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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

IBEJI - ERÊ - CÓSME E DAMIÃO





IBEJI - ERÊ - CÓSME E DAMIÃO


 Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. 
É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc. 
Seus filhos são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequente  nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. 
Costumam ser brincalhonas, sorridentes, irrequietas, tudo enfim que se possa associar ao comportamento típico infantil.
 Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem então revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, sua leveza perante a vida se revela no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia. 
Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, à vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em torno de si a princípios simplistas como "gosta de mim" ou "não gosta de mim". Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com certa facilidade. 
Ao mesmo tempo, suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades esportivas, sociais e das festas. 
Crianças na Umbanda Ibeji no Batuque Bêji no Xambá A grande cerimônia dedicada a estes orixás acontece a 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, quando comidas como caruru, vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças, portanto) são oferecidas tanto aos orixás como aos frequentadores dos terreiros. Ibeji na nação Keto, ou Nvunji nas nações Angola e Congo. 
É a divindade da brincadeira, da alegria; sua regência está ligada à infância. Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo. 
É o orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. 
Sua determinação é tomar conta do bebê até a adolescência, independente do orixá que a criança carrega. Ibeji é tudo de bom, belo e puro que existe; uma criança pode nos mostrar seu sorriso, sua alegria, sua felicidade, seu engatinhar, falar, seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o vôo das aves, na beleza e perfume das flores.
 A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. 
Feche os olhos e lembre-se de uma felicidade, de uma travessura e você estará vivendo ou revivendo uma lenda desse orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu em nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. 
Portanto, ele já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos. A palavra Eré vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”. 
O Ere(não confundir com criança que em yorubá é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do orixá, ou seja, o Ere é o intermediário entre o iniciado e o orixá. 
Durante o ritual de iniciação, o Ere é de suma importância pois, é o Ere que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado. 
O Ere na verdade é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Ere é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão.
 O Ere conhece todas as preocupações do iyawo (filho), também, aí chamado de omon-tú ou “criança-nova”. 
O comportamento do iniciado em estado de “Ere” é mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade, que pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu orixá. 
Após o ritual do orúko, ou seja, “nome de iyawo” segue-se um novo ritual, ou o reaprendizado das coisas.
 Símbolos: 2 bonecos gêmeos, 2 cabacinhas, brinquedos;
 Plantas: jasmim, maçã, alecrim, rosa
 Dia: domingo e segunda-feira para nações Ketu e Jeju Ijexá; 
Cor:azul , rosa, verde, mas na verdade gosta do colorido em si.
 Metal: estanho. 
Seus elementos: fogo, ar. 
Saudação Beijada! Ou Kao Kabeciele, pois é também um Xangô.
 Domínios: parto e infância. Amor união. 
Comidas: caruru, cocada, cuscuz, frutas doces. 
Animais: passarinhos. 
Quizilas: morte, assobio.
 Características: alegre, otimista, brincalhão, esperto, trabalhador, imaturo, birrento, voraz. O que faz: ajuda a resolver problemas de crianças, dá harmonia na família, facilita uniões. Riscos de saúde: alergias, anginas, problemas de nariz, raquitismo, acidentes. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aconteceu na casa espírita - obra comentada por Mãe Mônica Caraccio -


