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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

sábado, 30 de agosto de 2014

Sincretismos e Religiões



Sincretismos e Religiões





“Nada há de novo abaixo do Sol.

“Em religião nada se cria, tudo se copia.

Uma absorve os mistérios das outras”.

Pai Benedito de Aruanda




“Não há religião superior à verdade”

Helena P. Blavatsky




Texto de Alexandre Cumino




Sincretismo consiste em unir dois ou mais valores para alcançar um terceiro valor, o sincretismo

religioso está muito ligado às culturas, pois valores de duas ou mais culturas se unem quando nasce uma

nova religião.

Vejamos por exemplo na Umbanda, uma religião brasileira, que tem culto aos Orixás, divindades

africanas da cultura Nagô, e aos Santos, da cultura católica. Jesus Cristo e Oxalá são cultuados em um

sincretismo tão forte que Jesus passa a ser Oxalá e Oxalá passa a ser Jesus. Aqui também surgem

polêmicas onde nem todos aceitam o sincretismo desta forma, para muitos Jesus apenas representa

Oxalá, para outros vice e versa e para terceiros os dois, Oxalá e Jesus, caminham juntos sem perder sua

individualidade. Assim é o sincretismo na Umbanda que aparece identificando:

Jesus Cristo com Oxalá

Nossa Senhora da Conceição com Oxum

São Sebastião com Oxóssi

São Jerônimo com Xangô

São Jorge com Ogum

São Lázaro com Obaluayê

Santa Clara com Logunan

São Bartolomeu com Oxumaré

Joana D’Arc com Oba

Santa Bárbara com Iansã

Santa Sara Kaly com Egunitá

Santa Ana com Nanã Buroquê

São Roque com Omulu

Cosme e Damião com Ibeji

Na cultura brasileira existe o sincretismo cultural, que aparece em “síntese” na Umbanda, como

um espelho que mostra as culturas do Negro (Cultura Africana), do Branco (Cultura Europeia) e do Índio

(Cultura Nativa); todas elas partes de um todo que é a Cultura Brasileira.

1 Ver Renato Ortiz. A Morte Branca do Feiticeiro Negro. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1991.

O que cria um ritual marcado por estas influências, com muita musicalidade tocada por

atabaques, rezas para Santos e Orixás, uso de terços e de colares de contas (guias), a valorização da

natureza com a visão do índio que adora Tupã, o uso de ervas com banhos e defumação, uma forma

simples de magia que mistura valores indígenas com o afro-brasileiro e muitos outros traços deste povo

brasileiro.

Mas esta absorção cultural religiosa (sincretismo) não é uma exclusividade da Umbanda, o

Judaísmo absorveu das culturas sumeriana, babilônica, acadiana e assíria em geral assim como a cultura

cristã se alimentou da judaica e da grega, a cultura do islã pode absorver as culturas cristã e judaica,

assim como todas elas têm uma influência mais sutil também da quase extinta cultura persa, dos cultos

zoroastristas. O Budismo nasce em solo hindu, através de um príncipe guerreiro, Sidarta Gautama, o

budismo tibetano recebe influência diferente do budismo chinês, pois os valores que antecedem

permanecem subentendidos e se unem a outros para criar a argamassa com a qual a nova religião é

construída.




Tudo se transforma e assim é com as religiões que para nascer se alimentam de outras religiões,

até que ao atingirem certa “proporção”, que nem sempre corresponde à maturidade, passam aos

conflitos de “adolescência” em relação à “Matriz” para então passarem a uma disputa aberta, na

maioria dos casos, com objetivo de mostrar a supremacia de uma geração em relação à outra. A nova e

vigorosa geração apresenta ideias inovadoras ou ainda, apenas, acredita, pensa, que suas ideias são

novas e que está fazendo algo que ninguém teria feito antes.

Encontraremos muitos valores em comum nas religiões, muitas vezes chega a parecer que existe

apenas uma única religião que se manifesta de formas diferentes, a Ordem Teosófica tem uma visão

muito particular sobre esta questão, onde a Teosofia é a “religião eterna” ou talvez “a religio-vera”, a

“religião verdadeira” e mais adequadamente a “Religião da Sabedoria” que seria o ideal a que todas as

religiões buscam. Para muitos este ideal religioso pode ter sido algo que perdemos em outras eras

quando a humanidade possuía um nível superior de espiritualidade, como no mito de Atlântida ou da

Lemúria. Na literatura de Rubens Saraceni encontramos esta cultura perdida no que é chamado de “Era

Cristalina” (“Os Templos de Cristais”, “Hemissarê”, “O Guardião dos Caminhos” / Ed. Madras – Rubens

Saraceni).

