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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O que é mediunidade – Todos são médiuns? – Tipos de mediunidade.






O que é mediunidade – Todos são médiuns? – Tipos de mediunidade.

A mediunidade é faculdade inerente ao ser humano, portanto, desde os primórdios dos tempos, ela existe.

Não é apenas a habilidade de manter contato com espíritos, é também uma forma de manter contato com outras realidades diferentes das que estamos habituados.

O médium é o “meio”, o que inter media a comunicação de natureza variada.

Allan Kardec tornou conhecida a palavra mediunidade.

A prática mais antiga de mediunidade é o Xamanismo.

A manifestação mediúnica remonta a remotos tempos, com os antigos Xamãs que também eram magos.

 No Xamanismo o transe, o ritual, as visões e a busca por respostas às mais comuns perguntas sobre a vida são formas de trabalhar a mediunidade.

Todos os seres humanos são médiuns, porém, nem todos são médiuns de incorporação, mesmo porque existem vários tipos de mediunidade, mas todos, em maior ou menor grau, são médiuns.

Em todos os tipos de mediunidade é de fundamental importância o autoconhecimento, o estudo e o bom e correto uso da faculdade que se é portador, para tanto, é preciso tempo, paciência, perseverança e humildade.

São vários os tipos de mediunidade, abaixo seguem alguns exemplos:

O que é a clarividência?
 É a capacidade de ver o mundo espiritual, de ver os espíritos.
A responsável por isso é a glândula pineal, chamada de “terceiro olho”, é uma glândula que se concentra bem no centro da testa, a estrutura dessa glândula é como se fosse a estrutura de um olho. Ela se chama pineal porque ela tem a forma de uma pinha. A sua constituição física é formada de pequenos cristais.

O que é vidência?
A vidência são imagens que se formam na mente da pessoa, diferente da clarividência que é a glândula pineal, terceiro olho, vendo o mundo espiritual.
Essas imagens se formam como uma tela mental, isso é vidência.
A premonição está inserida nessa categoria de mediunidade.
A vidência também está relacionada à “psicometria”, que é a capacidade de pegar um objeto que pertenceu a alguém ou que esteve em algum lugar e fazer uma leitura do que foi que aconteceu com aquele objeto.
Nos Estados Unidos a psicometria é muito utilizada, existem casos que aparecem em filmes de situações em que a polícia recorre a alguns médiuns de psicometria, levam esses médiuns, por exemplo, ao local onde houve um crime e ali o médium tem condições de saber o que aconteceu naquele local, isso é psicometria.

O que é clariaudiência?
A “clariaudiência” é a capacidade de ouvir os espíritos.

O que é clariolfativo?
Clariolfativo é o individuo que tem a capacidade de sentir odores.
 Clariolfativo é aquele que pode sentir, pela faculdade mediúnica, os cheiros do ambiente ou os aromas que as entidades espirituais exalam.

O que é psicografia?
A psicografia é a escrita mediúnica e existem vários tipos ou formas de manifestar a psicografia.
A maioria dos médiuns de psicografia recebe, das entidades espirituais, um fluxo de informações, essas informações passam pela mente do médium e ele vai escrevendo muitas vezes com as suas palavras. O que é diferente da psicografia mecânica, praticamente uma psicografia de efeito físico, que é o tipo de psicografia que Chico Xavier tinha, no qual a entidade desincorporada psicografava com a sua própria caligrafia isso é muito raro.

O que é pictografia?
Pictografia é a pintura mediúnica.
Nessa categoria, quase todos os médiuns são de efeito físico, ou seja, a entidade espiritual guia as mãos do médium sem que o mesmo interfira.
Existem médiuns que pintam através da clarividência, porém é uma pintura diferente da pictografada.

O que é telecinesia?
Telecinesia é a capacidade de mover coisas, de movimentar coisas, estourar uma lâmpada, por exemplo, de fazer um banco se mexer, de fazer uma porta fechar essa é uma capacidade chamada “telecinesia”.
A mediunidade de efeito físico é uma forma de telecinesia, como no filme “Poltergeist”, por exemplo.

Leitura recomendada sobre mediunidade:

“O Livro dos Médiuns” Allan Kardec
Série “Nosso Lar” de Chico Xavier
“Nos domínios da Mediunidade” de Chico Xavier
“Mecanismos da Mediunidade” de Chico Xavier
“Mediunismo” de Ramatís

 A inspiração é uma forma de mediunidade também.

É diferente da irradiação, quando um médium está, por exemplo, dando uma palestra ou conversando com alguém ele fica irradiado. Ele não está incorporado, mas ele está irradiado, ou seja, irradiado é: não apenas você ter uma inspiração, não apenas ter uma intuição, mas você ficar tomado de uma energia, de uma vibração. Você fica irradiado, envolvido por aquela energia e com essa energia você também sente a mensagem, os pensamentos, a comunicação de um mentor espiritual e dizemos que a pessoa está “irradiada”.

A irradiação é a comunicação com os Mestres Ascencionados, por exemplo.

O desdobramento astral também é faculdade mediúnica, ou seja, todos nós a noite quando dormimos, fazemos um desdobramento astral. O que isso quer dizer? Que o espírito sai do corpo e que consiste dessa saída o desdobramento ou a viagem astral.

Quando dormimos é comum nosso deslocamento até lugares onde acontecem palestras, por exemplo, ou ir de encontro a pessoas conhecidas, parentes desencarnados e quando acordamos temos a sensação de que sonhamos.

O desdobramento astral se diferencia do sonho pela nitidez com a qual nos lembramos dos detalhes ocorridos. O sonho normalmente é fruto de nossas preocupações, do nosso cotidiano e o desdobramento é totalmente diferente por trazer encontros e situações antes não imaginadas ou vividas.

O desdobramento é amplamente utilizado pelos guias espirituais a fim de nos auxiliarem no aprendizado. Recordar, ou não, consiste na capacidade de registro cerebral de cada um. Algumas pessoas conseguem registrar com mais facilidade esses encontros e outras não por questões meramente orgânicas ou então por necessidade, mesmo porque, às vezes, não devemos nos recordar de tudo e sim armazenar em nossa memória espiritual.

Todos os templos, terreiros, casas, tendas, tem uma parte física, material e outra astral, como fosse uma cópia. A maioria dos médiuns, e até mesmo frequentadores desses locais, durante o sono, são desdobrados pelas entidades a fim de seguir trabalhando do lado de lá. O trabalho não cessa e quanto mais ativo o médium, ou ostensivo, mais trabalho durante e fora da vigília.

Uma curiosidade sobre o desdobramento astral é a sensação, mais ou menos comum para todas as pessoas, de estar caindo, ou seja, acordar abruptamente, significa que estávamos trabalhando do lado de lá e tivemos de voltar ao corpo físico com rapidez por alguma razão.

Existe ainda a sensação de paralisia ao acordar, é aquela sensação de estar acordado e não conseguir movimentar o corpo, tal sensação também é atribuída ao desdobramento astral.

O que acontece, nesses casos de sensação de paralisia, dizem os estudiosos do assunto, fica por conta de o corpo astral não ter se “encaixado” corretamente ao corpo físico, causando essa sensação. Aconselham às pessoas que sentem tal incomodo a dormir novamente a fim de despertarem livres da sensação.

Outro tipo pouco comum de mediunidade é a materialização.