Por vezes já mencionei, indiquei, lembrei e relembrei. Em várias ocasiões transcrevi trechos no blog, JUCA (nosso jornal) e todas as vezes que inicio o desenvolvimento do dom mediúnico de uma pessoa, um trabalho espiritual que envolverá muitas ações e situações ou que percebo o motivo do desequilíbrio de um médium, oriento e peço a leitura do livro “Aconteceu na Casa Espírita” psicografado pelo médium Emanuel Cristiano e ditado pelo Espírito Nora – Editora Allan Kardec.
Não quero ser redundante, MAS não tem como negar a importância da obra, a dificuldade das pessoas em entenderem suas responsabilidades, o valor do Bem e a grandeza do Mal. Não tem como negar a falta de memória de muitos médiuns que desvalorizam o plano espiritual (tanto do Alto como do Embaixo) e suas próprias ações dentro das Casas Santas as quais beneficiam tantas e tantas outras pessoas e espíritos… Enfim… Não tenho como não insistir e ainda transcrever mais um trecho:
     -
(…) Júlio César, na condição de chefe, conclamava do centro do largo os obsessores, que circulavam em torno do jardim de pedras, com as seguintes argumentações:
- Avante, amigos, o trabalho nos espera! Não podemos mais perder tempo, é necessário agirmos agora ou, então, o trabalho de anos será perdido.
- Qual é a missão? Perguntou Gonçalves, um dos comparsas imediatos de Júlio César.
- A missão, respondeu o sinistro orador, é de infiltração espiritual! Estamos, de longa data, planejando invasão, domínio e destruição de uma grande Casa Espírita.
Quando o adversário chefe pronunciou estas palavras, extensa turba de espíritos fanáticos correu para junto do perseguidor mestre, ouvindo-o atentamente, enquanto a novidade corria, relampejante, entre os habitantes do estranho “município”.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MAGIA DE PEMBA NA UMBANDA






MAGIA DE PEMBA NA UMBANDA
Aula do Desenvolvimento Mediúnico
Rubens Saraceni – 21 Fevereiro 2013


Na Umbanda, fora a parte doutrinária usada pelos guias para orientar as pessoas durante os passes, tudo mais é magia, feita de uma forma que criou todo um ritual de passe.

Dentro deste ritual de passe são usados vários recursos mágicos através dos elementos manipulados pelos guias.

Entre estes elementos temos os líquidos, seja a água, ervas maceradas na água e algumas bebidas, sendo que, o que sabemos sobre o que eles fazem com esses elementos ainda é muito pouco, mas o que importa para nós é que funcionam, realizando poderosas descargas energéticas nas pessoas necessitadas.
Também temos o uso de cigarros, charutos, cachimbos e até defumadores que são usados pelos guias para purificação, tanto de ambientes quanto de pessoas, porque as essências liberadas por eles nas suas queimas são dissolvedoras de condensações energéticas negativas e são diluidoras e dissipadoras de larvas astrais, miasmas, cordões energéticos, formas pensamento plasmadas e vibrações de ódio, mágoas, de ressentimentos, de inveja, etc, que se condensam ao redor do campo áurico da pessoa.
Vemos também os Guias usarem algumas ervas com propriedades medicinais ou mágicas e usarem colares feitos de coquinhos, olhos de boi, olhos de cabra, ossos e dentes de animais ou feitos de cristais, porcelana ou de algum minério.
Também vemos os guias usarem fitas, linhas, cordões, toalhas, faixas coloridas, sempre com o propósito de auxiliarem as pessoas porque todos esses elementos acima citados e muitos outros não citados são condensadores de vibrações divinas, que, após se elementarizarem neles conseguem realizar pelas pessoas um trabalho que só as vibrações divinas, elevadíssimas, não conseguem realizar, porque as pessoas que se encontram negativadas e não conseguem internalizar essas vibrações divinas, justamente porque seus magnetismos mentais, que também se encontram negativados, as repelem.
Os guias também usam velas e pembas, sendo que eles cruzam as velas e as acendem para que realizem trabalhos purificadores no benefício dos consulentes, ou então as cruzam e dão para eles levarem para casa e acendê-las dentro dela para que lá seja realizado todo um trabalho de limpeza e purificação de cargas negativas acumuladas dentro do ambiente doméstico.
Os guias usam as pembas para riscar no solo seus pontos de trabalho, para cruzar os consulentes, cruzar imagens ou outros objetos trazidos pelos consulentes.
A magia da pemba usada na umbanda está fundamentada no mistério das vibrações divinas irradiadas continuamente para toda a criação pelos Orixás, sendo que cada uma das vibrações emitidas por eles traz em si um poder de realização que faz acontecer todo um trabalho após ser riscada de forma simbólica pelos guias.
Isso porque cada vibração emitida por um Orixá realiza uma função e um trabalho específico e o conjunto das vibrações de um único Orixá constitui a sua magia de pemba específica.
Sabendo disso, e se particularizarmos a simbologia mágica usada pelos guias, então veremos que existe uma magia de pemba para Ogum, outra para Xangô, outra para Oxalá e assim por diante, mas, devido ao fato de não conhecermos todas as vibrações de um Orixá, então não temos condições de trazer para o plano material todo o conjunto de todos os seus símbolos mágicos, criando assim um formulário simbólico especifico só dele.
Esse conhecimento existe nos níveis mais elevados da Criação, mas ainda não está aberto para nós aqui na Terra, o que nos limita apenas a um determinado número de vibrações, de símbolos e signos formados por elas e, mesmo assim, sem a indicação de suas funções e dos trabalhos que realizam após serem riscados pelos guias, fato este que não concede a nenhum umbandista a distinção de profundo conhecedor da magia riscada de Umbanda, até porque ela transcende nossa capacidade intelectual.
O que temos são algumas informações e que já são suficientes para que, mesmo não sabendo todos os trabalhos que estão sendo realizados por determinado ponto riscado, no entanto sabemos que está trabalhando positivamente.
E isso acontece exatamente porque desde o momento em que o Guia risca em seu ponto um determinado símbolo ou um signo, o mesmo pertence a uma determinada onda vibratória, que o ativa imediatamente e se forma um campo de trabalho que realizará as ações por si só, sem precisar de mais nada além do direcionamento dado a ele pelo próprio Guia.

