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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Instruções dos Espíritos sobre a fé - Cap.XIX Evangelho Segundo o Espiritismo -


A fé: mãe da esperança e da caridade

11. Para ser proveitosa, a fé tem de ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, cumpre-lhe velar atentamente pelo desenvolvimento dos filhos que gerou.
A esperança e a caridade são corolários da fé e formam com esta uma trindade inseparável. Não é a fé que faculta a esperança na realização das promessas do Senhor? Se não tiverdes fé, que esperareis? Não é a fé que dá o amor? Se não tendes fé, qual será o vosso reconhecimento e, portanto, o vosso amor?
Inspiração divina, a fé desperta todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem. É a base da regeneração. Preciso é, pois, que essa base seja forte e durável, porquanto, se a mais ligeira dúvida a abalar que será do edifício que sobre ela construirdes? Levantai, conseguintemente, esse edifício sobre alicerces inamovíveis. Seja mais forte a vossa fé do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, visto que a fé que não afronta o ridículo dos homens não é fé verdadeira.
A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma. ao passo que a fé aparente usa de palavras sonoras que deixam frio e indiferente quem as escuta. Pregai pelo exemplo da vossa fé, para a incutirdes nos homens. Pregai pelo exemplo das vossas obras para lhes demonstrardes o merecimento da fé. Pregai pela vossa esperança firme, para lhes dardes a ver a confiança que fortifica e põe a criatura em condições de enfrentar todas as vicissitudes da vida.
Tende, pois, a fé, com o que ela contém de belo e de bom, com a sua pureza, com a sua racionalidade. Não admitais a fé sem comprovação, cega filha da cegueira. Amai a Deus, mas sabendo porque o amais; crede nas suas promessas, mas sabendo porque acreditais nelas; segui os nossos conselhos, mas compenetrados do um que vos apontamos e dos meios que vos trazemos para o atingirdes. Crede e esperai sem desfalecimento: os milagres são obras da fé. -José, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.)

A Fé


Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap.XIX –A fé transporta montanhas-

Vindo Jesus ao povo, dele se aproxima um homem suplicando pela cura de seu filho que se encontrava possesso por um mau espírito, dizendo:
“Senhor, tem piedade de meu filho que está lunático e sofre muito. Eu o apresentei aos vossos discípulos, porém, eles nada puderam fazer”.
Jesus então chamou a atenção de seus discípulos dizendo que eram incrédulos pedindo que o homem trouxesse à presença Dele o seu filho.
E o homem assim fez, trouxe seu filho para que Jesus o curasse confiante no poder Dele.

 Jesus ordena ao espírito que atormenta o rapaz, que se retire, ameaçando-o. E assim se deu, o espírito imediatamente se retirou, deixando livre o rapaz que há tanto tempo sofria sob seu domínio.

Então, os discípulos falaram a Jesus em particular:
“Por que não pudemos curar o rapaz?”.
E Jesus respondeu:
“É por causa da vossa incredulidade. Porque eu vos digo em verdade: se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daqui para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível. (São Mateus, cap.XVII, v. de 14 a 20).

Em dizendo essas palavras, Jesus referia-se à fé e à confiança que devemos ter em nós mesmos e naquilo que nos propomos executar.
Se naquele instante, no qual aos discípulos foi apresentado o rapaz para que fosse curado, eles tivessem tido fé em Deus, em Jesus e confiança em si próprios, teriam livrado o rapaz do mau espírito que o dominava.
A montanha, à qual Jesus se referiu, são as dificuldades, as resistências, a má vontade. Tudo isso para esclarecer que a fé vacilante não pode vencer estas montanhas de coisas, a menos que se transforme numa fé confiante, serena, resignada e sempre viva, mesmo diante das mais duras dificuldades.

Algumas vezes encontramos pessoas que têm a seguinte postura com relação à sua fé:
“Tenho fé em Deus que vou conseguir o que quero. Se Deus quiser vou conseguir e sei que Ele quer que eu consiga”.
O que é isto senão a vontade própria imposta a Deus?
Nesta situação podemos comprovar a fé vacilante, sem alicerce seguro. Neste caso, acredita-se no que se quer e não no que Deus programou para nós como sendo o melhor.
Ai reside a frustração. Em assim pensando, a pessoa facilmente se decepciona e, em alguns casos, a revolta se instala.
Nestes momentos ouvimos as seguintes frases:

“Deus me abandonou”.
“Por que Deus fez isso comigo?”.
“Será que eu não mereço que Deus me atenda?. Sou tão bom, sempre procuro ajudar a todos e veja só, sempre sou eu o prejudicado”.
“É Deus não ouviu as minhas preces, mas, sou teimoso, vou continuar pedindo até Ele me dar o que quero. Vai ver não pedi com força”.
“É injusto. Deus foi injusto comigo. Eu não merecia isto”.

Se formos enumerar todas as frases proferidas num momento de contrariedade dos desejos do homem, escreveríamos apenas queixas.

A verdadeira fé é calma, resignada e acima de tudo, confiante, mesmo quando o interesse próprio é contrariado e, isto é o que mais acontece porque na maioria das vezes, o ser humano, caprichoso, quer somente ver atendidos seus desejos mais infantis.

Deus em sua sabedoria e justiça sabe o que é melhor para cada um de seus filhos e apenas concede o que seja o melhor para cada um, mesmo contrariando os desejos.
O Pai que educa, jamais dá ao filho tudo a toda hora, antes sim, ensina-o a ir em busca de seus ideais esclarecendo que nem tudo é possível. Que cada pessoa tem uma limitação e um destino a ser vivido.
Podemos modificar nosso destino através de nosso esforço para progredir?
Claro que sim. Basta que, alguns limites não sejam ultrapassados e levados em consideração.
O que o Pai realmente quer de cada um de seus filhos é justamente isso. Melhorar e progredir sempre.
Não tanto isso se aplica ao sentido material, mas, ao sentido moral. Só assim progride o homem, reforçando em si seus valores morais.
Morais, não moralistas.
O moralismo é falso, se contradiz sempre. Tenta ocultar o que não pode. Diz eu sou não sendo, eu faço não fazendo, eu sinto não sentindo e por ai vai. É apenas uma mascara que se veste para enganar aos outros homens, porém, a Deus, jamais ninguém engana. Ele conhece o mais profundo dos nossos desejos e pensamentos. Ele sabe quem somos o tempo inteiro, portanto, vamos pensar nisto e procurar, o máximo que pudermos, viver em conformidade com suas Leis, buscando nosso progresso moral acima de tudo e, confiando em Deus incondicionalmente.

“A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, é uma prova de fraqueza e de dúvida de si mesmo”. ( Evang.Seg.Esp.)

Ninguém pode impor ao outro a fé nem tão pouco se ensina a ter fé. A fé é um sentimento que o ser tem ou não. A fé não está ligada a essa ou aquela religião, ela depende sim do sentimento de cada um. Do quanto cada pessoa pode crer em Deus e Nele confiar a ponto de desenvolver dentro de si mesmo a fé verdadeira que, repetimos, é calma, serena e confiante mesmo diante das maiores dores e dificuldades.

A fé, mãe da esperança e da caridade.

Sem fé, que esperança pode ter o homem?
Sem fé, pode ser bom e caridoso o homem?

A fé desperta no homem todo o bom sentimento e o impulsiona a agir no bem. Tanto em sua vida particular, com os seus, quanto com os amigos e conhecidos.
O homem de bem tem fé. Ela o fortalece e o protege todos os dias, pois, quem na fé se apóia tem esperança e procura ser caridoso na maioria das situações que lhe chegam todos os dias.

A fé sincera é contagiante e assim sendo, pode ser transmitida àquele que ainda não a tem e até mesmo a quem não queria tê-la.
A fé sincera fala à alma, toca fundo os corações, transmite amor e sabedoria porque seu alicerce está feito com base na Palavra de Deus e de Jesus.

