Logo, a utilização da palavra religião, que vem do latim, foi largamente definida, classificada, colocada, apresentada, produzida pela religião Católica e pelos especialistas ou os grandes Teólogos da religião Católica que definiram o que é religião, definindo a palavra “religião” e partir dessa palavra criando uma definição que vai ao encontro do que é a sua religião.

Religião vem de “religar” ou “religare” ou “religar-se” e isso quer dizer: religar a Deus.
Religião, a definição da palavra religião é “religar-se a Deus”.
A ideia é que religião é o meio pelo qual você se religa a Deus. Essa é uma definição teológica, produzida no seio da igreja Católica e que é largamente explicada pelo maior teólogo de todos os tempos da religião do Catolicismo que é São Tomás de Aquino na Suma Teológica, ele apresenta essa definição.

A partir daí muitas religiões aceitam e usam essa definição de religar-se a Deus, no entanto, existem religiões ou sistemas filosóficos que são socialmente ou antropologicamente vistos como religiões, por exemplo, o Budismo.
O Budismo é uma religião, você tem: Budismo Tibetano, Budismo Chi Chinês, Zen Budismo, é uma religião, mas que não tem o propósito de religar a Deus. O Budismo tem o propósito de ensinar a todos os seus adeptos a vencer o sofrimento e alcançar a iluminação.

Esse é o propósito do Budismo, reconhecer que esse mundo é o mundo do sofrimento, que existem caminhos para vencer o sofrimento, quais são os caminhos para vencer o sofrimento e alcançar a iluminação. É uma religião que não fala nada, absolutamente nada sobre Deus, nem que Deus existe, nem que Deus não existe, só quer lhe a ajudar a vencer a ilusão porque esse é o mundo da ilusão.

Da mesma forma, também de origem Hindu, temos o Jainismo, que assim como o Budismo também não fala nada sobre Deus. E podemos citar ainda o Taoísmo que coloca o “Tao” como o caminho, o Taoísmo explicado pelo livro do Tao Te King começa dizendo:
 “O verdadeiro Tao é aquele que não pode ser explicado, tudo aquilo que pode ser explicado não é o verdadeiro Tao”.

O Taoísta não entra em divagações filosóficas e teológicas, ele entra em divagações místicas, de caminho que lhe fazem pensar sobre o vazio, sobre o nada, sobre o tudo, de uma maneira que isso é chamado de Tao.
Nem todas as religiões têm preocupação de fazer “religar-se a Deus”.
Podemos citar ainda, dentro da cultura Hindu, o segmento do Monismo que faz parte do Vedanta.

No Monismo se diz:
“Não existe separação entre você e Deus, não existe um criador e criação, não existe criador e criatura”.
 “Simplesmente as coisas são. Tudo é. Você é isso. Deus e você uma coisa só”.

Do ponto de vista do Monismo não existe separação, se não há separação, não há nada para religar.

Nas religiões ocidentais a definição da palavra religião como religar nos serve muito bem nessa questão porque em religião nós vamos buscar a Deus.
 De alguma forma essa definição serve pra gente, mas não dá para generalizar.

Ao estudar religião,  é importante lembrar que muitos se consideram a religião verdadeira, pura e as outras religiões impuras.

Há algumas décadas atrás a própria religião Católica se considerava a única religião onde Deus habita e isso acabou,  teve fim no Concílio Vaticano II em 1945 e alguns anos depois,  entre João Paulo VI e o próximo Papa que ocupou  o cargo ainda nesse Concílio Vaticano II.

Essa afirmação era um dogma, e caiu no Concílio Vaticano II.

Quando Kardec criticou a igreja, o fez numa época em que a religião Católica afirmava ser a única religião onde se pode encontrar a Deus, porém, tal critica, não serve mais, por quê?
Por que a partir desse Concílio Vaticano II a igreja reconhece que Deus também está presente nas outras religiões.

É quando a igreja cria a forma de pensamento ecumênico, primeiro para aceitar outros Cristianismos e depois a igreja aceita o Judaísmo como a religião dos irmãos mais velhos.
No entanto, antigamente, as religiões buscavam teorias que lhes afirmassem ou que por meio dessas teorias elas pudessem dizer que: “A sua é a religião mais antiga do mundo”, “A primeira religião a existir”, então, costumava-se dizer: “A nossa religião surgiu com Deus, desde Adão e Eva a nossa religião já existe”.

Havia em religião esse conceito de que a religião não é criada pelo homem, de que Deus criou a religião no começo dos tempos.

Essa é uma teoria que afirma ser a religião algo eterno criado por Deus. No entanto, sabemos que as religiões são criadas pelos homens, ainda assim em alguns estudos esotéricos também foram colocadas questões similares de que esotericamente, há uma religião única, que está acima de todas as outras religiões e que essa seria a religião verdadeira e que de forma esotérica ou mística em algum momento a humanidade vai redescobrir uma religião única para todos.

A questão é: além das religiões serem criadas pelos homens e para os homens se ligarem ao sagrado, se existem muitas religiões é porque existem muitas culturas diferentes.

O homem que mora, por exemplo, no meio da floresta Amazônica, ele tem uma religião e uma religiosidade rica, abundante como o meio que o cerca porque ali,  naquela realidade,  Deus provê um universo vegetal, animal, de frutas, de flores, riquíssimo e a religião desse homem é um espelho do meio que ele vive.

 O sagrado que se manifesta naquele espaço, naquele tempo e naquela cultura. Agora, quando olhamos uma religião, uma religiosidade que nasceu no deserto, ela é também o espelho daquela cultura e será muito mais rígida, muito mais dura, muito mais castradora. Como é a diferença das culturas Judaico-cristãs, das culturas Indígenas.

São diferentes sistemas religiosos, diferentes formas de ver o mundo, religiões diferentes, por quê? Porque o homem é diferente, então, é necessário e é importante que existam muitas religiões porque os homens são diferentes.

Se a gente quisesse colocar todos numa mesma religião, seria como querer enlatar, encaixotar todo mundo num mesmo rótulo e o ser humano não é igual.

Muito longe de ter uma única religião para todos, a tendência é cada vez haver mais e mais religiões que satisfaçam as nossas diferentes necessidades intelectuais, teóricas, práticas, de cultura e etc.

Cada um de nós tem necessidades diferentes, ainda nesse estudo buscando aquelas afirmações de que existe uma religião primeira e única, podemos citar os estudos da Teosofia iniciados por Helena Petrovna Blavatsky, a sociedade Teosófica afirma que: “A Teosofia é a religião verdadeira”.
 “A primeira e única religião eterna”.

O que, na Índia,  é chamado de “Sanatma Dharma”, ou seja, “a grande religião”, “a religião eterna” e que todas as outras religiões seriam distorções da primeira religião, a forma de fundamentar isso é dizer que em cada religião você encontra verdades que são incomuns de umas para as outras e essas verdades que fazem parte de todas as religiões são na sua pureza, na sua essência: a religião original.

Essa ideia foi importada para a Umbanda, porque houve na década de 40, uma teoria de que a Umbanda seria uma religião eterna criada no começo dos tempos e que ela simplesmente ressurgiu agora, mas que é uma religião eterna, a mais antiga das religiões: a Umbanda.

Religiões são criadas por homens, a Umbanda também foi criada por homens para homens junto dos espíritos, mas as religiões têm histórias, elas têm data, elas têm fatos, elas têm um contexto onde eles acontecem.

 O que é que define uma religião? É o seu ritual, onde ela se manifesta.
 Annapon
24.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

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