Helena P. Blavatsky, fundadora da Ordem Teosófica, uma das mais eruditas e influentes

estudiosas e pesquisadoras de religião de todos os tempos, em seu Glossário Teosófico (Ed. Ground, 4ª

ed., 2000, trad. Silvia Sarzana) define Religião, Religião da Sabedoria e Teosofia de uma forma que

apresenta muito bem esta ideia sobre um conhecimento eterno, que se manifesta nas diferentes

religiões, mudando apenas a forma. Vejamos as definições de Blavatsky:

• Religião – Apesar da imensa diversidade que oferecem do ponto de vista exterior, todas as

religiões têm um fundo comum nas ideias dogmáticas, filosóficas e morais. De fato, o estudo

comparado das religiões demonstra que os ensinamentos fundamentais sobre a Divindade, o homem, o

universo, a vida futura, são substancialmente idênticos em todas elas, apesar de sua diversidade

aparente. São as mesmas encobertas pelo véu próprio das religiões exotéricas que as desfiguram

parcialmente. É como uma luz branca encerrada num farol, que tem, em cada um de seus lados, um

vidro de cor diferente e, conforme o lado em que é olhada, parece vermelha, azul, verde ou amarela;

retire os cristais e verá a mesma luz em sua pura cor natural. Esta base comum de todas as religiões

dignas deste nome explica-se porque todas elas emanam da Grande Fraternidade de Instrutores

Espirituais, que transmitiram aos povos e raças as verdades fundamentais da religião, sob a forma mais

apropriada às necessidades daqueles que deviam recebê-las, bem como às circunstâncias de tempo e

lugar. Por isso se disse, não sem fundamento, que a questão religiosa é principalmente uma questão

geográfica; assim, uma pessoa é muçulmana simplesmente porque nasceu na Arábia; católica, porque nasceu na Europa etc. Em sua missão sublime, os excelsos fundadores de religiões foram auxiliados por

certo número de indivíduos iniciados e discípulos de diversos graus, homens eminentes por seu saber e

por seus relevantes dotes morais. Outra causa poderosa do antagonismo entre aqueles que professam

credos religiosos diferentes são as corrupções introduzidas por seus representantes, que os modificam

e transformam a seu bel-prazer, impulsionados geralmente por interesses e egoísmo.

• Religião da Sabedoria – A única religião que serve de base a todos os credos existentes na

atualidade. Aquela “fé” que, sendo primordial e revelada diretamente à espécie humana por seus

Progenitores e pelos Egos que a instruem (por mais que a Igreja os considere como “anjos caídos”) não

exige “graça” alguma ou fé cega para crer, porque era conhecimento. Nesta Religião da Sabedoria

baseia-se a Teosofia.

• Teosofia (do grego, theosophia) – Religião da Sabedoria ou “Sabedoria Divina”. O substrato e

base de todas as religiões e filosofias do mundo, ensinada e praticada por uns poucos eleitos, desde

que o homem se converteu em ser pensador. Considerada do ponto de vista prático, a Teosofia é

puramente ética divina. As definições da mesma encontradas nos dicionários são puros desatinos,

baseados em preconceitos religiosos e na ignorância do verdadeiro espírito dos primitivos rosacruzes e

filósofos medievais, que se intitulavam teósofos. [A palavra Teosofia não significa Sabedoria de Deus,

mas Sabedoria dos Deuses ou Sabedoria Universal. Esta Sabedoria é a verdade interna, oculta e

espiritual, que sustenta todas as formas externas da religião e seu pensamento fundamental é a crença

de que o Universo é, em sua essência, espiritual; que o homem é um ser espiritual em estado de

evolução e desenvolvimento e que a humanidade pode progredir na via da evolução através do

exercício físico, mental, espiritual adequados, fazendo-a desenvolver as faculdades e os poderes que a

tornarão capaz de ultrapassar o véu externo do que é chamado de matéria e passar a ter relações

conscientes com a Realidade fundamental. A grande ideia, que serve de base para a Teosofia, é a

Fraternidade universal e esta se encontra fundamentada na unidade espiritual do homem. A Teosofia é

de uma só vez ciência, filosofia e religião e sua expressão externa é a Sociedade Teosófica.

