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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Umbanda – Como tudo começou -




Umbanda – Como tudo começou -

O médium Zélio F. de Moraes fundou a Umbanda, mas, recebeu da espiritualidade, as diretrizes que viriam a formar o ritual.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas e posteriormente, Pai Antonio, foram as entidades que estabeleceram, através da mediunidade de Zélio, as diretrizes para que o ritual de Umbanda pudesse se estabelecer.

Por ser de família católica, Zélio conservava, em casa, imagens de Santos que foram aproveitadas para que se construísse o primeiro altar de Umbanda.

Com muita simplicidade, esse altar foi construído e, conserva até hoje, no topo, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, além de mais Santos Católicos.

Diante desse singelo altar, todos rezavam antes dos trabalhos.

Com o passar do tempo, Pai Antonio estabeleceu, dentro do ritual, o culto aos Orixás.

O ritual de Umbanda, a partir daí, começou a tomar forma. As incorporações aconteciam e, os médiuns, incorporados, passaram a atender as pessoas que ali, na Tenda, iam em busca de ajuda.

Pai Antonio foi a entidade que introduziu, ao ritual de Umbanda, o uso das guias e o cachimbo. Com o passar do tempo os Caboclos começaram a usar os charutos e a manipular outros elementos.

As vestes brancas dos médiuns, a essas alturas, já haviam sido recomendadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas além da reserva de área para que os consulentes se sentassem a fim de aguardar o atendimento.

Nascia a sequencia ritualista de Umbanda com a abertura dos trabalhos feita com orações, defumação, sob as orientações do Caboclo das Sete Encruzilhadas e de Pai Antonio na residência da família de Zélio constituída como “Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade”, que existe até hoje.

Até 1918 só havia a religião de Umbanda na Tenda de Zélio de Moraes.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas deu para Zélio de Moraes a missão de fundar mais sete Tendas de Umbanda sob a sua responsabilidade, de Zélio e do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

No ano de 1918, a Umbanda começa a se expandir pelo Rio de Janeiro e depois na década de 20, a Umbanda começa a surgir em outros Estados.

Zélio criou e fundou além da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade mais sete Tendas para o Caboclo das Sete Encruzilhadas sob o direcionamento e sob o comando de outros dirigentes espirituais preparados por ele mesmo, por Zélio.

E foi assim fundada: a “Tenda Nossa Senhora da Guia” - comandada pelo Sr. Durval, a “Tenda Nossa Senhora da Conceição”,  comandada por Leal de Souza, a “Tenda Santa Bárbara” - comandada por João Aguiar, a “Tenda São Pedro” - comandada por José Meireles, a “Tenda Oxalá” - comandada por Paulo Lavois, a “Tenda São Jorge” - comandada por Severino Ramos e a “Tenda São Jerônimo” - comandada por Capitão Pessoa.

 Essa foi, portanto, a primeira fase da religião de Umbanda, que nasceu na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a partir de Zélio de Moraes da Tenda Mãe, da Casa Mãe é que surgem as primeiras Tendas de Umbanda ainda ali no Rio de Janeiro e no momento em que Zélio começa a expandir, o astral começa a preparar outras pessoas também para multiplicar a religião de Umbanda além de Zélio de Moraes.

A “Tenda Espírita Mirim”, fundada por Benjamim Figueiredo em 1924, foi uma das tendas que a expansão da Umbanda promoveu.

Benjamim Figueiredo também passou pela Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, vindo de uma família Espírita,  conheceu a Umbanda por meio de Zélio de Moraes, foi desenvolvido por Zélio de Moraes e em 1924 ele funda a Tenda Espírita Mirim que se torna uma referência da religião de Umbanda, se torna também uma referência da religião de Umbanda nesse período inicial.

A Tenda Espírita Mirim é um templo grande, fica na cidade do Rio de Janeiro e existe até os dias atuais.

Para que tivesse chegado a essa grande estrutura, teve o apoio da espiritualidade. Do Caboclo Mirim, mais especificamente que anunciou aos médiuns, que os recursos para que a tenda fosse erguida chegariam.
Alguém, brincando, perguntou ao Caboclo se tais recursos “cairiam” do céu, ao que ele respondeu que sim, que eles cairiam sim do céu.

Passado um tempo, um consulente assíduo da Tenda, estrangeiro, num dia de muita chuva na cidade, disse à família responsável pela tenda, que viajaria e que não confiava em deixar seu dinheiro no banco, deixou uma boa quantia com a família e nunca mais voltou para reaver o dinheiro, dessa forma, a quantia foi usada para a concretização do grande templo que se tornou a Tenda.

A partir da Tenda Espírita Mirim surgiu uma das grandes Federações de Umbanda.

Zélio também fundou uma pequena Tenda chamada “Cabana de Pai Antônio” que fica em Boca do Mato e é onde hoje está localizada a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

Zélio de Moraes era um médium inclusive de efeitos físicos, de cura, a especialidade de Zélio, do Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio era curar loucura, talvez porque Zélio tenha sido dado como louco também.

Alguns médicos de um hospício levavam ao Caboclo das Sete Encruzilhadas uma lista de nomes e o Caboclo dizia quem tinha a doença biológica e quem estava sendo obsedado ou tinha desequilíbrio espiritual e esses eram levados para se curarem dentro do trabalho do Zélio de Moraes.

Há situações de cura incríveis na história de Zélio, situações registradas na literatura, por jornais. Zélio foi chamado certa vez por um pai desesperado para olhar sua filha que tinha sido dada como morta pelos médicos. Zélio de Moraes se juntou com sete médiuns e foi na casa dessa família olhar uma pessoa que já estava morta.

