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Annapon ( escritora e blogueira )

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sexta-feira, 21 de março de 2014

Médium: uma pessoa inter-existente




Médium: uma pessoa inter-existente

(Depoimento do médium Francisco Cândido Xavier em 10/04/1988 extraído do livro “Chico Xavier – Mandato de Amor”)

Há muitos anos atrás, o professor Herculano Pires me dizia ser todo médium uma pessoa inter-existente. Eu não compreendia muito bem o que ele queria dizer exatamente com isso e pedia-lhe maiores explicações. O professor tentava explicar-me, dizendo que o médium, ao mesmo tempo, vive duas realidades de vida distintas. Mas, mesmo assim, ficava eu por entender o que tentava me transmitir. Passados alguns anos, quando o professor já havia desencarnado, compareci, como de costume, a uma reunião no Grupo Espírita da Prece, aqui em Uberaba. A reunião transcorria normalmente e comecei a receber, pela psicografia, uma mensagem de um rapaz recém-desencarnado, dirigida a sua mãe que se encontrava aflita. Durante a mencionada recepção da mensagem, enquanto minha mão escrevia, um espírito amigo aproximou-se e disse:
-“Chico, nós precisamos de você neste mesmo instante em uma reunião no plano espiritual, ligada por laços de afinidade ao Grupo Espírita da Prece. Você faça o favor de me acompanhar até lá!”
Com a devida permissão de Emmanuel, resolvi, então, seguir o amigo em espírito. Andamos muito até chegarmos a um salão muito amplo. Lá dentro, ocorria uma reunião e todos estavam em silêncio e prece. Com grande alegria, identifiquei a figura do professor Herculano Pires, presidindo o encontro. Cumprimentamo-nos rapidamente pelo pensamento e soube que deveria substituir um médium que havia faltado ao serviço. Uma mãe em estado de sofrimento esperava obter notícias de seu filho.. Ambos já estavam desencarnados, mas a respeitável senhora desesperava-se por não ter ainda se encontrado com o filho querido, desencarnado dez anos antes dela. O estado íntimo de angústia desta mãe impedia-lhe a visão do filho dileto, que se encontrava em condição espiritual um pouco melhor. Assim, enquanto meu corpo físico psicografava uma mensagem de um rapaz no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, meu corpo espiritual também recebia uma mensagem de outro rapaz, com outro tema, na reunião do plano espiritual, completamente diversa da primeira.
Quando tudo terminou, o professor veio falar comigo:
- “Você entendeu agora, Chico, o que é ser inter-existente?”
Só então eu pude compreender o que ele quis me dizer. Neste instante lembrei-me que minha abnegada mãe, D. Maria João de Deus, em uma de suas aparições, havia me asseverado com gravidade:
-“Chico, a mediunidade é uma enxada bendita de trabalho, quando sabemos aceitá-la com Jesus”.
E fiquei, então, a meditar sobre o assunto.

Sabemos que a mediunidade não pertence a nenhuma religião ou segmento filosófico, pertence ao ser humano como uma de suas faculdades espirituais a ser desperta. Por isso para demonstrar os vários aspectos ou facetas da mesma, podemos abrir mão de experiências de qualquer segmento.
Podemos afirmar que a mediunidade é um dom do espírito e tem seu grau definido pela afinação que este ou aquele espírito tem com o campo vibratório desta ou daquela religião. A Umbanda tem na mediunidade de incorporação um de seus fundamentos básicos e concluímos que esse dom, essa faculdade, se completa de acordo com cada religião, época, valores. Nosso irmão Chico Xavier é o maior exemplo que temos da utilização dos dons mediúnicos e no texto acima ele nos presenteia com um relato extraordinário onde podemos aprender um pouquinho mais acerca desse dom espiritual. Num único relato ele consegue nos mostrar o dom da psicografia, do desdobramento astral, da comunicação entre diferentes planos espirituais e passar conceitos de afinidade espiritual. Esperamos que todos tenham absorvido os conceitos valiosos que nem sempre temos a oportunidade de abordar desta maneira já que são muito raros aqueles que conseguem com tamanha naturalidade manifestar tantos dons mediúnicos ao mesmo tempo. Ao contrário do que muito pensam, Chico Xavier não era um privilegiado por causa disto. Ele era, sim, o portador de dons proporcionais à sua humildade, simplicidade e vontade de auxiliar o próximo. Um dom que ele não pediu deliberadamente, mas conquistou por méritos perante nosso Criador.
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