Opostamente ao que muitos acreditam, a Teosofia não é uma nova religião; é, por assim dizer, a

síntese de todas as religiões, o corpo de verdades que constitui a base de todas elas. A Teosofia, em

sua modalidade atual, surgiu no mundo no ano de 1875, porém é em si mesma tão antiga quanto à

humanidade civilizada e pensadora. Foi conhecida por diversos nomes, que têm o mesmo significado,

tais como Brahma-vidyâ (Sabedoria Suprema), Para-vidyâ (Sabedoria Suprema) etc. O motivo especial

de sua nova proclamação em nossos dias foram os rápidos e perniciosos progressos do materialismo nas

nações propulsoras da civilização mundial. Por esta razão, os guardiões da Humanidade acharam

oportuno proclamar as antigas verdades numa nova forma adaptada à atitude e ao desenvolvimento

mental dos homens da época e, assim como antes foram reveladas uma após outra as religiões, segundo

a passagem de um a outro desenvolvimento nacional, assim, em nossos dias, as bases fundamentais de

todas as religiões tornaram a ser proclamadas, de modo que, sem privar nenhum país das vantagens

especiais que sua fé lhe proporciona, se deixará de ver que todas as religiões têm o mesmo significado

e que são ramos de uma mesma árvore. A Teosofia apresenta-se, além disso, como base de filosofia de

vida, porque possui vastíssimos conhecimentos sobre as grandes Hierarquias que preenchem o espaço;

dos agentes visíveis e invisíveis que nos rodeiam; da evolução ou reencarnação, através de cuja virtude

o mundo progride; da lei da casualidade ou da ação e reação, chamada karma; dos diversos mundos em

que o homem vive, semeia e colhe, etc., etc., conhecimentos que resolvem, do modo mais racional e

satisfatório, os árduos enigmas da vida, que sempre conturbaram o cérebro dos pensadores como

desalento de seu coração. No campo da ciência, abre novos caminhos ao conhecimento. A Teosofia

explica a vida, justifica as diferenças sociais entre homens e indica o meio para se retirar novos fatos

do inesgotável armazém da Natureza. A Teosofia fornece também normas fundamentais de conduta aplicáveis à vida humana e levanta grandes ideais, que comovem o pensamento e o sentimento, para

pouco a pouco redimir a humanidade da miséria, da aflição e do pecado, que são frutos da ignorância,

causa de todo o mal. A dor e a miséria desaparecerão completamente de nossa vida quando soubermos

trocar a ignorância pelo conhecimento. Ante a Sabedoria nossas tribulações se desvanecerão, porque o

gozo é peculiar e inerente à natureza íntima de que todos dela procedemos e a ela temos de voltar. A

Teosofia, finalmente, não impõe qualquer dogma, nem força ninguém a acreditar cegamente nas

verdades que ensina, mas faz outra coisa imensamente melhor: coloca o homem disposto a isso em

condições de perceber diretamente, por si mesmo, tais verdades através do desenvolvimento de sua

natureza espiritual, e com ela, o desenvolvimento de certas faculdades internas latentes na

generalidade da espécie humana, que lhe permitem conhecer o mundo espiritual e as relações do

homem com a Divindade. Pelo conhecimento íntimo de si mesmo, o homem se torna capaz de conhecer

a Vida universal e suprema, uma vez que o Espírito humano é uma parte do Espírito universal

(DEUS)...”

No Livro “A Vida Oculta e Mística de Jesus” de A. Leterre (Ed. Madras – 2004), encontramos logo

no início de tal obra, em sua “Introdução” e “Explanação”, textos que demonstram estas “igualdades”

e “coincidências” entre as religiões, mostrando alguns elementos que foram claramente apropriados. O

que choca é que muito raramente uma religião “dá o braço a torcer” sobre que tal valor ter sido

“importado” de outra cultura ou culto religioso, já que a prática comum entre religiões é diminuir a

outra, e quando não até chegam ao ponto de “demoniza-la” fazendo com que seus fiéis creiam que as

divindades alheias são “demônios”.

