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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Obsessão durante o sono e a prece - por Annapon -




Nem todo obsessor tem aparência grotesca, alguns, pelo contrário, iludem, seduzem, pela bela aparência.

A prece, antes de dormir, é uma boa forma de terminar um dia e de se preparar para o desligamento temporário do corpo quando nosso espírito, emancipado, vai em busca de algo que necessite como: estudar, visitar amigos, parentes, trabalhar, porém, nem sempre é assim, desligados da matéria o inverso também pode acontecer e nos remeter à paragens sombrias, tristes, à confrontos, enfrentamentos com desafetos ou visitas à locais de baixa vibração, tudo depende de como estejamos sintonizando nosso "rádio", ou seja, tudo depende em que faixa vibratória estejamos nos ligando.

De nada vale a prece antes de dormir se durante o dia nossas ações tiverem sido de destempero, raiva, impaciência, omissão, corrupção, se tivermos investido contra a vida alheia, humana ou não, mesmo através do pensamento que julga, deseja o mal, portanto, como já dizia nosso grande Mestre Jesus: " Antes que te ajoelhes no templo, vá e reconcilia-te com teu irmão". Isto quer dizer: Não sejamos hipócritas ao ponto de rezar, antes de dormir, e viver a vigília incoerente com tal ação.

É claro que todos nos irritamos, pronunciamos alguns palavrões, porém, tal desabafo é diferente do mal querer e pensar, de remoer velhos e deteriorados sentimentos negativos que acabam por sintonizar com espíritos que pensam e sentem o mesmo. O resultado é desastroso e nenhuma prece é capaz de anular o efeito nocivo de tudo isso, apenas a busca por melhorar é que funciona, apenas cultivar alguma paz na mente pode nos sintonizar com espíritos bons e nos aproximar mais de nossos anjos guardiões e guias, mentores espirituais, conservar alguma tranquilidade em nosso cotidiano é que nos distancia da obsessão.

Preferir a paz à razão as vezes ajuda muito porque todas as vezes que nos enfrentamos uns aos outros nos distanciamos de Deus e dos bons espíritos, todas as vezes que responsabilizamos o outro pela nossa falta de paz estamos mascarando nossas ações que muitas vezes contribuem para que o outro nos trate mal ou com indiferença.

Somos, na maioria das vezes, responsáveis pelas obsessões que sofremos e, mais comum que se imagina, é que somos obsessores de nós mesmos e dos outros, encarnados ou desencarnados porque, ao nos emanciparmos durante o sono podemos muito bem ir ao encontro de quem obsedamos sem nos darmos conta disso.

Certamente é muito mais confortável se dizer obsedado, mas, numa analise mais critica e apurada, somos quase sempre obsessores.

Quanto aos espíritos que hipnotizam os encarnados no momento do sono, só o fazem porque a pessoa viveu seu dia em sintonia com os mesmos, portanto, nenhuma prece o distancia das horas que vibrou e pensou mal, dos momentos que julgou ou maldisse alguém por alguma razão.

A verdadeira prece é viver em harmonia o máximo que possamos conseguir, sem desmerecer, é claro, a prece que sempre nos alivia, desde que acompanhada por uma boa analise de nossas ações, reações e pensamentos durante o dia.

Obsessores não escolhem horário para cercar seus desafetos. É claro que trazer um encarnado, em desdobramento durante o sono para o plano espiritual desprovido de Luz, é uma das tantas formas que o sub mundo astral tem de prejudicar àqueles que são seus alvos, mas, dizer que somente a prece pode evitar isso é infantilidade. A prece é forte aliada desde que o obsedado reconheça suas "falhas", faltas, deslizes e busque se reconectar com o que seja bom, com o bem enfim durante as horas que estiver em vigília para que assim sua prece seja forte aliada à sua busca incessante por se melhorar como ser humano, vivendo em harmonia e buscando estar em paz consigo e com os outros. Tal postura não apenas afasta obsessores, mas, e isso é muito importante, colabora com aqueles que já estejam dispostos a evoluir e buscar a Luz em suas almas, isso é caridade também.