Jesus disse em algumas ocasiões:
“ A tua fé te curou”
Não apenas falou como exemplificou o poder da fé e, seus apóstolos, baseados em seu Sublime exemplo, curaram muitas pessoas assim como o fazia Ele próprio. Ou seja, os apóstolos de Jesus desenvolveram a fé que pôde transportar as montanhas da vacilação, da má vontade, da fraqueza, do orgulho, da preguiça, etc.

Assim sendo podemos dizer que a fé é humana e é divina.
Humana quando crê poder executar as tarefas terrestres com confiança em si e em seu trabalho que lhe custa o suor da fronte. Ele crê e pode. Trabalha e conquista.

Divina quando põe em prática a fé e através dela, executa obras de caridade e de cura. Este potencial está em todos. Todos podemos curar se tivermos fé.
Os milagres nada mais são do que a fé posta em ação.

“Vós sois Deuses”: Disse Jesus.
Compreendemos estas palavras quando nos lembramos que todos nós somos filhos de Deus e, diante deste fato, não podemos negar que através da nossa vontade sincera e da fé desenvolvida, tudo podemos, pois, somos filhos do Criador. Basta querermos.

Annapon









quarta-feira, 27 de abril de 2011

Intolerância Religiosa

O Pagador de Promessas - Preconceito e Intolerância Religiosa


Em nome de Yansan e Santa Bárbara na Festa do dia 4 de dezembro




O pagador de promessas é um filme brasileiro de 1962, do gênero drama, escrito e dirigido por Anselmo Duarte. Zé do Burro é um homem humilde que enfrenta a intransigência da Igreja ao tentar cumprir a promessa feita em um Terreiro de Candomblé de carregar uma pesada cruz por um longo percurso. Zé do Burro é o dono de um pequeno pedaço de terra no Nordeste do Brasil. Seu melhor amigo é um burro. Quando este adoece, Zé faz uma promessa à uma Mãe-de-Santo do Candomblé: se seu burro se recuperar, promete dividir sua terra igualmente entre os mais pobres e carregará uma cruz desde sua terra até a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, onde a oferecerá ao padre local. Assim que seu burro se recupera, Zé dá início à sua jornada.

O filme se inicia com Zé, seguido fielmente pela esposa Rosa, chegando à catedral de madrugada. O padre local recusa a cruz de Zé após ouvir dele a razão pela qual a carregou e as circunstâncias "pagãs" em que a promessa foi feita. Todos em Salvador tentam se aproveitar do inocente e ingênuo Zé. Os praticantes de Candomblé querem usá-lo como líder contra a discriminação que sofrem da Igreja Católica, os jornais sensacionalistas transformam sua promessa de dar a terra aos pobres em grito pela reforma agrária. A polícia é chamada para prevenir a entrada de Zé na Igreja, e ele acaba assassinado em um confronto violento entre policiais e manifestantes a seu favor. Na última cena do filme, os manifestantes colocam o corpo morto de Zé em cima da cruz e entram à força na Catedral.

Alguns dos atores que participaram do filme: Leonardo Villar (Zé do Burro), Glória Menezes (Rosa), Dionísio Azevedo (padre Olavo), entre outros. Foi indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar 1963 (EUA), ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 1962 (França), ganhou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cartagena 1962 (Colômbia), ganhou o Prêmio Golden Gate nas categorias de Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora no San Francisco International Film Festival 1962 (EUA)

Análise

O Pagador de Promessas expressa a crítica à sociedade urbana e de massas capitalista. O homem, no sistema capitalista, é um ser que luta contra uma engrenagem social que promove a sua desintegração, ao mesmo tempo que aparenta e declara agir em defesa de sua liberdade individual. Para adaptar-se a essa engrenagem, o indivíduo concede levianamente, ou abdica por completo de si mesmo. O Pagador de Promessas é a história de um homem que não quis conceder – e foi destruído. Seu tema central é, assim, o mito da liberdade capitalista. Baseado no princípio da liberdade de escolha, a sociedade elitista não fornece ao indivíduo os meios necessários ao exercício dessa liberdade, tornando-a, portanto, ilusória.

O enfoque principal do autor não é, portanto, a questão religiosa. Não obstante, as personagens, diálogos e contexto sócio-político, também permitem a reflexão nesta perspectiva. O próprio autor admite que “há também a intolerância, o sectarismo, o dogmatismo, que fazem com que vejamos inimigos naqueles que, de fato estão do nosso lado”. Sua preocupação não se restringe à intolerância religiosa, como podemos deduzir a partir do confronto entre o Padre Olavo e Zé-do-Burro, mas abarca a intolerância universal. Os preconceitos que produzem a intolerância se nutrem de diversos alimentos. A intolerância tem várias faces e se faz presente em qualquer época e território onde pise o ser humano. A história da humanidade é também a história da sua incapacidade de conviver com o outro, com o diferente.

Padre Olavo veste batina, podia vestir farda ou toga. É padre, podia ser dono de um truste. E Zé-do-Burro, crente do interior da Bahia, podia ter nascido em qualquer parte do mundo, muito embora o sincretismo religioso e o atraso social, que provocam o conflito ético, sejam problemas locais, fazem parte de uma realidade brasileira. Zé-do-Burro é trucidado não pela Igreja, mas por toda uma organização social, na qual somente o povo das ruas se confraterniza e a seu lado se coloca, inicialmente por instinto e finalmente pela conscientização produzida pelo impacto emocional de sua morte. A invasão final do templo tem nítido sentido de vitória popular e destruição de uma engrenagem da qual, é verdade, a Igreja, como instituição, faz parte.

Porém, da mesma forma que a engrenagem mostra fissuras, representada pela reação de solidariedade ao Zé-do-Burro, os indivíduos que representam a instituição eclesiástica, em especial o Padre Olavo, também poderiam ter atitude mais flexível diante do pagador da promessa. Em outras palavras, os indivíduos agem diante da estrutura (engrenagem) num campo limitado de ação, é verdade, mas como possibilidades. Se o indivíduo faz a história dentro de determinadas condições, estas podem ser transformadas por ele. O contrário é imaginarmos uma situação em que os indivíduos não têm escolha a não ser se submeter.

O Candomblé mencionado no contexto de O Pagador de Promessas se constituiu na Bahia no século XIX, a partir das tradições de povos Yorubás, ou Nagôs, com influências de costumes trazidos por grupos Fons, aqui denominados Jejes, e residualmente, por grupos africanos minoritários. O Candomblé se constitui inicialmente como uma religião de resistência dos escravos e seus descendentes, numa sociedade de domínio branco e católico. Era através do Candomblé, como das demais religiões de origens africanas, que os negros mantinham e renovavam seus vínculos com as tradições culturais da África. O negro podia contar com um mundo negro, fonte de uma África simbólica, mantido vivo pela vida religiosa dos Terreiros, como meio de resistência ao mundo branco, que era o mundo do trabalho, do sofrimento, da escravidão, da miséria.

Porém, os negros não podiam simplesmente fazer de conta que existia apenas o mundo resguardado pela tradição e religião. Sua existência exigia se fazer presente também no mundo dos brancos, interagindo com estes e sua religião. Esta é a fonte do sincretismo religioso. O autor Roger Bastide mostrou como a habilidade do negro, durante o período colonial, de viver em dois diferentes mundos ao mesmo tempo era importante para evitar tensões e resolver conflitos difíceis de suportar sob a condição escrava. Logo, o mesmo negro que reconstruiu a África nos Candomblés reconheceu a necessidade de ser, sentir-se e mostrar-se brasileiro, como única possibilidade de sobrevivência, e percebeu que para ser brasileiro era absolutamente imperativo ser católico, mesmo que se fosse também de Orixá. O sincretismo se funda neste jogo de construção de identidade. O Candomblé nasce católico quando o negro precisa ser também brasileiro.

