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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

sábado, 27 de julho de 2013

UMBANDA: aspectos metafísicos e transcendentais da abertura dos trabalhos.





O ritual de abertura de uma gira de Umbanda é um dos mais importantes e determina toda a sustentação vibratória magística com os Orixás, que serão fundamentais para a atuação mediúnica dos benfeitores espirituais. Não por um acaso é um momento ritualizado, que exige disciplina, silêncio e concentração,que devem ser acompanhados de atitudes mentais e disposições emocionais imbuídas da mais alta fraternidade e amor ao próximo. Ocorre que são momentos que antecedem – abrem – o acesso a um plano suprafísico e atemporal, o qual vai sendo criado e desenvolvido no interior de cada um dos médiuns presentes à sessão, proporcionalmente ao grau de união e uniformidade ritualística que se tenha para esse momento na corrente, objetivando a criação e sustentação da egrégora pela emanação mental dos componentes da corrente,aos quais os espíritos do lado de lá atuarão “ancorados” para se manifestarem através do canal mediunidade.


Abrir os trabalhos é “destrancar” nosso templo interior de medos, recalques e preconceitos para sermos "ocupados" pelos Guias Espirituais.Todos participando de um mesmo ideal – doação ao próximo –, somente com a calma interior, abstraindo-se dos pensamentos intrusos que preenchem a mente com preocupações ligadas às inseguranças diárias da sobrevivência na matéria, esvaziando o psiquismo periférico sintonizado aos sentidos ordinários do corpo físico, indo ao encontro do verdadeiro Eu Interno, a essência espiritual imorredoura e atemporal que anima cada um de nós, em silêncio e serenados, conseguiremos ser instrumentos úteis de trabalho aos nossos mentores, enviados dos Orixás.


Por mais que tenhamos elementos de ritos, defumação, atabaques, folhas, cheiros e sons, que nos dão as percepções que nos estimulam através de símbolos que podem ser visuais, sonoros ou estar em palavras faladas e alegorias litúrgicas, é somente por meio da elevação psíquica interna de cada membro da corrente mediúnica, que poderemos conseguir chegar ao padrão vibratório coletivo necessário ao alinhamento com as falanges espirituais que nos envolvem de maneira consciente, efetiva e amorosa. Devemos viver e sentir com intensidade o que está se passando durante a abertura dos trabalhos. Nessa ocasião está sendo levado a cabo um momento sagrado de expansão das nossas potencialidades anímicas, mediante forças cósmicas que nos permitirão sintonizar às instalações do nosso templo interior, e estar em contato com o benfeitor espiritual que nos guia mediunicamente e protege durante todos os atendimentos caritativos dos consulentes. A criação da verdadeira egrégora coletiva, se dará, na medida em que, todos os membros de uma corrente estejam conscientes de que tudo acontece no plano sutil, oculto as nossas percepções sensórias ordinárias, não sendo um simples formalismo ritualístico, repetitivo, enfadonho, para podermos começar a sessão.



Infelizmente, muitas vezes certos médiuns estão desconcentrados, olhando para os lados, absortos, entediados, atentos ao relógio, com os semblantes pesados, cheios de preocupações, e não por um acaso ao final dos trabalhos não estão bem com algum espírito sofredor “colado” em suas auras, pois o afim atrai o afim, carecendo estes médiuns, de atendimento e dedicação dos demais membros da corrente. É necessário o esclarecimento seguido, pelos dirigentes do sentido mais amplo da abertura dos trabalhos mediúnicos de uma sessão de caridade umbandista, orientando quanto aos seus aspectos esotéricos, metafísicos e transcendentais. É imperiosa a conscientização de todos os participantes dos trabalhos práticos de umbanda, buscando-se sempre a coesão e a uniformidade da corrente, e assim mantendo-se a sustentação vibratória pelo intercâmbio mediúnico superior. No mais das vezes, sempre que ocorre “quebra” de corrente, verificamos que a abertura dos trabalhos estava desconcentrada. Noutras ocasiões, quando o medianeiro efetivamente está com interferência espiritual externa que influencia seu psiquismo negativamente, deve ser afastado ”provisoriamente” dos trabalhos para ser atendido espiritualmente obtendo o tempo necessário para refletir sobre seu estado mental, mudando sua condição psíquica e emocional, que estão prejudicando-o como médium junto a uma coletividade.
Muita paz, saúde, força e união,

