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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Anna Pon ( escritora e blogueira )

quinta-feira, 12 de julho de 2018

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Entidades e Médiuns de Umbanda (Uma reflexão atual)





Olá!

Antigamente, uma vez desenvolvido, o médium de Umbanda seguia com um determinado grupo de entidades e assim continuava até o "fim", ou de sua vida ou de sua missão na religião.

Hoje em dia isso mudou muito. Creio inclusive que a dinâmica, no sentido de disponibilidade de médiuns e entidades mudou, algo aconteceu porque o que se verifica, com certa frequência, embora não seja a troca de uma entidade por outra, é a facilidade que os médiuns têm encontrado para trabalhar, por exemplo, com mais de um Exu ou Preto Velho. Quando menos o médium espera, pronto, no momento da incorporação ao invés do esperado é outro que chega se apresentando para o trabalho.

Fico pensando sobre qual seria a razão dessa mudança, passam, pela minha mente, algumas hipóteses, porém, só eles, entidades, podem nos esclarecer melhor.

Penso que há poucos médiuns disponíveis preparados para desempenharem a função pela corrente astral de Umbanda. Digo isso porque percebo que alguns médiuns, embora bons e dedicados, não se "encaixam", mesmo que queiram, nos trabalhos e dinâmica de giras da Umbanda.

A mediunidade tem várias faces, são muitos os tipos de mediunidade e na Umbanda a de incorporação é fundamental, apesar de ser, algumas vezes, confundida com vibração por leigos e inexperientes.

Médium vibrado é uma coisa, incorporado é outra e talvez seja essa uma das razões da grande confusão e até mesmo frustração de alguns médiuns que decidem experimentar a Umbanda como caminho para seu desenvolvimento mediúnico.

Por conta disso, talvez, médiuns de Umbanda estejam trabalhando cada vez mais com entidades antes desconhecidas que os elegem, ou selecionam, pelo simples fato de não encontrarem médiuns prontos, desenvolvidos, com facilidade.

Esta seria uma de muitas possibilidades.

Embora não pareça a principio, ao leigo que observa, a religião de Umbanda é exigente, é preciso preparo, disciplina, concentração, firmeza para seguir evoluindo pessoal e espiritualmente na religião.

Alguns que observam e pensam que tudo é festa, dança, canto, ao se engajarem numa corrente, com o tempo descobrem que as "coisas" não são bem assim, que o trabalho na Umbanda é sério, é compromisso.

Com o tempo vão descobrindo que fingir (mistificar) é perda de tempo e energia porque estão sendo observados o tempo todo e, em momento oportuno, quando menos se espera, vem a lição quase sempre dura e com ela vem a quebra da ilusão de quem pensa que engana tanto aos médiuns experientes quanto à espiritualidade que tudo vê.

Creio que essa busca por médiuns realmente comprometidos com o trabalho é que está gerando a flexibilidade entre médiuns e entidades, ou seja, estamos trabalhando sempre segundo as necessidades da casa e de seus frequentadores com entidades cada vez mais especializadas em determinados assuntos, portanto, com guias espirituais diversos.

Tal fato em nada diminui o trabalho, pelo contrário, acrescenta.

Assim como evolui o homem na Terra, evoluem também, no astral, os espíritos, por isso existem grupos especialistas e talvez seja essa outra das várias razões para que estejamos trabalhando com um grupo maior de espíritos em nosso dia a dia de terreiro.

Entendo que para alguns médiuns isso gere alguma confusão, mas, é só pensar bem que logo se chega à conclusão que é mais uma ferramenta que a Umbanda nos disponibiliza por conta do momento que vivemos no planeta tão carente e necessitado de Luz, compreensão e amparo.

É certo que devemos ficar atentos ao teor vibracional/energético da entidade que se apresenta, aliás, olhos e ouvidos bem atentos nesse momento é o que se espera, pois, podemos ser enganados a qualquer momento. O sucesso do embuste só se dá se o médium não souber reconhecer as sensações que o espirito lhe transmite, se seu linguajar for de baixo nível, se seus modos forem grosseiros, insinuando sensualidade vulgar, por exemplo, definitivamente não estará ali um autentico guia de Umbanda, mas, sim um espirito sem luz, necessitado de tratamento.

