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Annapon ( escritora e blogueira )

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIENCIA III


  

DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA III

Numerosos ensinamentos espirituais nos dizem para abandonar o medo e o desejo. Mas, em geral esses métodos espirituais não atingem esse objetivo. Não chegam à verdadeira causa do distúrbio. Medo,cobiça e desejo de poder não são os fatores causais supremos. Tentar ser uma pessoa boa ou melhor parece algo recomendável e evoluído a fazer; ainda assim, não é um empreendimento que alguém consiga realizar com total sucesso, a não ser que ocorra uma mudança em sua consciência.

Ninguém se torna bom tentado ser bom, e sim encontrando a bondade que já existe dentro de si mesmo e permitindo que ela sobressaia. No entanto essa qualidade só se distingue quando algo fundamental muda no estado de consciência da pessoa.

A maioria das religiões e tradições espirituais compartilha a ideia de que nosso estado mental "normal" é prejudicado por uma imperfeição fundamental. No entanto, além dessa percepção da natureza da condição humana - que podemos chamar de má-notícia - há uma segunda percepção, ou a boa notícia, que é a possibilidade de uma transformação radical da nossa consciência. Nas mensagens hinduístas (e, em alguns casos também no budismo), essa mudança é chamada de iluminação; nos ensinamentos de Jesus, de salvação; e no budismo, de fim do sofrimento. Outros termos usados para caracterizá-la são libertação e despertar.

A maior conquista da humanidade não são obras de arte e nem os inventos da ciência e da tecnologia, mas a identificação do seu próprio distúrbio, da sua própria loucura. No passado distante, alguns indivíduos chegaram a fazer esse reconhecimento. É provável que um homem chamado Sidarta Gautama que vivem há 2.600 anos na índia, tenha sido o primeiro a ver essa questão com absoluta clareza. Depois, o titulo de Buda lhe foi concedido. Buda significa “aquele que despertou”. Praticamente na mesma época, outro dos mestres despertos da humanidade nasceu na China. Seu nome era Lao-Tsé. Ele deixou um registro dos seus ensinamentos na forma de um dos livros espirituais mais profundos já escritos, o Tao Te Ching.

Reconhecer a própria loucura marca, obviamente, o surgimento da sanidade, o inicio da cura e da transcendência. Uma nova dimensão da consciência começava então a emergir no planeta, a primeira tentativa de florescimento. Aquelas pessoas raras se dirigiram a seus contemporâneos falando sobre pecado sofrimento e ilusão. Diziam: “Observe seu modo de viver. Veja o que você está fazendo, o sofrimento que está causando. Depois indicavam a possibilidade de despertar do pesadelo coletivo da existência humana “normal” E mostravam o caminho.

O mundo ainda não estava preparado para Esses Mestres, no entanto, eles foram uma parte crucial e indispensável no despertar humano. Seus entendimentos embora simples e eficazes, acabaram sendo distorcidos e mal-interpretados, em alguns casos até mesmo na maneira como foram registrados por escrito por seus discípulos. Ao longo dos séculos, acrescentaram-se muitas coisas que não tinham nada a ver com as mensagens originais e que eram reflexos de uma incompreensão básica. Alguns desses sábios foram ridicularizados, insultados ou mortos, enquanto outros passaram a ser venerados como deuses.

As religiões, numa grande medida, firmaram-se como forças divisoras em vez de unificadoras. Em lugar de estabelecerem o fim da violência e do ódio por meio da compreensão da unidade fundamental da vida, eles suscitaram mais violência e ódio, mais separações entre os indivíduos, religiões e até mesmo rupturas dentro de um mesmo credo. Tornaram-se ideologias, sistemas de crenças com os quais as pessoas podiam se identificar, e elas os usavam para ressaltar sua falsa percepção do eu. Por meio dessas crenças, elas se classificavam como certas e chamavam os outros de errados. Assim, definiam sua identidade diante dos inimigos – os outros, os não-crentes ou crentes equivocados – e, algumas vezes, consideravam-se no direito de mata-los. O homem feito “Deus” na sua própria imagem. O eterno, o infinito, o inominável foi reduzido a um ídolo mental no qual as pessoas tinham de acreditar e que deveria ser venerado como “o meu deus ou o nosso deus.

Ao longo da história, sempre houve indivíduos raros que vivenciaram uma mudança de consciência e, assim, detectaram em si mesmos aquilo que é apontado por todas as religiões. Para descrever essa verdade não conceitual, eles usaram a estrutura conceitual das suas próprias crenças religiosas. Por meio de alguns desses homens e mulheres, escolas ou movimentos se desenvolveram dentro de todas as religiões importantes e representaram não só uma redescoberta, mas, em determinados casos, uma intensificação da luz do ensinamento original. Foi assim que o gnosticismo e o misticismo se estabeleceram nos primórdios do cristianismo e no cristianismo medieval. O mesmo ocorreu com o sufismo na religião islâmica e a cabala no judaísmo, com o advaita vedanta no hinduismo e com o zen e o dzochen no budismo. Quase todas essas escolas eram iconoclastas. Elas se opuseram a numerosas camadas de conceituações e a estruturas mentais enfraquecidas. Por essa razão, a maior parte delas foi vista com suspeita e hostilidade pelas hierarquias religiosas estabelecidas. Seus ensinamentos, ao contrário das doutrinas da religião principal, enfatizavam a compreensão e a transformação interior. Foi graças a essas escolas esotéricas que os credos mais importantes recuperaram o poder transformador dos seus preceitos originais – embora na maioria dos casos apenas poucas pessoas tivessem acesso a elas.
de: Xamanismo (facebook)

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