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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ervas de Poder




Ervas de Poder
Por Alexandre Cumino

Nas culturas primeiras, aborígines, também chamadas, pejorativamente, de primitivas, encontramos
largamente o uso de plantas alucinógenas. No entanto, para o aborígine (o índio ou xamã), geralmente essas
plantas, aqui identificadas como ervas, são consideradas “enteógenas”, ou seja, ervas que propiciam um
encontro com o sagrado.
O uso dessas ervas geralmente é feito dentro de uma esfera ritualística, envolta por seus dogmas e tabus.
Geralmente há nas tribos indígenas uma espécie de sacerdote que cuida da parte espiritual e medicinal da
comunidade, que em nossas tradições é chamado de Pajé, também considerado um xamã (palavra siberiana
para identificar o indivíduo que adentra a dimensão do sagrado por meio de técnicas de transe).
As ervas “enteógenas” são também chamadas ervas de poder, ou seja, aquelas que dão ao xamã a
condição de, em contato com o sagrado, ir além desta esfera material, palpável e tangível; transcendendo o
mundo material. Assim, entram em contato com as forças da natureza, com os espíritos da natureza, com o
espírito da erva, com os espíritos ancestrais, com os deuses, ou simplesmente adquirem uma percepção mais aguçada e abrangente desta realidade que nos cerca. Vendo o mundo de outra ótica, em que podem enxergar melhor os males que afligem a tribo ou um doente na tribo. Buscam em outra esfera, do sagrado, respostas que possam auxiliar (curar) o grupo ou um indivíduo. Saindo de si mesmo também se tornam grandes conselheiros, tendo a oportunidade de vencer o egocentrismo para entender o outro em suas dores, angústias e frustrações.
Estas ervas são consideradas sagradas pelos xamãs, costumam dizer que a profanação do sagrado pode
trazer dor à sociedade. Hoje essas ervas sagradas são comercializadas pelo homem moderno e pós-moderno como drogas e entorpecentes, que causam, na maioria das vezes, a dependência. Não se busca o sagrado, mas apenas fugir da realidade ou um pequeno prazer momentâneo. Toda a cultura ancestral, dos que descobriram o uso sagrado destas plantas, é descaracterizada, e mesmo eles que têm tanto respeito pela vida e pela harmonia da estrutura social são mal vistos pelo homem dito civilizado, que deturpou e profanou um dos elementos sagrados de sua cultura.
E foi assim que a folha da coca, sagrada nas culturas andinas, foi profanada e manufaturada na produção
de cocaína. A Canabis Ativa, vulgarmente conhecida como maconha, é erva sagrada para a religião Rastafari da Jamaica. O Fumo, tabaco, era sagrado para os índios das três Américas, o Europeu o descobriu, comercializou e fez dele um dos maiores males que afligem a sociedade. Na Amazônia, a Ayauaska (Daime) é uma planta sagrada de poder, assim como o Peiote na América Central e do Norte.
Ainda existem tribos onde a figura do xamã é presente, como na Cariri Choco, brasileira, onde o Pajé faz
uso da planta da Jurema como erva de poder. No entanto, há religiões que sincretizaram as ervas de poder e xamanismo com outras culturas e religiões fazendo nascer novas “igrejas”, onde, por exemplo, o cristianismo caminha lado a lado com as ervas de poder. E este é o caso, por exemplo, do Santo Daime no Amazonas que faz uso da Ayauaska, agora chamada de Daime, como erva de Poder ao lado de uma doutrina de influência cristã. O Catimbó do Pernambuco usa a bebida da Jurema também num contexto de sincretismo com o cristianismo. Da mesma forma, nos EUA existe o Peiotismo, no qual a presença do peiote de uso ancestral indígena convive com valores cristãos.
O Peiotismo tem uma ligação forte com a Gost Dance, que é de fato uma religião de oprimidos, dos
índios Norte Americanos, destacando o Chefe Siux Touro Sentado, que buscavam, através de um movimento profético, vencer os brancos conquistadores.

Quanah Parquer, fundador da Religião Americana do Peiote.
P.S.1: O Peiotismo surgiu em torno de 1880 em Oklahoma, com a presença das tribos Comanche e
Kiowas, numa condição de opressão dentro das reservas indígenas. Da mesma forma, surgiu a Gost Dance. Seu fundador foi Quanah Parker, um Chefe Comanche. O Peiotismo ainda sobrevive na “Igreja Americana Nativa”,
“Religião "oficial" de pelo menos 70 tribos indígenas nos Estados Unidos. "A Igreja Nativa Americana é
essencialmente uma doutrina oral, não há livros sagrados", diz Pablo Alarcón-Cháires, pesquisador da
Universidade Autônoma do México e um dos cerca de 300 mil membros da igreja.