O contexto histórico e social, isto é, o processo de modernização e as transformações pelas quais passava a sociedade na época colaboram para o sucesso da peça e do filme. Se considerarmos a sua sociedade enquanto uma realidade contraditória e em movimento, é possível romper-se com o determinismo de cunho político e econômico. Se a sociedade modela o indivíduo e determina os limites da sua ação, este, por ser agente histórico e ativo, também pode influir sobre os rumos da sociedade. Assim, a intolerância e o preconceito não são fixos e naturais, mas algo que interage com os diferentes contextos sociais. Diferentes épocas podem dificultar ou favorecer sua manifestação. E, mesmo em tempos sombrios, sempre há indivíduos cujas posturas contribuem para o questionamento e superação da intolerância, ainda que sejam minoritários e talvez não se façam ouvir.

A obra de Dias Gomes é uma contribuição fundamental para que se possa pensar as relações entre as diversas religiões e a necessidade de desenvolvermos meios e comportamentos que favoreçam a tolerância religiosa. Pois, mesmo hoje os novos cruzados semeiam os ventos da intolerância. Os tempos são outros, mas o acirramento da competição no mercado de salvação das almas termina por reproduzir as pequenas e grandes inquisições que opõem o bem ao mal. A demonização da religião considerada como concorrente ainda é um recurso muito utilizado. Na sociedade em tempos de globalização parece acirrar-se a intolerância religiosa. No tempo presente, apesar de toda a sua evolução social e tecnológica, persistem o preconceito e a intolerância expressados na obra dos anos 1960. São renitentes e revitalizados não apenas por setores da Igreja Católica, mas também por outros grupos religiosos vinculados ao neo-pentecostalismo. A demonização do outro é um recurso importante não apenas para ganhar adeptos, mas também para purgar culpas. Se a arte expressa a realidade, ela permanece atual.

E a temática sobre Intolerância Religiosa continua

O cinema baiano, tem entre seus representantes no Festival do Rio 2010, o veterano Póla Ribeiro, que trouxe seu filme “Jardim das Folhas Sagradas”. O filme conta a história de um homem que deve fundar um novo Terreiro de Candomblé, mas tem que lidar com várias formas de preconceito: sexual, racial e religioso. Segundo Póla Ribeiro, mais do que uma temática regional, o filme se construiu a partir das discussões de movimentos negros e ecologistas da Bahia e de alguns outros cantos do país. O longa é a materialização deste debate, que está ocorrendo nos principais centros urbanos do mundo, onde é forte a presença dos negros.

Em “Jardim…”, fala-se de convivência social, política e religiosa, do respeito à diversidade e da questão da sustentabilidade. Debate-se como uma religião ancestral se estruturou no Brasil após uma viagem de trágicas conseqüências, se enraizou em nossa cultura e hoje oferece caminhos para se relacionar com a modernidade em desenvolvimento, ao mesmo tempo que com a natureza. A meta era trabalhar acerca do mistério que envolve a cidade de Salvador e o Recôncavo baiano, falar da cultura da sua gente negra que, infelizmente, sempre foi vista e tratada com superficialidade.

A base inicial foi a leitura de um Oriki (poema, música ou reza em Yorubá) de Xangô e a intenção era quebrar um paradigma na Bahia: de que os negros não gostavam de filmes sobre negros. Póla compreendia que os negros não se sentiam representados naquelas imagens, e passou a freqüentar de fato os encontros, as festas, os lugares e os seminários organizados pelo ‘povo de santo’ (os adeptos do Candomblé). Na Bahia acontecem eventos como a Jornada das Folhas, do Ferro ou do Barro e durante dois ou três dias as pessoas debatem e trocam experiências. Discutem a questão do registro da sua tradição, que tem por definição um traço oral, questões de transformação, permanência e o significado atual dos seus rituais. Debatem a questão do sincretismo, do poder, da mídia, cotas, violência e visibilidade. Tudo ao mesmo tempo agora.

Conhecia os filmes acerca do tema e suas interdições. Filmes que mostram tudo, mas ao mesmo tempo não mostram nada sobre a temática. Obras como o filme Umbandista “Amuleto de Ogum”, de Nelson Pereira dos Santos, ou o Candomblé de ‘Tenda dos Milagres”, do mesmo diretor, contribuíram para sua pesquisa e formação. Reproduziu na ficção textos do filme “Yaô”, de Geraldo Sarno, e desenvolveu um diálogo constante com “Barravento”, de Glauber Rocha, mas depois cortou esta parte do roteiro final. E finaliza: “fiz um filme coletivo porque é assim que entendo o cinema”.

Fonte: Uol Cinema
Espaço Acadêmico
Wiki

terça-feira, 26 de abril de 2011

Evolução e Intolerância Religiosa



Observamos, nos dias atuais, fantástica evolução tecnológica. A informação é para todos e a todos alcança numa velocidade antes não imaginada.
Fruto do progresso intelectual do homem, a tecnologia avança sem cessar. A cada dia uma nova descoberta, uma nova maneira de realizar coisas e de obter facilidade e conforto. Isso tudo é muito natural, uma vez que o raciocínio humano tende sempre a se aprimorar.
Uma coisa, porém, continua a ser como a séculos passados, antes mesmo da vinda de Jesus ao planeta;  essa “coisa” é a desunião e a intolerância entre as tantas raças e religiões espalhadas pelo globo. Assim foi assim é.
Se por um lado, o homem evolui intelectualmente, a passos largos, por outro continua com a mesma mentalidade que possuía há séculos perdidos no tempo.
Isso demonstra que a evolução humana, além de ser gradual, se concentra muito mais no material que no espiritual e isso é natural, uma vez que o espírito se encontra encarnado no planeta e aqui precisa viver com os recursos que estiverem disponíveis ao seu sustento e bem estar.
Sendo assim, a mesma desunião de antes, se repete hoje, pois o homem alimenta muito seu lado humano, material, em detrimento do espiritual que é, na verdade, a sua realidade de espírito eterno que, mais adiante, reclamará a negligencia sofrida, uma vez que da encarnação, para o outro plano, apenas levará suas boas obras, o bem que fez por si e pelos outros. Todo o resto aqui permanecerá e servirá a outros que de seus bens materiais se beneficiarão para seguirem vivendo suas encarnações. Nada se perde. Apenas alguns valores têm sido esquecidos no afã de viver cada vez mais e melhor em termos materiais, estéticos ou que, de alguma forma, alimentem egos através do status.
Evoluir é o desejo do homem, porém, uma vez encarnado, essa evolução se limita ao momento e à frágil vida humana que, de um instante para o outro pode ser interrompida. Não há preocupação em equilibrar as duas asas da evolução que são espírito e matéria e que permitem ao homem viver em harmonia. È mesmo, por conta desse desequilíbrio, que o homem vive hoje insatisfeito e sujeito às mais ferrenhas obsessões, que são o resultado da má distribuição do peso de suas asas evolutivas.
Se tudo e todos evoluem, por qual razão então condenar as religiões à estagnação? Por que não evoluem as religiões? Ou, se evoluem, é a passos lentos, quase imperceptíveis que o fazem? Por qual razão ainda há intolerância e desunião religiosas?
A resposta está no homem, na sua negligencia espiritual e em seu pouco envolvimento com o Sagrado e consigo mesmo. Por vezes, interesses pessoais impedem que as religiões evoluam, pois, uma vez educado e esclarecido o homem, sua fé também deixa de ser cega para ser raciocinada e abrangente.
O homem espiritualizado é racional em sua fé, não se limita a crer sem observar e sempre busca melhores maneiras de se relacionar com a religião que lhe toca o coração. Está sempre revendo posturas, valores e formas de culto, colabora dessa maneira com a evolução da religião de sua preferência, impulsionando-a adiante juntamente com outros que compartilham da mesma fé, eis ai um exemplo de evolução religiosa. Essa evolução só é possível com o envolvimento e a boa vontade do homem.
Quanto à intolerância, essa somente deixará de existir quando o homem, em sã consciência, desenvolver em si o respeito por tudo e por todos. Trata-se de educação que se inicia no berço e que acompanha o homem em outros mundos onde haverá de seguir vivendo em plenitude, ou não, com as Leis de Deus.