Alguns médiuns conseguem materializar objetos e outros, através de seu ectoplasma, espíritos.

No Brasil um médium chamado Peixotinho materializou alguns espíritos. Existe um livro sobre esse tipo de mediunidade chamado “Dossiê Peixotinho”.

Outro livro sobre o assunto é “O Mundo da Ilusão”.

A faculdade de materialização é impressionante. Alguns médiuns conseguem materializar os espíritos de tal forma que é possível até mesmo abraçá-los, sentir sua presença e toque.

Outros, ao materializarem objetos, são capazes de trazer para o local onde se encontram materiais usados em magia negra, por exemplo, contra a pessoa que ali, com o médium, tenha ido se consultar.

Uma vez transportados esses objetos, automaticamente são desmagnetizados. Essa é a materialização com transporte, ou seja, o objeto se desmaterializa no local de origem e se materializa diante do médium que possui esse dom.

A mediunidade é bastante diversa e dons comuns e outros nem tanto, fazem parte da constituição humana.

Outra modalidade mediúnica é a de desdobramento mental, diferente do astral, o desdobramento mental conserva o corpo e o espírito alinhados e só a mente se projeta. Esse desdobramento é comum nas reuniões de Apometria.

A mediunidade sensitiva é comum, porém, existem médiuns sensitivos capazes de descrever uma entidade tão somente por sua alta sensibilidade.

Todas as pessoas, em algum grau e modalidade, portanto, são médiuns.

A telepatia, quando fruto da inspiração em contato com o plano espiritual é mediúnica. Ao contrário é a telepatia de encarnado para encarnado, considerada fenômeno metafísico.

O hipnotismo também não é fenômeno mediúnico e sim aplicação de técnica especifica.

O benzimento também não é fenômeno mediúnico e sim técnica. Essa técnica, normalmente, é transmitida ao outro de geração a geração.

Hoje em dia existem cursos que ensinam as técnicas de benzimento.
Apesar de o benzimento ser técnica, não quer dizer que o benzedor não seja médium. A maioria dos benzedores são médiuns inspirados por entidades espirituais que os auxiliam nos procedimentos.

Psicofonia é a fala mediúnica, apenas fala mediúnica. É praticamente uma canalização.

Podemos classificar os dons mediúnicos racionalmente, porém nunca seremos capazes de abranger todas as faculdades mediúnicas.

O que nos foi permitido descortinar, até o momento, provavelmente ainda é muito pouco e, talvez, o outro tanto, ainda não nos é permitido, ou conveniente, conhecer.

A mediunidade na Umbanda é potencializada pelos recursos que utiliza, como pontos riscados, som, ervas, magia. Umbanda não é apenas mediunidade.

A Umbanda é uma religião que tem uma ritualística forte e riquíssima, nela, a mediunidade de incorporação é a mais comum.

Annapon




(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Expansão e esvaziamento da religião de Umbanda



Expansão e esvaziamento da religião de Umbanda


No período entre 1945 e 1979, a religião de Umbanda se expande de maneira vertiginosa.

Uma das razões pelas quais essa expansão aconteceu, ficou por conta de Jorge Amado que, eleito deputado, na época, conseguiu aprovar a Lei de Liberdade de Culto.

Em 1952, é fundado o Primado de Umbanda por Benjamim Figueiredo da Tenda Espírita Mirim e o Primado de Umbanda se torna, naquela época, a maior organização Federativa da religião de Umbanda com metodologia e com estrutura muito bem definidas, muito bem organizadas.

Em 1949, também por iniciativa de Zélio de Moraes, é criado o “Jornal de Umbanda”.

Em 1952 surge Tata Tancredo no cenário Umbandista.

Ele funda a Federação Espírita de Umbanda.

Tata Tancredo é africanista, pratica Umbanda Omolocô.

Tata Tancredo pratica Umbanda e ao mesmo tempo ele crê que Candomblé, Culto de Nação, Culto a Angola, que tudo quanto é forma de religiosidade afro-brasileira, em sua visão, cabe e está dentro da Umbanda. Ele se torna muito popular no Rio de Janeiro.

Tata Tancredo a partir da sua Federação começa a viajar pelo Brasil e surge, então, um grande racha, uma dissidência forte na Umbanda. Começa a surgir a ala dos Umbandistas mais africanistas, da Umbanda Africanizada que afirmavam que a Umbanda vinha da África inclusive e a ala dos Umbandistas menos africanizados.

Em 1956 essas duas alas se unem, tanto a africanista como a não africanista e, essa união tinha por objetivo fundar o “Colegiado Espírita do Cruzeiro do Sul”, com fins políticos.

Entra em cena, naquela época, a família Átila Nunes que até hoje atua na política e atua trabalhando em prol da religião de Umbanda.

 Em 1961, foi realizado o Segundo Congresso Nacional da Religião de Umbanda no Maracanãzinho, lotado, as fotos mostram algo impressionante.

Enquanto isso, em São Paulo, no ano de 1942, Pai Jaú funda a Liga de São Jerônimo. Logo na sequencia em 53 é fundada a FUESP (Federação de Umbanda do Estado de São Paulo).

Em 1955, Pai Jamil Rachid funda a “União de Tendas de Umbanda e Candomblé”, até hoje muito atuante.

 Em 1961, no Segundo Congresso Nacional de Umbanda os senhores presentes foram de alguma forma orientados a fundar “Superiores Órgãos de Umbanda” em cada Estado e assim foi fundado em São Paulo, o Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo – SOUESP – de todos os Estados São Paulo foi o único que conseguiu idealizar o SOUESP.

Em 1973, Pai Ronaldo Linares fundou a Federação FUGABC, a Federação Umbandista do Grande ABC,  que é um marco importante, pois Pai Ronaldo Linares teve contato direto com Zélio de Moraes e é o homem que muito e mais trabalhou para se tornar conhecida a história da religião de Umbanda, para que a história de Zélio de Moraes se tornasse conhecida, realmente quem mais fez por isso, pela nossa religião foi Pai Ronaldo Linares que a partir da FUGABC também é o responsável pelo “Santuário Nacional de Umbanda”.

A partir da década de 60, em São Paulo, surge a “Festa de Iemanjá” em Praia Grande, esta festa vai da ponta da praia no Forte até Mongaguá, com relatos de milhões de pessoas, milhares e milhares de ônibus, algo nunca visto.

É o “bum” da religião de Umbanda. Nesse momento a Umbanda é uma religião muito popular, as músicas de Umbanda, os pontos de Umbanda são cantados na televisão por Clara Nunes, por Martinho da Vila, por Elis Regina, é uma grande popularidade, todo mundo quer ser Umbandista.

Como a religião cresceu muito rápido, em pouco tempo, sem nenhuma organização, sem ter uma base teórica, sem ter exatamente uma literatura ou um conjunto de conhecimentos, de esclarecimentos, com cada um fazendo o que queria e dizendo que isso é Umbanda, começaram a surgir escândalos, a religião começou a ser combatida, inclusive, pelo novo segmento que nascia, o segmento “Neopentecostal”, altamente combativo e de uma força incisiva e direta afirmando a mesma coisa que a igreja Católica afirmava das outras religiões no período de Colonização,  com a mesma e antiga receita, demonizando as outras religiões, por meio de tudo isso a Umbanda entrou num período de “Esvaziamento” na década de 80.