OBSERVAÇÃO:
Um Orixá realiza simultaneamente milhares de funções na Criação, sendo que cada uma destas funções é irradiada de uma forma e cria telas vibratórias do tamanho da Criação divina, que é infinita.
O conjunto de vibrações de um orixá, com funções bem definidas forma o que é denominado “o axé dele”, porque esse conjunto de vibrações tanto conduz o poder de realização de um Orixá, quanto transporta a energia original e única emanada por Olorum, mas em “comprimentos de onda específicos”.
A mesma energia em um comprimento de onda é classificada como aquática, já em outro comprimento de onda ela é classificada como ígnea, em outro como eólica, em outra é classificada como vegetal, e assim por diante.
Devemos lembrar sempre de que em Olorum só existe uma única energia, mas que, dependendo dos comprimentos das ondas, através das quais ela é irradiada pelos Orixás, a mesma energia original assume funções diferentes na e, quando os signos ou símbolos são riscados, eles as trazem para o lado material da Criação, as elementarizam, tanto no pó mineral utilizado na fabricação das pembas, quanto nas chamas das velas e nos demais elementos colocados dentro do ponto riscado, dando à energia original e única emitida por Olorum novas formas de atuação no benefício das pessoas necessitadas.
A energia original e única emitida por Olorum é captada pelos mentais dos Orixás e, a partir deles ela é irradiada em todos os comprimentos de ondas existentes, que são tantos, que até hoje nem nos planos espirituais mais elevados foi possível identificar e classificar todas as vibrações mentais emitidas por um único Orixá.
Então, agora, sabendo que o AXÉ de um Orixá é formado pelo conjunto de funções exercidas simultaneamente por ele e que essas funções são realizadas na Criação através de suas vibrações mentais e que através delas flui continuamente a energia original, viva e divina emitida por Olorum, que, devido os comprimentos de ondas serem diferentes e a mesma energia realizar trabalhos diferentes, então a Magia da Pemba usada pelos guias está fundamentada nos Orixás, que são seus irradiadores para toda a Criação e para tudo e todos que nela vivem e evoluem.
Portanto o ponto riscado de Umbanda vibra em acordo com Olorum, com os Orixás e com toda a Criação, tornando-o um ponto de forças extremamente realizador, controlado e direcionado pelos Guias que o riscam.
Justamente por isso o ponto riscado por um Guia deve ser olhado com respeito, porque através dos símbolos e signos inscritos nele está fluindo o poder de Olorum irradiado através dos Orixás, que, através deles têm uma forma de auxiliar as pessoas e até os espíritos necessitados de auxilio que chegarem diante do Guia que o riscou.
Então que fique claro e entendido para todos que o poder divino chega até nós através de muitos meios, e os guias de Umbanda, por conhecerem vários desses meios se servem dos mais fáceis de serem utilizados, e que, entre eles, se encontra a Magia do Ponto Riscado de Umbanda.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Os Boiadeiros na Umbanda





Linha dos Boiadeiros


Os espíritos que se manifestam na Umbanda na Linha dos Boiadeiros são aguerridos, valorosos, sisudos, de poucas palavras, mas de muitas ações. Apresentam-se como espíritos que encarnaram, em algum momento, como tocadores de boiada, vaqueiros, pastoreadores etc.