Vejamos algumas passagens da “Introdução” e “Explanação” desta obra impar para o estudo das

religiões:

Gênese das Religiões

Admitimos por um momento que o nosso benévolo leitor, seja ele de que culto ou crença for,

tivesse de fazer, como missionário, uma grande excursão pelos sertões de Mato Grosso.

Chegado a um ponto das ínvias selvas, depara-se com uma tribo de selvagens ocupada em render

preito e homenagem a uma entidade abstrata, que ela reconhece como Superior e como Criadora de

tudo quanto a cerca.

Essa entidade, ou anteriormente esse Deus, é representada por um boneco de barro

exoticamente fabricado ou por um tronco de árvore cercado por enormes fogueiras, como as piras dos

antigos templos, em volta das quais os silvícolas executam uma frenética dança ao som de flautas de

bambu, acompanhada de estridentes berros à guisa de hinos maviosos.

Que fará nosso missionário?

Certamente procurará, com tempo e jeito, convencê-los de que laboram em erro e de que o

verdadeiro Deus é aquele que ele mesmo adora, seja Jeová, Alá, Buda ou o Cristo do Calvário.

É possível que, convencidos de que o estúpido boneco nada represente, eles passem a adotar o

símbolo do nosso incansável missionário.

Admitamos, porém, que outros missionários, de credos diferentes, venham também a passar por

ali, sucessivamente, com intervalos assaz suficientes para dar tempo a que a nova crença se enraíze em

seus pobres cérebros.

Que sucederá?

Sucederá que, ao cabo de alguns anos, digamos mesmo, de alguns séculos, essa tribo terá mudado

várias vezes o modo de compreender esse Deus.

Mas não se segue daí que toda a tribo, sem exceção de uma só alma, tenha permanecido fiel a

cada crença que foi sucedida, e isso com unânime aprovação.É indubitável, dada a diversidade de mentalidades, que tenham surgido certas divergências no

modo de encarar esse Deus e seus atributos, ou mesmo na maneira de cultuá-lo nas sucessivas crenças,

resultando dali, então, as exegeses e os cismas que acabaram por dividir esses cultos em outros tantos

cultos ou seitas contrários e inimigos, a ponto de se odiarem de morte.

É exatamente o resultado verificado hoje na face desse pobre giroscópio.

Os primitivos povoadores da Terra sentiram que tudo quanto viam devia ser o produto de uma

força superior e inteligente e começaram, então, na opinião de alguns historiadores, a simbolizar essa

força, já com um disco representando o Sol, como fonte de vida material, já com um tronco de árvore,

de onde foram surgindo os esteios da cabana que se transformaram em coluna do Templo etc.

Pela observação e pelo estudo da natureza, movidos pelas necessidades vitais, as indústrias

foram sendo criadas, as artes nasceram, a ciência se manifestou, até se condensar em Academia.

Revelação

Foi então que a Religião fora revelada aos mais puros, nascendo dali o Templo, pois a Religião é o

suspiro do homem, cuja resposta vem do céu e não da Terra.

Que tivesse havido esta Revelação, está isso sobejamente confirmado por todas as religiões do

mundo.

Dupuis não crê na revelação, pois, segundo ele, só a razão humana é que tudo definiu; mas ele

não reflete que essa Razão, que não é criação do homem, mas sim da Razão Suprema, que lhe deu em

igualdade de grau para raciocinar e tirar conclusões justas e força de comparações, estudos e

experiências, é que constitui, de fato, a Revelação Divina, seja por inspiração ou suposto acaso.

No Manavadarma foi a Krishna; nos Vedas, a Buda; no Zenda-Avesta, a Zoroastro; nos livros

Herméticos, a Hermes; nos Kings, da China, a Fo-Hi, a Lao-Tsé, a Confúcio; no Pentateuco, a Moisés; no

Alcorão, a Maomé; no Livro de Jó, ao Pontífice Jó; nos Evangelhos, a Jesus.

Todos eles afirmam terem recebido a verdade, de Deus mesmo, como a expressão dos seus

divinos decretos.

Confúcio, príncipe regente, repudiou tudo para dedicar-se ao sacerdócio, quando, aos 50 anos,

recebia essa revelação.

Daí a razão de ser Religião a Síntese da Ciência e não o contrário, o que seria absurdo.

