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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Maria Padilha






Maria Padilha



Ficheiro:Padilha.jpg

Brasão da Família Padilla (Portugal - Espanha)
Da Casa de Padilha: Um escudo pleno, contendo três pás de prata, em posição vertical, sobre fundo azul, cercado por nove meias-luas, em prata, sendo três acima das pás, três abaixo das pás, uma à direita das pás e duas a esquerda das pás; Um timbre de Águia Imperial Nascente, de cor negra com adornos prata; Um virol, na cor azul e negra, aos pés da Águia Imperial; Dois Paquifes, um a cada lado do Escudo Pleno, nas cores azul e prata.


As Cores

Para cada cor do brasão da Casa de Padilha existe um significado singular.
§                     Prata: pureza, integridade, firmeza e obediência
§                     Azul: zelo, lealdade, caridade, justiça, lealdade, beleza e boa reputação.
§                     Negro: prudência, astúcia, tristeza, rigor e honestidade.
§                      

 

A Águia Negra

Conhecida como Águia Imperial Nascente, por ser a insígnia peculiar do Sacro Império Romano. Representada em cor negra, ornada em prata, com as asas abertas, de pontas voltadas para cima, a cauda espalmada, as pernas abertas com as garras estendidas, a cabeça voltada para o flanco direito, ereta, com a língua de fora. —Essa é a posição estendida.
A águia pode ser vista, figuradamente, como símbolo de força, de grandeza e de majestade. Foi muito usada em brasões de exércitos, figurando nos estandartes de Ciro, rei dos Persas, e, mais tarde, durante o segundo consulado de Mário, encimando as lanças que eram insígnias das legiões. Na simbologia cristã aparece como possível símbolo da ressurreição e o triunfo de Cristo e do cristianismo. Foi também o símbolo da alma humana, o símbolo das artes. Chama-se de águia o homem muito perspicaz, penetrante, que vê longe; superior em inteligência.



Olá amigos e leitores do Coisas da Alma!