Trabalhar incorporado com espíritos diversos não é sinônimo de aceitar qualquer um que se apresente.

É preciso muito cuidado, filtro, experiencia, por isso a necessidade das giras de desenvolvimento que preparam os médiuns de forma adequada para que sejam formados e assistidos em segurança e sob o olhar dos mais experientes.

Todo médium iniciante, seja jovem, de meia idade ou maduro, deve passar pelo desenvolvimento antes de se aventurar em passes e atendimentos, seus guias somente se firmarão definitivamente depois desse processo que leva o tempo necessário de cada um, médium e espirito, sim, porque alguns espíritos estão aprendendo também a dinâmica da incorporação junto aos médiuns.

Pela delicadeza da formação mediúnica na Umbanda é que hoje em dia há muito trabalho para poucos médiuns bem formados e conscientes de sua função dentro da religião e em seu próprio cotidiano.

Alguns se aventuram sozinhos, sem a assistência da espiritualidade e da estrutura de uma casa bem montada com vistas ao bem tendo como base a caridade pura e simples.

A esses está destinado, fatalmente, o fracasso, a perda da mediunidade e o carma negativo acumulado. Infelizmente alguns continuam mesmo assim, mistificando, enganam, iludem aos outros, mas, principalmente, a si mesmos sem raciocinar que um dia responderão por seus atos.


A necessidade de amparo espiritual é muito grande e a Umbanda vem perdendo terreno em número de adeptos e simpatizantes. Outras religiões, que prometem mundos e fundos, estão se espalhando e ganhando cada vez mais a simpatia das pessoas, médiuns em potencial, que poderiam estar ajudando muito na corrente astral de Umbanda, se deixam levar por essa corrente que mais se assemelha à modismo que à fé pura e verdadeira.

O fato é que diante da situação estamos trabalhando com mais intensidade e permitindo que espíritos que deveriam se manifestar em outros médiuns, por falta deles, incorporem em nós, médiuns atuantes na Umbanda.

Se o fato nos sobrecarrega?

Creio que não porque os guias espirituais não permitiriam a sobrecarga, mesmo porque o fenômeno não ocorre aleatoriamente e sim sob supervisão e assistência da egrégora da casa que de antemão prepara defesas e oferece suporte para que todos os espíritos se apresentem e trabalhem com os médiuns em segurança e sob vigilância da guarda da casa.

O mundo gira, o tempo transforma tudo e todos inclusive as religiões, portanto, toda mudança, com vistas ao bem e ao progresso, deve ser muito bem-vinda e aceita.

Essa é apenas uma das muitas transformações que a Umbanda vem sofrendo com o tempo, outras existem como, por exemplo, a enorme diversidade ritualística de uma casa para outra por conta da influencia maior ou menor de outras religiões como o Candomblé, Kardecismo, Catolicismo, etc.

Poucas casas seguem as determinações do Caboclo das 7 Encruzilhadas e isto acontece há muito tempo. Cada templo aberto, depois da abertura das Tendas do Caboclo fundador da Umbanda, incorporou em seu ritual, fragmentos dos fundamentos de outros religiões resultando nessa imensa diversidade de ritos e formas de culto.

Não vejo nada de mal nisso, a não ser a enorme confusão que algumas pessoas fazem porque perdem a referencia do que seja cada religião confundindo uma com outra e o que é pior, afirmando que pratica a "verdadeira" Umbanda e que outras casas, que não a deles, não a praticam. Nesse ponto realmente as coisas se complicam, porém, é uma complicação meramente humana porque a espiritualidade não se detém na dificuldade de entendimento do ser humano, a eles, espíritos, o que importa é o trabalho, a evolução, o bem praticado.