Muita Luz,

Shàa e Anna em 17.08.10

Breve Reflexão Sobre Espiritismo e Umbanda

 27 de julho de 2010


A obra Espírita codificada por Kardec é um conjunto de comunicações transmitidas pelos Espíritos a vários médiuns espalhados pelo mundo ao mesmo tempo.

Nisso reside o pilar do Espiritismo, a concordância das mensagens recebidas por médiuns absolutamente desconhecidos uns dos outros.
Pode-se observar ai, a quebra do individual pelo coletivo e nessa idéia, nessa maneira de proceder dos Espíritos, há sabedoria.

As revelações não são privilégios, portanto, de um só homem, mas sim de vários homens e de vários Espíritos que as transmitiram, pertencendo a todos e ao mesmo tempo, a ninguém cedendo o direito de detê-las, nem para si, nem como verdades absolutas que dispensem revisões e complementos.

A obra Espírita é para todos e a grande prova disso é que recebeu colaboração de médiuns de países diversos imersos em culturas e religiões diferentes.

No caso da Umbanda, que não foi codificada, não é muito diferente a essência da mensagem, uma vez que agrega não apenas Espíritos de etnias diversas, mas também de cultura, religiões, rituais diversos.

Cada Espírito que se manifesta através dos médiuns de Umbanda traz consigo uma parte da Grande Verdade, que é Universal e que se une, forçosamente, a outras para ser coerente e sólida.

Assim como os Espíritos que trouxeram a codificação para Kardec, os que militam na Umbanda também trazem cada um a sua maneira, o reforço, o endosso da palavra evangélica dos textos e obras kardequianas e, se são tão diversos na forma, são muito parecidos, ou iguais, em sua essência.

A Umbanda prega a fé, o amor e a caridade, sendo, essa última, seu alicerce, ora, Kardec afirma: “Fora da Caridade não há salvação”, portanto, a missão da Umbanda em nada difere dessa orientação.

Se a obra Espírita trouxe luz e compreensão sobre a origem do ser humano, para que está na Terra e para onde vai após a morte, através dos livros e dos estudos, onde se aprende as Leis de causa e efeito, ação e reação, reencarnação, a Umbanda, em contra partida, traz à Terra a mesma mensagem de outra maneira. É através da palavra, do contato com as pessoas que os Espíritos trabalhadores de Umbanda o fazem por intermédio dos médiuns; mesma mensagem transmitida de forma diferente e para um grupo de pessoas que assimilam esses ensinamentos pelo contato pessoal e não através de livros.

A parte ritualista da Umbanda e de outras religiões é uma forma de o ser poder, com mais facilidade, conectar-se com o Sagrado que existe em cada um.

Quem pode afirmar, categoricamente, que os Espíritos responsáveis pela codificação Espírita, não são os mesmos que levam, com amor, carinho e atenção, ensinamentos, palavras de encorajamento e de fé aos filhos de Deus que comparecem nos terreiros em busca de auxilio?

Quem pode dizer que a orientação dos Espíritos, ali engajados, é diferente de todo o conteúdo Espírita escrito e codificado?

O preconceito e a falta de informação denigrem a real intenção e o objetivo da Umbanda que é iluminar consciências, muitas vezes através de parábolas, como por exemplo, seus cânticos e contos, maneiras simples, mas efetivas de se chegar aos corações que ali buscam amparo e auxilio.

Que a Luz da razão a todos ilumine e que o amor seja o alicerce firme onde resida a vossa fé.


Texto: Anna em parceira com Shàa.

Respeito

03 de agosto de 2010





A base de todo o bom e saudável relacionamento é o respeito.

Por viver em sociedade, deve o ser humano observar uma série de leis, normas, procedimentos, etc., que tem por dever respeitar para que possa viver harmonicamente com os outros, isso é fato.

Respeitar o outro, porém, no convívio diário, seja familiar, no trabalho, no templo, requer ainda mais cuidado, pois que são relacionamentos emocionais envolventes.

No caso dos templos em geral, o respeito é regra básica. A partir do momento em que se pisa o chão de um templo, mesmo que não seja da religião preferencial daquele que ali comparece, é com respeito que a pessoa deve fazê-lo, mesmo porque foi atraído ao templo por alguma razão e ai já podemos perceber que não apenas o templo deve ser respeitado, mas todos os que ali estão.

As religiões que utilizam a mediunidade como forma de praticar a caridade e o auxilio ao próximo, enfrentam, muitas vezes, o escárnio desrespeitoso dos que não as compreendem, porém, a essa carência de respeito não se devem ater nem as religiões, nem tampouco os médiuns que ali trabalham, mas, uma vez que alguém busque auxilio num templo que utilize a mediunidade como ferramenta de auxilio, observar o devido respeito para com o médium e para com a entidade comunicante não apenas é questão de respeito, mas também de boa educação e senso de oportunidade.

Se o respeito é fator primordial para um bom convívio social, não é menos importante quando se busca ajuda pelas vias da mediunidade, aliás, requer respeito duplo, pois são duas inteligências que ali estão dispostas a ajudar e que merecem todo o respeito por parte de todos e não apenas dos que os buscam a procura de auxílio.

Observar o respeito pelo templo, pelos médiuns e pelos espíritos desencarnados que ali se manifestam para servir em nome do Sagrado é, pois regra a ser seguida por todos, porém, muito mais por aqueles que compõem o grupo não apenas mediúnico, mas também de apoio ao templo. Esses devem, obrigatoriamente, respeitar-se não apenas entre si, mas também a toda e qualquer entidade que venha a se aproximar ou trabalhar com seus irmãos de fé e de ideal.

“Amar ao próximo como a si mesmo”, palavras eternizadas pelo Divino Mestre, referem-se ao respeito que o ser humano deve ter por todos assim como quer ser respeitado, pois o outro, seja espírito liberto da matéria ou encarnado, é seu próximo e como tal deve ser respeitado.

Um templo só resiste ao tempo e às investidas do mal se abrigar em seu seio o respeito, o amor e a paz, virtudes a serem cultivadas por aqueles que ali se reúnem em Nome do Senhor.