Charles Norman, sábio astrônomo do Observatório de Paris, sintetiza admiravelmente essa

Revelação em poucas palavras:

“Na verdade, parece que nada manifesta a presença mística do divino, tanto quanto esta eterna

e inflexível harmonia que liga aos fenômenos expressos por leis científicas.

A ciência que nos mostra o vasto Universo, concreto, coerente, harmônico, misteriosamente

unido, organizado como uma vasta e muda sinfonia, dominada pela lei e não por vontades particulares,

a ciência, em suma, não será uma revelação?”

É certo, e isso não pode sofrer a mais leve refutação, que a crença monoteísta, isto é, a de um só

Deus Criador e Todo Poderoso, existiu desde uma antiguidade pré-histórica e descrita nos livros

anteriormente citados, sendo de notar que os Sastras (Livros Sagrados da Índia) são anteriores de 1.500

anos aos Vedas que, por sua vez, têm mais de 6.000 anos.

Nos Vedas lê-se o seguinte:

“Deus é aquele que sempre foi; Ele criou tudo quanto existe; uma esfera perfeita, sem começo

nem fim, é sua franca imagem. Deus anima e governa toda a criação pela providência geral dos seus

Princípios invariáveis e eternos. Não sonde a natureza da existência daquele que sempre foi; esta

pesquisa é vã e criminosa. Basta que, dia a dia, noite a noite, suas obras manifestem sua sabedoria,

seu poder e sua misericórdia. Trata de tirar proveito disso”.

O Rei da Babilônia, Nabucodonosor, orava do seguinte modo: “Criador por ti, Senhor, eu te abençoo, tu me deste o poder de reinar sobre os povos segundo tua

bondade. Constitui, pois, teu Reinado; impõe a todos os homens a adoração do teu nome. Senhor dos

povos, ouve minhas preces. Que todas as raças terrestres venham às Portas de Deus” (Babilu

=Babilônia).

Nos antigos livros da China (nos Kings) encontra-se o seguinte, transcrito pelo imperador Kang-ki

e compilado por du Halde, p.41, da edição de Amsterdã:

“Ele não teve começo nem terá fim. Ele produziu todas as coisas desde o começo; Ele é quem

governa como verdadeiro Senhor; Ele é infinitamente bom e infinitamente justo; Ele ilumina, sustenta

e regula tudo com suprema autoridade e soberana justiça”.

“Se olharmos os olhos negros dos chineses, diz Max Muller, acharemos que ali também há uma

alma que corresponde a de outras almas, e que o Deus que ele tem em mente é o mesmo que nos

empolga o espírito, apesar do embaraço da sua linguagem religiosa”.

Os druidas (Sacerdotes Celtas) diziam que Deus é por demais incomensurável para ser

representado por imagens fabricadas por mãos de homens, e que seu culto não pode ser prestado entre

muralhas de um templo; mas, sim, no santuário da natureza sob a ramagem das árvores ou nas

margens do vasto oceano.

Para os druidas, o símbolo da Vida e da Luz era representado pelo termo ESUS (Definição de Leon

Denis – Le Génie Celtique et le Monde Invisible).

Há neste termo uma curiosa aparência de analogia com o nome que pretendemos estudar neste

ensaio.

O Deus dos druidas era Be-il, de onde o Ba-al da Caldeia, ao qual juntaram Teutalés, similar de

Thot -Hermes do Egito.

Foi São Judicael quem no século VII aboliu o Druidismo que ainda existia confinado nas florestas

da Brocelianda.

No Tibet, segundo o padre Huc, os Lamas dizem que:

“Buda é o ser necessário, independente, princípio e fim de tudo. É o Verbo, a Palavra. A Terra,

os astros, os homens e tudo quanto existe são uma manifestação parcial e temporária de Buda. Tudo

foi criado por Buda, no sentido de tudo dele como a luz vem do Sol. Todos os seres emanados de Buda

tiveram um começo e terão um fim; mas, assim como eles saíram necessariamente da Essência

Universal, eles terão de ser reintegrados. É como os rios e as cachoeiras produzidos pelas águas do mar

que, após um percurso mais ou menos longo, vão novamente perder-se na sua imensidade. Assim, Buda

é eterno; suas manifestações também são eternas”.