Anna Pon
14.06.2018

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Santo Antonio e Exu



Santo Antonio e Exu


Reconstrução facial do santo a partir do seu crânio preservado; por Cícero Moraes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ant%C3%B3nio_de_Lisboa

"O seu grande saber tornou-o uma das mais respeitadas figuras da Igreja Católica do seu tempo. Lecionou em universidades italianas e francesas e foi o primeiro Doutor da Igreja franciscano". 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ant%C3%B3nio_de_Lisboa


Nas palavras de José Antunes:
 "Santo António de Lisboa, embora muito festejado e venerado como santo pelo povo, é menos conhecido como um homem de cultura literária invulgar e como um verdadeiro intelectual da Idade Média. Reveladora dessa cultura ímpar, é a sua obra escrita, cheia de beleza e densidade de pensamento, como nos testemunham os seus Sermões, autênticos tesouros da literatura e da história. Vasta, profunda, extraordinária, a respeito da Bíblia. Ampla, variada e bem apropriada nas transcrições dos Padres da Igreja e dos autores clássicos. Impressionante, para o tempo, não apenas pelo conhecimento que revela das ciências naturais e das humanidades, mas igualmente pelo erudito discurso sobre noções jurídicas, como Poder, Direito e Justiça".

Naturalmente, era fiel à ortodoxia cristã. Apesar de sua extensa cultura profana, considerava a Escritura sagrada a fonte da ciência superior, da verdadeira ciência, da qual todas as outras eram meras servas e simples coadjutoras no trabalho da Salvação. Por isso deu grande importância a uma boa exegese do texto sagrado, privilegiando a extração do seu sentido moral. Nota-se ainda em sua obra alguns dos primeiros sinais de um progressivo abandono do pensamento medieval, que apresentava o homem e o mundo como desprezíveis e fontes do pecado, abrindo-se a uma apreciação mais positiva da vida concreta e do relacionamento humano, entendendo o ser humano como uma maravilhosa obra divina.

. Antunes, José. "A Invulgar cultura literária de Frei António de Lisboa". In: Departamento de Ciências e Técnicas do Património / Departamento de História e de Estudos Políticos Internacionais (org). Estudos em homenagem ao Professor Doutor José Marques, vol. 2. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2006, pp. 389-390

Santo Antonio e as Almas
A relação de Santo António com as almas do Purgatório deve-se à confiança na sua intercessão, muito aliada ao poder do fundador São Francisco e, sobretudo, à mística do cordão da sua túnica. As composições dos painéis do Purgatório e das alminhas populares seguem um esquema repetitivo, dividido geralmente em duas zonas. Pessoas várias no suplício, entre chamas, em baixo, e, em cima, personagem que intervém a favor dos condenados, muitas vezes sob o olhar superior da Santíssima Trindade.

35Na grande pintura da Igreja Matriz de Azurara aparece, a presidir à cena, a Santíssima Trindade, separada do resto por nuvens. Preenchem a composição diversos anjos, alguns com terço nas mãos. Santo António puxa um condenado do Purgatório. Em baixo, envolvidos em chamas, estão dez corpos do lado direito e cinco do lado esquerdo. Subjaz a esta pintura uma outra, possivelmente quinhentista e de excelente qualidade, a avaliar pelos rostos entretanto postos a descoberto. Só estudos futuros permitirão tomar as opções certas.
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36Na Igreja Matriz de Campanhã, a tábua policromada de um retábulo é também rematada pela figuração da Santíssima Trindade. Santo António aparece ao centro da composição, de joelhos sobre as nuvens, com o Menino nos braços. O Menino tem a mão direita em gesto de falar e segura uma cruz na esquerda, a revelar o sinal da salvação. Dois anjos fazem o trabalho de retirar os condenados, situados no extremo da composição. Na parte inferior estão corpos entre chamas, cinco na direita e quatro na esquerda, entre eles um rei e um bispo, e um dos condenados está acorrentado.

37Santo António aparece acompanhado de Nossa Senhora ou de São Miguel. A inclusão de Santo António nas representações de alminhas revela o enorme poder intercessor, adquirido pela fama de santidade. Pela sua relação com as Confrarias das Almas, referimos entre os objetos de culto litúrgico, que assinalam presença devota antoniana, as bandeiras e as cruzes destinadas às procissões.