NORBERTO PEIXOTO.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

EWÁ




EWÁ



Ewá é a divindade do canto, das coisas alegres e vivas. Dona de raro encanto e beleza, é considerada como a Rainha das mutações, das transformações orgânicas e inorgânicas. É o Orixá que transforma a água de seu estado liquido para o gasoso, gerando nuvens e chuvas.
Quando olhamos para o céu e vemos as nuvens formando, às vezes, figuras de animais, de pessoas ou objetos, não nos importamos muito. Porém, ali está Ewá, Rainha da beleza, evoluindo solta pelos céus, encantando e desenhando por cima do azul celeste da atmosfera da Terá. Ewá é também o inicio da chuva, regida por sua mãe Nanã. Este seu principal encantamento: o ciclo interminável de transformação da água em seus diversos estado, incluindo o sólido. Ela, como todos os outros, está entre nos no cotidiano, convivendo e influenciando nosso comportamento, mexendo com nosso destino, gerando situações que vamos viver diariamente.
Ewá também esta ligada às transformações orgânicas e inorgânicas, que se sucedem no Planeta. É a mágica da transformação. Está ligada à mutação dos animais e vegetais. Ela é o desabrochar de um botão de rosa; é a lagarta que se transforma em borboleta; é a água que vira gelo e o gelo que vira água; faz e desfaz, num verdadeiro balé da Natureza.
Senhora do belo, Ewá é aquela que vai dar cor ao seres; torná-los bonitos, vivos, estimulando a sensibilidade; a fragilidade das coisas; a transformação das células, gerando o que há de mais lindo no mundo. É a deusa da beleza; é o sentimento de prazer pelo que é belo,; é o respeito pela maravilha que o mundo apresenta.
A força natural Ewá é ligada também à alegria, dividindo com Vungi (Ibeji) a regência daquilo que se chama ou se tem como feliz. Está presente nas coisas e nos momentos alegres, que têm vida.
É também a divindade do canto; da música; dos sons da natureza, que enchem nossos ouvidos de alegria e contentamento. Está presente no canto dos pássaros; no correr dos rios; no barulho das folhas, sopradas ao vento; na queda da chuva; no assovio dos ventos; na música interpretada por uma criança, no choro do bebê, no canto mais que sagrado da mãe Natureza.
Ewá é a própria beleza. É o som que encanta. É o canto da alegria. É a transformação do mal para o bom. É a vida...


autor desconhecido

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A MAGIA DAS PLANTAS






A MAGIA DAS PLANTAS


"Antigamente, os animais eram dotados de fala e viviam em alegre harmonia com os homens, mas a humanidade começou a reproduzir-se tão depressa que os animais foram forçados a morar nas florestas em lugares desertos, e a velha amizade entre animais e homens foi esquecida.

Quando os homens inventaram armas e passaram a caçar animais para alimento e obtenção de suas peles, a distância aumentou ainda mais. Os animais começaram a pensar em modos de retaliação. Cada espécie animal se reuniu e resolveu declarar guerra aos homens também: a tribo dos Ursos, com o chefe Velho Urso Branco, os Veados com o chefe Pequeno Veado, os Répteis, os Peixes e por fim os Pássaros, os Insetos e outros pequenos animais.

Cada tribo decidiu causar um tipo de doença nos homens: os Veados causariam reumatismo, Répteis e Peixes assombrariam os homens durante seus sonhos, enlouquecendo-os etc, etc.

As plantas, que eram amigas dos homens, ouvindo os planos dos animais, decidiram ajudar os homens: cada árvore, arbusto, relva ou mesmo erva decidiu criar um remédio para algumas das doenças referidas.

Quando o médico tinha dúvidas no que dizia respeito ao tratamento de um paciente, o espírito da planta sugeria um remédio adequado, foi assim que nasceu a medicina."
Mito Iroques (tribo indígena Norte-Americana)

Na minha pesquisa terapêutica, encontrei aliadas muito poderosas, as ervas medicinais. Aprendi a amar as ervas. Elas são uma preciosa dádiva, e o conhecimento do seu uso os xamãs deixaram como herança humanidade. Os xamãs têm a capacidade de se comunicar com o espírito das ervas, e o conhecimento era passado de pai para filho.

Neste caminho tive a felicidade de encontrar uma irmã muito querida, uma xamã, uma cigana, uma bruxa, uma erva-viva chamada Maly Caran, e algumas dicas aqui são dela própria.