Ao que consta, Zélio entrou com sete médiuns no quarto onde ela estava morta, clinicamente morta e  ali, depois de algumas horas trabalhando, quando ele saiu do quarto a menina estava viva.

Isso não é uma lenda, isso não é um mito. Isso é uma passagem, é um fato histórico registrado por Leal de Souza no seu livro “No Mundo dos Espíritos”, registrado em jornal na época e Zélio tinha uma metodologia que fugia a todos os padrões.

Existe uma gravação dele que diz que incorporado de Caboclo, Zélio de Moraes colocou Benjamim Figueiredo no ombro, fundador da Tenda Espírita Mirim, e correu com ele numa praia, Zélio de Moraes estava incorporado, jogou Benjamim dentro da água e Zélio entrou na água – Detalhe: Zélio de Moraes não sabia nadar – e Zélio incorporado entra no mar com Benjamim, dá-lhe um banho de mar, tira ele do mar, joga ele no chão e diz: “Pronto. Você está pronto pra trabalhar com o Caboclo Mirim”, e Zélio diz: “Foi assim que terminou que foi feito o desenvolvimento mediúnico de Benjamim”.

Há casos super peculiares na história de Zélio de Moraes.

Um deles também conta que Severino – Severino dirigente da Tenda São Jorge – era alguém totalmente cético, no dia que visitou Zélio de Moraes em Boca do Mato e Zélio também estava incorporado,  próximo a um rio, que é o rio que corre ali do lado da Tenda em Boca do Mato, Zélio de Moraes incorporado pegou uma pedra e tacou essa pedra na cabeça de Severino que não estava acreditando em nada do estava vendo ali, tacou a pedra.

Severino caiu desmaiado dentro do rio, as pessoas todas correram para lhe acolher, para tirá-lo de dentro do rio e Zélio incorporado, a entidade que estava incorporada em Zélio disse: “Não toquem nele”.

Severino se levantou e saiu do rio, já estava incorporado de Ogum Timbiri que seria o chefe espiritual do Terreiro, a Tenda Espírita São Jorge.

 Assim foi feito o desenvolvimento desse médium chamado Severino.

 Leal de Souza era um Espírita convicto, ao conhecer o trabalho de Zélio de Moraes e ver Zélio curar loucos, Leal de Souza também se rende a Umbanda.

 Ele era intelectual, escritor e conheceu Zélio de Moraes porque estava fazendo um trabalho de pesquisa em vários Centros Espíritas a fim de publicar o resultado dessas pesquisas em jornal e escreveu um livro chamado “No Mundo dos Espíritos”.

Leal de Souza foi uma grande colaboração para a religião de Umbanda.

Capitão Pessoa, dirigente da Tenda São Jerônimo, dizem que no dia que entrou na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, Zélio de Moraes já tinha fundado seis Tendas e faltava fundar a Tenda de número sete, faltava fundar a Tenda de São Jerônimo, dizem que no dia que Capitão Pessoa entrou na Tenda Nossa Senhora da Piedade, ninguém o conhecia, ninguém sabia quem ele era e o Caboclo das Sete Encruzilhadas falou:

“Acabou de chegar aquele que será o dirigente espiritual da Tenda Espírita São Jerônimo”.

São histórias sobre Zélio de Moraes no mínimo curiosas, algumas engraçadas, mas histórias muito fortes.

Em determinada época, conta Mãe Zilméia, filha carnal de Zélio, que um delegado de polícia estava fechando todos os Terreiros de Umbanda, esse delegado ia aos Terreiros e os fechava.

Na época os Terreiros eram fechados por serem considerados trabalhos de curandeirismo ou de charlatanismo.

Os Terreiros vinham sendo fechados por esse delegado que sistematicamente visitava, entrava e fechava.

Mãe Zilméia disse que ela ainda era uma jovem adolescente no dia que esse delegado bateu na porta do Terreiro, da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, Zélio de Moraes estava incorporado de Pai Antônio e Mãe Zilméia, então, uma criança ainda, chegou ali e falou:

 “Pai Antônio, está aí aquele delegado que vem fechando todas as Tendas de Umbanda”, então, Pai Antônio diz a ela:

“Deixe ele entrar minha filha, diga a ele que venha conversar comigo”.

Ela conta que o homem era enorme, era grande e que esse enorme homem, então, chegou ali de frente para o Preto Velho e na hora que ele parou na frente do Preto Velho, de Pai Antônio, esse homem desmaiou, caiu duro no chão e Pai Antônio disse:

 “Deixa ele aí, não mexa com ele”, depois de um tempo o homem acordou, conversou com Pai Antônio, se rendeu a Umbanda, se tornou Umbandista e frequentador daquele Terreiro.

 São no mínimo histórias muito curiosas.

Annapon
28.11.2014



(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Umbanda é uma religião monopoliteísta


A Umbanda é uma religião monopoliteísta

A Umbanda é uma religião que fala de Deus, mas que cultua muitos Orixás.

Alguns desavisados, saem por ai dizendo que Umbanda é paganismo, dizem que Umbanda é politeísmo.
Vamos entender que paganismo foi uma palavra criada para que a igreja identificasse aqueles que não são Católicos – ser Católico ou não, nem entra em questão aqui.

A palavra pagão, hoje em dia, é usada por alguns Católicos para dizer:

 “Nossa, essa criança não foi batizada, então, ela é pagã”.
 “Que perigo, a criança não foi batizada ainda”.

Esse é um conceito criado dentro do Catolicismo porque o Espírita não batiza, o Judeu não batiza, o Islã não batiza, não faz batismo, então, temos que repensar alguns valores.

 A Umbanda tem ritual de batismo, mas não deve incutir o medo de que a criança está pagã, pois isso é uma bobagem.