Lê-se no Livro dos Mortos do Antigo Egito:

“Eu sou aquele que existia no Nada; eu sou o que cria; eu sou aquele que se criara por si próprio.

Eu sou ontem e conheço amanhã, sempre e nunca”.

O Templo de Sais, antiga cidade do baixo Egito, trazia gravado em seu frontispício:

“Eu sou tudo que foi, que é e que será, e nenhum mortal jamais levantou o véu que me

encobre”. Era o “Deus Desconhecido”.

No México, em 1431, o rei Netzahualcóyotl que, quando criança, havia escapado milagrosamente

da degolação dos filhos machos, como sucedeu a Moisés, a Jesus e a outros reformadores, conforme

veremos mais adiante, mandou construir templos, sendo o mais belo dedicado ao “Deus Desconhecido”.

Dizia ele que os ídolos de pedra e de madeira, se não podem ouvir nem sentir, ainda menos poderiam

criar o céu, a Terra e os homens, os quais devem ser obra de um Deus Desconhecido, todo-poderoso,

em quem confiava para sua salvação e seu auxílio.

domingo, 24 de agosto de 2014

O que é Religião?

O que é Religião?
por Alexandre Cumino


Uma das formas de definir religião é ir direto ao significado da palavra, do latim, religare, que 

tem o sentido de religar-se a DEUS. Logo um entendimento teológico da mesma é propiciar um encontro 
ou reencontro com DEUS.
Mas, o que pode parecer simples é, no entanto, complexo, afinal há formas muito variadas de 
religião e até algumas, como o budismo e jainismo, em que nada se refere a DEUS, são praticamente 
religiões ateístas.
Partindo desse ponto de vista, a definição de religar-se, embora seja muito interessante, não 
expressa todas as dimensões que as diversas religiões encerram em si mesmas. Por se tratar de algo 
indissociável ao ser humano, como produto cultural e social, recorremos às ciências humanas para 
melhor compreender o fenômeno em suas múltiplas formas de expressão.
Desde que o homem habita este mundo há religião, o próprio homo sapiens é considerado um 
homo religiosos; apesar de reconhecermos o quanto a religião faz parte de nossas vidas, ela já passou 
por um período de “trevas”, justamente no período em que surge o iluminismo. É quando surge o 
mundo moderno, pós-revolução francesa, que o homem se voltará a um racionalismo cientificista que 
nega o valor da religião. No séc. XIX, Augusto Conte torna-se o precursor do positivismo declarando que 
a religião seria substituída pela ciência, pois no futuro esta teria as repostas para as inquietações 
humanas buscadas no mundo teológico. E assim como os períodos mitológicos e mágicos já haviam sido 
superados pelo religioso, este também seria ultrapassado, declarando sua inutilidade. Religião tal qual 
se conhece seria uma pseudossolução para pseudoproblemas.
Nos passos de Conte viriam Nietzsche, declarando a morte de Deus, Freud, considerando religião 
uma ilusão, algo infantil, e Marx que afirmaria ser o suspiro dos oprimidos, ópio do povo. Cientistas 
promoveram uma nova inquisição na qual só tem valor o que pode ser observado, experimentado e 
mensurado dentro do método científico.
Em meio a tanto ceticismo, Jung oferece um contraponto às ideias de Freud, demonstrando a 
importância das questões religiosas na vida do ser, apresentando o erro da aplicação do método 
científico para negar o valor que possui a religião na vida e na psique humana:
“O conflito surgido entre ciência e religião no fundo não passa de um mal-entendido entre as 
duas. O materialismo científico introduziu apenas uma nova hipótese, e isso constitui um pecado 
intelectual. Ele deu um nome novo ao princípio supremo da realidade, pensando, com isso, haver criado 
algo de novo e destruído algo de antigo. Designar o princípio do ser como Deus, matéria, energia, ou o 
quer que seja, nada cria de novo. Troca-se apenas de símbolo."1
Religião faz parte de uma realidade subjetiva do ser, o que não pode ser mensurado, já que as 
ciências naturais se ocupam da realidade objetiva. Buscamos no método científico respostas de como 
funciona a realidade física, no entanto, o mesmo é insuficiente para dar sentido a esta realidade. Para 
entender melhor essa dinâmica humana do ente que busca respostas além de si mesmo é que se abriu.
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