 A década de 80 é a década de depressão, de esvaziamento da religião de Umbanda, ninguém mais fala de Umbanda na televisão, as pessoas não tem mais orgulho de ser Umbandista, começam a ter vergonha de ser Umbandista, ser Umbandista começou a ser sinônimo de macumbeiro, de enganador, de charlatão, de curandeiro.

No inconsciente coletivo começou a se fixar uma ideia de que Umbanda não é uma coisa boa e ninguém sabe a diferença de Umbanda para outros cultos, outras religiões, outras religiosidades, ninguém sabe mais se Umbanda é Brasileira, se não é Brasileira, ninguém sabe se Umbanda só faz o bem, junto com isso tudo o preconceito acerca de Exu e aquela ideia de que Exu faz o bem, faz o mal, que cada um faz o que quer.

Tudo isso começou a criar um ar de religião perigosa, de uma religiosidade perigosa, associado a essa ideia de que se você entra na Umbanda, você não pode sair, se você sai a sua vida vira para trás. Nessa época também era muito comum, o que foi muito relatado pelos antigos Umbandistas, a questão de demanda, de Terreiro demandando contra Terreiro, de dirigente demandando contra dirigente, de médium quando sai do Terreiro o dirigente demanda, ou seja, faz ação negativa contra os médiuns.

A ignorância vai predominando, muitas pessoas usam a religião de Umbanda e o nome das entidades para ganhar dinheiro, para extorquir, para enganar, para fazer trabalhos pagos, como esses que nós vemos em postes, de feitiço para prejudicar a vida de alguém.

Tudo isso começou a se confundir com Umbanda, então, na década de 80 a religião esvaziou-se.
A partir da década de 90 começa a surgir uma nova geração Umbandista, a partir da década de 90 começa a surgir uma literatura de Umbanda, começam a surgir romances de Umbanda.

A partir da década de 90 essa nova geração que se interessa pela religião, é uma geração que quer estudar, quer conhecer a religião de Umbanda e encontra material.

Surge um autor, Rubens Saraceni, no cenário da religião de Umbanda como médium psicógrafo e, então, nós começamos a ter uma literatura psicografada de Umbanda.

 Algo que já funcionava muito bem no Espiritismo como forma de doutrinação, como forma de esclarecimento, como forma de entendimento do que é que eu estou praticando, de onde venho, qual é a minha religião.

Surgem os romances de Umbanda, o clássico “O Guardião da Meia Noite”, que é leitura obrigatória, começa a mudar a opinião das pessoas sobre quem é Exu, o que é Exu e como Exu atua na Umbanda.

 “O Cavaleiro da Estrela Guia” junto do “O Guardião da Meia Noite” vai firmando o nome do Rubens como médium psicógrafo de romances de Umbanda.

Rubens traz toda uma nova literatura, uma bagagem de conhecimentos e em torno de 1995. Em 1996, para ser mais exato, Rubens idealiza o curso livre de “Teologia de Umbanda Sagrada” e  começa o estudo da religião de Umbanda para todos que queiram aprender. Agora, para você estudar Umbanda você não precisa ser mais filho de santo da pessoa que está lhe ensinando, isso foi inédito, foi uma inovação.

Até então, qualquer dirigente espiritual só ensinaria Umbanda para aquele que fosse médium da sua casa, a partir do Rubens (ou que viesse a se tornar) surge o curso teórico de estudo da religião “Teologia de Umbanda Sagrada”, um curso livre pra todos que queiram estudar e conhecer a religião.

Independente de ser curioso, de ser ou não adepto, de ser ou não médium e que não precisa se tornar o meu filho de santo, não precisa se tornar médium da minha casa, não precisa me pedir a benção ou bater cabeça pra mim porque estamos ali para estudar, isso tudo começa com Rubens Saraceni na idealização do curso e mais tarde viria também o curso de “Magia Divina das Sete Chamas Sagradas”.

 Começa um novo período dentro da Umbanda, de 1990 até hoje, a religião de Umbanda que se esvaziou na década de 80, começa a crescer outra vez, a Umbanda volta a crescer, mas ela cresce com passos lentos, no entanto, passos muito firmes.

 A Umbanda volta a crescer principalmente em torno dos Terreiros, dos Núcleos, Tendas e Centros, em torno das organizações que valorizam o conhecimento, a informação, o ensino, a cultura, a doutrina e a Teologia de Umbanda. Então, hoje a Umbanda volta a crescer graças ao estudo, graças ao conhecimento, graças à informação.

Hoje se multiplica a informação, se multiplica o conhecimento e cada um de nós começa a ter recursos de base para entender quais os fundamentos da religião de Umbanda, cada um de nós se torna um multiplicador da religião. Este é o atual período da religião, a “Maturidade da Umbanda” e cada um de nós faz parte desta história.

Esse é o momento, essa é a hora em que cada um de nós está sendo chamado para fazer história na religião de Umbanda e a nossa parte é: absorver informação, absorver cultura e multiplicar essa informação.

Que cada um de nós seja um Umbandista consciente do que é a religião de Umbanda. E desta forma, com certeza, a gente vai transformar a Umbanda na religião que nós queremos ou mostrar a sociedade o que realmente é Umbanda: uma religião linda, fascinante, encantadora que pratica única e exclusivamente o bem.


(palavras de Alexandre Cumino – Curso de Teologia de Umbanda Sagrada)


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Umbanda – Fatos Históricos –




Umbanda – Fatos Históricos –


O período, chamado de legitimação da Umbanda, aconteceu entre 1929 a 1944, em plena era Vargas que assumiu o poder em 1930.

Nessa época já existiam tendas/terreiros de Umbanda em todo o território nacional.

Começa também, nesse período, a surgir a Umbanda mesclada a outras religiões, como o Candomblé, por exemplo, e uma grande confusão se inicia.

Esse período marca a necessidade de o Umbandista explicar o que é e o que não é Umbanda, necessidade esta que perdura até os dias de hoje.

Por conta da perseguição policial aos terreiros, nessa época, começa a surgir outra necessidade, a de legitimar os terreiros/tendas, a fim de que a ordem e a liberdade de culto fossem preservadas em bases legais.

Em 1933, Leal de Souza, médium preparado pessoalmente por Zélio de Moraes, publica o primeiro livro sobre a religião de Umbanda com o título: “ O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda”.

Este livro foi escrito com base na vivência de terreiro de Leal de Souza e é um registro histórico, muito valioso, da religião.

Nessa época, Leal de Souza dirigia a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição. Todo seu trabalho foi fundamentado nos ensinamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Em 1934, Gilberto Freyre realiza em Recife, o primeiro congresso afro-brasileiro. Fato que fortaleceu a vontade de os Umbandistas se organizarem melhor.

Zélio de Moraes sempre se manteve presente e atuante no período de organização da Umbanda e, em 1939, por ordem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, foi fundada a primeira Federação de Umbanda do Brasil.

No ano de 1940, Zélio consegue registrar, em cartório, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, berço da religião. Foi um longo período até a consumação desse registro, muito por conta do preconceito e má vontade das autoridades.

Em 1941, a primeira Federação de Umbanda realiza o Primeiro Congresso Nacional de Espiritismo de Umbanda em 1941.