Usar plantas medicinais, não significa apenas tomar chá. É necessário que saibamos como manipular cada tipo de erva, para cada tipo de situação. Não adianta também queremos conhecer todos os tipos de ervas medicinais, o mais importante é conhecer bem aquelas que você escolheu para trabalhar.

Usar plantas, fazer chás é uma coisa, porém conhecer os mistérios do espírito da planta, é a magia. Quero destacar também o xamã, poeta e pintor onírico Mario Mercier, que descreve como ninguém o segredo da magia da floresta.

As plantas captam nossa mente, no livro “A Vida Secreta das Plantas” de Peter Tompkins e Christopher Bird, relatam experiências científicas realizadas com o galvanômetro, parte de um detector de mentiras, comprovando que as plantas reagem de acordo com os nossos pensamentos.

O legado que temos das plantas medicinais é graças aqueles que, lá nos primórdios, ousaram acreditar nas suas intuições. Eles (as) se comunicam com o espírito da plantas. Existiram pessoas inspiradas que se dedicaram a trazer soluções para as angústias humanas.

Acredito que Deus nos deixou uma enorme farmácia natural e nós não precisamos pagar nada por isso. Estudamos hoje o conhecimento que adquirimos através dos tempos. É preciso muitos casos e experiência pessoal para que possamos indicar alguma coisa.

A evolução humana foi possível graças àqueles que experimentaram e compartilharam. Não devemos ter medo do conhecimento, como se tivéssemos comendo um fruto proibido. Nós temos uma vantagem sobre nossos ancestrais, pois podemos nos organizar para estudar uma planta através da tecnologia e de vasto material existente. Mas o estudo principal é : plantar .

Li uma vez uma reportagem de um grande jornal da cidade de São Paulo, com a seguinte manchete :

Pesquisadores da USP descobrem que Espinheira-Santa é eficaz no tratamento de gastrite e ulcera

quinta-feira, 4 de julho de 2013

31 DE MARÇO DE 1848 - SURGIMENTO DO ESPIRITISMO.



31 DE MARÇO DE 1848: SURGIMENTO DO ESPIRITISMO


Em 31 de Março de 1848, a senhora Fox e suas filhas, não tendo podido dormir durante a noite precedente, e exaustas de fadiga, se deitaram cedo, no mesmo quarto, esperando assim escapar às manifestações que se produziam ordinariamente no meio da noite. O Sr. Fox estava então ausente. Logo os golpes começaram, e as duas jovens meninas, acordadas com a algazarra, começaram a imitar fazendo batidas com seus dedos. Para seu grande espanto os golpes responderam a cada batida, então a mais jovem das meninas, Kate, querendo verificar o fato surpreendente; deu uma batida, ouviram um golpe, dois, três, etc., e sempre o ser ou agente invisível devolvia o mesmo número de golpes. Sua irmã disse brincando: “Agora faça como eu, conte um, dois, três, quatro, etc.,” batendo com suas mãos, de cada vez, o número indicado. Os golpes se seguiram com a mesma precisão, mas esse sinal de inteligência alarmou a mais jovem, e ela logo cessou a experiência.

A Sra. Fox disse então: “Conte até dez.” O agente bateu dez vezes. A mãe colocou uma série de perguntas e as respostas, dadas por cifra, mostraram um grande conhecimento de seus próprios assuntos que ela mesma não recordava; porque os golpes insistiam sobre o fato de que ela tinha sete crianças enquanto que ela protestava não ter posto no mundo senão seis, até que um sétimo, morto precocemente, lhe viesse à memória. A esta questão: “Você que bate é um homem?” nenhuma resposta vinha; mas àquela “Você é um Espírito?” era respondida por golpes rápidos e nítidos. Chamou-se uma vizinha, madame Redfield; seu divertimento mudou em admiração e depois em terror à medida que ouvia, ela mesmo, as respostas corretas à questões íntimas.

A Madame Fox disse então ao seu interlocutor invisível: “Se nós fizermos vir os vizinhos, os golpes continuarão a responder?” Um golpe se fez ouvir em sinal de afirmação. Os vizinhos chamados não demoraram a vir, contando descobrir o batedor invisível por todos os meios de busca possíveis; mas a exatidão de uma multidão de detalhes dados assim por golpes, em resposta às questões endereçadas ao ser invisível, sobre os assuntos particulares de cada um, convenceram os mais incrédulos. Os rumores dessas coisas se propagaram ao longe, e logo chegaram de todos os lados padres, juízes, médicos e uma multidão de cidadãos.