Os seus pontos cantados sempre aludem a bois e boiadas, a campos e viagens, a ventanias e tempestades. O laço e o chicote são seus instrumentos magísticos de trabalhos espirituais. Eventualmente usam colares de sementes ou de pedras.

O Arquétipo da Linha de Boiadeiros é a figura mítica do peão sertanejo, do tocador de gado, enfim, dos homens que viveram na lida do campo e dos animais e que desenvolveram muita força e habilidade para lidar contra as intempéries e as adversidades.

É um Arquétipo forte, impositivo, vigoroso, valente e destemido. Representa a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, também chamado de caboclo sertanejo. Lembra os vaqueiros, boiadeiros, laçadores, peões e tocadores de viola; muitos deles mestiços, filhos de branco com índio, de índio com negro etc., trazendo à nossa lembrança a essência da miscigenação do povo brasileiro, com seus costumes, crendices, superstições e fé.

Existem, no Astral, muitos espíritos que, em suas últimas encarnações, praticamente viveram sobre o lombo dos cavalos, dedicando-se a criar e a domesticar esses animais, tão úteis à humanidade, já que até um século atrás o cavalo era o principal meio de transporte. Foram vaqueiros, domadores de cavalos, soldados de cavalaria etc., e guardam em suas memórias recordações preciosas e inesquecíveis daqueles tempos. Em homenagem a eles é que se construiu, no Astral, o Arquétipo da Linha dos Boiadeiros.

Nesta Linha manifestam-se espíritos que usam seus conhecimentos ocultos para auxiliar pessoas que estejam atravessando momentos muito difíceis. São combativos, inclusive no corte de magias negativas, porque conseguem promover “um choque” em nosso campo magnético e liberá-lo de acúmulos negativos, obsessores etc.

Nem todos foram, de fato, “boiadeiros”, mas todos eles têm em comum a capacidade de atuar num campo específico e que caracteriza a Linha, qual seja o de nos trazer uma energia vigorosa, muito útil na quebra de cargas e magias negativas e para desfazer “cristalizações” mentais negativas, pois os Boiadeiros atuam no campo da Lei Divina e na Linha do Tempo.

A Linha de Boiadeiros é sustentada, num dos seus Mistérios, pelo Orixá Ogum. Por isso, eles são verdadeiros “soldados” que vigiam tudo o que acontece dentro do campo da Lei Maior, estando sempre prontos a acudir os necessitados.

Na Linha do Tempo, atuam sob a Regência de Mãe Oyá-Tempo e de Mãe Yansã, combatendo as forças das trevas pela libertação e o reerguimento consciencial dos espíritos que se negativaram, se desequilibraram e se perderam, recolhendo-os e os encaminhando para o seu local de merecimento na Criação.

Embora a Linha seja sustentada por esses Orixás (Ogum, Oyá-Tempo e Yansã), cada Boiadeiro vem na Irradiação de um ou mais Orixás que os regem especificamente, como acontece nas demais Linhas de Trabalho da Umbanda.

Na linguagem dos Boiadeiros, “boi” é o próprio ser humano em desequilíbrio. Ou seja, são os espíritos encarnados e os desencarnados em desequilíbrio perante a Lei Maior, necessitados de auxílio. Suas referências a cavalos, a tocar a boiada, a laçar e trazer de volta “o boi” desgarrado do rebanho, ou atolado na lama, ou arrastado pelos temporais, ou que se embrenhou nas matas e se perdeu, ou que foi atravessar o rio e foi arrastado pela correnteza etc., tudo isso tem a ver com o trabalho realizado pelos destemidos Boiadeiros de Umbanda: eles resgatam os espíritos que se rebelaram contra a Lei Divina, pois esses espíritos são como “bois e cavalos” que não aceitam os “cabrestos” ou limites criados pela Lei de Deus e que por isso precisam ser “domesticados” e educados. Nada melhor que os Boiadeiros para fazer isso.