 Esse é um dos medos criados e cultivados dentro do seio da igreja Católica e um dos medos que ficou incutido no inconsciente daquele que em algum momento da vida foi Católico. A gente tem que estudar para vencer esses medos.

A fim de salvar esses conceitos e concepções e para salvar o estudo da religião foram criadas outras palavras. O próprio Allan Kardec na obra  “O Livro dos Espíritos”, critica o panteísmo. Kardec diz que panteísmo não é uma forma de religião. Kardec afirma que panteísmo é um absurdo, crer que todas as coisas são Deus, é absurdo, segundo ele, mas essa é a crença do panteísmo.

Hoje estão surgindo novas palavras para identificar novas concepções, uma dessas palavras para identificar novos sistemas religiosos ou novas identificações para velhos sistemas religiosos, é:
 “panenteísmo”.

Panenteísmo quer dizer: não que todas as coisas são Deus, mas que Deus está em todas as coisas.

 Podemos dizer que a Umbanda é panenteísta quando crê que Deus está nos rios, nas matas, na cachoeira, no mar, no céu, na terra, no fogo, na água, Deus está em todos os lugares, de certa forma nós fomos um pouco panenteístas. Mas, somos monoteístas porque cremos em um único Deus, o mesmo Deus de todas as religiões, este é o nosso Deus. Não importa qual é o seu nome, somos monoteístas, mas também foi criada uma nova palavra para identificar àqueles que acreditam num único Deus junto de muitas divindades, a palavra é: “monopoliteísmo”.


De alguma forma nós somos, nos consideramos monoteístas, mas temos uma forma de monopoliteísmo porque cremos num único Deus que também se manifesta por meio de muitas divindades.

Esses são estudos e curiosidades acerca da religião de Umbanda, estudo sobre os sistemas religiosos. O mais importante é entender que acima de qualquer classificação Umbanda é uma religião. Umbanda preenche todos os requisitos aos quais se define uma religião.

Um sociólogo chamado “Max Weber” diz: “A diferença entre religião e magia é que magia você pode praticar de forma solitária e religião é algo que você pratica em comunidade”.

 A Umbanda é uma religião que preenche todos os requisitos de religião, a Umbanda possui ritual, possui doutrina, liturgia, Teologia, a Umbanda é praticada em comunidade.

 A Umbanda é uma religião urbana e muitos ainda não se deram conta disso, também é uma peculiaridade, embora o local ideal para praticar Umbanda seja na natureza, podemos afirmar que a natureza é o verdadeiro Templo da religião de Umbanda, levando em consideração ainda que cada um de nós é um Templo vivo.

Toda prática da religião é feita em Templo material, a prática de Umbanda é feita em Tendas de Umbanda, Terreiros de Umbanda, Centros de Umbanda, Igrejas de Umbanda, Núcleos de Umbanda, onde o Templo é construído para receber uma comunidade, para receber um corpo de médiuns, onde inclusive existem técnicas de construção desse Templo, que pode ser um salão ou uma casa alugada que será: imantado, consagrado, cruzado, para que o espaço profano que é um salão ou uma casa se torne um espaço sagrado, se torne um Templo.

No Templo é construído um altar e não são todas as religiões que constroem altar. O Islã em suas mesquitas não constrói altar, cada mesquita do Islã é um local de encontro para que as pessoas rezem voltadas para Meca, não tem altar.

No Judaísmo, as casas religiosas que a gente chama de “Templo”, por uma convenção, também são locais de reza e de estudo.

A Umbanda como poucas religiões é uma daquelas que tem altar, o nosso altar é um altar, essencialmente, Católico.

A maioria dos altares de Umbanda é construído com imagens Católicas, mas não obrigatoriamente. Há altares de Umbanda que tem apenas a imagem de Cristo, há altares de Umbanda que tem apenas velas, há altares de Umbanda que tem apenas velas, pedras, símbolos, signos ou pontos riscados, da mesma forma que temos um altar, temos uma tronqueira.

Temos uma estrutura de Templo, na religião de Umbanda que se define como uma estrutura templária, algo dentro do universo urbano e por meio dessa estrutura templária se dá o tempo em que as coisas devem acontecer lá dentro, ou seja, o ritual diz como as coisas devem acontecer nesse Templo, como as pessoas se movimentam nesse Templo, como se separa, qual é a posição do sacerdote, do corpo mediúnico, como separar esse corpo mediúnico dos consulentes que vem no Terreiro de Umbanda tomar um passe, uma consulta. E, peculiaridade, a Umbanda é uma religião universalista, ela recebe adeptos de todas as religiões para serem seus frequentadores, a Umbanda não obriga ninguém a se converter para frequentá-la como consulente.

A Umbanda trabalha com espíritos que em outras encarnações pertenceram a outras religiões também, então, Umbanda é uma religião única e tem fundamento próprio e tem a sua forma de ser.

A explicação para tudo isso está principalmente no modelo de construção do ritual de Umbanda. 

 A religião de Umbanda nasceu no momento que foi idealizado o seu ritual pela primeira vez, naquele que foi o primeiro Templo da religião de Umbanda.

Umbanda é uma religião, portanto, só pode praticar única e exclusivamente o bem.

E que isso se repita muitas vezes até que as pessoas comecem a associar quem não é Umbandista começando, de alguma forma, a associar Umbanda como a prática do bem, pois também é definida: praticar Umbanda é fazer o bem sem olhar a quem.

Annapon
25.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que é Religião?-Definições e Religare – Religiões Monoteístas – Variações de forma religiosas.



 O que é Religião?-Definições e Religare – Religiões Monoteístas – Variações de formas religiosas.