P.S.2: O Tabaco também é uma erva de poder usada largamente e que se faz presente na Umbanda
justamente por suas qualidades como tal. Logo, Charuto, cachimbo e cigarro têm uso ritualístico e mágico,
nada têm a ver com apego à matéria ou vício. As entidades não a fumam, manipulam o fumo, seja para uma
defumação direcionada, um descarrego, limpeza ou oferenda.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Curiosidades sobre a cultura afro-brasileira



Curiosidades sobre a cultura afro-brasileira

No Brasil aportaram escravos de várias partes da África. Foram trazidos escravos da cultura Nagô, Jeje, Angola, cada grupo falando uma língua distinta e com religiosidades próprias.

Os Mulçumanos trazidos separavam-se das outras culturas.

Contavam esses escravos, com a preferência dos senhores por não se misturarem. Por essa razão, alguns eram selecionados para trabalharem como capitães do mato, ou seja, o escravo que está sempre de olho nos outros escravos.

Alfabetizados, por conta da necessidade da leitura do Corão, livro Sagrado dos Mulçumanos, eram chamados de: mulçumins, raulças e mandinga.
 Mandinga porque oravam cinco vezes ao dia voltados para Meca e traziam, pendurado em seus pescoços, uma passagem do Corão e uma erva sagrada. Esse pedaço de oração e erva se chamava patuá, palavra utilizada no meio Umbandista até os dias de hoje.

Mandinga, portanto, passou a designar o escravo mulçumano, geralmente capitão do mato que carregava, no pescoço, um patuá.

Quando algum escravo pensava em fugir da fazenda, à qual era mantido em regime de escravidão, geralmente recebia o seguinte conselho:
“ Se você não pode com mandinga (capitão do mato/escravo mulçumano), não carregue patuá”.
Carregar pendurado ao pescoço um patuá, fingindo ser um dos mandingas, caso descoberto, seria bem mais perigoso e cruel que continuar escravo.

Essa é a origem da frase:
 “Quem não pode com mandinga, não carrega patuá”, que hoje tem outro sentido, como por exemplo:
 “ “quem é incompetente não se estabelece”.
O termo mandingar também é originado por conta do nome Mandinga, uma vez que, mandingueiro, era aquele sujeito que vivia orando/rezando.

Os Mandingas eram muito respeitados, de cultura Islâmica, eram também considerados grandes feiticeiros talvez por conta do Sufismo, ou Sufi, que no Islã é uma vertente mística que trabalha a questão do transe, magia, símbolos, signos mágicos do Sufismo.

Outra curiosidade nos chega do Candomblé Baiano que não trabalha com espíritos, designando os mesmos como “Eguns”.

Dentro dessa tradição, porém, existe uma religião chamada “Egungum” que prevê o contato com espíritos, ambas, o Candomblé Baiano e o Egungum são originadas da cultura Nagô Yorubá.

Podemos encontrar essa religião na Ilha de Itaparica.

Hoje em dia muitos Candomblés abrem espaço para a incorporação de Caboclos e Pretos Velhos, por exemplo, e alguns terreiros de Umbanda trabalham com os fundamentos do Candomblé, lembrando sempre que Umbanda e Candomblé são religiões distintas, mesmo que algumas casas optem pela mescla das religiões.

Alguns terreiros são, mais, ou menos, influenciados pelo Candomblé, Espiritismo, pela cultura indígena, Catolicismo e assim por diante, porém, caso a influência exercida ultrapasse alguns limites, como por exemplo, misturar fundamentos de religiões, temos ai uma outra forma de ritual, como é o caso do Umbandomblé que é uma mistura dos fundamentos da Umbanda e do Candomblé, portanto, influência é uma coisa e mistura de fundamentos é outra.

Certamente as pessoas são livres para praticarem a religião conforme lhes seja mais agradável ou adequado, por isso, cada casa de Umbanda tem seu ritual particular e se diferencia das demais, sua força ou debilidade não dependem, porém, de rituais de outras religiões, mas sim da fé e da união que animam cada grupo.

Annapon

Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada - Idealizado por Rubens Saraceni - 




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