É muito triste a figura do diabo que a igreja católica tanto pregou transformada em grotescas imagens agora na lide espirita onde o velho medo é incutido nas mentes em forma de ferrenhos obsessores, ou seja, mudam-se os nomes para antigas ameaças esquecendo-se que demônios ou obsessores só ocupam lugares vazios, mentes sem alimento que só o Sagrado, no dia a dia, pode oferecer. Transferir ao demônio ou ao obsessor a falta de fé, a falta de uma compreensão maior que deve vir de nós mesmos como artífices de nossos destinos é imaturidade, desserviço na causa do bem que liberta das amarras e velhos conceitos através da auto analise, auto conhecimento para então ser verdadeiro colaborador da espiritualidade de Luz que nos inspira à prece como aliada ao processo de nossa auto iluminação.

Sem essa compreensão a prece é inócua e fortes, dominantes, se tornam os obsessores que nos espreitam à hora sagrada do sono a fim de nos vampirizar a seu bel prazer.

Annapon

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Médiuns de Transporte


Olá!


Abaixo três orientações sobre a polemica mediunidade de transporte na Umbanda.
Lembrando sempre que tal procedimento deve ser feito por médiuns experientes e com autorização dos dirigentes espirituais e materiais da casa.

Annapon



DOUGLAS RAINHO

A mediunidade de transporte – em alguns casos também chamada de descarrego – é uma mediunidade que ou caiu em desuso nos terreiros ou é bem mal-explicada e trabalhada. Alguns referenciam que o cambone é um médium de transporte nato, pelo simples fato do mesmo doar energia ectoplasmática durante as sessões ou giras de Umbanda. Porém isso está incorreto.

O cambone tem sim um papel de extrema importância e pode – geralmente o faz – doar ectoplasma para os guias que ali estão para que os mesmos manipulem em prol do assistido. Veja, o ectoplasma aqui citado é a energia vital em excesso. Jamais será tirado algo que fará mal para o indivíduo e também sem a concordância deste. Quando se aceita ser cambone, tacitamente se “assina” esse tipo de contrato de doação energética. Porém, a mediunidade de transporte é bem distinta, apesar de utilizar-se do princípio do ectoplasma também.

Sabemos que o ser humano não é constituído apenas de matéria, dentro das tradições orientais mais populares, nos é dito que possuímos sete corpos: Atma (espírito), Búdico, Mental Superior, Mental Inferior, Corpo Astral (Espiritual), Duplo-Etéreo e Material. Dentro da classificação espírita, Kardec sintetizou os corpos Búdico, Mental Superior e Inferior, o Corpo Astral e o Duplo-Etéreo em um só denominado Perispírito, deixando a sua definição assim: Espírito, Perispírito e Matéria. Ele simplificou a estrutura energética do ser humano, mas sem desqualificar a sua essência.

Dentre esses corpos, o que podemos denotar é que ao desencarnar perdemos dois deles: Duplo-Etéreo e o Material. Apesar do Duplo-Etéreo ser um corpo invisível a olho nú, ele ainda é em parte material e será desagregado após o desencarne, depois de aproximadamente 48 à 72 horas. Isso pode variar, conforme o apego a matéria ou a espiritualização do indivíduo.

Em muitos casos os espíritos obsessores ou negativados (desequilibrados, desarmonizados e alguns até mesmo sem saber que estão mortos), acabam interferindo na vida material das pessoas. Trazendo perturbações de ordem espiritual, manifestações fenomênicas, etc. Alguns, precisam se nutrir da energia da vida (duplo-etéreo) para lembrar como era na matéria. Outros tantos, acabam simplesmente por obsedar pela maldade e pela vingança. Seja qual for o caso, o espírito em desequilíbrio ou em embrutecimento consciencial, acaba se esquecendo de certas particularidades da vida material. Nesses casos, quando alguns procedimentos falharam é que entra o médium de transporte. O médium cederá seu instrumento mediúnico, para que um espírito embrutecido ou desequilibrado possa “incorporar” e tomar um CHOQUE anímico. Ou seja, ele irá sentir as dificuldades e restrições da matéria e em alguns casos isso é o suficiente para colocar determinadas entidades nos trilhos novamente.

Existe até dentro dos tratamentos de passes dos centros espíritas o passe chamado Choque Anímico (CH). Que tem o mesmo princípio, vitalizar o ser desencarnado para que ele lembre-se de como é estar aqui, em uma terra de expiação.

Logo após o trabalho do médium de transporte, o espírito é então retirado do campo mediúnico do mesmo e levado para as zonas de recuperação, pelas falanges que cuidarão do espírito agora em estado de choque ou ao menos temeroso.