Vamos voltar no tempo e consultar as fontes para entender o que é religião.

O que é religião e o que é a palavra religião?
Há uma definição sobre essa palavra. 
Qual é a origem? 
A origem é o latim. 
Qual religião  usa o latim como praticamente uma língua sagrada?
 É a religião Católica.

Logo, a utilização da palavra religião, que vem do latim, foi largamente definida, classificada, colocada, apresentada, produzida pela religião Católica e pelos especialistas ou os grandes Teólogos da religião Católica que definiram o que é religião, definindo a palavra “religião” e partir dessa palavra criando uma definição que vai ao encontro do que é a sua religião.

Religião vem de “religar” ou “religare” ou “religar-se” e isso quer dizer: religar a Deus.
Religião, a definição da palavra religião é “religar-se a Deus”.
A ideia é que religião é o meio pelo qual você se religa a Deus. Essa é uma definição teológica, produzida no seio da igreja Católica e que é largamente explicada pelo maior teólogo de todos os tempos da religião do Catolicismo que é São Tomás de Aquino na Suma Teológica, ele apresenta essa definição.

A partir daí muitas religiões aceitam e usam essa definição de religar-se a Deus, no entanto, existem religiões ou sistemas filosóficos que são socialmente ou antropologicamente vistos como religiões, por exemplo, o Budismo.
O Budismo é uma religião, você tem: Budismo Tibetano, Budismo Chi Chinês, Zen Budismo, é uma religião, mas que não tem o propósito de religar a Deus. O Budismo tem o propósito de ensinar a todos os seus adeptos a vencer o sofrimento e alcançar a iluminação.

Esse é o propósito do Budismo, reconhecer que esse mundo é o mundo do sofrimento, que existem caminhos para vencer o sofrimento, quais são os caminhos para vencer o sofrimento e alcançar a iluminação. É uma religião que não fala nada, absolutamente nada sobre Deus, nem que Deus existe, nem que Deus não existe, só quer lhe a ajudar a vencer a ilusão porque esse é o mundo da ilusão.

Da mesma forma, também de origem Hindu, temos o Jainismo, que assim como o Budismo também não fala nada sobre Deus. E podemos citar ainda o Taoísmo que coloca o “Tao” como o caminho, o Taoísmo explicado pelo livro do Tao Te King começa dizendo:
 “O verdadeiro Tao é aquele que não pode ser explicado, tudo aquilo que pode ser explicado não é o verdadeiro Tao”.

O Taoísta não entra em divagações filosóficas e teológicas, ele entra em divagações místicas, de caminho que lhe fazem pensar sobre o vazio, sobre o nada, sobre o tudo, de uma maneira que isso é chamado de Tao.
Nem todas as religiões têm preocupação de fazer “religar-se a Deus”.
Podemos citar ainda, dentro da cultura Hindu, o segmento do Monismo que faz parte do Vedanta.

No Monismo se diz:
“Não existe separação entre você e Deus, não existe um criador e criação, não existe criador e criatura”.
 “Simplesmente as coisas são. Tudo é. Você é isso. Deus e você uma coisa só”.

Do ponto de vista do Monismo não existe separação, se não há separação, não há nada para religar.

Nas religiões ocidentais a definição da palavra religião como religar nos serve muito bem nessa questão porque em religião nós vamos buscar a Deus.
 De alguma forma essa definição serve pra gente, mas não dá para generalizar.

Ao estudar religião,  é importante lembrar que muitos se consideram a religião verdadeira, pura e as outras religiões impuras.

Há algumas décadas atrás a própria religião Católica se considerava a única religião onde Deus habita e isso acabou,  teve fim no Concílio Vaticano II em 1945 e alguns anos depois,  entre João Paulo VI e o próximo Papa que ocupou  o cargo ainda nesse Concílio Vaticano II.

Essa afirmação era um dogma, e caiu no Concílio Vaticano II.

Quando Kardec criticou a igreja, o fez numa época em que a religião Católica afirmava ser a única religião onde se pode encontrar a Deus, porém, tal critica, não serve mais, por quê?
Por que a partir desse Concílio Vaticano II a igreja reconhece que Deus também está presente nas outras religiões.

É quando a igreja cria a forma de pensamento ecumênico, primeiro para aceitar outros Cristianismos e depois a igreja aceita o Judaísmo como a religião dos irmãos mais velhos.
No entanto, antigamente, as religiões buscavam teorias que lhes afirmassem ou que por meio dessas teorias elas pudessem dizer que: “A sua é a religião mais antiga do mundo”, “A primeira religião a existir”, então, costumava-se dizer: “A nossa religião surgiu com Deus, desde Adão e Eva a nossa religião já existe”.

Havia em religião esse conceito de que a religião não é criada pelo homem, de que Deus criou a religião no começo dos tempos.

Essa é uma teoria que afirma ser a religião algo eterno criado por Deus. No entanto, sabemos que as religiões são criadas pelos homens, ainda assim em alguns estudos esotéricos também foram colocadas questões similares de que esotericamente, há uma religião única, que está acima de todas as outras religiões e que essa seria a religião verdadeira e que de forma esotérica ou mística em algum momento a humanidade vai redescobrir uma religião única para todos.

A questão é: além das religiões serem criadas pelos homens e para os homens se ligarem ao sagrado, se existem muitas religiões é porque existem muitas culturas diferentes.

O homem que mora, por exemplo, no meio da floresta Amazônica, ele tem uma religião e uma religiosidade rica, abundante como o meio que o cerca porque ali,  naquela realidade,  Deus provê um universo vegetal, animal, de frutas, de flores, riquíssimo e a religião desse homem é um espelho do meio que ele vive.