Zélio de Moraes se alia com Benjamim Figueiredo e os intelectuais da época como Leal de Souza e tantos outros para num Congresso Nacional sobre a religião de Umbanda, começar a dar algumas diretrizes, algumas normas e dar orientação para que os demais praticantes da religião também comecem a registrar os seus Terreiros em cartório para que todas as outras Tendas de Umbanda ao modelo desta Federação e desta Tenda de Zélio, também começassem a se legalizar.

Com base nesta ação, outras Federações de Umbanda começam a surgir, bem como o intercâmbio entre dirigentes de vários Estados. Em São Paulo e no Rio Grande do Sul a Umbanda começa a ganhar força.

Estes fatos ocorreram em 1941 durante o congresso acima citado que marca, também, o surgimento de outros autores Umbandistas como Lourenço Braga, por exemplo, com a obra “Umbanda e Quimbanda”.

O primeiro a falar sobre sete linhas de Umbanda é Zélio de Moraes, sete linhas de Umbanda é um fundamento da religião.

O primeiro a escrever sobre sete linhas de Umbanda é Leal de Souza e o primeiro a estruturar as sete linhas de Umbanda com legiões para cada linha mais sete vibrações é o autor Lourenço Braga, que é também um autor importante dentro do nosso estudo histórico da religião de Umbanda.

Os fatos ocorridos no Congresso estão registrados em livro e aqueles que tiveram acesso a tal material,  comentam que, os responsáveis pelo Congresso em questão, tinham a firme “preocupação” em desafricanizar a Umbanda.

 As teses que foram aceitas são as teses que tentam desafricanizar a Umbanda porque naquele momento era o caminho para vencer o preconceito contra a influência afro dentro da religião de Umbanda ou de qualquer outra religião. Então, surgem teses curiosas, teses interessantes.

Entre as teses que aparecem, podemos destacar uma, bem peculiar, que é a tese da Tenda Mirim apresentada pelo senhor Diamantino no primeiro Congresso.

É a tese da “Aumbandã” de que a Umbanda seria a mais antiga de todas as religiões e que o nome dela seria “Aumbandã” e que teria vindo da Lemúria, da Atlântida, passado pela Índia, pela África e depois chegava ao Brasil.

Essa é uma tese que aproxima a Umbanda exatamente da teoria sobre a Teosofia e, nesse momento, marca já no começo da religião, um perfil daqueles que querem estudar a Umbanda misturando-a com alguns conhecimentos do Ocultismo e do Esoterismo, portanto, nasce na Tenda Espírita Mirim aquilo que no futuro se chamaria “Umbanda Esotérica”.

Já temos na Umbanda, a partir desse Congresso, o perfil do trabalho de Umbanda de Zélio de Moraes e, começa a surgir um perfil de Umbanda Esotérica ao mesmo tempo em que temos também a chamada “Umbanda Popular” que é a Umbanda praticada sem exatamente se saber o porquê de cada um dos elementos, os fundamentos da religião.

Em 1940, temos, portanto, pelo menos três vertentes de Umbanda: a Umbanda mais tradicionalista de Zélio, a Umbanda Popular e surge a Umbanda Esotérica.

Falar em Umbandas, de forma plural, não é algo novo.

Como em todas as religiões há diversidade.

Na Umbanda também é assim, de qualquer forma, estão todos juntos trabalhando num Congresso e entendendo: você tem a sua particularidade, o outro tem a particularidade dele, mas todos estão praticando uma única religião, a religião de Umbanda.

Annapon
02.12.2014



(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)





sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Umbanda – Como tudo começou -




Umbanda – Como tudo começou -

O médium Zélio F. de Moraes fundou a Umbanda, mas, recebeu da espiritualidade, as diretrizes que viriam a formar o ritual.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas e posteriormente, Pai Antonio, foram as entidades que estabeleceram, através da mediunidade de Zélio, as diretrizes para que o ritual de Umbanda pudesse se estabelecer.

Por ser de família católica, Zélio conservava, em casa, imagens de Santos que foram aproveitadas para que se construísse o primeiro altar de Umbanda.

Com muita simplicidade, esse altar foi construído e, conserva até hoje, no topo, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, além de mais Santos Católicos.

Diante desse singelo altar, todos rezavam antes dos trabalhos.

Com o passar do tempo, Pai Antonio estabeleceu, dentro do ritual, o culto aos Orixás.

O ritual de Umbanda, a partir daí, começou a tomar forma. As incorporações aconteciam e, os médiuns, incorporados, passaram a atender as pessoas que ali, na Tenda, iam em busca de ajuda.

Pai Antonio foi a entidade que introduziu, ao ritual de Umbanda, o uso das guias e o cachimbo. Com o passar do tempo os Caboclos começaram a usar os charutos e a manipular outros elementos.

As vestes brancas dos médiuns, a essas alturas, já haviam sido recomendadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas além da reserva de área para que os consulentes se sentassem a fim de aguardar o atendimento.

Nascia a sequencia ritualista de Umbanda com a abertura dos trabalhos feita com orações, defumação, sob as orientações do Caboclo das Sete Encruzilhadas e de Pai Antonio na residência da família de Zélio constituída como “Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade”, que existe até hoje.

Até 1918 só havia a religião de Umbanda na Tenda de Zélio de Moraes.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas deu para Zélio de Moraes a missão de fundar mais sete Tendas de Umbanda sob a sua responsabilidade, de Zélio e do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

No ano de 1918, a Umbanda começa a se expandir pelo Rio de Janeiro e depois na década de 20, a Umbanda começa a surgir em outros Estados.

Zélio criou e fundou além da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade mais sete Tendas para o Caboclo das Sete Encruzilhadas sob o direcionamento e sob o comando de outros dirigentes espirituais preparados por ele mesmo, por Zélio.

E foi assim fundada: a “Tenda Nossa Senhora da Guia” - comandada pelo Sr. Durval, a “Tenda Nossa Senhora da Conceição”,  comandada por Leal de Souza, a “Tenda Santa Bárbara” - comandada por João Aguiar, a “Tenda São Pedro” - comandada por José Meireles, a “Tenda Oxalá” - comandada por Paulo Lavois, a “Tenda São Jorge” - comandada por Severino Ramos e a “Tenda São Jerônimo” - comandada por Capitão Pessoa.

 Essa foi, portanto, a primeira fase da religião de Umbanda, que nasceu na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a partir de Zélio de Moraes da Tenda Mãe, da Casa Mãe é que surgem as primeiras Tendas de Umbanda ainda ali no Rio de Janeiro e no momento em que Zélio começa a expandir, o astral começa a preparar outras pessoas também para multiplicar a religião de Umbanda além de Zélio de Moraes.

A “Tenda Espírita Mirim”, fundada por Benjamim Figueiredo em 1924, foi uma das tendas que a expansão da Umbanda promoveu.

Benjamim Figueiredo também passou pela Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, vindo de uma família Espírita,  conheceu a Umbanda por meio de Zélio de Moraes, foi desenvolvido por Zélio de Moraes e em 1924 ele funda a Tenda Espírita Mirim que se torna uma referência da religião de Umbanda, se torna também uma referência da religião de Umbanda nesse período inicial.

A Tenda Espírita Mirim é um templo grande, fica na cidade do Rio de Janeiro e existe até os dias atuais.