Hoje em dia, muitos dizem que esse tipo de artifício não é mais necessário, pois evoluímos e não precisamos mais utilizar dessa mediunidade. Outros, acabam por dizer, que é necessário, mas que qualquer pessoa pode se tornar um desses tipos de médium de transporte e pode fazê-lo. Ambos, na minha visão estão enganados.

A mediunidade de transporte ainda é necessária, mas assim como era no passado, os casos em que ela é necessária são escassos. Não é regular fazer transporte em TODAS as giras e sessões e também não é qualquer um que pode doar a sua matéria para esse tipo de atividade. Os mais antigos da tradição umbandista, chamavam esses médiuns de médiuns de descarrego ou médiuns de Exus, pois tratavam todos os espíritos em desequilíbrios, negativos, negativados, etc. como espíritos de exus catiços. Existem pessoas que tem uma certa “vitalidade espiritual” diferente, mais abundante, que são os ideais para esse tipo de trabalho.

Com essa mania das novas Umbandas de que todos são médiuns, seja de incorporação ou de transporte, estão criando verdadeiros casos de obsessões complexas e até mesmo coletivas nos terreiros. Pessoas que acabam perdendo a sua própria vitalidade, sua energia vital, entrando em colapso nervoso, psicológico, emocional e até mesmo manifestando desordens físicas. Em outros casos, o terreiro inteiro acaba sendo desvitalizado e perdendo a força! Quantas vezes não ouvimos dizer que determinado terreiro era bom, mas que de uns tempos pra cá parece que ficou fraco? Que os pedidos e ajudas não são mais atendidas? Inúmeros!

Então, médium de transporte (ou de descarrego ou de exu) é um indivíduo com uma constituição físico-espiritual diferente, que passará por um processo de aprendizado e saberá utilizar da melhor maneira possível sua mediunidade sem que está lhe traga prejuízos em sua vida cotidiana ou a sua saúde.

Já para o Espiritismo, codificado pelo pedagogo francês Allan Kardec, a mediunidade de transporte é outra coisa. Usa-se a mesma nomenclatura, mas para um fenômeno diferente, que é conhecido nos meios de estudos parapsicológicos como “Apport”. Para a Doutrina Espírita, mediunidade de transporte é a capacidade de fazer com que um objeto material seja levado a outro local. Por exemplo, dentro de uma gaveta trancada, há um pequeno objeto (anel por exemplo). Através da manifestação fenomênica da mediunidade de transporte, tal objeto é desmaterializado de dentro da gaveta e levado até outro local. Isso podendo ocorrer também, com o objeto sendo deslocado “manualmente” sem proceder a desmaterialização, ou seja, determinado espírito manipulando a matéria (lembrando que é necessário ter um médium de efeitos físicos próximo) pega o anel e o carrega (como um ser humano encarnado o faria de forma ordinária) até outro local.

No livro do espírito encontramos também dentro da categoria de médiuns especiais, como médiuns de aporte:


Médiuns de aportes – Os que podem servir aos Espíritos para o transporte de objetos materiais. Variedade dos médiuns motores e de translação. Excepcionais. (Ver nº 96).

Dentro da categoria dos fenômenos mediúnicos de característica física, existem diversas subdivisões. Recomendamos a leitura do Livro dos Médiuns, para mais informações.

Dentro dessa lógica, podemos traçar um paralelo com os inúmeros relatos sobre aparições de objetos em travesseiros ou dentro de tufos de algodão. Ramatis, ponderá sobre isso em seu livro Magia de Redenção, quanto as magias negras, feitiçarias e macumbas feitas com objetos que depois se materializam em alguns locais, geralmente nos objetos que já citamos acima. Para causar um efeito magnético e uma perturbação no campo espiritual e energético do alvo dessas magias negativas.

Podemos então, claramente dizer, que determinados espíritos sob a batuta de um mago negro, feiticeiro maligno, etc. pega certos objetos de uso pessoal do médiuns – que contém sua impressão energética – e os levam até o mago negro. Esse, por sua vez, agirá com todo seu conhecimento sobre essas artes negras para que impregne com energias nocivas tais objetos, ou até mesmo, os utilizar para criar um elo (link) com o alvo. Depois ordenará a seus asseclas espirituais que devolvam os tais objetos a seus locais de origem. Em alguns casos, há ainda outro tipo de manifestação, como uso de pregos, pregos de caixão e outras coisas, sendo magnetizados negativamente junto com “links” pessoais, como cabelo, unhas, sangue, etc, do alvo. Esses serão materializados depois dentro de seu travesseiro, pela proximidade com o campo energético e também com o aparelho mental, para que possa perturbá-lo e que tenha mais eficácia em seu sórdido objetivo.