Inicio essa postagem com o Brasão da família Padilla ( com dois ll se escreve na Espanha), com um único objetivo: refletir sobre essa entidade tão carismática no meio Umbandista chamada Maria Padilha.
Sabemos que Padilhas existem muitas e que cada uma tem a sua história particular de vida, porém, refletir sobre a história de uma, especifica, Maria Padilha, que deixou sua marca na história, talvez nos esclareça melhor sobre o papel das tantas Padilhas que incansavelmente trabalham na Terra sob a Sagrada Égide da Umbanda.
Com todo o respeito a todas as entidades que compõem essa falange, quero centralizar o foco dessa minha reflexão/pesquisa, em torno da história de Dona Maria Padilla de Castela, amante e posterior esposa do Rei Dom Pedro I de Castela (Espanha Ibérica).
Nossa personagem histórica deixou sua marca em sua passagem terrena, envolta em enredo de amor e de dor.
Sucumbe Maria Padilha, vitima da peste bubônica, que na ocasião, arrebatou muitas vidas na Europa, semanas após a morte de sua pretensa “rival”, esposa de Don Pedro, pelos dados históricos, morta por envenenamento.
Pensando então, sobre carma, reencarnação e evolução espiritual através do trabalho conjunto com os espíritos encarnados, foi que me ocorreu a idéia de postar aqui essa despretensiosa reflexão sobre Maria Padilha, entidade de Umbanda que tanto auxilia os encarnados necessitados em suas caminhadas pela vida na Terra.
Pesquisando encontrei alguém que escreveu algo sobre o assunto, estabelecendo um paralelo entre Maria Padilha histórica e Maria Padilha entidade. O livro “Maria Padilha e toda a sua Quadrilha” de Marlyse Meyer, Ed. Duas Cidades, é o livro em questão sobre o qual não posso opinar, uma vez que não tive acesso a tal leitura.
Voltemos então à reflexão:
Iniciei a postagem com o brasão da família de Maria Padilha. Toda e qualquer semelhança com os pontos riscados da Umbanda seria mera coincidência? Ou há algo a se refletir?
Sou mais pela reflexão, uma vez que pontos riscados são identidades, sinais, mensagens que os espíritos enviam a nós, encarnados, e ao astral principalmente como uma forma de estabelecer a qual categoria de trabalho espiritual esteja, naquele momento, engajado, além de se identificar espiritual e terrenamente. O Brasão, portanto, quando analisado, em seu significado, nos fala sobre os valores morais/espirituais, da família Padilla e de sua nobre integrante Maria.
Com base na frase: “Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade”, ouso pensar, e tão somente pensar aqui com os meus “botões”, que é muito possível sim que a Maria Padilha histórica tenha dado inicio à falange hoje militante na Umbanda em suas mais diversas formas de manifestação e ritual, de outra forma, o nome Maria Padilha, jamais teria sido conhecido, nem tampouco cultuado como acontece nos dias de hoje na maioria dos terreiros espalhados pelo nosso mundo.
Se a Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade, é também a manifestação do espírito para evoluir em conjunto com os espíritos ainda encarnados, sendo assim, nada há que possa contrariar, dentro desse contexto, a idéia que Maria Padilha, amante/esposa do Rei D. Pedro I de Castela, tenha dado inicio a essa falange de trabalhadoras de Umbanda, guardiãs por excelência, dos mistérios que envolvem as emoções dos homens no sentido de humanidade.
A história de Maria Padilha de Castela, não é uma história de final feliz, nem tampouco sua vida foi um conto de fadas.
Maria Padilha histórica foi amante,  esposa, mãe, além de braço direito do Rei nas questões políticas, influenciando o mesmo segundo seus pensamentos. Existe ainda, a hipótese de ter sido ela a mandante do crime por envenenamento da esposa de Don Pedro, porém, quanto à isso, nada encontrei de relevante, apenas algo vago mencionando tal fato. Apenas a morte por envenenamento é fato documentado.
Tendo vivido uma história de amor tão forte e real, vindo a sucumbir ela logo após a morte da outra, que era esposa legítima do Rei, nós, que cremos em reencarnação e carma, se refletirmos, veremos que é absolutamente possível que Maria Padilha, ao invés de evoluir pelas vias da reencarnação, possa ter perfeitamente escolhido, ou ter sido constrangida a escolher a evolução pelas vias do trabalho caritativo que a mediunidade a todos proporciona, quando seja o caso, é claro.
Sendo assim, penso ser muito provável/possível, que ela tenha dado inicio a essa falange e/ou linha de trabalho, ou ainda, agrupamento de espíritos afins, como queiram, por que não?
Penso assim por uma razão muito forte que me chama realmente a atenção e essa razão é o fato que, a maioria das pessoas, que agradecem a essa entidade, alguma graça alcançada ou ajuda efetiva em sua caminhada, se refere a ela, na maioria das vezes, como sendo rainha, o que na realidade, pelos fatos históricos, ela não foi, apenas foi sepultada com todas as honras de uma rainha por ordem do Rei.
Mesmo não tendo sido rainha, Maria Padilha histórica, era sim de nobre família, portanto, a meu ver, esse fato também explica os modos, quando incorporadas, sempre muito finos e requintados, além de conservar o sotaque espanhol em sua fala, das tantas Padilhas que se manifestam e trabalham nos vários terreiros pelo Brasil e pelo mundo espalhados.
São muitas “coincidências”, muitas semelhanças! Sem dizer que seu trabalho é mais e profundamente voltado à cura dos corações que sofrem por amor ou estão com suas emoções em frangalhos.
Penso que Maria Padilha, a da história, tinha conhecimento e habilidade com a magia, pois, em toda a Europa se praticava magia e rezas que certamente ela conhecia fato que apenas reforça a opinião que ora emito que tenha sido ela a primeira de um grande grupamento de espíritos que se formou por conta de afinidades.
Já ouvi alguns relatos sobre a atuação de Maria Padilha como entidade de Umbanda e, todos eles se relacionam de alguma forma, com questões emocionais, sentimentais, bem como questões envolvendo fertilidade, manutenção da família e por ai vai. Situações que Maria Padilha histórica, viveu em plenitude, portanto, nada mais compreensível que um espírito, tendo vivido tão intensamente as dores da alma que ama, sofre e luta pelo seu amor, pela sua família, filhos e integridade, venha a se propor evoluir pelas vias do trabalho de auxilio ao próximo através da ferramenta mediúnica.
Outro fato, muito interessante, também me chama muito a atenção quando penso em Maria Padilha entidade e esse fato é o gosto pelo requinte, normal para quem viveu na nobreza, os gestos delicados e a educação que lhe é tão peculiar ao falar e se dirigir a alguém, além, é claro, do temperamento forte, por vezes, autoritário, de quem sabe muito bem exercer a liderança, atributos que Maria Padilha, histórica, possuía.
Tudo o que envolve Maria Padilha histórica está representado ou reproduzido em Maria Padilha entidade, isso considero muito interessante.
Até aqui, antes de ter recebido a sugestão para a pesquisa, sugestão a mim passada pelas vias da intuição, eu nada sabia sobre Maria Padilha, amante/esposa do Rei D.Pedro I de Castela. Eu desconhecia essa história e, ao me deparar com os frutos da pesquisa, me encantei de tal forma que pude sentir mediunicamente, a presença dessa entidade querida e plena de Luz.
Outro fato extremamente interessante que descobri pesquisando, é que Maria Padilha histórica gostava de se vestir com a cor vermelha, coincidência? De qualquer forma é por demais interessante toda essa reunião de semelhanças.
Pensando sobre o Rei, viúvo de Maria Padilha, que era conhecido como “O Cruel”, pelos seus atos violentos, diante da morte da amada certamente teve de refletir e evoluir, ao menos um pouco através da dor pungente que foi para ele a perda de Maria Padilha para a peste. Ele ordenou que ela fosse sepultada então com honras de rainha, pois que assim ele a considerava. Depois do evento da morte dela, todos os filhos que tivera com o Rei, ao todo quatro, em respeito a sua memória, passaram a usar o sobrenome Padilha.
Algumas vezes ouvi pessoas, médiuns, dizendo que a maioria das médiuns Umbandistas gostaria de trabalhar com a entidade Maria Padilha e que confundiam outras Pombas-Gira com ela. Refletindo sobre tal afirmação, penso ser natural, principalmente entre médiuns iniciantes, esse desejo, uma vez que Maria Padilha é muito envolvente, elegante e mística, além de eficaz em seus trabalhos que jamais atendem aos gostos pessoais dos que vão à busca de sua ajuda. Ao contrário do que pensam muitos, essa entidade é extremamente justa, cautelosa e só atua dentro dos limites de sua permissão. Jamais atende a desejos inescrupulosos e mesquinhos. Sabe muito bem quais são os caminhos mais seguros para a evolução espiritual e material das pessoas, por isso alguns dizem: “ tome cuidado com ela”. Esse cuidado é no sentido de que há de se ter cuidado quando a ela solicitar ajuda para não sair de sua presença cabisbaixo pela eventual lição de moral e humildade que ela possa aplicar.
Enfim, Maria Padilha de Castela e Maria Padilha da Umbanda, podem não ser a mesma pessoa, mas ambas sustentam entre si muitas semelhanças.
Na verdade, o que realmente importa, é o trabalho digno e belo que as Padilhas, de Castela, do Brasil e do mundo, realizam em nome de Deus sob a Égide da Umbanda ou onde quer que lhe seja solicitado o trabalho no bem.
Deixo aqui registrado o meu respeito e apreço por todas as Padilhas que sem esmorecer trabalham pelo bem, progresso e evolução de todos e delas mesmas.