Para que tivesse chegado a essa grande estrutura, teve o apoio da espiritualidade. Do Caboclo Mirim, mais especificamente que anunciou aos médiuns, que os recursos para que a tenda fosse erguida chegariam.
Alguém, brincando, perguntou ao Caboclo se tais recursos “cairiam” do céu, ao que ele respondeu que sim, que eles cairiam sim do céu.

Passado um tempo, um consulente assíduo da Tenda, estrangeiro, num dia de muita chuva na cidade, disse à família responsável pela tenda, que viajaria e que não confiava em deixar seu dinheiro no banco, deixou uma boa quantia com a família e nunca mais voltou para reaver o dinheiro, dessa forma, a quantia foi usada para a concretização do grande templo que se tornou a Tenda.

A partir da Tenda Espírita Mirim surgiu uma das grandes Federações de Umbanda.

Zélio também fundou uma pequena Tenda chamada “Cabana de Pai Antônio” que fica em Boca do Mato e é onde hoje está localizada a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

Zélio de Moraes era um médium inclusive de efeitos físicos, de cura, a especialidade de Zélio, do Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio era curar loucura, talvez porque Zélio tenha sido dado como louco também.

Alguns médicos de um hospício levavam ao Caboclo das Sete Encruzilhadas uma lista de nomes e o Caboclo dizia quem tinha a doença biológica e quem estava sendo obsedado ou tinha desequilíbrio espiritual e esses eram levados para se curarem dentro do trabalho do Zélio de Moraes.

Há situações de cura incríveis na história de Zélio, situações registradas na literatura, por jornais. Zélio foi chamado certa vez por um pai desesperado para olhar sua filha que tinha sido dada como morta pelos médicos. Zélio de Moraes se juntou com sete médiuns e foi na casa dessa família olhar uma pessoa que já estava morta.

Ao que consta, Zélio entrou com sete médiuns no quarto onde ela estava morta, clinicamente morta e  ali, depois de algumas horas trabalhando, quando ele saiu do quarto a menina estava viva.

Isso não é uma lenda, isso não é um mito. Isso é uma passagem, é um fato histórico registrado por Leal de Souza no seu livro “No Mundo dos Espíritos”, registrado em jornal na época e Zélio tinha uma metodologia que fugia a todos os padrões.

Existe uma gravação dele que diz que incorporado de Caboclo, Zélio de Moraes colocou Benjamim Figueiredo no ombro, fundador da Tenda Espírita Mirim, e correu com ele numa praia, Zélio de Moraes estava incorporado, jogou Benjamim dentro da água e Zélio entrou na água – Detalhe: Zélio de Moraes não sabia nadar – e Zélio incorporado entra no mar com Benjamim, dá-lhe um banho de mar, tira ele do mar, joga ele no chão e diz: “Pronto. Você está pronto pra trabalhar com o Caboclo Mirim”, e Zélio diz: “Foi assim que terminou que foi feito o desenvolvimento mediúnico de Benjamim”.

Há casos super peculiares na história de Zélio de Moraes.

Um deles também conta que Severino – Severino dirigente da Tenda São Jorge – era alguém totalmente cético, no dia que visitou Zélio de Moraes em Boca do Mato e Zélio também estava incorporado,  próximo a um rio, que é o rio que corre ali do lado da Tenda em Boca do Mato, Zélio de Moraes incorporado pegou uma pedra e tacou essa pedra na cabeça de Severino que não estava acreditando em nada do estava vendo ali, tacou a pedra.

Severino caiu desmaiado dentro do rio, as pessoas todas correram para lhe acolher, para tirá-lo de dentro do rio e Zélio incorporado, a entidade que estava incorporada em Zélio disse: “Não toquem nele”.

Severino se levantou e saiu do rio, já estava incorporado de Ogum Timbiri que seria o chefe espiritual do Terreiro, a Tenda Espírita São Jorge.

 Assim foi feito o desenvolvimento desse médium chamado Severino.

 Leal de Souza era um Espírita convicto, ao conhecer o trabalho de Zélio de Moraes e ver Zélio curar loucos, Leal de Souza também se rende a Umbanda.

 Ele era intelectual, escritor e conheceu Zélio de Moraes porque estava fazendo um trabalho de pesquisa em vários Centros Espíritas a fim de publicar o resultado dessas pesquisas em jornal e escreveu um livro chamado “No Mundo dos Espíritos”.

Leal de Souza foi uma grande colaboração para a religião de Umbanda.

Capitão Pessoa, dirigente da Tenda São Jerônimo, dizem que no dia que entrou na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, Zélio de Moraes já tinha fundado seis Tendas e faltava fundar a Tenda de número sete, faltava fundar a Tenda de São Jerônimo, dizem que no dia que Capitão Pessoa entrou na Tenda Nossa Senhora da Piedade, ninguém o conhecia, ninguém sabia quem ele era e o Caboclo das Sete Encruzilhadas falou:

“Acabou de chegar aquele que será o dirigente espiritual da Tenda Espírita São Jerônimo”.

São histórias sobre Zélio de Moraes no mínimo curiosas, algumas engraçadas, mas histórias muito fortes.

Em determinada época, conta Mãe Zilméia, filha carnal de Zélio, que um delegado de polícia estava fechando todos os Terreiros de Umbanda, esse delegado ia aos Terreiros e os fechava.

Na época os Terreiros eram fechados por serem considerados trabalhos de curandeirismo ou de charlatanismo.

Os Terreiros vinham sendo fechados por esse delegado que sistematicamente visitava, entrava e fechava.

Mãe Zilméia disse que ela ainda era uma jovem adolescente no dia que esse delegado bateu na porta do Terreiro, da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, Zélio de Moraes estava incorporado de Pai Antônio e Mãe Zilméia, então, uma criança ainda, chegou ali e falou:

 “Pai Antônio, está aí aquele delegado que vem fechando todas as Tendas de Umbanda”, então, Pai Antônio diz a ela:

“Deixe ele entrar minha filha, diga a ele que venha conversar comigo”.

Ela conta que o homem era enorme, era grande e que esse enorme homem, então, chegou ali de frente para o Preto Velho e na hora que ele parou na frente do Preto Velho, de Pai Antônio, esse homem desmaiou, caiu duro no chão e Pai Antônio disse:

 “Deixa ele aí, não mexa com ele”, depois de um tempo o homem acordou, conversou com Pai Antônio, se rendeu a Umbanda, se tornou Umbandista e frequentador daquele Terreiro.

 São no mínimo histórias muito curiosas.

Annapon
28.11.2014



(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Umbanda é uma religião monopoliteísta


A Umbanda é uma religião monopoliteísta

A Umbanda é uma religião que fala de Deus, mas que cultua muitos Orixás.

Alguns desavisados, saem por ai dizendo que Umbanda é paganismo, dizem que Umbanda é politeísmo.
Vamos entender que paganismo foi uma palavra criada para que a igreja identificasse aqueles que não são Católicos – ser Católico ou não, nem entra em questão aqui.

A palavra pagão, hoje em dia, é usada por alguns Católicos para dizer:

 “Nossa, essa criança não foi batizada, então, ela é pagã”.
 “Que perigo, a criança não foi batizada ainda”.

Esse é um conceito criado dentro do Catolicismo porque o Espírita não batiza, o Judeu não batiza, o Islã não batiza, não faz batismo, então, temos que repensar alguns valores.

 A Umbanda tem ritual de batismo, mas não deve incutir o medo de que a criança está pagã, pois isso é uma bobagem.