As manifestações de mediunidades de transporte são distintas pro Espiritismo e para a Umbanda, porém, acho que conseguimos deixar claro sobre as mesmas. Caso ainda persistam dúvidas, leiam os livros indicados.

O importante é sempre manter a responsabilidade sobre as questões espirituais e principalmente mediúnicas. Axé!




tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola e Caboclo Tupinambá



O transporte na Umbanda é um procedimento de desobsessão onde o médium, geralmente através de um toque com a mão, transfere para si o egun (espírito obsessor) que acompanha o paciente incorporando-o momentaneamente. Trata-se de um ato de caridade, pois além de livrar o paciente de sua obsessão espiritual, durante a incorporação (que deve ser breve), o egun recebe o que se designa como Choque Anímico, que provoca melhora em seu estado de sofrimento, facilitando e incentivando sua disposição em receber ajuda e ser encaminhado. Nesse momento, durante o transporte, é possível uma breve tentativa de doutrinação do egun (obsessor), para que entenda sua situação e siga com os espíritos socorristas.

Divaldo Pereira Franco afirma que a terapia desobsessiva pela doutrinação do obsessor incorporado no médium, independentemente da eficácia da doutrinação propriamente considerada, já traria em curto prazo uma melhoria de 30% a 40% no nível vibratório do obsessor só pelo choque anímico.

Blog: Umbanda, aprecie com moderação

Para que a puxada tenha objetivo e finalidade correta é importante ressaltar;


1- Que exista mediunidade de fato (não seja um anímico);


2- Não tenha medo, e confie naqueles que vão ampará-lo neste trabalho, tanto na parte material como na espiritual - se não confiar, nem é bom tentar;

3- Tenha recebido treinamento adequado ou, se for iniciante, que tenha à sua volta uma corrente muito bem firmada por espíritos que tenham este tipo de treinamento;

4- Que saiba controlar moderadamente as atitudes do "puxado" para que não haja excessos. O exemplo da ilustração acima em azul é uma pista;

5- Tenha protetores de fato que tanto o prepare para a (s) puxada (s) quanto para a limpeza posterior, sempre necessária (fator imprescindível);

6- Entenda que ele é um intermediário e que está ali para permitir ou facilitar o contato do obsessor com os espíritos que vão encaminhá-lo depois e que, por isto mesmo, não pode entrar em sintonia máxima com o obsessor sob pena de dificultar a sua retirada por parte dos espíritos auxiliares em casos em que esses obsessores se tornam ou se mostram muito obstinados.


No processo de puxada, dependendo muito do treinamento do médium para isto, ele vai sentir a aproximação; vai sentir a "entrada" da entidade até o ponto em que ele médium permitir, sem perder a consciência. Mantendo-a, mesmo que parcialmente, não poderá deixar que todas as sensações "físicas" da entidade, bem assim como os comportamentos sejam expostos em toda a sua plenitude, fato este que denotará que, mesmo parcialmente incorporado, o dono do corpo é ele - o médium - o que fará ver à entidade que "ela não é tão forte como quer parecer", nos casos em que isto se torna evidente.

Se o médium se deixar comandar totalmente é sinal de que ele é "mais fraco" que a entidade, o que por si só já transmite a ela a ideia (quase sempre correta) de que pode "mandar no pedaço" e fazer o que bem quer com este médium.


Indicação Chave: Neste tipo de processo, tudo o que o médium não pode é FICAR TENSO. Pelo contrário, deve deixar fluir por seu corpo todas as sensações que forem necessárias de uma forma que ele mesmo não acabe prendendo-as e com isto continue a senti-las após a saída do "invasor". Se sentir enjoo, não deve se ligar a ele; se sentir ânsia de vômitos não deve forçá-lo, mas se ele vier, deve deixar vir o mais naturalmente possível, sem se importar com o que os outros vão pensar porque, de outra forma, prenderá toda a energia que provoca a ânsia dentro de si dificultando o trabalho dos espíritos que o assistem de fora. De uma forma geral, num processo bem coordenado, essas sensações (e possíveis outras) PASSAM pelo médium e, se ele não as bloquear dentro de si por tensões e medos, vão embora assim como vieram.