 O sagrado que se manifesta naquele espaço, naquele tempo e naquela cultura. Agora, quando olhamos uma religião, uma religiosidade que nasceu no deserto, ela é também o espelho daquela cultura e será muito mais rígida, muito mais dura, muito mais castradora. Como é a diferença das culturas Judaico-cristãs, das culturas Indígenas.

São diferentes sistemas religiosos, diferentes formas de ver o mundo, religiões diferentes, por quê? Porque o homem é diferente, então, é necessário e é importante que existam muitas religiões porque os homens são diferentes.

Se a gente quisesse colocar todos numa mesma religião, seria como querer enlatar, encaixotar todo mundo num mesmo rótulo e o ser humano não é igual.

Muito longe de ter uma única religião para todos, a tendência é cada vez haver mais e mais religiões que satisfaçam as nossas diferentes necessidades intelectuais, teóricas, práticas, de cultura e etc.

Cada um de nós tem necessidades diferentes, ainda nesse estudo buscando aquelas afirmações de que existe uma religião primeira e única, podemos citar os estudos da Teosofia iniciados por Helena Petrovna Blavatsky, a sociedade Teosófica afirma que: “A Teosofia é a religião verdadeira”.
 “A primeira e única religião eterna”.

O que, na Índia,  é chamado de “Sanatma Dharma”, ou seja, “a grande religião”, “a religião eterna” e que todas as outras religiões seriam distorções da primeira religião, a forma de fundamentar isso é dizer que em cada religião você encontra verdades que são incomuns de umas para as outras e essas verdades que fazem parte de todas as religiões são na sua pureza, na sua essência: a religião original.

Essa ideia foi importada para a Umbanda, porque houve na década de 40, uma teoria de que a Umbanda seria uma religião eterna criada no começo dos tempos e que ela simplesmente ressurgiu agora, mas que é uma religião eterna, a mais antiga das religiões: a Umbanda.

Religiões são criadas por homens, a Umbanda também foi criada por homens para homens junto dos espíritos, mas as religiões têm histórias, elas têm data, elas têm fatos, elas têm um contexto onde eles acontecem.

 O que é que define uma religião? É o seu ritual, onde ela se manifesta.
 Annapon
24.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

domingo, 23 de novembro de 2014

Continuação de: O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda



Continuação de: O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda

Depois de Arthur Ramos, um pesquisador: Edson Carneiro, em 1948, escreveu o livro “Candomblés da Bahia”.

Edson Carneiro dedica um capítulo do seu livro só para a Umbanda, o capítulo final de uma segunda edição ele coloca um adendo ali sobre Umbanda para dizer que:

“Umbanda é sincretismo religioso”.

Mais tarde, aqui no Brasil e em São Paulo é fundada a Universidade de São Paulo, a USP.

Para que a USP fosse fundada, e criados os cursos de Sociologia e alguns outros cursos, vieram os doutores e mestres de uma comunidade Francesa para ajudar a criar essas cadeiras dentro da USP.

Entre os estudiosos das religiões que vieram ao Brasil podemos citar Roger Bastide.

Francês, Roger se encanta pelo Candomblé, mesmo porque já estivera na África, estudando os cultos e conheceu, em terras africanas, Pierre Verge que também estudava a religiosidade afro brasileira e africana.

Roger Bastide, nas décadas de 50 e 60, aqui no Brasil, toma conhecimento sobre a Umbanda, mas não se interessa por ela, pois não consegue entender seu ritual.

O interesse maior dele é Culto de Nação e Candomblé, mas ele faz um estudo sobre a religiosidade do negro brasileiro, um estudo sobre as religiões afro-brasileiras ou as religiões afro no Brasil.
                                                                                    
Roger Bastide, em algum momento começa a falar sobre a Umbanda dizendo:

“Estamos de frente para uma religião a pique de nascer”.

A Umbanda já existia, já era fundada há muito tempo.

Roger Bastide, como profundo conhecedor, pesquisador das religiões afro-brasileiras, começa a perceber a Umbanda.

Roger Bastide estuda de fora para dentro, ele tem neutralidade científica, mas ele tem  interesse pelos Cultos de Nação.

Quando ele percebe a Umbanda, o que passa pela cabeça dele e que ele coloca é que a Umbanda é como se fosse uma religião afro-brasileira ou uma espécie de Candomblé sincretizado que já caminha para um africanismo-espírita.

 É esse o olhar dele, ele não consegue ver a Umbanda com um fundamento próprio, para ele, aquilo parece uma cultura afro-brasileira que está se tornando mais Espírita do que naturalmente já é o Candomblé ou que não é o Candomblé.

Depois de Roger Bastide, também na USP, na cadeira de Sociologia, surge um senhor chamado “Cândido Procópio Ferreira de Camargo” que em 1960 publica o seu livro “Umbanda e Kardecismo - Seu tratado, seu estudo” e Cândido Procópio Ferreira de Camargo tem outro olhar.

Ele é um estudioso do Espiritismo e olha a Umbanda a partir do Espiritismo.

Se para o Roger Bastide Umbanda é africanismo-espírita. Agora, para Cândido Procópio Ferreira de Camargo Umbanda é um Espiritismo mais afro.

Ninguém olhava a Umbanda como uma coisa única, uns achavam que era um
africanismo embranquecido, outros achavam que era um Espiritismo influenciado pela cultura afro, então, um espiritismo-africanizado.

Cândido Procópio Ferreira de Camargo faz algumas colocações interessantes, entre elas, ele afirma:

“Umbanda é uma religião e é uma religião mediúnica”.