 Esse é um dos medos criados e cultivados dentro do seio da igreja Católica e um dos medos que ficou incutido no inconsciente daquele que em algum momento da vida foi Católico. A gente tem que estudar para vencer esses medos.

A fim de salvar esses conceitos e concepções e para salvar o estudo da religião foram criadas outras palavras. O próprio Allan Kardec na obra  “O Livro dos Espíritos”, critica o panteísmo. Kardec diz que panteísmo não é uma forma de religião. Kardec afirma que panteísmo é um absurdo, crer que todas as coisas são Deus, é absurdo, segundo ele, mas essa é a crença do panteísmo.

Hoje estão surgindo novas palavras para identificar novas concepções, uma dessas palavras para identificar novos sistemas religiosos ou novas identificações para velhos sistemas religiosos, é:
 “panenteísmo”.

Panenteísmo quer dizer: não que todas as coisas são Deus, mas que Deus está em todas as coisas.

 Podemos dizer que a Umbanda é panenteísta quando crê que Deus está nos rios, nas matas, na cachoeira, no mar, no céu, na terra, no fogo, na água, Deus está em todos os lugares, de certa forma nós fomos um pouco panenteístas. Mas, somos monoteístas porque cremos em um único Deus, o mesmo Deus de todas as religiões, este é o nosso Deus. Não importa qual é o seu nome, somos monoteístas, mas também foi criada uma nova palavra para identificar àqueles que acreditam num único Deus junto de muitas divindades, a palavra é: “monopoliteísmo”.


De alguma forma nós somos, nos consideramos monoteístas, mas temos uma forma de monopoliteísmo porque cremos num único Deus que também se manifesta por meio de muitas divindades.

Esses são estudos e curiosidades acerca da religião de Umbanda, estudo sobre os sistemas religiosos. O mais importante é entender que acima de qualquer classificação Umbanda é uma religião. Umbanda preenche todos os requisitos aos quais se define uma religião.

Um sociólogo chamado “Max Weber” diz: “A diferença entre religião e magia é que magia você pode praticar de forma solitária e religião é algo que você pratica em comunidade”.

 A Umbanda é uma religião que preenche todos os requisitos de religião, a Umbanda possui ritual, possui doutrina, liturgia, Teologia, a Umbanda é praticada em comunidade.

 A Umbanda é uma religião urbana e muitos ainda não se deram conta disso, também é uma peculiaridade, embora o local ideal para praticar Umbanda seja na natureza, podemos afirmar que a natureza é o verdadeiro Templo da religião de Umbanda, levando em consideração ainda que cada um de nós é um Templo vivo.

Toda prática da religião é feita em Templo material, a prática de Umbanda é feita em Tendas de Umbanda, Terreiros de Umbanda, Centros de Umbanda, Igrejas de Umbanda, Núcleos de Umbanda, onde o Templo é construído para receber uma comunidade, para receber um corpo de médiuns, onde inclusive existem técnicas de construção desse Templo, que pode ser um salão ou uma casa alugada que será: imantado, consagrado, cruzado, para que o espaço profano que é um salão ou uma casa se torne um espaço sagrado, se torne um Templo.

No Templo é construído um altar e não são todas as religiões que constroem altar. O Islã em suas mesquitas não constrói altar, cada mesquita do Islã é um local de encontro para que as pessoas rezem voltadas para Meca, não tem altar.

No Judaísmo, as casas religiosas que a gente chama de “Templo”, por uma convenção, também são locais de reza e de estudo.

A Umbanda como poucas religiões é uma daquelas que tem altar, o nosso altar é um altar, essencialmente, Católico.

A maioria dos altares de Umbanda é construído com imagens Católicas, mas não obrigatoriamente. Há altares de Umbanda que tem apenas a imagem de Cristo, há altares de Umbanda que tem apenas velas, há altares de Umbanda que tem apenas velas, pedras, símbolos, signos ou pontos riscados, da mesma forma que temos um altar, temos uma tronqueira.

Temos uma estrutura de Templo, na religião de Umbanda que se define como uma estrutura templária, algo dentro do universo urbano e por meio dessa estrutura templária se dá o tempo em que as coisas devem acontecer lá dentro, ou seja, o ritual diz como as coisas devem acontecer nesse Templo, como as pessoas se movimentam nesse Templo, como se separa, qual é a posição do sacerdote, do corpo mediúnico, como separar esse corpo mediúnico dos consulentes que vem no Terreiro de Umbanda tomar um passe, uma consulta. E, peculiaridade, a Umbanda é uma religião universalista, ela recebe adeptos de todas as religiões para serem seus frequentadores, a Umbanda não obriga ninguém a se converter para frequentá-la como consulente.

A Umbanda trabalha com espíritos que em outras encarnações pertenceram a outras religiões também, então, Umbanda é uma religião única e tem fundamento próprio e tem a sua forma de ser.

A explicação para tudo isso está principalmente no modelo de construção do ritual de Umbanda. 

 A religião de Umbanda nasceu no momento que foi idealizado o seu ritual pela primeira vez, naquele que foi o primeiro Templo da religião de Umbanda.

Umbanda é uma religião, portanto, só pode praticar única e exclusivamente o bem.

E que isso se repita muitas vezes até que as pessoas comecem a associar quem não é Umbandista começando, de alguma forma, a associar Umbanda como a prática do bem, pois também é definida: praticar Umbanda é fazer o bem sem olhar a quem.

Annapon
25.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que é Religião?-Definições e Religare – Religiões Monoteístas – Variações de forma religiosas.



 O que é Religião?-Definições e Religare – Religiões Monoteístas – Variações de formas religiosas.

Vamos voltar no tempo e consultar as fontes para entender o que é religião.

O que é religião e o que é a palavra religião?
Há uma definição sobre essa palavra. 
Qual é a origem? 
A origem é o latim. 
Qual religião  usa o latim como praticamente uma língua sagrada?
 É a religião Católica.

Logo, a utilização da palavra religião, que vem do latim, foi largamente definida, classificada, colocada, apresentada, produzida pela religião Católica e pelos especialistas ou os grandes Teólogos da religião Católica que definiram o que é religião, definindo a palavra “religião” e partir dessa palavra criando uma definição que vai ao encontro do que é a sua religião.

Religião vem de “religar” ou “religare” ou “religar-se” e isso quer dizer: religar a Deus.
Religião, a definição da palavra religião é “religar-se a Deus”.
A ideia é que religião é o meio pelo qual você se religa a Deus. Essa é uma definição teológica, produzida no seio da igreja Católica e que é largamente explicada pelo maior teólogo de todos os tempos da religião do Catolicismo que é São Tomás de Aquino na Suma Teológica, ele apresenta essa definição.

A partir daí muitas religiões aceitam e usam essa definição de religar-se a Deus, no entanto, existem religiões ou sistemas filosóficos que são socialmente ou antropologicamente vistos como religiões, por exemplo, o Budismo.
O Budismo é uma religião, você tem: Budismo Tibetano, Budismo Chi Chinês, Zen Budismo, é uma religião, mas que não tem o propósito de religar a Deus. O Budismo tem o propósito de ensinar a todos os seus adeptos a vencer o sofrimento e alcançar a iluminação.