38Também na escultura, a devoção às almas deixou marcas curiosas na diocese do Porto. Podemos registar os casos da Capela de Santo Antoninho da Igreja Matriz do Bonfim e da Capela de Santo António e Almas de Canidelo. No primeiro caso, três corpos entre chamas erguem os braços para o intercessor. Em Canidelo, três corpos encontram-se de mãos postas, outro gesto revelador da mesma prece.
fonte https://journals.openedition.org/cultura/332#tocto1n3
Revista de História e Teoria das Ideias

Muito bem!
Pelo acima exposto, fica relativamente fácil compreender por que Santo Antonio é o padroeiro dos Exus e da falange de Seu Zé Pelintra, porém, não consegue estabelecer tal relação quem não conhece Exu e a extensão dessa linha de trabalho no astral e na Terra.
Muito se fala, existem muitas teorias a respeito desse "sincretismo", mas, analisando mais a fundo, chegando mais perto, percebemos que a questão é mais profunda.
Para ilustrar essa reflexão, relato uma das minhas muitas experiências com Sr.Tranca Ruas das Almas:
Foi um tempo de trabalho apométrico. Na noite anterior ao trabalho, esse Exu, meu pai, mestre e amigo a quem muito tenho a agradecer, me levou, durante o sono, em desdobramento, a uma imensa biblioteca no astral. Havia muitos livros e uma grande mesa no centro.
Ele então conversou comigo rapidamente e me mostrou um grande livro que estava sobre essa mesa. O livro, de capa em couro branco, me lembro bem desse detalhe, tinha o simbolo da maçonaria desenhado em dourado.
Não lembro muito bem o que houve a seguir, mas, está gravado em minha memória este local e o livro.
Em outras ocasiões estive novamente nessa biblioteca.
O que quero destacar com este breve relato é que: a maioria dos Exus, quando encarnados, foram estudiosos, homens da lei, da justiça, padres, monges, homens cultos assim como foi em vida nosso querido Santo Antonio e, na minha opinião, a chave para o mistério desse "sincretismo" reside justamente neste ponto; a cultura. Além, é claro, da dedicação aos semelhantes sempre em defesa dos mais fracos e injustiçados, assim como agem nossos queridos amigos Exus na Umbanda e a falange de Sr. Zé Pelintra.
Certamente a autoridade moral e espiritual de Santo Antonio repercute até os dias atuais naqueles que foram e ainda são seus devotos, por isso, creio eu, a imagem, acima descrita, da obra de arte que simboliza o Santo intercedendo pelas pessoas, e as resgatando, no purgatório, umbral dos católicos e, diga-se de passagem, lugar muito conhecido pelos Exus de todas as hierarquias.
Sabemos, pelos relatos de alguns Exus, que resgates no Umbral são realizados minuto a minuto, tanto próximo à Terra quanto mais profundos e que esse trabalho é da alçada e competência dessa falange, ou grupamento de espíritos, além, é claro, das Pombas Giras que assim como os Exus realizam esse trabalho, portanto, conhecer é preciso para entender.
A ilustração acima descrita, mostra Santo Antonio resgatando do "fogo eterno" e acompanhado ora por São Miguel Arcanjo, patrono da Umbanda, ora pela Virgem Mãe Maria, ou seja, a espada que corta o mal e o coração que acolhe, conforta e que para nós, Umbandistas, está relacionado com Yemanja e Oxum, mães por excelência na religião.
Santo Antonio, portanto, no astral, deve ter resgatado muitos espíritos em sofrimento, talvez não ele mesmo, mas, a projeção de sua presença, ou seja, para um ser iluminado, basta que seja chamado, invocado para auxiliar que, de onde ele estiver, se projeta e aparece para o resgate. Para tanto, certamente, alguns Exus acompanham a projeção e realizam o trabalho com mais facilidade porque, para o fiel é muito importante ver o Santo, mesmo que seja apenas uma projeção de seu espirito.
Fica clara essa relação entre os Exus e Santo Antonio a partir dessa reflexão.
Primeiro Doutor da Igreja Franciscano, alia aplicação da Lei com compaixão, justiça/autoridade a partir do amor ao próximo e à todas as criaturas, assim como Exu.
Talvez seja finalmente essa a conclusão dessa minha breve reflexão que acaba por nos remeter a Ogum, que na Bahia é sincretizado com Santo Antonio não apenas pelo aqui exposto, mas, também por ter recebido, postumamente, títulos militares além de honrarias esse nosso tão querido Santo.
Não há nada mais coerente nessas ligações "sincréticas" entre Santo Antonio - Exu - Ogum, senhores da Lei, Ordem, Bravura sem perder a compaixão e o respeito pelos semelhantes e por todas as formas de vida criadas por Deus.

Anna Pon

06.06.2018

quarta-feira, 23 de maio de 2018

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