Os vizinhos acorreram em multidões enquanto que se expandiam os rumores a propósito dessa maravilha; as duas crianças foram levadas por um deles enquanto a Sra. Fox ia passar as noites em casa da Sra. Redfield. Em sua ausência, o fenômeno se produzia exatamente como antes, o que, de uma vez por todas, reduziu ao silêncio todas as teorias de quebra dos artelhos e de joelhos deslocados que as pessoas perfeitamente ignorantes dos fatos reais freqüentemente colocaram. Todos os meios de pesquisa foram praticados para descobrir o batedor invisível, mas a averiguação da família, e de toda a vizinhança, foi inútil. Não se pode descobrir a causa natural dessas manifestações singulares.

As experiências se seguiram, numerosas e precisas. Na manhã seguinte, a casa estava cheia a crepitar, mais de trezentas pessoas estavam presentes nesse momento. Os curiosos, atraídos por esses fenômenos novos, não se contentavam mais em perguntas e respostas. Um deles, chamado Isaac Post, teve a idéia de recitar em alta voz as letras do alfabeto, rogando ao Espírito a gentileza de bater um golpe sobre aquelas que compusessem as palavras que ele queria fazer compreender. Nesse dia, a telegrafia espiritual havia sido descoberta: esse procedimento é aquele que veremos aplicar às mesas girantes.

Tal foi a primeira conversação que teve lugar nos tempos modernos e que se haja constatado, entre os seres de outro mundo e deste aqui. De certa maneira, a Sra. Fox conseguiu saber que o Espírito que lhe respondia, era aquele de um homem que tinha sido assassinado na casa que habitava, vários anos antes, que se chamava Charles B. Rosma, que era mascate e tinha trinta e um anos, enquanto a pessoa com a qual morava o molestou para pegar seu dinheiro e o enterrou na adega. Ossada humana foi efetivamente encontrada mais tarde.

Eis em sua simplicidade, o início do fenômeno que viria revolucionar o mundo inteiro. Negado pelos sábios oficiais, ridicularizado pela imprensa dos dois mundos, colocado no ‘index’ pelas religiões receosas e ciumentas, suspeito na justiça, explorado pelos charlatões sem vergonha, o Espiritismo deveria entretanto fazer seu caminho e conquistar aderentes, cujas cifras se elevam a milhões, porque possui a força mais possante de todas: a verdade.

O espírito engaja as jovens a divulgar suas manifestações, com o que convencerá os incrédulos de sua existência. A família Fox se fixa em Rochester e, seguindo os conselhos de seu amigo do espaço, as jovens missionárias não hesitam em desafiar o fanatismo protestante propondo se submeterem ao mais rigoroso controle.

Acusados de impostura e submetidos pelos ministros de sua confissão a renunciar a essas práticas, o Sr. e a Sra. Fox, fizeram da propagação do conhecimento desses fenômenos, que eles consideravam como uma grande e consoladora verdade, útil para todos, um dever supremo, e recusando a se submeter, foram cassados pela sua Igreja. Os adeptos que se reunissem em torno deles sofreriam a mesma reprovação.

Os conservadores fanáticos conduziram a população contra a família Fox. Os apóstolos da nova fé ofereceram, então, fazer a prova pública da realidade das manifestações diante da população reunida no Corynthia-Hall, o maior salão da vila. Começou-se por uma conferência onde foram expostos os progressos do fenômeno após os primeiros dias. Essa comunicação, acolhida por vaias, terminou contudo com a nomeação de uma comissão encarregada de examinar os fatos. Contra a expectativa geral, e contra sua convicção própria, a comissão foi forçada declarar que após o exame mais minucioso, não teria podido descobrir nenhum traço de fraude. Eles davam crédito de que esses golpes chegavam sobre os muros e as portas, de qualquer distância das mocinhas, ocasionando vibrações sensíveis. Malograram descobrir qualquer meio pelo qual se teria podido obtê-los.