Muita Luz a todos,


São os votos de Shaà e Anna

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Caridade

PERFUME DA CARIDADE
 Aprimoremos a maneira de dizer as palavras
O escritor Rubem Alves publicou no Correio Popular, de Campinas, caderno C, página C-2, de 18 de julho de 2004, uma bela crônica intitulada O que é que você faria? Consideramo-la muito oportuna. Embora longa (quase uma página), destacamos ao leitor o teor principal. Ele traz uma estória no artigo e usa um exemplo médico, desculpando-se pela comparação, para citar como é importante a maneira de dizer as coisas ou, se quisermos, como dizemos e a quem. Pois esta maneira pode destruir vidas e sonhos.
A estória citada pelo escritor comenta o relacionamento de um casal que muito se ama. Ela desenvolveu um câncer no seio e teve que extraí-lo, mas isso não abalou o relacionamento do casal, apesar das dores e aflições. Em cinco anos, o outro seio também foi afetado, mas o bom e amigo médico que antes a atendera já havia morrido.
Procuraram outro médico, mas este, completamente insensível às dores do casal e especialmente da mulher, ao vê-la sem um seio, já exclamou friamente: “Mas a senhora já não tem um seio... Seu caso é muito mais grave do que eu imaginava”.
E o escritor, comentando a própria estória, colocou em seu texto: “Fico a me perguntar: Por que é que ele falou o que falou? Não falou para informar mulher e marido de uma coisa que não soubessem. Eles sabiam que ela não tinha um seio. Também não falou para certificar-se de algo que estava vendo mas não via bem, por ser ruim dos olhos, pois ele enxergava muito bem. E qual a razão do seu frio, imediato e cruel diagnóstico. Para que falou isso? Era necessário? Não, não era necessário. Seu diagnóstico em nada contribuiu para o tratamento daquela mulher. Ou será que ele falou assim por inocência? Não imaginava o veneno que suas palavras carregavam? Não imaginava o efeito de suas palavras sobre aquela mulher despida, sem um seio, humilhada, amedrontada. Se falou por inocência digo que o dito médico só pode ser um idiota que nada conhece sobre os seres humanos”.
E continua: “Crueldade não é algo que somente existe nas câmaras de tortura. Ela se faz também com palavras. Há palavras cruéis que apagam a tênue chama da esperança. (...)” E pergunta em seguida: “(...) qual é o lugar, nos currículos de medicina, onde tanta coisa complicada se ensina, para uma meditação sobre a compaixão? É na compaixão que a ética se inicia e não nos livros de ética médica. Ah! Dirão os responsáveis pelos currículos – compaixão não é coisa científica. Não entra na descrição dos casos clínicos. Não pode ser comunicada em congressos. Portanto, não tem dignidade acadêmica. Certo. Mas acontece que não somos automóveis a serem consertados por mecânicos competentes. Somos seres humanos. Amamos a vida, queremos viver. Sofremos de dores físicas e de dores da alma: o medo, a solidão, a impotência, a morte. O que esse médico fez não tem conserto. Uma vez feito a ferida sangra. Palavras não podem ser recolhidas. O sofrimento foi plantado.(...)
 O leitor habituado aos textos escritos sob a luz da Doutrina Espírita, naturalmente se recordará da caridade nas palavras, ao tomar contato com o relato acima transcrito. Sim, a falta de psicologia no médico imaginário da estória criada pelo escritor e seus próprios comentários no artigo indicam a importância do respeito às dificuldades alheias. É a velha questão da benevolência para com todos e da indulgência para com as imperfeições alheias, conforme a resposta dos espíritos na questão 886 de O Livro dos Espíritos. E mesmo em O Evangelho Segundo o Espiritismo há farto material para relacionar-se com o tema aqui abordado, pois é da própria índole doutrinária o amor e a caridade que lhe dão base e sustentação.
Mas fomos buscar na Revista Espírita (publicação fundada por Kardec em 1858 e ainda editada na França) um embasamento bem interessante. É no exemplar de julho de 1861, no artigo com o título O Hospital Central, em duas comunicações assinadas pelos Espíritos Gérard de Nerval e Alfred de Musset, que Kardec trouxe o assunto das enfermidades terminais. Na primeira das manifestações há um desalento de um jovem de 24 anos, na descrição de Gérard. Mas é na segunda delas que o Alfred, referindo-se às misérias humanas encontradas nos casos de enfermidades cruéis, pondera na explanação de uma mulher que o acompanhava no relato do texto: “(...) dizei àqueles que sofrem e que estão abandonados, que Deus, o Pai, não está mais refugiado no céu inacessível, e que lhes envia, para consolá-los e assistí-los, os Espíritos daqueles que perderam; que seus pais, suas mães, seus filhos, inclinados à sua cabeceira e falando-lhes a língua conhecida, lhes ensinarão que além-túmulo brilha uma jovem aurora que dissipa, como uma nuvem, os males terrestres. (...)”
O que mais no interessa, entretanto, além do consolo claro diante das doenças terminais, é a questão da caridade no trato pessoal uns com os outros, teor central da temática levantada pelo escritor. No exemplar de dezembro de 1868 da mesma Revista Espírita, em pronunciamento de Allan Kardec na Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, no discurso de abertura, encontramos toda a transparência da base doutrinária do Espiritismo, em páginas de meridiana beleza textual. No belo texto escolhemos pequeno trecho para embasar os presentes comentários.
Depois de vasta abordagem sobre a Doutrina Espírita, Allan Kardec adentra a questão da caridade e destaca que “(...) Amar seu próximo é (...)”, entre valiosas outras considerações, “(...) é ocultar ou desculpar as faltas de outrem, em lugar de se comprazer em pô-las em relevo pelo espírito de denegrir; é ainda não se fazer valer às custas dos outros; de não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua superioridade; de não desprezar ninguém por orgulho. (...)”
No parágrafo que destacamos, o Codificador apresenta a distinção entre caridade beneficente e caridade benevolente. E completa, após valiosíssimas considerações, que o estudioso espírita não pode deixar de ler e refletir, com esta preciosidade: “(...) Eis a verdadeira caridade benevolente, a caridade prática, sem a qual a caridade é uma palavra vã; é a caridade do verdadeiro Espírita como do verdadeiro cristão (...)”
Os destaques acima, em negrito, de nossa autoria, nas expressões caridade prática, espírito de denegrir e de não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua responsabilidade, indicam bem o grande desafio da atualidade, inclusive entre espíritas. Essa pretensa superioridade que muitas vezes nos impomos perante outros, seja qual for o momento ou circunstância em que estejamos, de esmagar a esperança alheia, de denegrir o esforço alheio, contrasta severamente com a caridade prática apresentada pelos Espíritos na questão acima referida pelo O Livro dos Espíritos, índole do próprio Espiritismo e que deve nos caracterizar o comportamento.
Somente o perfume da caridade consegue atenuar as aflições alheias, levando alento, consolo e paz a quem por si só já se sente humilhado, esmagado pelas angústias de uma enfermidade ou de outras causas que muitas vezes nem conhecemos.
Devemo-nos, mutuamente, a solidariedade, a atenção, o calor do amor que compreende. Se distantes desses valores, somos como o bronze sonante ou o címbalo retumbante, conforme afirmou o apóstolo Paulo, em sua 1ª Epístola aos Coríntios (capítulo XIII, v. de 1 a 7 e 13) e que Kardec usou no capítulo XV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, para comentar que Paulo “(...) Coloca, assim, sem equívoco, a caridade acima mesmo da fé, porque a caridade está ao alcance de todo o mundo, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre, e porque independe de toda crença particular. E fez mais: definiu a verdadeira caridade; mostrou-a não somente na beneficência, mas na reunião de todas as qualidades do coração, na bondade e benevolência para com o próximo”.
O caso trazido pelo escritor Rubem Alves, em sua crônica, denota a ausência de caridade do médico para com a paciente. Embora especificamente não seja verídico, ele ocorre muitas vezes. E não só com médicos, mas com todos aqueles que nos esquecemos que qualquer pessoa merece respeito, ainda que seja somente pelo sentimento de caridade, sem considerar todos os demais incontáveis motivos que lembram dignidade, sentimento humanitário e nossa condição comum de seres em aprendizado.
Nota do autor: As transcrições constantes desta matéria são de edições do IDE – Instituto de Difusão Espírita, de Araras-SP, na tradução de Salvador Gentile.
 Matéria publicada originariamente na Revista Internacional de Espiritismo, edição de janeiro de 2005.

Os Executores da Lei - Exus -

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Os Executores da Lei - Exus -


Texto de Mãe Mônica Caraccio - Site Minha Umbanda -


Bom, pessoal, como no último artigo muitas pessoas comentaram ou me escreveram com dúvidas que basicamente se resumem na existência ou não de uma relação entre Exu e magia negativa, resolvi me estender um pouquinho mais no tema e esclarecer alguns pontos. O principal que quero que vocês entendam hoje é que os Exus são espíritos altamente iluminados, benevolentes e corretos.


São ILUMINADOS pois além de atuarem em planos superiores, também atuam em faixas vibratórias tão negativas e densas que somente sendo muito “especial”, muito preparado e muito sábio para percorrer todo e qualquer tipo de antro e sair sem sofrer alguma deficiência, tanto energética quanto espiritual. Exu só entra, percorre e sai da escuridão com total maestria por Ter e Ser Luz.


São BENEVOLENTES, ou seja, complacentes e condescendentes com todos indistintamente, pois são Eles que atuam divinamente na vida do ser que está em desequilíbrio.


