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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Desmoralizando a Palavra se desmoraliza a Umbanda

Olá!

Segue abaixo desabafo de uma trabalhadora de Umbanda.
Mãe Mônica produz ótimos textos no site Minha Umbanda e, ao ler as palavras/ensinamentos que posta, tenho certeza, com todo o carinho, sinto o amor que tem pela religião e o compromisso que foi estabelecido por ela junto à espiritualidade.
Sacerdotes/Sacerdotisas, sejam ou não de Umbanda, sempre se deparam com a ingratidão, incompreensão das pessoas que abrigam sob seus tetos e cuidados.
O texto fala sobre o poder da palavra e sobre como é importante ser coerente entre o que se diz e o que se sente ou pratica.
Todos nós falhamos, por vezes até nos expressamos mal, porém sempre há tempo para a correção/reflexão.
A Umbanda propõe evolução, reforma íntima, religar com o Pai e com as forças naturais por Ele criadas pelo bem e progresso de todos.
O que acontece, as vezes, é que algumas pessoas "aderem" à religião almejando inesgotáveis benefícios em favor próprio, sem atentar que a Umbanda nos ensina justamente o contrário, ou seja, alcançamos o que merecemos e tanto quanto estejamos dispostos a lutar pelo merecimento e seus frutos.
Penso que todos aqueles que se comprometem com o Sacerdócio, em algum momento, ou já passaram, passam ou ainda passarão pela decepção que a incoerência/ingratidão, provocam. Difícil é estar preparado e ciente que faz parte do "pacote".

Annapon



Desmoralizando a Palavra se desmoraliza a Umbanda


Ouvi duas palavras certo dia que dentro de mim saciaram por completo alguns de meus pensamentos: “escrever é emoção”. E são com elas que espero saciar a falta de textos/palavras do blog. Desculpem, mas é forte, é muito forte tudo isso dentro de mim… sei que são os dissabores da intensidade que vivo a vida e a Umbanda… sei que são tempos de reflexões… Tempos de mudanças…. Tempos de aprender… Tempo de dar tempo ao tempo…

E assim vazia, sem encontrar palavras para compartilhar e vivenciando tantos “tempos” ouvi a música “Palavras” (Titãs) que provocou uma enxurrada de palavras e mais palavras cheias de lembranças concordando com todas as definições que a música propõe.

Recordei juras, zelos, preocupações, amor, desejos, acordos formados por palavras soltas e ocas (quase sempre reflexo de seus pronunciadores). Um dia o respeito, reconhecimento e a determinação pelo terreiro, no outro a mentira, a destruição, a quebra. Um dia a preocupação e até a comoção com a intensidade de trabalho, arrumações naturais que antecedem uma gira e abraços carinhosos, na outra semana o abandono. Um dia o pedido de ajuda, no outro a negação. Um dia o amor é dito, no outro é mal dito, esquecido, matado…. ahhhh quanto dói… quanto ainda tenho que mudar… e sem querer (ou talvez desejando como meio de defesa) me afasto das palavras causando para meu corpo, espírito, mente e essência mais dor, pois Umbanda não existe sem Palavra, sem verdade no dito (sim, são mais reflexos de minhas intensidades…).

Minha memória vivifica e me faz lembrar o quanto já foi dito, ensinado, orientado sobre o poder das palavras para nós, para nossa ancestralidade africana e consequentemente, para nossa Umbanda. Palavra que é a base e o grande diferencial da religião Umbanda (não há religião em que a palavra seja tão forte, importante, supridora e sustentadora para seus adeptos como na Umbanda garantem alguns pesquisadores das ciências humanas e estudiosos das religiões contextualizando a necessidade do ser humano em falar, dialogar, ouvir, compartilhar, dividir…). Palavras que têm poder de magia, palavras que constroem e desconstroem, palavras que………


leiam/releiam trecho do texto “A tradição viva” de Hampate Bá (escritor malinês)

“a tradição africana, a fala, que tira do sagrado o seu poder criador e operativo, encontra-se em relação direta com a conservação ou com a ruptura da harmonia no homem e no mundo que o cerca. Por esse motivo a maior parte das sociedades orais tradicionais considera a mentira uma verdadeira lepra moral. Na África tradicional, aquele que falta à palavra mata sua pessoa civil, religiosa e oculta. Ele se separa de si mesmo e da sociedade. Seria preferível que morresse, tanto para si próprio como para os seus.
O chantre do Komo Dibi de Kulikoro, no Mali, cantou em um de seus poemas rituais:
“A fala é divinamente exata, convém ser exato para com ela”.
“A língua que falsifica a palavra vicia o sangue daquele que mente.”
O sangue simboliza aqui a força vital interior, cuja harmonia é perturbada pela mentira. “Aquele que corrompe sua palavra, corrompe a si próprio”, diz o adágio. Quando alguém pensa uma coisa e diz outra, separa-se de si mesmo. Rompe a unidade sagrada, reflexo da unidade cósmica, criando desarmonia dentro e ao redor de si.

Curioso é atestar o quanto os profissionais pronunciadores de palavras soltas e ocas querem (e ainda chegam a exigir) direito de palavra, conversa e explicação como se nada já tivesse sido falado… Incoerência pura pois para esses, Exu DIZ, pai/mãe de santo FALAM, os Guias ORIENTAM mas de nada vale. É, de nada valeu…

Enfim, quem não valoriza ou quem não é fiel à Palavra, por Ordem Divina – e com essa eu não discuto, duvido ou me ponho à frente – acabam se afastando dos terreiros, sim!

LEI é LEI!

Sim, são tempos de reflexões… Tempos de aprender… Tempos de calar… Tempos de mudanças…. Tempos de rogar…

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