 E ele fala também a partir do olhar da Sociologia, “de fora para dentro”:

 “Espiritismo também é religião, é uma religião mediúnica”

 “Entre a Umbanda e o Espiritismo existe o continuum mediúnico, dos médiuns que uma hora estão na Umbanda, outra hora estão no Espiritismo e Umbanda tem um encontro com o Espiritismo”.

“E existe o Espiritismo mais afro, existe a Umbanda que é mais Espírita e eles estão muito próximos”.

O estudo de Cândido Procópio Ferreira de Camargo em 1960 com esta afirmação:

“Umbanda é religião e é religião mediúnica”, foi um progresso, porque a Umbanda está sendo academicamente reconhecida como religião.

Ainda não se entende muito bem o que ela é: africanismo-espírita ou espiritismo-africanizado, porém já começa a despontar o respeito acadêmico pela religião de Umbanda nos idos dos anos 60 aqui no Brasil.

No entanto, os estudos prosseguem e depois de Cândido Procópio Ferreira de Camargo, na década de 70, surge Diana Brown, afirmando:

“Umbanda é uma religião, uma religião heterodoxa”.

Surge também Lisias Nogueira Negrão, que até hoje é um dos professores de Sociologia na USP, ainda atua, trabalha, é muito respeitado.

Lisias Nogueira Negrão tem um livro chamado “Entre a Cruz e a Encruzilhada” e ali ele diz:

“Umbanda é uma religião” ou “Umbanda é um sistema religioso aberto”.

Ele define a Umbanda como uma religião em constante mutação, como uma religião mutante, como uma religião que aceita, que é inclusiva – inclusiva quer dizer que está constantemente aceitando outros valores.

As palavras de Lisias Nogueira Negrão na década de 70 são palavras importantes.

 Temos ainda Patrícia Birman, antropóloga, que afirma:

“A Umbanda é uma religião diversa, na qual se encontra unidade e diversidade”.

Dentro da pluralidade ritualística da Umbanda, podemos encontrar unidade.

 O que está presente na sua diversidade e na sua pluralidade, que seriam os vários pontos riscados, as várias maneiras de praticar Umbanda:

Umbanda Branca, Trançada, Mista, Omolocô, Esotérica, Iniciática e etc, no entanto, tudo isso é Umbanda: “unidade e diversidade” colocação da Patrícia Birman em torno da década de 80.

Antes de Patrícia Birman, em 1975, encontramos outro estudioso:
Renato Ortiz.

Renato elaborou um trabalho acadêmico e o resultado dos seus estudos foi publicado num livro chamado:

 “A Morte Branca do Feiticeiro Negro”.

O título assusta um pouco, mas o que tem no conteúdo é um trabalho acadêmico.

Renato Ortiz, na década de 70, foi para a França estudar com Roger Bastide porque este já havia voltado para a França.

E quando Renato Ortiz chega na França para estudar com Roger Bastide, Renato Ortiz nos esclarece algo fundamental, ele diz:

“Quando eu chego na França para estudar com Roger Bastide, naquele momento Roger Bastide já entendia a Umbanda como uma religião Brasileira”, isso foi uma consciência que Roger Bastide tomou só no seu regresso a França, não está presente nos títulos publicados aqui no Brasil.

Na França Roger Bastide reconhece Umbanda como religião Brasileira e o Renato Ortiz na sua tese publicada com o título, citado acima, diz:

 “A Umbanda não é um sincretismo”.

OBS.:
Sabemos que na Umbanda existe sincretismo de santos com Orixás, sabemos que na Umbanda há sincretismo cultural, mas o que ele quer dizer é que não é apenas um sincretismo.

 Ele afirma:

“Não nos encontramos mais na presença de um sincretismo afro-brasileiro, mas sim - palavras de Renato Ortiz - diante de uma síntese Brasileira”.

O que Renato Ortiz está dizendo aqui e explica na sua tese, é o seguinte:

A Umbanda não é apenas um sincretismo, Umbanda é uma religião. E a Umbanda não fez o sincretismo da cultura do índio, com a cultura do negro, com a cultura do europeu, esse sincretismo cultural ele é a cultura Brasileira.

A cultura Brasileira é fruto de outras culturas, logo, a Umbanda,  não é um
sincretismo de cultura, a Umbanda é um espelho da cultura Brasileira.

E esta cultura é que é fruto de um sincretismo.

Renato Ortiz fundamenta na sua tese de forma acadêmica e científica que Umbanda é uma religião.

O que é Umbanda?

Acima de tudo, academicamente falando, para quem está de fora, olhando de fora, de forma fundamentada, ou seja, temos base de formação e conhecimento e fatos para afirmar que “de dentro pra fora” ou “de fora pra dentro” sobre o olhar Teológico ou sobre o olhar científico de qualquer ponto de vista, de qualquer ângulo: Umbanda é uma religião.

Apenas quem desconhece o que seja religião, apenas aqueles que podemos chamar como ignorantes do que seja religião, apenas na boca do preconceituoso é que virá alguma afirmação de que Umbanda não seja religião.

Umbanda é religião, é uma religião linda, só pode praticar única e exclusivamente o bem. Umbanda é: a nossa religião.

Annapon
23.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda




O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda

Para entender o que é Umbanda é preciso estudar, assimilar e viver a religião.

Podemos estudar uma religião “de fora para dentro” ou “de dentro para fora”. Estudar a religião de dentro para fora é o estudo teológico.

A Teologia de qualquer religião é o estudo do religioso estudando a sua religião. Teologia também é uma ciência. No entanto, é a ciência dos religiosos, cada religioso dentro da sua religião, cada estudioso, cada pesquisador da sua própria religião produz a Teologia.

 Teologia é um estudo científico.

Deve ser baseado na razão, com método, com metodologia.