São Eles que, mesmo conhecendo os erros, as falhas, os desejos obsessivos e o fanatismo inconsequente dos seres encarnados e desencarnados, atuam em todos os sentidos da vida ensinando enfaticamente a ação da Lei da Afinidade, Lei da Ação e Reação e da Lei da Atração. Leis essas que formam a Suprema Lei Divina e, portanto, devem ser entendidas por todos aqueles que querem evoluir em espírito. Além disso, ajudam ativamente na eliminação dos desequilíbrios e vícios do seres, afinal, são Eles, os Exus, que agem na vida do ser ativando o que é de merecimento e o que é necessário para sua melhora, ainda que essa ação seja incompreensível e dolorida, mesmo porque muitos de nós ainda precisam sentir dor para melhorar, precisam de desafios para superar, precisam vivenciar a escuridão para enxergar a Luz, precisam perder para dar valor ao que têm e sentir desespero para aprender a ter Fé.


São CORRETOS, e ao extremo, pois estão sob ordem de Ogum, Orixá da Lei, que está sob as determinações de Xangô, Orixá da Justiça. São os EXECUTORES da LEI DIVINA.


Portanto, Exu é ativador de nossos merecimentos. É o que propicia nossas vitórias e nossas derrotas, pois nem sempre sabemos lidar com a vaidade, o ego, o egoísmo e a soberbia que aflora de forma acentuada quando se conquista algo ou alguém. Exu é quem abre nossos caminhos, mas também fecha, tranca e acorrenta nossa vida quando nos encontramos desequilibrados e viciados numa maldade e numa possessão sem fim. Isso é a Lei!


Exu é a força que atua sobre o negativo de qualquer pessoa tentando equilibrar essa ação. É aquele que faz o erro virar acerto e o acerto virar o erro. Exu escreve reto em linhas tortas, escreve torto em linhas retas e escreve torto em linhas tortas.


Com tudo isso esclarecido fica fácil entender que Exu não precisa de vela branca para receber luz, Ele já é a própria LUZ. Exu não é Dual, pois só age de acordo com a nossa dualidade e conforme a nossa necessidade ou merecimento, sempre respeitando a Lei de Ação e Reação. Exu não faz o que queremos, faz o que a Lei Divina ordena e determina, sempre sob ordem de Ogum.


Exu não faz, não participa e não orienta nenhum tipo de magia negativa, Exu é Mago Realizador por excelência, e conhece absolutamente tudo sobre magia. No entanto, conhece também a Lei Divina e a cumpre com perfeição a cada momento. Portanto, se algum Exu estiver orientando ou fazendo algum tipo de magia negativa, saiba com toda a convicção que esse espírito NÃO É EXU. Mesmo porque Não existe ‘trabalho feito’ por Exu, o que existe e quem faz esses trabalhos negativos são quiumbas e eguns se passando por exus, dando nomes de exus e aproveitando do desequilíbrio do médium para fazer e ensinar o mal. Cobrando e ameaçando pessoas que por afinidade também querem se locupletar, usar, dominar outras pessoas e situações. Nesse caso, essas pessoas atraem para si tormentos indissolúveis a pequeno e médio prazo, isso é fato.


Magia negativa é ação do homem que deseja mais do que pode, deve e merece. É o homem se achando deus, atraindo para si espíritos afins com seus vícios e desejos. Exu dá e faz somente aquilo que for de merecimento e de necessidade para o Ser segundo a Lei Divina.


Digo sempre que ninguém nos ama mais que Exu porque são Eles quem lidam com o que há de mais negativo e asqueroso dentro de nós. São Eles quem vão até as mais baixas profundezas para nos salvar. São Eles quem ouvem nossos pensamentos mais vaidosos e egoistas e ainda assim trabalham duro para que nosos vícios sejam eliminados. São eles quem nos protegem apesar de nós, vez ou outra, esquecermos de poupá-los e protegê-los. São Eles quem nos amam e lutam pela nossa evolução mesmo conhecendo detalhadamente e lidando com nosso pior lado.


Isso é Exu! Mojubá é Exu!


Laroiyê, Exu! Exu é Mojubá!

domingo, 24 de abril de 2011

Mensagem do Sr. Tranca Ruas das Almas



Salve.

Sou falangeiro de Ogum, mas me chamam de tantos nomes...

Tem gente que só de ouvir o meu nome já “treme” na base, outros riem sem entender o significado do nome, porém, nomes são símbolos e o meu significa, resumidamente, aquele que bloqueia, impedindo os espíritos de seguirem por caminhos inadequados, gostem eles ou não. Eu cumpro a Lei e promovo a Ordem na Terra e no Astral.
Sou um espírito que lidera uma falange que usa o mesmo nome que eu e isso acontece por questões de afinidade e também por determinação da Lei de Umbanda no Astral.
Isso não significa que somos todos iguais, somos indivíduos que apenas usam o mesmo nome.
Ainda tem gente por ai que acredita no Diabo e quando ouve falar em Exu, Tranca Ruas e outros logo ligam o nosso nome ao ser maligno que nada mais é que a maldade que vive no coração do homem, portanto, ele existe dentro daqueles que desconhecem o bem e estão afastados de Deus.
Grande parte desse folclore, dessa crença sem fundamento, se deve ao fato de o comércio, ávido pelo dinheiro, ter criado a partir de uma mentalidade doentia qualquer, imagens grotescas de nós e das moças que são nossas parceiras. Colocaram grandes chifres em nossas cabeças e em nossas mãos tridentes espetaculares, fazendo cair no ridículo a nossa imagem. Sem dizer que tingem de vermelho escarlate o corpo dessas pobres imagens como se tivessem acabado de sair do inferno para o mundo.
Diante de tal apresentação, até consideramos normal que as pessoas se iludam e acreditem que somos mesmo assim, uma vez que essas imagens são vistas por médiuns que não educaram a sua mediunidade, ficando expostos a toda criação mental que existe vagando ao redor da Terra, fruto do medo secular incutido por algumas religiões que se valem do medo para controlar seus fiéis. Essas imagens são criadas pelas mentes humanas e são projetadas no espaço, ficam soltas a vagar, uma vez captadas, assustam e o médium negligente acaba por acreditar que tais aberrações sejam reais.
Eu afirmo a vocês, porém, Umbandistas interessados em desvendar o mistério Exu, que não somos assim e se quiserem nos conhecer, basta olharem para si mesmos.
Se nos apresentamos, às vezes, vestindo nossas capas, chapéus, botas e outro tipo de indumentária usada na Terra, é porque trabalhamos com espíritos ainda extremamente materializados e a forma faz parte do material que usamos para cumprir a nossa missão.
Esqueçam as imagens bizarras e aprendam a não nos temer. Somos trabalhadores como qualquer outro e contamos com vocês, médiuns esclarecidos e de boa vontade, para nos auxiliarem na árdua tarefa de desmistificar o nosso trabalho e a nossa imagem.
Há uma nova Umbanda florescendo e vocês, filhos de fé, são as mais belas flores desse novo jardim que estamos construindo.
Estejam alertas e atentos. Não relutem em derrubar velhos conceitos. Tudo muda a todo instante.
Acompanhem as mudanças e sejam felizes.

Tranca Ruas das Almas – Annapon em 23.04.2011

sábado, 23 de abril de 2011

Ensinar Gentileza


Olá,

A humanidade vive, nos dias atuais, o efeito de forte crise.
Tal crise se deve não à perda de valores, mas sim ao início do remanejamento do planeta que se prepara para grande modificação. Consequentemente, a humanidade sofre a turbulência que é inerente a processos de renovação, por essa razão, têm todos a sensação que o tempo passa mais rápido.

É muito comum ouvirmos alguns encarnados falando sobre a perda de valores morais, éticos, religiosos que assolam a humanidade, porém, alertamos que ninguém perde aquilo que não tem e que, se esses mesmos valores tivessem criado raízes fortes, hoje não teriam sucumbido, aliás, há muitos que ainda conservam firmes tais valores, basta somente que haja disposição para olhar em volta.

Tudo é uma questão de impressão e os humanos têm confundido valores, uma vez que se queixam pelo que não recebem e, a seu turno, projetam suas frustrações na forma de intolerância e agressividade, despreocupados com os valores que pregam aos outros, esquecendo de si mesmos.