Esse é o propósito do Budismo, reconhecer que esse mundo é o mundo do sofrimento, que existem caminhos para vencer o sofrimento, quais são os caminhos para vencer o sofrimento e alcançar a iluminação. É uma religião que não fala nada, absolutamente nada sobre Deus, nem que Deus existe, nem que Deus não existe, só quer lhe a ajudar a vencer a ilusão porque esse é o mundo da ilusão.

Da mesma forma, também de origem Hindu, temos o Jainismo, que assim como o Budismo também não fala nada sobre Deus. E podemos citar ainda o Taoísmo que coloca o “Tao” como o caminho, o Taoísmo explicado pelo livro do Tao Te King começa dizendo:
 “O verdadeiro Tao é aquele que não pode ser explicado, tudo aquilo que pode ser explicado não é o verdadeiro Tao”.

O Taoísta não entra em divagações filosóficas e teológicas, ele entra em divagações místicas, de caminho que lhe fazem pensar sobre o vazio, sobre o nada, sobre o tudo, de uma maneira que isso é chamado de Tao.
Nem todas as religiões têm preocupação de fazer “religar-se a Deus”.
Podemos citar ainda, dentro da cultura Hindu, o segmento do Monismo que faz parte do Vedanta.

No Monismo se diz:
“Não existe separação entre você e Deus, não existe um criador e criação, não existe criador e criatura”.
 “Simplesmente as coisas são. Tudo é. Você é isso. Deus e você uma coisa só”.

Do ponto de vista do Monismo não existe separação, se não há separação, não há nada para religar.

Nas religiões ocidentais a definição da palavra religião como religar nos serve muito bem nessa questão porque em religião nós vamos buscar a Deus.
 De alguma forma essa definição serve pra gente, mas não dá para generalizar.

Ao estudar religião,  é importante lembrar que muitos se consideram a religião verdadeira, pura e as outras religiões impuras.

Há algumas décadas atrás a própria religião Católica se considerava a única religião onde Deus habita e isso acabou,  teve fim no Concílio Vaticano II em 1945 e alguns anos depois,  entre João Paulo VI e o próximo Papa que ocupou  o cargo ainda nesse Concílio Vaticano II.

Essa afirmação era um dogma, e caiu no Concílio Vaticano II.

Quando Kardec criticou a igreja, o fez numa época em que a religião Católica afirmava ser a única religião onde se pode encontrar a Deus, porém, tal critica, não serve mais, por quê?
Por que a partir desse Concílio Vaticano II a igreja reconhece que Deus também está presente nas outras religiões.

É quando a igreja cria a forma de pensamento ecumênico, primeiro para aceitar outros Cristianismos e depois a igreja aceita o Judaísmo como a religião dos irmãos mais velhos.
No entanto, antigamente, as religiões buscavam teorias que lhes afirmassem ou que por meio dessas teorias elas pudessem dizer que: “A sua é a religião mais antiga do mundo”, “A primeira religião a existir”, então, costumava-se dizer: “A nossa religião surgiu com Deus, desde Adão e Eva a nossa religião já existe”.

Havia em religião esse conceito de que a religião não é criada pelo homem, de que Deus criou a religião no começo dos tempos.

Essa é uma teoria que afirma ser a religião algo eterno criado por Deus. No entanto, sabemos que as religiões são criadas pelos homens, ainda assim em alguns estudos esotéricos também foram colocadas questões similares de que esotericamente, há uma religião única, que está acima de todas as outras religiões e que essa seria a religião verdadeira e que de forma esotérica ou mística em algum momento a humanidade vai redescobrir uma religião única para todos.

A questão é: além das religiões serem criadas pelos homens e para os homens se ligarem ao sagrado, se existem muitas religiões é porque existem muitas culturas diferentes.

O homem que mora, por exemplo, no meio da floresta Amazônica, ele tem uma religião e uma religiosidade rica, abundante como o meio que o cerca porque ali,  naquela realidade,  Deus provê um universo vegetal, animal, de frutas, de flores, riquíssimo e a religião desse homem é um espelho do meio que ele vive.

 O sagrado que se manifesta naquele espaço, naquele tempo e naquela cultura. Agora, quando olhamos uma religião, uma religiosidade que nasceu no deserto, ela é também o espelho daquela cultura e será muito mais rígida, muito mais dura, muito mais castradora. Como é a diferença das culturas Judaico-cristãs, das culturas Indígenas.

São diferentes sistemas religiosos, diferentes formas de ver o mundo, religiões diferentes, por quê? Porque o homem é diferente, então, é necessário e é importante que existam muitas religiões porque os homens são diferentes.

Se a gente quisesse colocar todos numa mesma religião, seria como querer enlatar, encaixotar todo mundo num mesmo rótulo e o ser humano não é igual.

Muito longe de ter uma única religião para todos, a tendência é cada vez haver mais e mais religiões que satisfaçam as nossas diferentes necessidades intelectuais, teóricas, práticas, de cultura e etc.

Cada um de nós tem necessidades diferentes, ainda nesse estudo buscando aquelas afirmações de que existe uma religião primeira e única, podemos citar os estudos da Teosofia iniciados por Helena Petrovna Blavatsky, a sociedade Teosófica afirma que: “A Teosofia é a religião verdadeira”.
 “A primeira e única religião eterna”.

O que, na Índia,  é chamado de “Sanatma Dharma”, ou seja, “a grande religião”, “a religião eterna” e que todas as outras religiões seriam distorções da primeira religião, a forma de fundamentar isso é dizer que em cada religião você encontra verdades que são incomuns de umas para as outras e essas verdades que fazem parte de todas as religiões são na sua pureza, na sua essência: a religião original.

Essa ideia foi importada para a Umbanda, porque houve na década de 40, uma teoria de que a Umbanda seria uma religião eterna criada no começo dos tempos e que ela simplesmente ressurgiu agora, mas que é uma religião eterna, a mais antiga das religiões: a Umbanda.

Religiões são criadas por homens, a Umbanda também foi criada por homens para homens junto dos espíritos, mas as religiões têm histórias, elas têm data, elas têm fatos, elas têm um contexto onde eles acontecem.

 O que é que define uma religião? É o seu ritual, onde ela se manifesta.
 Annapon
24.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

domingo, 23 de novembro de 2014

Continuação de: O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda



Continuação de: O que é Umbanda? Os primeiros estudos sobre Umbanda

Depois de Arthur Ramos, um pesquisador: Edson Carneiro, em 1948, escreveu o livro “Candomblés da Bahia”.

Edson Carneiro dedica um capítulo do seu livro só para a Umbanda, o capítulo final de uma segunda edição ele coloca um adendo ali sobre Umbanda para dizer que:

“Umbanda é sincretismo religioso”.

Mais tarde, aqui no Brasil e em São Paulo é fundada a Universidade de São Paulo, a USP.

Para que a USP fosse fundada, e criados os cursos de Sociologia e alguns outros cursos, vieram os doutores e mestres de uma comunidade Francesa para ajudar a criar essas cadeiras dentro da USP.

Entre os estudiosos das religiões que vieram ao Brasil podemos citar Roger Bastide.

Francês, Roger se encanta pelo Candomblé, mesmo porque já estivera na África, estudando os cultos e conheceu, em terras africanas, Pierre Verge que também estudava a religiosidade afro brasileira e africana.

Roger Bastide, nas décadas de 50 e 60, aqui no Brasil, toma conhecimento sobre a Umbanda, mas não se interessa por ela, pois não consegue entender seu ritual.