É um estudo que a própria religião produz sobre si mesma, esse é o estudo teológico da religião.

Outra forma de estudar religião é “de fora para dentro”, de fora para dentro é chamado de “Estudo de ciências da religião” ou “Ciência das religiões” é o estudo de fora para dentro.

A religião é um fenômeno humano, então, todas as ciências humanas podem se debruçar no estudo sobre “o que é religião”. Logo, portanto, é possível identificar um estudo de pessoas que não são Umbandistas estudando a religião de Umbanda.

Existem estudos científicos de Sociologia, Antropologia ou desenvolvidos por outros cientistas e pesquisadores de fora da Umbanda estudando a Umbanda.

Ao contrário do que se diz, sobre a neutralidade do pesquisador/estudioso, acerca da religião, objeto de seu estudo, de alguma forma há sim envolvimento, interesse, do contrário ficaria comprometido o resultado do estudo/pesquisa.

Os estudos sobre a religião de Umbanda começaram de fora para dentro, a partir do interesse dos estudiosos pelas religiões Afro-Brasileiras.

Nina Rodrigues foi um dos pioneiros com os seguintes títulos:

“Os Africanos no Brasil”
“O animismo fetichista dos negros na Bahia”

Nina Rodrigues foi médico legista. Enfrentou muito preconceito quando começou a se interessar pelos estudos da religiosidade afro-brasileira pelos idos de 1890. Foi criticado por frequentar Candomblés, Terreiros e Centros por outros cientistas.

Apesar de estudioso da religiosidade afro brasileira, Nina também era preconceituoso, porém, o cerne de seu preconceito era cientifico porque, na época, os cientistas classificavam os negros como seres inferiores por conta de uma suposta qualidade cerebral inferior a do homem branco.

Nina Rodrigues considerava o transe uma espécie de doença, desequilíbrio que acometia os negros.

Apesar do preconceito, Nina Rodrigues era uma pessoa apaixonada pelo Candomblé e, essa sua paixão, deixa claro que seu preconceito se limitava ao ser cientista em 1890.

Entre os estudos de Nina Rodrigues está o da Cabula, ritual assim descrito por ele:

 “A Cabula é um ritual Bantu e é um ritual em que o Embanda entra na mata com uma vela apagada na mão e ele volta com a vela acesa. Esse Embanda, esse sacerdote de Cabula, entra em transe e faz uma sessão chamada Engira e nessa Engira há um auxiliar chamado Cambone”.

Podemos perceber que esse ritual, Cabula, tem alguma semelhança com a Umbanda, porém, não é Umbanda, mesmo porque em 1890 a Umbanda ainda não existia.

Outro estudioso das religiões brasileiras foi João do Rio, estudou, mais precisamente, as religiões da região do Rio de Janeiro em 1904. Em sua obra
A Umbanda não é citada e essa é uma das razões pelas quais o marco da fundação da Umbanda é a data de 1908 tendo Zélio de Moraes como seu fundador.

Outro estudioso importante das religiões afro-brasileiras é Arthur Ramos.

Na década de 30, Arthur Ramos, em seus estudos, já encontra a Umbanda. Em seu livro “O Negro Brasileiro”, identifica a etimologia da palavra “Umbanda”.

Ele identifica a palavra “Umbanda”, a palavra “Embanda” e a palavra “Kimbanda” – da língua Kimbundu dizendo:

 “Aqui no Brasil o “Embanda” é um sacerdote de Macumba” – Lembrando que no Rio de Janeiro Macumba era o culto afro-brasileiro angolano – e ele fala
superficialmente da Umbanda, o olhar dele para a Umbanda ainda é um olhar de sincretismo.

Outra citação de Arthur Ramos diz que não existe pureza em religião, ou seja, toda religião nasce de outra religião, ou nela se inspira, portanto, não existe Umbanda Pura, Verdadeira, ou coisa que o valha, o que existe é Umbanda, uma religião com seus fundamentos próprios e praticada de formas diferentes.

É uma colaboração importante o estudo de Arthur Ramos, da perspectiva de quem está de fora olhando para a Umbanda, numa época em que ninguém ainda consegue enxergar a Umbanda como uma religião, ela é muito mais vista como um sincretismo. Arthur Ramos é o primeiro a afirmar no livro “O Negro Brasileiro”, o seguinte:
“Umbanda é uma religião Afro, Hindu, Católico, Espírita e Ocultista”.

Talvez seja a melhor das definições para a Umbanda, de quem está olhando de fora e vê, na religião de Umbanda, a influência da cultura Africana, influência da cultura Hindu, da Católica, do Espiritismo, do Ocultismo e etc. Umbanda é uma riqueza cultural, mas que tem um eixo, esse eixo é a sua unidade.

Annapon

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Quimbanda com “Q” e Kimbanda com “K”




Hoje em dia se fala assim:

Quimbanda com “Q” e Kimbanda com “K”.

A palavra Kimbanda vem da língua Kimbundu, é uma língua falada em Angola.
Em Angola havia a figura do Kimbanda, o Xamã Angolano, esse Kimbanda se escreve com “K”.

A Kimbanda angolana é considerada Xamanismo. Trabalha com Tatás, Yaias, divindades, espíritos, fórmulas mágicas, rezas. Essa prática Xamanica angolana é chamada de “Umbanda”.

A palavra Umbanda também existe em Angola e define a prática religiosa do Kimbanda, mas é  diferente de nossa Umbanda brasileira. Em Angola não existe culto aos Orixás.

O Kimbanda angolano não sofreu influencia do Cristianismo e nem do Espiritismo, portanto é uma prática totalmente diferente de nossa Umbanda brasileira.