Vejamos baseados no acima exposto, o que aconteceu com a gentileza, com o ato de ser gentil nesses tempos de turbulência.

Gentileza deveria ser natural, espontânea, mas não é pelo simples fato que cada espírito desenvolveu, ou não, o respeito ao próximo, cada um está na Terra cumprindo a sua tarefa e dentro de seus padrões de evolução, portanto, gentileza não se exige, se espera e se pratica antes de tudo, pois é só pelo exemplo que tal ato cresce e se expande.

Assim como violência gera violência, a gentileza também retorna ao gentil, mesmo que o outro não tenha o hábito, nem tenha desenvolvido em si o dom de ser gentil, é muito pouco provável que reaja à gentileza com violência ou agressividade.

Percebemos que o ser humano tem sido ensinado a ser gentil a força, através das Leis e isso se deve ainda à turbulência pela qual passa o planeta e os espíritos que nele habitam e que se encontram em franco processo de seleção, uma vez que a Terra se prepara para deixar de ser planeta de provas e expiações para evoluir, como é natural.



Voltemos à questão dos valores perdidos e com atenção, se silenciarmos nossas mentes, vamos facilmente descobrir que a humanidade não perdeu valores, ela simplesmente caminha em busca deles.

Deixo minha gratidão e um pensamento:

“Gentileza eleva a alma. É semente promissora que ao ser lançada, retorna em forma de amor”.


Shaà


Annapon em 01.06.2010

Separação



Dicionário:

Separar: Desunir, dividir, isolar, afastar, apartar um do outro,…
Cap.XXII, O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Não separeis o que Deus juntou”.

Segundo o Evangelho, Deus criou o homem e a mulher para que, unidos pela afeição mutua, operassem a renovação dos espíritos que deixam a carne e que necessitam retornar a ela para evoluírem e, a Lei Divina que neste caso se deve aplicar é a Lei do amor, da afinidade sincera desprovida de preconceitos ou de quaisquer Leis instituídas pelos homens.

Quando a Lei de amor é observada e por ela se unem um homem e uma mulher é que a máxima “Não Separeis o que Deus juntou” faz todo o sentido, pois, é por esta lei que Deus quis que se unissem homem e mulher, não por interesses materiais ou por caprichos tão comuns aos seres imaturos.

Se a Lei de amor não preside a união, o que se une a força, contrariando de alguma forma a Lei, se separa por si só. (Evang.mesmo cap.).

Exemplos: Imposição por parte da família, interesses materiais, gravidez indesejada, sair da casa dos pais e afastar-se do convívio com os familiares, etc.

Todos os exemplos citados têm grandes chances de terminarem em dolorosas e exaustivas separações porque as escolhas foram erradas, portanto, podemos sim escolher equivocadamente os nossos parceiros quando não observamos a Lei de Amor.

Há os que crêem terem se unido ao outro respeitando a Lei de amor, mas, se fizerem uma analise fria sobre o assunto, interrogando a si próprios, fatalmente encontrarão nas entrelinhas de suas convicções algo de vaidade, orgulho ou ideal de vida que os outros esperam dele e aprovam, ou seja, a família e a sociedade esperam que o individuo que atingiu uma certa idade se case, tenha filhos e enfim forme uma família.

Muitas vezes as uniões acontecem para que não se frustrem as famílias nem a sociedade e, algumas vezes as pessoas envolvidas neste tipo de esquema totalmente humano, chegam a pensar que amam de verdade para minimizarem de alguma forma suas próprias frustrações, criando um mecanismo de defesa que o isenta de culpa naquele momento,mas, que a continuidade da vida, um dia cobrará, fazendo com que a mascara criada venha a cair.

Dessas uniões mal alicerçadas é que surgem as rupturas.

O Espiritismo é contra a separação?

Não. O Espiritismo não incentiva a separação mas, afirma que ninguém é obrigado a conviver com quem lhe desagrada, ainda que, por algumas vezes, seja essa convivência necessária.( resgates de dividas do passado, necessidade do casal em receber por filhos, espíritos a eles ligados e que necessitam desta união para progredirem, etc.).

Nesses casos, o planejamento que foi feito no plano espiritual, está sendo atendido, mas, dotado de livre-arbítrio, nem sempre o homem concretiza esta programação, fato que não o dispensa do pagamento das dividas contraídas com quem quer que seja.

Sem duvida o casamento é uma oportunidade de resgate, de provas, assim como o é igualmente a separação.

Uniões que ameacem a integridade física e psicológica de um dos cônjuges, que ameacem a sadia evolução dos filhos que por eles foram gerados, não devem ser estimuladas a continuarem, uma vez que, dessas uniões, o resultado pode vir a ser a morte, o desvio de conduta dos filhos e uma série de outras conseqüências nocivas ao progresso de todos.

Uma das principais razões de separações tão comuns nos dias de hoje é a imaturidade das pessoas.

Imaturidade emocional, psicológica e espiritual, pois, pouca importância se dá ao aspecto religioso, nos dias atuais, dentro dos lares.

A corrida pela sobrevivência e a competição acirrada são as grandes preocupações das famílias, relegando a terceiro ou quarto, ou até a plano algum a religiosidade, privando assim os jovens de buscarem a Deus no seu dia a dia e em suas dificuldades.

Há ainda o fator facilidade e aceitação quanto à separação hoje em dia. Tanto que, alguns já vão para o altar pensando que se a união não der certo, será fácil separar-se e, para a mulher de hoje, ser separada não a coloca à margem da sociedade, ela é aceita com naturalidade, como se fosse solteira.

Todos esses aspectos colaboram com as separações, mas, se colaboram tanto é justamente porque a Lei de Amor não foi observada, pois, onde há amor, a separação não é nem mesmo cogitada, ao contrário, onde há amor buscam-se soluções, e isso implica em maturidade.

A reencarnação não nos obriga a nada, somos livres para escolher os nossos caminhos e as pessoas que a nós se unirão na jornada.

Se escolhermos e não formos escolhidos, não devemos por esta razão unirmo-nos a primeira pessoa que aparecer em nosso caminho disposto a assumir compromisso conosco. A rejeição de alguém para conosco pode ter significados dos mais diversos, mas, certo é que devemos refletir, analisar e respeitar as escolhas dos outros traçando novos caminhos para nossas vidas, seguindo sempre adiante.

Se temos compromissos espirituais com alguém, o fato de não nos casarmos com essa pessoa não nos dispensa do compromisso com ela. Outras formas de assumirmos e resgatarmos esses compromissos contraídos surgirão.

Assim como o fato de nos separarmos fisicamente de alguém não significa que rompemos com o outro vínculos emocionais e espirituais só porque passamos a viver em casas separadas, antes sim, necessário é que se refaçam esses vínculos sob bases positivas, ou seja, quer vivamos juntos ou separados, necessitamos viver bem, dando oportunidade a todos de usufruírem boa convivência conosco, principalmente dando esta oportunidade aos nossos filhos que, totalmente fragilizados diante destas questões, necessitam do equilíbrio dos pais para que possam compreender com clareza e verdade os motivos pelos quais seus pais estão se separando.

Atendendo ou não à uma previa combinação espiritual quanto ao casamento, a família é e sempre será a mais valiosa oportunidade de progresso dos seres humanos porque é através dela que os sentimentos de amor, solidariedade, compreensão e afeto, afloram nos seres humanos, desde os mais rudes até os mais cultos e educados dos homens sobre a Terra.

Em palestra proferida na Fed.Esp. do Estado do RJ, em Niterói no dia 29.08.2004, a Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Fátima Nancy Andrighi, abordou o tema “Juizados de Família e o Espiritismo”.

Uma das suas citações mais felizes e que “deveria” nortear todos aqueles que buscam o litígio para separarem-se é a seguinte:

“Tenho plena consciência que o ideal seria que as leis nunca precisassem ser aplicadas e que os tribunais nunca viessem a proferir sentenças”.