Quando um Boiadeiro da Umbanda gira no ar o seu laço, ele está criando magisticamente, dentro do espaço religioso do Terreiro, as ondas espiraladas do Tempo, que irão recolher os espíritos perdidos nas próprias memórias desequilibradas e/ou irão desfazer energias densas acumuladas no decorrer do tempo.

Já quando um Boiadeiro vibra o seu chicote, está recorrendo de forma magística e religiosa à Divina Mãe Yansã, para movimentar e direcionar os espíritos estagnados no erro e na desordem. É muito efetivo o seu trabalho contra os espíritos endurecidos (“eguns”).

Dentro da Linha de Boiadeiros, em algumas Casas também se manifestam os “Cangaceiros”, simbolizando os espíritos daqueles que em recente encarnação viveram no sertão e lutaram contra grandes injustiças sociais. Isso pode parecer estranho, à primeira vista, e muitos se perguntam o quê um “cangaceiro” teria a oferecer, em termos de trabalho espiritual de ajuda.


Ocorre que os “cangaceiros” do sertão brasileiro de fato surgiram, em meados dos anos 1920, para defender as populações humildes dos maus tratos e desmandos dos “coronéis” e demais detentores do poder material, que massacravam os menos favorecidos, tomando-lhes muitas vezes até as mulheres, os poucos bens e a dignidade pessoal. Esses homens “poderosos” mandavam e desmandavam, pois se achavam acima das leis humanas e, por certo, não conheciam ou não respeitavam as Leis Divinas. E os “cangaceiros” (Lampião e seu “bando”, os mais famosos) representaram, à época, um movimento popular de revolta e combate a tais desmandos. Foram marginalizados, até porque aos “poderosos” isso convinha. É provável que tenham cometido lá seus excessos também, respondendo à violência das armas com outras armas; mas, pelo menos, tinham a justificativa de estar lutando pelos mais fracos. Já os opressores, qual desculpa teriam?


Enfim, o temperamento combativo desses espíritos de certa forma foi-se agrupando à Linha dos Boiadeiros e eles começaram a se manifestar para trabalhar, nos Terreiros de Umbanda que os acolhiam. Não são “bandidos e malfeitores”, mas espíritos que têm identificação com o Arquétipo do sertanejo forte e destemido.


Há Casas em que os Cangaceiros vêm na Linha de Baianos. Mas, tecnicamente falando, e sem desrespeitar opiniões em contrário, se bem analisarmos os Arquétipos das duas Linhas mencionadas, parece mais adequado a sua aproximação com os Boiadeiros. Porque o Arquétipo do Boiadeiro é o do homem sertanejo. Já o Arquétipo dos Baianos é o dos Sacerdotes (construído a partir dos primeiros Sacerdotes da Bahia e do Nordeste, que mantiveram, sustentaram e divulgaram o Culto aos Orixás). Mas, é claro, a Umbanda é uma religião universalista, voltada unicamente para a prática do Bem, de modo que não vale a pena discutir sobre divergências menores. Essencial é verificar se os espíritos que se manifestam estão praticando o Bem, dentro dos fundamentos da religião, independente do nome com o qual se apresentem.


fonte: página do facebook

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O espírito do Xamanismo

Nosso Planeta Ameaçado

Quero compartilhar um texto de Roger N. Walsh, do seu livro The Spirit of Shamanism, escrito em 1990 e permanece muito atual para os dias de hoje. Os valores numéricos podem ser muito diferentes dos atuais, porém a fotografia serve para a nossa moldura de hoje.

Não é segredo nenhum que estamos num momento de imensas oportunidades e riscos enormes. Embora tenhamos recursos para criar um verdadeiro Céu na Terra, parecemos apenas estar criando um verdadeiro inferno.

Os números são conhecidos, mas não menos aterradores. Nossa população está explodindo, aliás duplicando-se a cada quarenta anos. Nosso meio ambiente está sendo destruído por lepras químicas emanadas da população urbana, da chuva ácida, da destruição da camada de ozônio, do dióxido de carbono e da população tóxica. Nossas florestas estão desaparecendo e os desertos aumentando.