Nomeou-se imediatamente uma segunda comissão que recorreu a procedimentos de investigação ainda mais rigorosos; fez-se revistar e mesmo despir as médiuns, por senhoras, bem entendido, sempre ouvindo os ‘rappings’ (golpes batidos na mesa), os móveis em movimento, as respostas a todas as questões, mesmo mentais; nada de ventriloqüismo, de subterfúgios, de possíveis dúvidas. O segundo relatório foi ainda mais favorável que o primeiro, sobre a perfeita boa fé dos espíritos e a realidade do incrível fenômeno. É impossível – disse a Sra. Hardinge – descrever a indignação que se manifestou a essa segunda decepção. O relatório final declara que “os ruídos estão entendidos e que seu exame completo tinha mostrado de maneira decisiva que eles não eram produzidos nem por um mecanismo nem por ventriloqüismo, ainda que, sobre a natureza do agente que os produziram, fossem incapazes de se pronunciar.”

Uma terceira comissão foi imediatamente escolhida entre os mais incrédulos e os mais ridicularizadores. O resultado dessas investigações, ainda mais ultrajantes que as duas outras para as pobres jovens meninas, provocaram ainda, mais do que nunca, a confusão de seus detratores. O comitê testemunhou em seguida que suas questões, algumas colocadas mentalmente, tinham recebido respostas corretas.

A multidão, exasperada, convencida da traição dos comissários e de sua conivência com as impostoras, tinha declarado que, se o relatório fosse favorável, linchariam as médiuns e seus advogados. As jovens meninas, malgrado seu terror, escoltadas por sua família e alguns amigos, se apresentaram na reunião e tomaram lugar sobre o estrado do grande salão, totalmente decididas a perecer, se preciso fosse, mártires de uma impopular mas indiscutível verdade.

A leitura do relatório foi feita por um membro da comissão que tinha jurado que descobriria o truque, mas que confessou que a causa dos golpes, malgrado as mais minuciosos pesquisas, lhe era desconhecida. No mesmo instante teve lugar um tumulto horrendo: a populaça queria linchar as jovens meninas, e elas o teriam sido sem a intervenção de um quaker, de nome Georges Villets, que as protegeu com seu corpo e reconduziu a multidão a sentimentos mais humanos.

Vê-se, pela narração, que o Espiritismo foi estudado severamente desde seu início. Não foram apenas os vizinhos, mais ou menos ignorantes, que constataram um fato inexplicável, mas comissões, regularmente nomeadas, que, após esquetes minuciosas, foram obrigadas a reconhecer a autenticidade absoluta do fenômeno. As tentativas para desmascarar as fraudes nos fenômenos tiveram lugar regularmente. Deve-se notar que este evento, que está no nascimento do Espiritismo, está sujeito a numerosas deformações e desinformações da parte dos oponentes do Espiritismo. Assim o jesuíta Lucien Roure, na sua obra “O Espiritismo maravilhoso” defende que ninguém tinha colocado a questão de saber se o fenômeno seria devido a fraudes e deixa mesmo insinuar que poderiam ter sido produzidos pelo joelho, pelos artelhos ou pela cavilha! Outros irão até dizer que a mais jovem das meninas era ventríloqua! Essas afirmativas gratuitas, sem fundamentos, não podem explicar os efeitos dos fenômenos constatados, e sua autenticidade confirmada por comissões hostis e fanáticas.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

OS ESTRANHOS PODERES DOS XAMÃS









OS ESTRANHOS PODERES DOS XAMÃS
Texto extraído do Time-Life - Poderes da Mente


Atualmente, a suposição de que há poderes misteriosos tende a ser vista com uma boa dose de ceticismo. Muitas culturas, porém, aceitam o contato com as forças sobrenaturais sem questioná-las.

Desde a aurora dos tempos, as sociedades tribais veneram indivíduos que supostamente possuem a capacidade de comunicar-se com espíritos e divindades.

Chamados profetas, curandeiros ou médicos - mas, de um modo mais amplo são conhecidos como xamãs.

Eles são requisitados para curar enfermidades físicas ou emocionais, obter alimento quando há fome, ajudar a encontrar objetos perdidos ou roubados, prever o futuro, controlar o tempo, trazer de volta almas fugitivas dos enfermos e guiar a dos mortos.

Em geral os xamãs entram em transe para tenta fazer contato com o mundo espiritual.

Para atingir esse estado alterado de consciência empregam meios semelhantes aos adotados em certos experimentos da moderna parapsicologia. às vezes meditam no isolamento ou se concentram nos sons rítmicos de tambores, cantos ou danças, outras jejuam ou usam plantas psicoativas.

Uma vez que a mente e o copro rendem-se ao transe, o xamã fica à vontade para visitar o mundo espiritual.