Annapon em 08.12.2010





Pombagira e as faces inconfessas do Brasil

Reginaldo Prandi


Do livro de Reginaldo Prandi, Herdeiras do Axé.
São Paulo, Hucitec, 1996, Capítulo IV, pp. 139-164.


( trecho da obra acima citada )


Maria Padilha, talvez a mais popular Pombagira, é considerada espírito de uma mulher muito bonita, branca, sedutora, e que em vida teria sido prostituta grã-fina ou influente cortesã.  A escritora Marlyse Meyer publicou em 1993 seu interessante livro  Maria Padilha e toda sua quadrilha, contando a história de uma amante de Pedro I (1334-1369), rei de Castela, a qual se chamava Maria Padilha.  Seguindo uma pista da historiadora Laura Mello e Souza (1986), Meyer vasculha o Romancero General de romances castellanos anteriores ao siglo XVIII, depois documentos da Inquisição, construindo a trajetória de aventuras e feitiçaria de uma tal de Dona Maria Padilha e toda a sua quadrilha, de Montalvan a Beja, de Beja a Angola, de Angola a Recife e de Recife para os terreiros de São Paulo e de todo o Brasil. O livro é uma construção literária baseada em fatos documentais no que diz respeito à personagem histórica ibérica e em concepções míticas sobre a Padilha afro-brasileira. Evidentemente não encontra provas, e nem pretende encontrá-las, de que uma é a outra. Talvez um avatar imaginário, isto sim. E que pode, quem sabe, vir a ser, um dia, incorporado à mitologia umbandista.

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