Perto de vinte milhões de pessoas, a cada ano, morrem devagar, sofrendo dores, e desnecessariamente de fome, e mais de setecentos milhões são subnutridos.

Como se não bastasse, pairando como uma nuvem agourenta acima disso tudo, está a ameaça nuclear, que representa a possível eliminação não de culturas e indivíduos apenas, mas de toda a civilização. As ogivas nucleares atuais podem conter poder explosivo equivalente a 20 bilhões de toneladas de TNT, o que é suficiente para lotar um trem e seus vagões enfileirados por quase 7 milhões de km. Esse trem daria a volta na Terra cento e sessenta vezes ou iria até a lua e voltaria oito vezes.

Mesmo que essa armas continuem inativas, ainda sim causam morte e sofrimentos indizíveis. Todos os anos, o mundo gasta mais de US$ 1 trilhão em armamento. Contudo, a Comissão Presidencial Sobre a Fome no Mundo estimou que custaria apenas US$ 6 bilhões por ano para erradicar a fome e a destruição do planeta, numa quantidade equivalente menor do que os gastos com três dias de armamentos. Não é de espantar que o Papa Paulo IV tenha deplorado como a corrida armamentista mata, sejam as armas usadas ou não.

Portanto, estamos diante de uma momento decisivo da história humana, em que há possibilidades incontáveis de um lado, e sofrimento interminável, de outro. Em nenhum outro ponto da história humana, tivemos maiores oportunidades e riscos.

É também notável em nossa era, além do alcance inacreditável e da urgência absoluta de nossos problemas, que pela primeira vez, em milhões de anos de evolução, todas as grandes ameaças à nossa sobrevivência são causadas pelas pessoas .

Problema de ausência de alimentos, poluição e armas nucleares decorrem diretamente de nosso próprio comportamento e de medos, esperanças, fobias e fantasias, desejos e delírios que dão força a tais comportamentos. O estado do mundo, em outras palavras, reflete o estado de nossas mentes. Os conflitos que nos rodeiam reflete os conflitos que temos dentro de nós; a insanidade que existe ali adiante é um reflexo em espelho da insanidade que existe em nós.

O que isso significa é que as atuais ameaças humanas e ao bem estar dos indivíduos são na realidade sintomas de nosso estado mental coletivo e individual.

Para compreendermos e corrigirmos a condição do mundo, devemos entender melhor a fonte tanto de nossos problemas, como das soluções : nós mesmos. Como disse o senador W.F. " Só com base num entendimento de nossa conduta é que podemos ter esperança de controlá-la de maneira de maneira a assegurar a sobrevivência da raça humana " . Nada disso pretende negar a importância das forças sociais, militares e econômicas. Pelo contrário, pretende salientar raízes psicológicas que a sustentam e que em geral, não são sequer mencionadas.

Essas raízes psicológicas estão se tornando cada vez mais compreendidas e está em andamento a realização de um trabalho destinado a criar uma psicologia da sobrevivência humana. Já foram identificados muitos fatores psicológicos e alguns deles relacionam-se diretamente ao xamanismo e à sua visão de mundo. Entre eles, estão nosso relacionamento interpessoal, nossa relação com a Terra e com as formas de vida que nela existem.

A visão predominante, no Ocidente, tem sustentado - pelo menos uma perspectiva sutil - que o mundo e tudo o que nele existe serve para nos beneficiar. A Terra em geral tem sido considerada um imóvel inanimado disponível para para nossas iniciativas de espoliação. Quantas às formas de vida existentes , presume-se, normalmente, que como diz o Gênesis " temos domínio sobre os peixes do mar, os pássaros do ar e todas as outras coisas vivas que se movem na superfície da Terra". Em resumo, vemo-nos como seres separados e superiores a tudo o que está dentro e fora da Terra, e temos abusado dessa perspectiva para justificar a destruição de tudo o que se interpuser em nosso caminho.
Consideramo-nos também seres separados uns dos outros.

Embora possamos nos comunicar com todos, relacionarmos, e até mesmo, amarmos, em última instância vivemos e morremos sós. Salientamos a nossa distância em relação aos outros mais do que o nosso elo de ligação com eles, nossa independência mais do que nossa interdependência.
Esta visão de vida coloca poucos obstáculos à nossa agressividade.