Muitas vêzes, dizem, através do vôo mágico. Lá o xamã recebe uma mensagem que pode vir sob a forma de uma canção, de uma oração ou de um ritual a ser executado; a mensagem também, pode vir como uma visão esclarecedora sobre a natureza da vida.

Em raras ocasiões, os xamãs tentaram descrever, através de palavras e imagens, algumas das mensagens frequentemente inefáveis que receberam durante suas odisseias mentais no mundo dos espíritos.

Quando o explorador dinamarquês Knud Rasmussem chegou à região ártica da América do Norte em 1921 para estudar os esquimós iglulik, encontrou uma cultura que girava quase que exclusivamente em torno de uma multidão de seres invisíveis. Além dos espíritos que habitavam cada pessoa, animal e objeto havia aqueles não especificados, responsáveis por acontecimentos aparentemente inexplicáveis, como a doença e o tempo ruim. Anarqâq, um xamã, auxiliou-o evocando seres. Rasmussem ficou sabendo que havia espíritos bondosos e prestativos, outros agressivos e maldosos, e outros decididamente maus. A comunidade inteira procurva manter os maus espíritos ao largo através de rituais e tabus, mas só os xamãs tinham o poder de baní-los por completo.

Enquanto xamã, Anarqâq era ajudado por espíritos benfazejos, que entravam em seu corpo, ou simplesmente chamavam-no Ao responder, o xamã absorvia os poderes deles. Muitos espíritos bons faziam sua primeira aparição sob a forma de monstros ou animais ferozes que deviam ser conquistados ou subjulgados, mas ao conquistar sua boa vontade, mostravam uma lealdade sem limite.

Para Anarqâc, o espírito Igtuk era responsável pelos estrondos que às vezes se ouviam vindos das montanhas articas. Na descrição do xamã, Igtuk tinha apenas um grande olho, situado entre os braços. Sua boca imensa abria-se para um abismo negro e seu queixo era coberto por pêlos espessos.

Anarqâq contou que pouco depois de seus pais morrerem, um espírito melancólico chamado Issiotôq, ou Olho Gigante, apareceu. " Não tenha medo de mim", disse o espírito, "pois eu também me debato com pensamentos tristes. Assim, ficarei a seu lado para ser seu espírito benfazejo. " Issitôq tinha um `pêlo curto e eriçado, braços extremamente compridos e uma boca vertical com um dente longo e dois curtos; ele ajudava Anarqâq a encontrar aqueles que infringiam os tabus da tribo.

Anarqâq teve uma visão num dia de primavera. Um espírito feminino chamado Qungiaruvlik tentava roubar uma criança escondendo-a em sua parka. Não houve tempo, porém, para ela conseguir o que queria: dois espíritos benfazejos bem armados salvaram a criança e mataram a sequestradora.

Kigutilik, um dos muitos espíritos que Anarqâq afirmava ter encontrado em suas caçadas, era um ser monstruoso, do tamanho de um urso. Com um rugido, Kigutilik surgira de um buraco no gelo, assustando Anarqâq, que caçava focas. De medo, o xamã fugiu sem se entender com o espírito.

Certo dia caçando caribus, Anarqâq deu de cara com esse espírito rotundo, chamado Nârtôq. Ao ver Anarqâq o espírito investiu como se quisesse atacá-lo, mas quando o xamã se preparou para a defesa, ele sumiu. Mais tarde, Nârtôk voltou e disse a Anarqâq que se ele aprendesse a controlar seu temperamento esquentado, Nârtôq passaria a ser seu espírito benfazejo.


Olá!
O texto acima me fez recordar os trabalhos de apometria dos quais participei. Mais especificamente me refiro a esse trecho:

"Mais tarde, Nârtôk voltou e disse a Anarqâq que se ele aprendesse a controlar seu temperamento esquentado, Nârtôq passaria a ser seu espírito benfazejo".

Comento isso porque, durante os atendimentos, onde espíritos "maus" se apresentavam, depois de uma boa conversa de esclarecimentos, tal espirito tomava a iniciativa de seguir sua trajetória sendo trabalhador da casa, ou seja, abandonava, arrependido, o mal e se colocava a serviço do bem. Para tanto, como bem diz o texto, é necessário que o apômetra, ou doutrinador, seja equilibrado, enérgico, mas, acima de tudo amoroso, respeitoso com seu semelhante mesmo em situações adversas.

Annapon

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