O interesse maior dele é Culto de Nação e Candomblé, mas ele faz um estudo sobre a religiosidade do negro brasileiro, um estudo sobre as religiões afro-brasileiras ou as religiões afro no Brasil.
                                                                                    
Roger Bastide, em algum momento começa a falar sobre a Umbanda dizendo:

“Estamos de frente para uma religião a pique de nascer”.

A Umbanda já existia, já era fundada há muito tempo.

Roger Bastide, como profundo conhecedor, pesquisador das religiões afro-brasileiras, começa a perceber a Umbanda.

Roger Bastide estuda de fora para dentro, ele tem neutralidade científica, mas ele tem  interesse pelos Cultos de Nação.

Quando ele percebe a Umbanda, o que passa pela cabeça dele e que ele coloca é que a Umbanda é como se fosse uma religião afro-brasileira ou uma espécie de Candomblé sincretizado que já caminha para um africanismo-espírita.

 É esse o olhar dele, ele não consegue ver a Umbanda com um fundamento próprio, para ele, aquilo parece uma cultura afro-brasileira que está se tornando mais Espírita do que naturalmente já é o Candomblé ou que não é o Candomblé.

Depois de Roger Bastide, também na USP, na cadeira de Sociologia, surge um senhor chamado “Cândido Procópio Ferreira de Camargo” que em 1960 publica o seu livro “Umbanda e Kardecismo - Seu tratado, seu estudo” e Cândido Procópio Ferreira de Camargo tem outro olhar.

Ele é um estudioso do Espiritismo e olha a Umbanda a partir do Espiritismo.

Se para o Roger Bastide Umbanda é africanismo-espírita. Agora, para Cândido Procópio Ferreira de Camargo Umbanda é um Espiritismo mais afro.

Ninguém olhava a Umbanda como uma coisa única, uns achavam que era um
africanismo embranquecido, outros achavam que era um Espiritismo influenciado pela cultura afro, então, um espiritismo-africanizado.

Cândido Procópio Ferreira de Camargo faz algumas colocações interessantes, entre elas, ele afirma:

“Umbanda é uma religião e é uma religião mediúnica”.

 E ele fala também a partir do olhar da Sociologia, “de fora para dentro”:

 “Espiritismo também é religião, é uma religião mediúnica”

 “Entre a Umbanda e o Espiritismo existe o continuum mediúnico, dos médiuns que uma hora estão na Umbanda, outra hora estão no Espiritismo e Umbanda tem um encontro com o Espiritismo”.

“E existe o Espiritismo mais afro, existe a Umbanda que é mais Espírita e eles estão muito próximos”.

O estudo de Cândido Procópio Ferreira de Camargo em 1960 com esta afirmação:

“Umbanda é religião e é religião mediúnica”, foi um progresso, porque a Umbanda está sendo academicamente reconhecida como religião.

Ainda não se entende muito bem o que ela é: africanismo-espírita ou espiritismo-africanizado, porém já começa a despontar o respeito acadêmico pela religião de Umbanda nos idos dos anos 60 aqui no Brasil.

No entanto, os estudos prosseguem e depois de Cândido Procópio Ferreira de Camargo, na década de 70, surge Diana Brown, afirmando:

“Umbanda é uma religião, uma religião heterodoxa”.

Surge também Lisias Nogueira Negrão, que até hoje é um dos professores de Sociologia na USP, ainda atua, trabalha, é muito respeitado.

Lisias Nogueira Negrão tem um livro chamado “Entre a Cruz e a Encruzilhada” e ali ele diz:

“Umbanda é uma religião” ou “Umbanda é um sistema religioso aberto”.

Ele define a Umbanda como uma religião em constante mutação, como uma religião mutante, como uma religião que aceita, que é inclusiva – inclusiva quer dizer que está constantemente aceitando outros valores.

As palavras de Lisias Nogueira Negrão na década de 70 são palavras importantes.

 Temos ainda Patrícia Birman, antropóloga, que afirma:

“A Umbanda é uma religião diversa, na qual se encontra unidade e diversidade”.

Dentro da pluralidade ritualística da Umbanda, podemos encontrar unidade.

 O que está presente na sua diversidade e na sua pluralidade, que seriam os vários pontos riscados, as várias maneiras de praticar Umbanda:

Umbanda Branca, Trançada, Mista, Omolocô, Esotérica, Iniciática e etc, no entanto, tudo isso é Umbanda: “unidade e diversidade” colocação da Patrícia Birman em torno da década de 80.

Antes de Patrícia Birman, em 1975, encontramos outro estudioso:
Renato Ortiz.

Renato elaborou um trabalho acadêmico e o resultado dos seus estudos foi publicado num livro chamado:

 “A Morte Branca do Feiticeiro Negro”.

O título assusta um pouco, mas o que tem no conteúdo é um trabalho acadêmico.

Renato Ortiz, na década de 70, foi para a França estudar com Roger Bastide porque este já havia voltado para a França.

E quando Renato Ortiz chega na França para estudar com Roger Bastide, Renato Ortiz nos esclarece algo fundamental, ele diz:

“Quando eu chego na França para estudar com Roger Bastide, naquele momento Roger Bastide já entendia a Umbanda como uma religião Brasileira”, isso foi uma consciência que Roger Bastide tomou só no seu regresso a França, não está presente nos títulos publicados aqui no Brasil.

Na França Roger Bastide reconhece Umbanda como religião Brasileira e o Renato Ortiz na sua tese publicada com o título, citado acima, diz:

 “A Umbanda não é um sincretismo”.

OBS.:
Sabemos que na Umbanda existe sincretismo de santos com Orixás, sabemos que na Umbanda há sincretismo cultural, mas o que ele quer dizer é que não é apenas um sincretismo.

 Ele afirma:

“Não nos encontramos mais na presença de um sincretismo afro-brasileiro, mas sim - palavras de Renato Ortiz - diante de uma síntese Brasileira”.

O que Renato Ortiz está dizendo aqui e explica na sua tese, é o seguinte:

A Umbanda não é apenas um sincretismo, Umbanda é uma religião. E a Umbanda não fez o sincretismo da cultura do índio, com a cultura do negro, com a cultura do europeu, esse sincretismo cultural ele é a cultura Brasileira.

A cultura Brasileira é fruto de outras culturas, logo, a Umbanda,  não é um
sincretismo de cultura, a Umbanda é um espelho da cultura Brasileira.

E esta cultura é que é fruto de um sincretismo.

Renato Ortiz fundamenta na sua tese de forma acadêmica e científica que Umbanda é uma religião.

O que é Umbanda?

Acima de tudo, academicamente falando, para quem está de fora, olhando de fora, de forma fundamentada, ou seja, temos base de formação e conhecimento e fatos para afirmar que “de dentro pra fora” ou “de fora pra dentro” sobre o olhar Teológico ou sobre o olhar científico de qualquer ponto de vista, de qualquer ângulo: Umbanda é uma religião.

Apenas quem desconhece o que seja religião, apenas aqueles que podemos chamar como ignorantes do que seja religião, apenas na boca do preconceituoso é que virá alguma afirmação de que Umbanda não seja religião.

Umbanda é religião, é uma religião linda, só pode praticar única e exclusivamente o bem. Umbanda é: a nossa religião.

Annapon
23.11.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


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