Liberdade de comando do corpo só se dá aos espíritos seguramente amigos (Ou seja, seus Protetores de fato e direito) e nunca aos que apenas passam por nós, temporariamente, para que possam vir a ser encaminhados. Questão de segurança!

Médiuns em desenvolvimento, em sua maior parte já tendem a não deixarem QUALQUER ENTIDADE lhes tomar adequadamente (por medo mesmo, quase sempre). Se aprenderem com a prática a deixarem se tomar por Protetores e não se deixarem tomar por "invasores", já terão um bom caminho andado nesta prática.

Os médiuns mais antigos que não tiveram este tipo de treinamento inicial, costumam ter maiores dificuldades e às vezes não conseguem se livrar de todas as sensações que esses espíritos trazem consigo e passando mal, após, por conseguinte. Em casos mais problemáticos, digamos assim, não conseguem nem se livrar do próprio obsessor, de tanto que lhe deram permissão de invasão.



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Lenda da bilha de São Jorge - Portugal -

Olá!
Essa é uma história de fé, amor e coragem!
Que São Jorge possa valer sempre a todos aqueles que nele depositam a sua fé!
Lembrando que só alcançamos a vitória se formos merecedores da mesma e se tivermos fé firme e forte!
Salve São Jorge Guerreiro! Que ele nos proteja, nos valha e nos ensine a caminhar com muita fé, esperança e amor!!!
Annapon


Foi nos primeiros dias de Agosto de 1385. O Sol dardejava o seu sopro de fogo sobre as terras de Portugal e Espanha. Corpos aquecidos e espíritos ardendo em febre! Ânimos mais exaltados ainda pelo calor da discórdia!

O rei de Castela levara até à Beira a sua invasão em território muito nosso. E o jovem rei de Portugal — rei havia apenas questão de meses — correu para a cidade do Porto para reunir tropas, descendo depois sobre Abrantes, onde iria encontrar-se com o condestável do reino. Este correra antes a Estremoz. Aí, aliciara gente. E fortalecido pela fé de vencer, chegou à cidade de Abrantes, onde iria reunir-se conselho.

O ar, demasiado abafado, quase não girava. No salão, os guerreiros acolhiam com desagrado a ideia de uma grande batalha. Sabiam que o rei de Castela tinha em campo mais de vinte mil homens, enquanto eles, se fossem sete mil, já se poderiam dar por felizes. Votavam, portanto, contra a batalha.

Apesar da pequena estatura, a figura direita e altiva do Condestável impressionava sempre quem o via, até entre os próprios inimigos. Fez-se silêncio quando D. Nuno Álvares Pereira se levantou para falar.

A sua voz soou firme e compassada.

— Senhores! O meu voto é contrário ao vosso e dir-vos-ei por quê. Se ficarmos inactivos — como é vosso parecer — será certa a ruína. Se aqui ficamos, o inimigo, sempre em maior número, nos buscará. Se nos alojarmos num sítio forte, fugindo dele, os Castelhanos correrão a sitiar Lisboa, que sentirá a nossa falta e a falta de mantimentos. Sem víveres, sem armada, sem soldados, com a infidelidade de alguns dos seus naturais, que será da nossa Lisboa? E, caindo Lisboa, cairão por terra todas as nossas esperanças! Não ignoro que seria prudente aguardar socorros de Inglaterra. Mas que poderá restaurar a perda de Lisboa, se ficarmos de braços cruzados, esperando um auxílio demorado? E depois, que faremos nós? Debandaremos então em correria, acção que designo de infamante?… 

Alguém contrapôs:

— E se formos para a batalha e a perdermos?

— Ganharemos pelo menos em honra! No entanto, se a ganharmos, como é minha fé, pela necessidade que temos de pelejar, a vitória saberá aligeirar tudo quanto nos possa ter acontecido!…

Depois, voltando-se para D. João I, que parecia abalado com as opiniões em massa contra a ideia de uma batalha imediata:

— E vós, Senhor, que aceitastes a coroa para defender o reino, perdereis toda a reputação que haveis adquirido se recusardes a peleja! Vede que a maior parte dos soldados contrários são visonhos ou andam atemorizados com as perdas passadas. Se os vossos gloriosos progenitores temessem estas desigualdades de opiniões, decerto não teriam ganho tão insignes vitórias. Senhor! Se outra for a vossa resolução, que não a minha, sabei que eu, só com os que me acompanham, pelejarei com o inimigo, pois julgo mais insofrida uma vida infame que uma morte gloriosa!

