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domingo, 24 de agosto de 2014

O que é Religião?

O que é Religião?
por Alexandre Cumino


Uma das formas de definir religião é ir direto ao significado da palavra, do latim, religare, que 

tem o sentido de religar-se a DEUS. Logo um entendimento teológico da mesma é propiciar um encontro 
ou reencontro com DEUS.
Mas, o que pode parecer simples é, no entanto, complexo, afinal há formas muito variadas de 
religião e até algumas, como o budismo e jainismo, em que nada se refere a DEUS, são praticamente 
religiões ateístas.
Partindo desse ponto de vista, a definição de religar-se, embora seja muito interessante, não 
expressa todas as dimensões que as diversas religiões encerram em si mesmas. Por se tratar de algo 
indissociável ao ser humano, como produto cultural e social, recorremos às ciências humanas para 
melhor compreender o fenômeno em suas múltiplas formas de expressão.
Desde que o homem habita este mundo há religião, o próprio homo sapiens é considerado um 
homo religiosos; apesar de reconhecermos o quanto a religião faz parte de nossas vidas, ela já passou 
por um período de “trevas”, justamente no período em que surge o iluminismo. É quando surge o 
mundo moderno, pós-revolução francesa, que o homem se voltará a um racionalismo cientificista que 
nega o valor da religião. No séc. XIX, Augusto Conte torna-se o precursor do positivismo declarando que 
a religião seria substituída pela ciência, pois no futuro esta teria as repostas para as inquietações 
humanas buscadas no mundo teológico. E assim como os períodos mitológicos e mágicos já haviam sido 
superados pelo religioso, este também seria ultrapassado, declarando sua inutilidade. Religião tal qual 
se conhece seria uma pseudossolução para pseudoproblemas.
Nos passos de Conte viriam Nietzsche, declarando a morte de Deus, Freud, considerando religião 
uma ilusão, algo infantil, e Marx que afirmaria ser o suspiro dos oprimidos, ópio do povo. Cientistas 
promoveram uma nova inquisição na qual só tem valor o que pode ser observado, experimentado e 
mensurado dentro do método científico.
Em meio a tanto ceticismo, Jung oferece um contraponto às ideias de Freud, demonstrando a 
importância das questões religiosas na vida do ser, apresentando o erro da aplicação do método 
científico para negar o valor que possui a religião na vida e na psique humana:
“O conflito surgido entre ciência e religião no fundo não passa de um mal-entendido entre as 
duas. O materialismo científico introduziu apenas uma nova hipótese, e isso constitui um pecado 
intelectual. Ele deu um nome novo ao princípio supremo da realidade, pensando, com isso, haver criado 
algo de novo e destruído algo de antigo. Designar o princípio do ser como Deus, matéria, energia, ou o 
quer que seja, nada cria de novo. Troca-se apenas de símbolo."1
Religião faz parte de uma realidade subjetiva do ser, o que não pode ser mensurado, já que as 
ciências naturais se ocupam da realidade objetiva. Buscamos no método científico respostas de como 
funciona a realidade física, no entanto, o mesmo é insuficiente para dar sentido a esta realidade. Para 
entender melhor essa dinâmica humana do ente que busca respostas além de si mesmo é que se abriu.

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