É diferente ainda, a prática do Kimbanda, do Candomblé de Angola que é outra forma/estrutura, religiosa.

No Brasil surgiu a Quimbanda, com Q, a fim de designar os trabalhos de Esquerda da Umbanda.

Hoje em dia a língua oficial em Angola é o Português, poucas pessoas falam o Kimbundu. É importante ressaltar a questão da palavra para dizer:

 “A origem da religião de Umbanda não está no mesmo lugar da origem da palavra Umbanda”.

Os Terreiros de Quimbanda são assim denominados por trabalharem, exclusivamente, com a linha de Esquerda da Umbanda ( Exus – Pomba Giras), nem por isso significa dizer que trabalhem para o mal.

Existem, porém, outros terreiros, casas, onde se pratica a magia negra e esse trabalho é também chamado de Quimbandeiro.

O primeiro Umbandista a comparar Exus com demônios e os colocar como servos do mal ou algo muito parecido com a magia negra Européia, os demônios fazem parte da magia negra Européia, foi Aluízio Fontenelle.

Em seu livro “Exu” publicado em 1951, ele traz a magia negra Européia, a compara com Exu e Pomba Gira, faz um sincretismo de demônios com Exus e aí surge a estrutura da Quimbanda que trabalha com magia negra e Exu ao mesmo tempo, dando nomes de Exus aos demônios, usando símbolos e signos da magia negra Européia surgindo assim a Quimbanda Brasileira com estrutura de magia negra Européia.

Não se pode confundir essa com outra Quimbanda ainda, também com “Q” que é a Esquerda da Umbanda.

A essas alturas podemos entender a razão pela qual o termo Kimbanda e Quimbanda geram tanta confusão e mal entendidos porque temos:

Kimbanda = Xamanismo Africano que pratica o bem.
Quimbanda = Esquerda da Umbanda.
Quimbanda = Terreiros que trabalham apenas com a Esquerda.

E há quem pratique magia negativa ou magia negra usando os nomes das entidades da Esquerda, de Exu, de Pomba Gira, classificando isso como um trabalho de Quimbanda.

Assim como é muito difícil definir um bom trabalho de Umbanda, tentar definir a Quimbanda é tão ou mais difícil. A separação do joio do trigo é uma tarefa bastante árdua.

Quem é o Caboclo Quimbandeiro?

É um Caboclo de Esquerda?

Preto Velho Quimbandeiro, é um Preto Velho de Esquerda?

Caboclo Quimbandeiro é um Caboclo que trabalha junto com a Esquerda, é um Caboclo que tem especialidade em cortar demanda.

Existem linhas de Caboclos que são consideradas Linhas clássicas enquanto Caboclo Quimbandeiro como Caboclo Pantera Negra, em Terra, geralmente vem voltado só pra quebrar demanda, desmanchar trabalho de magia negativa, não é comum ver um Caboclo Pantera Negra dando consulta.

Temos Caboclos que são Caboclos demandadores, que muitas vezes passam a ser tidos como Caboclos Quimbandeiros e temos também os Caboclos Africanos, principalmente, a Linha de Arranca:  Arranca Mata, Arranca Mar. Os Caboclos que trazem esse nome “Arranca” são todos eles muito demandadores e considerados um pouco Quimbandeiros como o próprio Caboclo Cobra Coral, Caboclo da Pedra Preta, como o Caboclo Arranca Toco, Caboclo Ventania, Caboclo Ubirajara Peito de Aço, Caboclos Quimbandeiros no sentido da palavra: de demandadores.

 Preto Velho Quimbandeiro são aqueles Pretos Velhos que vem nessa força, de trabalhar junto com a Esquerda e de trabalhar quebrando demanda, o Preto Velho Quimbandeiro mais conhecido ou aquele Preto Velho que é considerado o mais demandador, o mais cortador de demanda porque é, não que isso faça dele mais ou menos do que os outros Pretos Velhos, mas porque é uma especialidade, é o “Preto Velho Rei do Congo”.

O Rei do Congo está para os Pretos Velhos Quimbandeiros, assim como Pantera Negra está para os Caboclos Quimbandeiros.
 Ou Preto Velho “Pai Cipriano” que faz lembrar aquelas questões relativas ao “Livro de São Cipriano”.
 O livro de São Cipriano é considerado um livro de magia negra, mas no livro de São Cipriano a primeira coisa que você lê é a história de São Cipriano e a história de São Cipriano é linda, é uma história que conta que antes ele praticava magia negra, o Cipriano, mas em algum momento ele tentou pela magia negra converter uma Cristã e convencê-la por meio da magia a se casar com alguém, é aquilo que hoje se chama trabalho de amarração.

Talvez, na Quimbanda, se trabalhe com alguns Exus que apareciam muito na Umbanda do passado e que hoje não aparecem muito nos Terreiros de Umbanda como: Exu Gargalhada, Exu do Pó, Exu do Ouro, que são Exus que militam na religião de Umbanda, mas que há trabalhos voltados especificamente para a Esquerda, um trabalho voltado só para a Esquerda pode ser considerado, sim, um trabalho de Quimbanda com “Q”, desde que, não se confunda com magia negra.

Isto é a Kimbanda Africana, a Quimbanda da Umbanda e a Quimbanda sincretizada com a magia negra Europeia.
Logo podemos considerar que há algo da Quimbanda que faz parte da Umbanda, mas Umbanda não é Quimbanda, não se resume em Quimbanda. Mas, temos sim, a nossa Esquerda como trabalhadores que podem ser chamados e considerados: Exu e Pomba Gira trabalhadores de Quimbanda, no bom e nobre sentido da palavra.

Annapon
19.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)
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