A Ministra defende e luta pela criação de um Juizado Especial para atender casais que buscam a justiça para separarem-se.

Enfatiza que o ideal seria que os casais resolvessem entre si e de forma amigável, as questões materiais e principalmente as questões emocionais que envolvem a separação. Como a realidade ainda está distante deste ideal, luta para que a justiça se reforme e ofereça aos litigantes, meios e tempo para que esse ideal aconteça aos poucos, ou seja, propõe que juizes e advogados busquem humanizar as questões que envolvem a separação litigiosa formando equipes de acompanhamento com outros profissionais durante o processo.

Esses profissionais seriam; assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, psico-terapeutas, terapeuta familiar.

O que se pretende quando equipes como essas se formam, é a diluição do conflito, não a sua solução onde sempre existirá a idéia de ganhos e perdas de causas quando uma sentença é proferida.

O que se pretende é que, mesmo diante de uma situação limite como é a separação litigiosa, estimular entre as partes um acordo amigável, esclarecendo que poupa-se assim tempo e eventuais desgastes emocionais que sempre acompanham estes processos.

A Ministra coloca ainda que o juiz ideal para as questões de família deveria ser assim:

Pacificador, Serenador de almas, esforçando-se ao máximo para se despir da postura moralista ou apenas critica, proporcionando ao casal em litígio, o conforto e a solidariedade necessárias à humanização desta verdadeira arena gladiatória que vive o casal naquele momento.

Estimular separações amigáveis onde a relação pai e mãe deve continuar além da separação e com vistas à estabilidade emocional, financeira e psicológica dos filhos, é o grande desafio da justiça moderna e é o nosso dever como Cristãos.


Fontes de Pesquisa:

O Evang.Seg.o Espiritismo-Cap.XXII-

Site: Terra Espiritual – www.terraespiritual.locaweb.com.br

Site: Fundação Espírita André Luiz – Feal – www.feal.com.br

Site: Federação Espírita Brasileira – www.cura.metafisica.com.br

Site: Juizados Especiais de família e o Espiritismo – http://bdjur.stj.gov.br

Mensagem ao Médiuns Umbandistas




Filhos de Deus,

Que o amparo Divino seja convosco.

Tomo a liberdade de vir falar-lhes um pouco por justa necessidade, sendo para tanto, autorizado.

Os Sagrados Orixás da Umbanda existem desde tempos que a memória humana não consegue registrar, justamente porque estamos falando em termos universais e da Criação de Deus.

Desde sempre, portanto, irradiam à humanidade suas “qualidades” ou atribuições, por exemplo: fé, amor, justiça, lei, etc.

Sendo essencialmente Divinos, jamais se materializaram. Na matéria tiveram sim seus representantes, ainda os tendo e têm seus trabalhadores que são espíritos que em nome deles, trabalham pelo bem, evolução e progresso do ser humano em todos os pontos deste imenso planeta azul, ou seja, estiveram e estão em todas as religiões existentes sobre a face da Terra por serem vibrações e energias puras pulsando pela humanidade do Divino e Soberano Criador.

Acima expus, a primeira das muitas confusões acerca de nossa Iluminada e Divina Umbanda, mal compreendida pelo total desconhecimento das pessoas quanto às suas origens e missão, que, basicamente é acelerar o processo evolutivo do ser humano, fazendo com que ele retorne a ter contato com a natureza e com o Divino, manipulando energias tão antigas quanto antigo é o Planeta.

Costuma-se crer que, os Sagrados Orixás, “vieram” para o Brasil junto com os navios negreiros, como podemos perceber, isto não é verdade. O que os negros de Deus trouxeram foi uma das muitas formas de culto à estas Divindades.

A Umbanda é a religião que em si reúne várias, por esta razão, respeita todas as outras, do contrário não respeitaria a si própria.

O médium de Umbanda é um Sacerdote e, como tal, deve conduzir a si mesmo com muito cuidado, desenvolvendo-se dentro de um clima sério e apropriado.

Não basta apenas ser instrumento dos guias espirituais, deve lapidar a si próprio para vir a se tornar um bom instrumento. Aquele no qual a espiritualidade confia para cumprir sua missão.

Deve cuidar de sua mediunidade como cuida de seu próprio corpo, ou seja, deve higienizar sua mente diariamente retirando de lá toda a eventual “sujeira” que, exemplificando seria:

Rancor, raiva, inveja, ciúme, orgulho, vaidade, etc.

Tal “limpeza” pode ser feita de várias maneiras, todas muito simples e relativamente rápidas, vamos a alguns exemplos:

Oração:

Por si, reconhecendo com sinceridade que tipo de “sujeira” está instalada em seu mental e pedindo o auxílio dos mensageiros de Deus para que gradativamente a limpeza seja feita, pois, nenhum ser humano se livra de uma hora para a outra de suas imperfeições morais. Reconhecê-las sim, é sinal que o ser está começando a amadurecer e se colocando no caminho de seu progresso pessoal, evolutivo e espiritual.

Meditação.

Na quietude de sua mente buscar, no mais profundo de seu íntimo, a identificação de suas “sujeiras” mentais, catalogando-as, pode se sentir, por onde começar o trabalho de faxina, sempre, porém, pedindo o amparo e o auxilio da espiritualidade, mas, jamais abandonando esta busca tão necessária ao progresso individual que fatalmente resulta em expansão, uma vez que, todo aquele que se ilumina, clareia e reluz a maioria dos que estão a sua volta.

Reflexão.

Ser honesto consigo reconhecendo com humildade suas dificuldades, limites e refletindo sobre estas questões, sobre como suas atitudes estão repercutindo nos outros e em si mesmo, refletir é analisar honestamente a si próprio com o objetivo de melhorar sempre.

Estes são apenas alguns exemplos de como um “aspirante” a Sacerdote de Umbanda deve conduzir a si, conseqüentemente conduzindo sua mediunidade, pois que ela faz parte do individuo.

Não posso deixar de comentar sobre o estudo através de boas leituras, ou seja, de autores confiáveis que gozam de respeito no meio Umbandista. Isto é importante porque sabemos existir toda uma literatura vulgar presa a opiniões de

leigos e até mesmo de bem intencionados autores, mas que, não traz em si beneficio nenhum por ser uma literatura mais emocional que instrutiva.

De médiuns vulgares e oportunistas, não só a Umbanda como outras religiões, possuem aos montes. Eles denigrem a imagem da religião e confundem as pessoas que, uma vez vitimas de tais “médiuns”, nunca mais voltam a buscar este tipo de auxilio espiritual e o que é pior, passam a julgar toda uma religião com base nesse mau médium que o atendeu. Com este comentário quero despertar em suas consciências, a responsabilidade quanto a ser um médium Umbandista e posterior Sacerdote.

No mais é só trabalho, dedicação, estudo. Comunhão.

Aperfeiçoar, unir, dividir o que se sabe com humildade, tolerando a dificuldade dos outros em compreenderem e assimilarem, sendo objetivos em suas instruções e naquelas passadas pela espiritualidade.

Todo o bem que se deseja e todo o trabalho em nome desse bem seja o Lema que os haverá de sustentar, guiar e conduzir pelos caminhos que certamente os levarão a redenção, à remissão dos erros e á aurora de um novo dia que se iniciará no exato instante que, seus corações, já fracos e redimidos se renderão ao Poder Soberano e Infinito, D”Aquele que os criou.

Primeiro Fé;

Depois coragem;

Confiança, depois lealdade.

Integridade, humildade.

Submissão e, o mais importante de tudo:

Amor, caridade, perseverança e a certeza íntima de que se está no caminho certo.

Paz, harmonia e Luz sejam agora e para Todo o Sempre, em Sua casa.

Seu amigo,

Shaà


20.07.2005 (psicografado por Annapon)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Prá que gritar?


(Extraído de uma palestra do pensador indiano Meher Baba)

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.

- Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?, questionou novamente o pensador.

- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:

- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:

- Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que acontece quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por que? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.

Seus corações se entendem.

É isso o que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

- Quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
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