D. Nuno terminou a sua alocução. Sabia já ter dito o suficiente para saberem o que poderiam esperar dele. Todavia, os protestos levantaram-se calorosos. Achavam audaciosas, quase loucas, as ideias do Condestável. O conselho ficou adiado. Mas no dia seguinte D. Nuno Álvares Pereira passou com os homens que aliciara à cidade de Tomar, por onde o rei de Castela forçosamente passaria.

Ao ter-se conhecimento desta decisão, muitos fidalgos e chefes guerreiros propuseram a D. João I que castigasse o Condestável por tão audaciosa proeza. Mas qual não foi o espanto desses homens, quando o rei de Portugal decidiu:

— Senhores! Declaro-me também pela batalha! Quero ser rei de Portugal e não de Avis, como alguns para aí me apelidaram!

Houve certo burburinho, abafado pelo natural respeito ao Rei. E D. João I foi juntar-se ao Condestável, saindo de Abrantes depois de orar na Igreja de S. João. E chegaram a Aljubarrota a 14 de Agosto desse mesmo ano de 1385.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Exu Tranca Ruas das Almas - por Annapon -



Exu Tranca Ruas das Almas

por Annapon

Quem conhece um Guardião de verdade não se aventura a falar sobre ele sem o seu consentimento, nem tampouco joga palavras ao vento porque quem conhece um Guardião/Exu sabe que, para falar sobre ele é preciso conhecimento e permissão.

Dizem por aí, que Seu Tranca Ruas arrebanha almas para escravizar, que engrossa as fileiras de seu "exército" com as almas "perdidas" que resgata.

Como poderia ele resgatar e depois escravizar? Sendo ele o enviado para que os espíritos sejam resgatados, esclarecidos, conduzidos à local adequado ao seu adiantamento, como poderia ele escravizar almas nessas condições frágeis que necessitam de ajuda e cura?

É preciso muita cautela com o que se lê na rede, pois, pessoas, sem conhecimento, espalham certezas que não existem e ainda colaboram com a ignorância no sentido da falta de conhecimento e prática junto às entidades militantes na Umbanda.

Dizem ainda, que os tais "escravos" é que recebem, nas encruzas e ruas, as oferendas a ele, Senhor Tranca Ruas, fato que chega a ser até "engraçado" não fosse de total desconhecimento de causa.

Ninguém recebe em nome de Exu oferendas a não ser ele mesmo que, aliás, não recebe como se precisasse de tais ofertas e sim manipula, em beneficio de quem oferta, os elementos ali dispostos que cada vez menos têm sido depositados nas ruas. Tal prática está no passado. Hoje em dia oferta-se nos terreiros, numa encruza riscada numa tábua, por exemplo, por aquele que sente necessidade de assim proceder ou por orientação da entidade.

As ruas já não são mais locais adequados para tais ofertas como se acreditava antigamente. Hoje há mais esclarecimento e sempre observando a questão ecológica, mesmo porque a Umbanda reverencia a natureza nos seus pontos de força.

Dizer que a rua é o reino de Seu Tranca Ruas é crença distorcida da realidade, há uma metáfora nessa questão, Exu é o guardião do exterior e está em todos os lugares.

Alguns dizem ainda que Tranca Ruas concede fortuna e poder àqueles que o cultuam. Mal sabem eles que esse Guardião da Lei Divina nada movimenta ou concede sem que haja merecimento, trabalho, observância das Leis, do respeito ao livre arbítrio do próximo.


É claro que existem seres usando seu nome, porém, pelo teor da mensagem desses impostores, facilmente se conclui não ser um autentico guardião, mesmo porque José, João, há muitos, tanto João e José, do bem, quanto João e José do mal, digamos assim. 

Com isso quero dizer que nem todo aquele que se apresenta como Tranca Ruas é realmente um guardião trabalhador na Lei de Umbanda, podendo levar ao engano os imprudentes e incautos. 

Como reconhecer um autentico guardião/Exu Tranca Ruas?

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