Apesar disso, através de toda a história, muitas pessoas consideraram que essa sensação de separação é a causa do medo e do sofrimento humanos. " Onde quer que existe o outro, existe o medo " proferiu o antigo texto Upanixades indiano, enquanto em nosso próprio tempo o existencialista J.P. Sartre resumiu uma visão semelhante dizendo " o inferno é o outro ".


Como é diferente desse quadro a visão xamanista Mundo. Para o xamã tudo é Sagrado e vivo, tudo está ligado a tudo e depende de tudo o mais, numa rede de interdependências, em que todas as criaturas fazem parte da grande teia da vida que mantém a harmonia entre todas as coisas. Para o xamã, como para o Chefe Seatle , "todas as coisas estão unidas como o sangue que une uma família " Essa visão de Mundo sagrada e holística parece ser estimulada pelas vivências xamânicas . Michael Harner afirma :

" As experiências que decorrem do xamanismo tendem a incentivar um grande respeito pelo Universo, baseado numa sensação de união, de integração, com todas as formas de vida. Ao entrar em harmonia, a pessoa tem muito mais poder disponível para ajudar os outros, porque a harmonia com o Universo é de onde vem o verdadeiro poder. Então, a pessoa terá muita chance de levar uma vida que privilegie o amor em lugar do ódio, e que promova a compreensão e o otimismo ".

SALVE O XAMANISMO !
Amor - Paz e Luz !

Léo Artese

terça-feira, 3 de setembro de 2013

LINHA E ARQUÉTIPO DOS CABOCLOS



LINHA E ARQUÉTIPO DOS CABOCLOS

Ditado por Sr. Caboclo Tupinambá


(este texto é parte do material teórico de apoio ao curso on-line ARQUÉTIPOS DA UMBANDA)

Num tempo distante, milenar, habitou nas terras sagradas deste Brasil exuberante um povo até hoje mal compreendido, interpretado pela vã concepção daqueles que aportaram nesta terra com o único interesse de consumir e apoderar-se da riqueza natural até então existente tão bem tratada por milênios pelo povo anônimo que era parte da fauna e da flora, que não se dissociava do meio que vivia, pois entendia que era parte do todo e sendo assim devia reverências e preservação.
Este povo colhia somente o necessário para o alimento, caçava para o alimento e também era caçado na forma de alimento, um ecossistema perfeito, natural.
Dotados de inteligência, pois esta é a condição humana, ainda que se movimentassem mais pela intuição e instinto, sabiam pela razão que não poderiam esgotar a vida por onde passassem, sendo assim quando uma clareira abrigava uma tribo e num determinado momento a vida ao redor se apresentava escassa, por respeito levantava-se acampamento para habitar em nova região permitindo que a natureza ali pudesse se recompor, desta forma não agrediam sua terra, sagrada.
“Gigante pela própria natureza…” esta sagrada terra outrora imponente nos fazia pensar que jamais se esgotaria e veja você…
Este povo que por mérito e benção Divina que aqui habitou são os índios, que foram extraídos de sua natureza, até a alma perdeu, assim ditou senhores da fé, disseram que nós não éramos dotados de alma e fincando a primeira espada a beira-mar, aliás chamavam esta espada de Cruz, de fato seu formato era uma cruz, mas saibam, era uma espada, pois quando fincada nesta terra, dela verteu sangue e como uma fonte inesgotável, observe, até hoje os poros desta terra expelem e absorvem sangue…
Mas isto é outra história!
Quero dizer que índio não era uma raça espiritual a parte, seres estranhos á natureza humana, posso dizer que uma condição humana, ou melhor, um privilégio para aqueles que na sua existência errou, mas também acertou muito e alcançando um “bônus” divino pôde nascer em uma tribo indígena, que existiu por todo o planeta, pois índio é o nativo, aquele que brotou da terra como qualquer outra árvore, sua origem no plano físico ainda é velado, então entenda que brotavam da terra e por isso sentiam-se parte dela.
O índio era aquele espírito que já havia saído do ciclo de vícios emocionais, como vingança, ódio, sexo, vaidade, orgulho, avareza, etc., o humano que encarnou como índio tinha a oportunidade de viver a vida plena integrando-se á natureza, percebendo numa árvore a presença divina, numa folha parte de uma Divindade, na água o néctar Divino, nos animais seus irmãos e no ar sua essência, uma simbiose perfeita e necessária para completar o ciclo da razão humana. Poucos que como índios tiveram a oportunidade de encarnar, voltaram à carne, era como a última passagem, para dali continuar a evolução em outros planos.
Pequenos homens que por estarem tão distante desta plenitude exterminaram o que não era espelho, está aí o mal do homem moderno, o mal de narciso que estranha e repudia tudo o que não é espelho.
Amamos a natureza, do Criador ao inseto mais “insignificante”. Somos Um.
Então fomos vilipendiados, usurpados e escravizados, como disse até a alma perdemos, pregava-se que índio não ia pro céu, que ironia…Olha nós aqui, do “céu” falando a vocês.
Mas nada disso fez com que perdêssemos o que por milênios cultivamos, o espírito não se manchou e não fomos pegos pelos sentimentos trevosos que poderia fazer com que tudo o que se tinha cultivado fosse jogado trevas abaixo. Acaso você já viu em um trabalho de desobsessão um índio perturbando um encarnado, acaso registrou um caso de índio nas Trevas ou índio algum que se perdeu no “mundo dos mortos”?
Fomos dizimados e nossa existência sendo abafada, foi quando surgiu no plano astral um movimento conhecido como Corrente Umbanda Astral, este movimento anunciava a oportunidade para aqueles índios do planeta que já desencarnados e impossibilitados de prosseguirem com sua dinâmica de desenvolvimento humano e espiritual pudessem ter um campo de atuação, isso tudo é mais complexo e não cabe neste momento.
Importante é que fomos convocados, não restou um e começamos a nos preparar para trabalhar em benefício dos encarnados, ainda sob o véu de outras religiões, pois não tínhamos um campo religioso próprio para nos manifestar. Mas isso pouco importava, pois os caminhos da fé sempre convergem ao mesmo destino.
Este movimento nos assentou num grau evolutivo e denominou como Caboclo, que de nada tem a ver com as miscigenações de raças. Caboclo é um grau e também uma linha de trabalhadores espirituais que no início da criação do grau era composto na sua totalidade por índios não só brasileiros, mas de todo o planeta. Séculos se passaram e outros espíritos que não tiveram a oportunidade de encarnar como índios atingiram este grau e aqui estão.
Noutro momento tivemos a ordem superior de instituir no plano físico uma porta religiosa própria e assim nasce a Umbanda, a religião que une as raças, reporta-se aos melhores costumes e manifesta a cultura original de tantos povos originais que a compõe.
Aqui falei de uma linha, os Caboclos, os Índios.
Assino esta carta com meu nome de tribo que de tão abrangente pôde manter-se como linha de trabalho sem precisar recorrer aos nomes simbólicos, ainda que em si recolha todo um mistério e manifestação Divina.
Minhas reverências ao Brasil natural, ao povo que aqui evoluiu!
Sou índio, sou caboclo, sou Tupinambá!

Nota do Médium: Lendo esta carta do Sr. Caboclo Tupinambá, me veio ressonante as palavras do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas na ocasião da fundação da Umbanda: “Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida, acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas em minha última existência física Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.”

Nesta fala ele ressalta que ser índio foi um privilégio.
Historicamente podemos perceber como a sociedade indígena sempre esteve a frente de nosso tempo no quesito moral e cidadania, a ideia de respeito e amor ao próximo era nato. Quando uma índia ficava viúva, outro índio mesmo casado a recolhia e assumia o papel de marido, para que esta não ficasse sem o amparo de um homem. E tudo era normal. Não existia pecado.
O corpo não representava sensualidade, por isso a nudez era normal. O sexo era uma ferramenta de reprodução e prazer ao casal.
Pensando nisso tudo vejo que os índios jamais precisaram ser catequizados, pois eram naturalmente cristãos, pois tudo o que Cristo tentou pregar, os índios praticavam, só aqueles que pregavam que não haviam entendido a lição do Cristo.

Instituto Cultural Aruanda - Rodrigo Queiroz -
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